
Capítulo 134
O Extra é um Gênio!?
A embarcação começou a desacelerar à medida que se aproximava do grande cais de Teralis.
Noel e Marcus ainda estavam nos campos de treinamento — presos a um combate intenso de esgrima. O som das espadas de madeira se chocando ecoava pela sala.
Nenhum deles estava segurando o ritmo.
A velocidade dos movimentos deles estava em outro nível completamente.
Garron, observando à beira, tinha desistido de tentar acompanhar o ritmo.
"Tch... Não consigo mais nem acompanhar eles," murmurou.
Laziel e Clara estavam juntos perto dali.
Ambos eram magos, não guerreiros de linha de frente. E, ao ver o nível que Noel e Marcus estavam exibindo, nenhum deles tinha muita vontade de entrar na batalha.
"Vou passar," disse Laziel de forma tranquilidade.
"Eu também," acrescentou Clara com um sorriso discreto.
Seus olhos permaneceram fixos na partida.
De volta ao chão, Marcus avançou baixinho, tentando uma finta rápida. Noel bloqueou com um contra-ataque suave, as lâminas se entrechocando por um breve momento antes de se separarem novamente.
Então—
A voz de Clara ecoou pela sala de treinamento.
"Gente—we chegamos!"
Ambos os combatentes ficaram imóveis no meio do movimento.
Marcus sorriu de canto, abaixando a espada.
"Acho melhor pararmos aqui. Podemos treinar mais depois, Noel."
Noel se endireitou, respirando fundo.
"É... daqui a uma semana."
Marcus inclinou a cabeça.
"O que você quer dizer?"
A voz de Noel permaneceu calma.
"Depois do casamento, vou dar uma passada na Capital Santa."
Os olhos de Marcus se iluminaram.
"Que surpresa boa. Você vai ajudar na obra do orfanato como a gente?"
Noel piscou.
"O quê? Não, de jeito nenhum. Só vou fazer uma visita."
Marcus deu uma risadinha.
"Entendi. Bem, se mudar de ideia, avise a gente. Quando chegar lá, passa pra dar um oi."
Noel deu um leve aceno com a cabeça.
"Claro."
Marcus sorriu calorosamente.
"Até lá, Noel. Vamos nos ver novamente em breve."
Com isso, Marcus virou-se para juntar-se a Clara, enquanto Laziel e Garron já estavam lá fora esperando.
Noel permaneceu por um momento no mesmo lugar—observando-os partir.
Depois que os outros saíram, Noel colocou a espada de madeira no suporte e silenciosamente deixou os campos de treinamento.
Enquanto caminhava pelo corredor em direção ao seu quarto, um pensamento girava em sua mente.
'Estes próximos dias vão ser chatos... bem, não tenho o que fazer.'
Ele chegou à cabana e empurrou a porta.
Dentro, o quarto estava como havia deixado—arrumado, organizado.
O Farpas do Revenant descansava na mesa.
Noel foi até lá e pegou com cuidado, colocando na bainha. Como sempre, prendeu-o com firmeza no lado direito de seu cinto.
Sua bolsa dimensional já estava presa no lado esquerdo.
Ele olhou para o espelho do outro lado do cômodo.
Por um momento, apenas encarou seu reflexo.
'Tch... odeio isso. Talvez deva cortar o cabelo antes do casamento…'
Noel ajeitou sua aparência.
Vestia um terno azul-marinho perfeitamente ajustado, uma camisa branca impecável e uma gravata preta bem alinhada.
Os sapatos lustrosos completavam o visual.
Uma última olhada no espelho—tudo parecia perfeito.
Ele respirou lentamente.
'Beleza... vamos terminar logo isso.'
Sem dizer mais nada, saiu do quarto em direção à saída da embarcação.
Noel desceu a escadaria com passos firmes, enquanto o navio finalmente atracava.
A cidade de Teralis se estendia à sua frente—grande e vibrante de cores.
Era o coração do poder da família Lestaria—uma das grandes casas élficas.
'Então é aqui que fica Teralis…' pensou Noel, com o olhar varrendo a paisagem urbana. 'Como era de se esperar. O casamento tinha que ser aqui.'
Ele seguiu pelo cais, percebendo que Marcus e os outros já tinham partido.
'Devem ter pegado uma carruagem para o sul. Felizmente, não vai demorar—Lestaria e a Capital Santa fazem fronteira.'
À sua frente, uma carruagem se destacou entre as outras—a de um azul-marinho profundo, ostentando o brasão inconfundível da família Thorne.
O olhar de Noel se aguçou.
'Essa deve ser para mim.'
Ele se aproximou casualmente e viu o cocheiro—uma face desconhecida.
'Não me lembro dele. Provavelmente só mais um servo da casa.'
Noel parou perto da carruagem.
"Bom dia," cumprimentou.
O cocheiro virou rapidamente.
"Oh! Jovem Mestre Noel! Por favor, deixe-me pegar sua bagagem. Hm? Você não tem nenhuma?"
'Por que ele é tão educado comigo?'
Noel fez um gesto em direção à sua bolsa dimensional.
"Não há necessidade. Tenho tudo aqui."
O cocheiro sorriu, um pouco envergonhado.
"Entendo. Claro, faz sentido… Então, por favor, entre. Levo você até sua família."
Noel entrou na carruagem sem mais comentários.
Ele se acomodou no assento confortável da carruagem azul-marinho enquanto ela começava a se mover pelas ruas de Teralis.
As rodas giravam suavemente sobre as largas passarelas de madeira que serviam como principais vias da cidade—entrelaceadas e rodeadas pelas enormes árvores.
Noel apoiou um cotovelo na moldura da janela, olhando silenciosamente para fora.
Não demorou para perceber que Teralis era bem diferente de Estermont.
Estermont fora uma cidade de puro luxo—pedras reluzentes, solares imponentes, pináculos dourados. Um lugar construído para mostrar a riqueza de suas casas nobres.
Mas Teralis… era algo completamente diferente.
Ela não exibia seu poder com ouro ou mármore.
Em vez disso, estava entrelaçada no coração vivo da floresta.
Ao seu redor, árvores ancestrais se erguem em direção ao céu—cada uma mais larga que a maioria dos edifícios humanos, com troncos grossos de casca retorcida e musgo verde profundo.
E dentro dessas estruturas vivas—formas foram moldadas.
Janelas e varandas surgiam dos troncos. Passarelas de madeira serpenteavam pelos galhos. Luzes delicadas pendiam do dossel, brilhando suavemente no ar da manhã.
Pontes de prata entrelaçada formavam um piso superior de ruas que conectava a cidade acima do nível da floresta.
Elfos se movimentavam com graça por elas—homens e mulheres vestidos com roupas finas, caminhando leveza pelos pontes suspensas como se fossem quase sem peso.
Era uma beleza de uma forma que Noel não tinha esperado.
Um lugar onde a arquitetura não competia com a natureza—mas a abraçava.
'Sinceramente… imaginar tudo isso pelo romance não fez justiça,' pensou Noel, enquanto seus olhos percorriam as formas fluidas da cidade.
O próprio ar tinha uma qualidade diferente—fresco, frio, com o leve aroma de flores e vegetação.
O sussurro constante de magia quase podia ser sentido aqui, entrelaçado no tecido da floresta.
Até Noel, que normalmente pouco se importava com essas coisas, tinha que admitir que era impressionante.
'É o tipo de cidade que não precisa gritar sobre seu poder,' pensou. 'Você consegue sentir só de estar aqui.'
O carrinho continuou sua trajetória suave, passando por vendedores que vendiam ervas raras e componentes mágicos, crianças élficas brincando nos altos pontes, e nobres elfos cavalgar com elegância em windrunners—bestas que lembravam uma mistura de cervos com grandes aves.
Noel observava tudo em silêncio.
Então, a voz do cocheiro quebrou seus pensamentos.
"Chegamos, Jovem Mestre Thorne."
Noel piscou, desviando o olhar da janela.
"Já entendi. Obrigado."
A carruagem diminuiu de forma graciosa até parar diante de uma grande residência situada no coração de Teralis.
Não era tão grande ou imponente quanto a propriedade principal da família Thorne em Valor—mas ainda tinha sua presença.
Pórticos de madeira talhados, runas de prata gravadas ao longo das molduras das portas, lampiões de mana pura emitindo uma luz azul suave.
E acima da entrada—o brasão da família Thorne, esculpido na madeira viva do tronco.
Noel respirou fundo lentamente, ajeitando uma última vez o terno.
'Vamos ver se a família mudou algum pouco enquanto estive fora…'
Com o pensamento, ele abriu a porta da carruagem.