
Capítulo 133
O Extra é um Gênio!?
Ao ouvir seu nome sendo chamado, Noel virou a cabeça na direção da voz.
Logo viu quatro figuras familiares se aproximando—Garron, Laziel, Clara e Marcus—o protagonista original da história.
Eles caminhavam em direção a ele.
'Não queria cruzar com eles tão cedo. Que saco. Queria passar despercebido e encontrá-los na próxima cena… mas, bem, não dá mais pra fugir agora.'
Noel fez uma respiração suave e os cumprimentou.
"Oi…"
Marcus sorriu de canto.
"Você não parece muito feliz por nos ver—ao contrário de nós."
Noel respondeu com um leve encolher de ombros.
"Ah, não tire isso a mal. É uma surpresa agradável… com certeza. O que vocês estão fazendo aqui?"
'Tenho que manter as aparências.'
Clara respondeu.
"Estamos indo para a Capital Sagrada em Elarith."
Noel deu um pequeno aceno de cabeça.
"Imaginei… meio óbvio com o roteiro do navio."
Clara franziu levemente a testa com sua resposta direta, claramente irritada.
Marcus rapidamente mudou de assunto.
"Enfim… pra onde você vai, Noel?"
"Minha irmã vai se casar. Com alguém da família Lestaria. Vou ao casamento."
"Entendi. Bem, dá meus parabéns para ela," Laziel disse educadamente.
"E os meus também," acrescentou Garron.
Noel deu um aceno neutro.
"Entendido… eu vou avisar a ela."
'Será que eles sabem mesmo como é minha relação com eles de verdade?'
"Certo, papo vai, papo vem. A gente veio mesmo fazer um treino. Quer participar?"
Noel pensou por um momento.
'Não é uma má ideia. Assim posso ver até onde eles evoluíram.'
"Claro," respondeu de forma simples.
Garron sorriu abertamente, claramente animado.
Sem hesitar, ele tirou a camisa—agora ficando de pé, com o peito exposto por completo.
Era fácil perceber: ele pensava mais com seus músculos do que com a cabeça.
Noel deu uma leve suspiro.
"Primeiro sou eu," disse calmamente.
Ele se aproximou, colocou a Lâmina do Resquício cuidadosamente no chão e escolheu uma espada de madeira simples de uma prateleira próxima.
Voltando-se para Garron, perguntou casualmente:
"Você não vai usar uma arma?"
Garron exibia os braços com orgulho, sorrindo de canto.
"Já viu esses músculos? Que arma eu preciso quando tenho esses dois?"
Fez uma pose—os bíceps bem destacados.
Noel piscou uma vez.
"Sim… claro."
Marcus se colocou entre eles, levantando a mão.
"Certo. Aqui estão as regras. Sem mana. É uma luta de técnica de combate pura. A partida termina se um de vocês perder a arma, ficar numa posição claramente desvantajosa ou se render."
Ambos assumiram suas posições.
Garron adiantou-se com uma postura mais parecida com a de um boxeador—punhos levantados, pronto para atacar.
Noel, por outro lado, manteve-se calmo—segurando a espada de madeira com leveza numa mão. A outra mão repousava atrás das costas, como se dissesse: nem vou precisar das duas mãos pra isso.
A expressão de Garron mudou.
Ele interpretou aquilo claramente como um insulto.
Os pensamentos de Noel eram frios e divertidos.
'Brincar com a cabeça das crianças é muito fácil.'
Marcus olhava entre os dois.
"Comecem."
O combate começou.
Garron avançou imediatamente—rápido para o tamanho dele, punhos atacando com força bruta.
Mas Noel se movimentou com facilidade.
Ele desviou graciosamente—um passo suave após o outro—quase sem precisar bloquear.
Cada golpe pesado de Garron encontrava apenas ar ou um leve toque da lâmina de madeira de Noel redirecionando seus movimentos.
Não demorou muito para que a frustração de Garron começasse a aparecer—suas investidas ficando mais descontroladas a cada erro.
Noel esperou.
Então—no momento perfeito—ele deslizou seu pé atrás do tornozelo de Garron enquanto girava com suavidade.
Garron perdeu o equilíbrio.
Num piscar de olhos, Noel levantou a espada de madeira e a parou limpo contra a garganta de Garron.
O garoto maior ficou sentado no chão, piscando surpreso.
Noel falou com calma.
"Se você não tivesse perdido a cabeça antes de começarmos, isso teria sido mais difícil."
Garron olhou pra cima, para ele.
"Hã? Você fez de propósito?"
Noel permitiu-se um sorriso quase imperceptível.
"Claro."
Quando Garron se levantou, esfregando a nuca e sorrindo meio envergonhado, Marcus avançou, puxando sua própria espada de madeira.
"Certo," disse sorrindo. "A minha vez."
Noel pegou outra espada de madeira—dessa vez segurando firmemente com as duas mãos desde o começo.
Marcus arqueou uma sobrancelha.
"Já usando as duas mãos?"
Noel deu uma leve cabeça.
"Sei do que você é capaz. Prefiro não ir embora humilhado."
Marcus riu.
"Beleza."
Laziel e Clara observaram com interesse do lado.
Clara se inclinou um pouco, sussurrando.
"Vai ser bom."
Laziel concordou. "Vai mesmo."
Marcus e Noel ficaram de frente um para o outro—ambos com posturas limpas e concentradas.
Dessa vez, o clima no ar parecia diferente.
Ao contrário de Garron, Marcus não carregava imprudência—suas movimentações eram controladas, os olhos afiados e claros.
Noel ajustou sua pegada, corpo relaxado porém preparado.
Marcus sorriu.
"Preparado?"
Noel encarou firme.
"Sempre que você estiver."
Marcus respirou lentamente, então avançou.
Seus espadotes colidiram.
A troca inicial foi rápida—cada um testando a guarda do outro.
Marcus avançou com golpes suaves, ensaiados—o timing afiado, o movimento de pés limpo.
Noel respondeu a cada ataque com igual precisão.
Seus espadotes de madeira se encontraram repetidamente—cada impacto ressoando suavemente pela sala de treinamento.
Por alguns minutos, nenhum dos dois conseguia ganhar vantagem.
Do lado, Garron assistia com admiração.
"São ambos bons," ele murmurou.
"Muito bons," acrescentou Laziel.
Clara apenas assistia em silêncio—olhos fixos em Noel.
De volta ao ringue, Noel estreitou o olhar.
'Ele evoluiu. Nada mal.'
Porém, Marcus pensava o mesmo.
'Ele está mais rápido do que eu imaginei. E mais preciso.'
O combate continuou—nenhum disposto a ceder espaço.
Cada movimento era calculado.
Cada golpe respondido.
E, com os primeiros minutos passando, ficou claro—
Que aquela luta valeria a pena ser lembrada.
A batalha se arrastou—minuto após minuto.
Nenhum dos lados recuou.
Os movimentos de Noel eram precisos, deliberados—os golpes cortantes, o jogo de pés perfeito.
Marcus respondia com igual velocidade e controle—o timing quase impecável, a postura firme.
O som de madeira chocando com madeira ecoava na sala de treinamento em um ritmo constante.
Ambos os lutadores respiravam com mais dificuldade—mas nenhum diminuía o ritmo.
Mais um impacto.
Mais uma defesa.
Marcus avançou com uma finta rápida, e Noel respondeu com uma contra-espada súbita—ambos lendo o adversário com precisão assustadora.
Por um momento, as espadas ficaram travadas—cada uma empurrando contra a outra.
Depois, seSepararam lentamente, circulando com calma.
Gotas de suor escorriam pela testa de Marcus.
O aperto de Noel nunca vacilou.
'Ele é realmente bom,' pensou Noel. 'Nada mal… nada mesmo.'
Marcus sorriu.
'Ele está mais forte do que nunca. Não posso vacilar nem por um segundo.'
E então—ambos se moveram ao mesmo tempo.
Marcus avançou com uma estocada alta e repentina, a lâmina apontada diretamente ao pescoço de Noel.
No mesmo instante, Noel se abaixou, a sua espada varrendo para cima, perfeitamente inclinada em direção ao pescoço de Marcus.
Ambos ficaram imóveis.
A espada de Marcus pairava a poucos centímetros do pescoço de Noel, com a ponta firme.
A lâmina de Noel também estava bem próxima—defletida para cima abaixo do queixo de Marcus, pronta para atacar.
Nenhum dos dois se moveu.
Ambos mantiveram suas posições em equilíbrio perfeito—nenhum podia vencer sem correr o mesmo risco.
De fora, Laziel gritou.
"Empate!"
A sala ficou em silêncio por um momento.
Noel suspirou suavemente, baixando primeiramente a espada.
Marcus sorriu com entusiasmo e deu um passo atrás, também baixando a espada.
"Você me surpreendeu de verdade, Noel," disse com admiração sincera. "Nunca imaginei que você ficaria tão forte. Impressiona."
Noel respondeu de forma simples.
"É…"
Enquanto ambos recuavam, abaixando as espadas, a sala ficou silenciosa por alguns instantes.
Depois—
uma salva de palmas explodiu.
Outros homens que treinavam por perto—que tinham parado no meio do golpe, no alongamento—agora batiam palmas abertamente, impressionados com o que tinham visto.
Marcus sorria, as bochechas levemente vermelhas pelo esforço.
Noel respirou fundo e falou calmamente.
"Você também não é ruim. Se quiser, podemos continuar até chegarmos ao nosso destino."
Marcus piscou, depois sorriu largo.
"O quê? O Noel frio de antes me chamando pra duelar?"
Noel estufou a boca.
"Esquece. Tsc…"
Marcus deu risada.
"Brincadeira, brincadeira. Amanhã de manhã, a gente se encontra aqui de novo. Ainda temos mais três dias—vamos treinar o máximo que pudermos."
Noel deu um pequeno aceno de cabeça, sem dizer mais nada.