
Capítulo 131
O Extra é um Gênio!?
Noel havia chegado ao Porto Oeste de Estermont.
Aqui repousava o mar que separava os dois continentes. A distância entre eles não era muito grande — de barco, a travessia podia ser feita em cerca de cinco dias.
Seu navio partiria em exatamente quinze minutos.
Noel virou-se para o cocheiro que o trouxera.
"Por favor, avise que cheguei em segurança."
O motorista assentiu uma vez, então virou-se e partiu, guiando a carruagem de volta pelas ruas movimentadas.
Noel voltou a olhar para frente.
O Porto de Estemon era exatamente como tinha imaginado pelo romance — majestoso, vasto, um lugar onde a riqueza e o poder da família Estermont estavam em plena exibição.
Pilares de pedra elevados se estendiam sobre a água de um azul profundo. Incontáveis embarcações estavam atracadas — algumas feitas para transportar pessoas, outras para mover mercadorias, outras construídas para o luxo.
Passageiros de todas as raças atravessavam os portões — humanos, elfos, anões e mais. Comerciantes, viajantes, nobles. E, claro, algumas das embarcações faziam parte da frota comercial de Estermont, entre as mais famosas do mundo.
O olhar de Noel varreu o porto.
E então ele o viu — seu navio.
Ele parou por um momento, piscando surpreso.
"É enorme. Meu Deus. Parece um prédio — alto e comprido. Será que um navio de cruzeiro era assim na Terra?"
A embarcação era colossal — nada parecida com um simples navio à vela. Não tinha velas alguma.
Em vez disso, o navio funcionava por um motor especial, alimentado por mana.
Engenharia mágica na sua melhor forma — capaz de fazer longas viagens sem necessidade de vento. A estrutura se erguia acima das demais, com várias plataformas de decks empilhadas umas sobre as outras.
Noel balançou a cabeça, admirado, e seguiu rumo à fila de embarque.
A fila era longa.
Os passageiros esperavam pacientemente, cada um segurando seu ingresso em mãos.
Noel os observava tranquilamente.
"O meu está na minha bolsa dimensional", pensou com confiança.
A fila movia-se lentamente. Um a um, os passageiros entregavam seus ingressos e eram autorizados a passar.
Finalmente — a vez de Noel.
Um funcionário uniformizado na escada de embarque olhou para ele.
"Ingresso, por favor."
Noel assentiu casualmente. "Sim — um instante..."
Ele entrou na sua bolsa dimensional, procurando entre seu conteúdo.
Passaram alguns segundos.
Uma risada nervosa escapou de seus lábios.
"Hehe… vocês não vão acreditar nisso..." disse desconcertadamente.
O tom do funcionário mudou para firme.
"Se o senhor não tem ingresso, não pode embarcar."
Antes que Noel pudesse responder, outro funcionário veio apressado, sussurrando algo rapidamente no ouvido do primeiro.
O primeiro parou, surpreso, endireitou-se imediatamente e deu um passo de lado.
"Peço desculpas, senhor. Não percebi quem era. Por favor, siga em frente."
Noel levantou uma sobrancelha.
'Que diabos eles disseram pra fazer ele me deixar passar?'
Ainda intrigado, avançou em direção ao enorme navio.
Assim que Noel subiu a bordo do navio colossal, alguém já o aguardava.
Um jovem — vestindo o uniforme limpo de um servo do navio — estava próximo à área de entrada. Parecia ter seus vinte e poucos anos, com cabelo castanho curto e olhos marrons combinando. Parecia perfeitamente comum.
"Por aqui, por favor", disse o rapaz com um aceno educado.
'Vou seguir ele então,' pensou Noel.
Eles passaram pelos longos corredores do navio.
De cada lado, Noel podia ver fileiras de pequenas cabines de passageiro — portas alinhadas de forma organizada pelos corredores de madeira polida.
Após algumas curvas, chegaram a uma escada.
Juntos, subiram vários andares — passando por mais decks, os corredores ficando visivelmente mais refinados a cada nível.
Finalmente, pararam diante de uma grande porta no deck superior.
"Chegamos", disse o jovem. "Esta será sua cabine durante a viagem. Se precisar de alguma coisa, não hesite em nos chamar. Você vai encontrar uma campainha mágica na luminária ao lado da sua cama."
Noel levantou uma sobrancelha.
"E como exatamente vocês vão ouvir o som dessa campainha?"
O homem sorriu levemente.
"Deixe-me explicar. Quando você tocar nela, ela não fará nenhum som audível aqui. Em vez disso, ativará outra campainha na sala do staff — essa é a que realmente toca."
"Ah, entendi. Certo — obrigado. Pode ir."
O servidor fez uma reverência leve e saiu.
Noel entrou na cabine.
A sala era… elegante, para dizer o mínimo.
Com um olhar, ele tinha certeza — foi tudo preparado pela família Estermont. Seja Lady Elissabeth ou Elyra, ele não sabia — mas definitivamente não foi Lorde Caeron. Não depois de dizer adeus à filha dele desta forma.
O quarto tinha a mesma elegância refinada do cômodo de hóspedes na mansão Estermont.
Tapetes fofos. Cortinas vermelhas escuras. Revestimento de painéis de madeira polida. Uma cama grande com lençóis de veludo. Até uma pequena área de estar com uma mesa perto da janela.
Noel suspirou silenciosamente, com divertimento.
'Claro.'
Sem perder tempo, relaxou a gravata preta e tirou o paletó.
Apesar de ainda ser tarde, foi direto para a cama.
Estava exausto.
O mês anterior tinha sido intenso — um desafio atrás do outro.
E, mesmo após descansar um pouco ao voltar de Iskandar para Estermont de carruagem, ele não tinha relaxado de verdade — nem por um instante.
Agora? Ele não ia perder a oportunidade.
Deitou-se, fechou os olhos e, em poucos minutos, mergulhou em um sono profundo.
Quando Noel finalmente acordou, era noite.
'Aquilo foi uma soneca daquelas.'
Ainda deitado na cama, alongou-se preguiçosamente, os ossos rangendo discretamente.
Após um momento, sentou-se e vestiu-se novamente — escolhendo uma roupa elegante. Em um navio como aquele, a aparência importava. Melhor manter a imagem adequada.
Pronto, saiu da cabine e seguiu pelos decks superiores.
Logo chegou ao restaurante luxuoso a bordo.
O cheiro de comida recém-preparada o atingiu assim que entrou — e seu estômago ronrou alto em resposta.
'Pois é… realmente preciso comer.'
Assim que entrou, um garçom bem vestido se aproximou.
"Posso levá-lo a uma mesa, senhor?"
Noel assentiu. "Claro."
Seguiu o homem pelo salão de jantar suavemente iluminado — lustres de ouro quente penduravam-se do teto, lançando um brilho sobre a madeira polida e a decoração em tons de carmesim rico.
Mas, ao passar por uma das mesas maiores, Noel percebeu algo no canto de seu olho.
Marcus.
Sentado com Laziel, Garron e Clara.
Ele ficou tenso por um instante, mas tentou disfarçar, fingindo não ter notado.
Sentou-se, esperando que eles não tivessem visto.
Logo o garçom reapareceu.
"O que deseja pedir?"
"Traga a melhor carne que tiver."
"E de bebida?"
"O melhor vinho que vocês tiverem."
"Muito bem. Voltarei em breve."
Noel recostou-se na cadeira, exalando devagar.
'Se posso viver uma vida de luxo agora, é melhor aproveitar. Hehehe.'
Seu olhar se dirigiu para a janela próxima enquanto ele mergulhava em pensamentos.
'Certo… a última fase para fechar o Ato III parece que não mudou — pelo menos por enquanto. Poderia ter ficado mais um dia em Estermont e passado com Elyra… mas quis ter certeza disso. Ainda não posso me juntar ao grupo deles, mas, após o casamento, provavelmente terei que encontrá-los.'
Cruza os braços de forma casual.
'Vou para Lestária para o casamento. Eles estão indo para o sul, para aquele pequeno reino sagrado abaixo. Imagino que a Santa, Charlotte, já deve ter conhecido Marcus. Aposto que eles concordaram em ir juntos para a Capital Santa.'
Ele suspirou levemente.
'Chega de pensar por enquanto. Nada de bom surge de ficar remoendo — Roberto tinha razão, quando penso demais, sempre acontecem coisas ruins.'
Um momento depois, o garçom voltou — deixando diante dele um bife perfeitamente cozido, com um copo de vinho tinto encorpado.
Noel sorriu para si mesmo.
'Por enquanto… é só aproveitar isso.'