O Extra é um Gênio!?

Capítulo 130

O Extra é um Gênio!?

Noel estava sentado na sala de hóspedes.

Fazia cerca de três horas desde o café da manhã. A casa tinha ficado mais silenciosa, o barulho intenso do início amenizando-se em um calmaria mais discreta.

Em cerca de duas horas, o navio partiria do porto—das docas do oeste de Estermont. O que significava que Noel tinha apenas uns trinta minutos antes de sair de carruagem para chegar a tempo.

Ele já estava preparado.

Agora vestido com um terno preto elegante, com uma gravata preta perfeitamente amarrada ao pescoço. As linhas do paletó caíam alinhadas ao seu corpo—formal, mas prático. Justamente adequado para a presença que precisaria manter nesta próxima etapa da jornada.

Ele checou os últimos itens, o olhar varrendo o cômodo.

'Tenho tudo pronto.'

O sistema ainda exibia uma linha silenciosa de texto no canto de sua visão:

[Noir — Evolução em andamento.]

'Revenant Fang está na cama.'

Ele lançou um olhar para a lâmina negra e elegante que repousava cuidadosamente sobre a colcha, imóvel e repousando.

'E como usei todas as pétalas de geada… e esvaziei toda a comida que embalei para o Pic da Fortaleza de Gelo… Agora tenho bastante espaço para roupas novas e água.'

Um pequeno sorriso se insinuou nos cantos de sua boca.

'Honestamente… provavelmente a melhor compra que já fiz desde que cheguei a este mundo.'

Ele inclinou-se ligeiramente na cadeira, apreciando a cena à sua frente.

'Agora... O que faço com meus sentimentos? Posso ter relacionamentos neste mundo? Devo? A poligamia também existe aqui. Não colocaria as pessoas em perigo por meus desejos egoístas e pelo que tenho que cumprir?'

Vários pensamentos cruzaram a mente de Noel.

O chão do cômodo estava espalhado de pétalas de geada—restos da missão. O espaço quase parecia um jardim agora, com pétalas suaves e cintilantes espalhadas pelo piso polido, brilhando suavemente à luz.

Um momento de silêncio.

Até que—

Toc-toc. Toc-toc. Toc-toc.

Uma batida na porta.

Noel endireitou-se.

"Entre."

A porta se abriu lentamente.

Elyra entrou—vestindo um vestido vermelho escuro elegante, ligeiramente revelador, com linhas que abraçavam sua silhueta na medida certa para chamar atenção. O vermelho profundo da sua cor da casa parecia ainda mais rico na luz suave da tarde.

Seu cabelo estava penteado de forma simples, caindo solto pelos ombros.

Ela olhou para ele com calma.

"Sou eu, Noel."

Ele arqueou uma sobrancelha levemente.

"Você está batendo? Qual é a ocasião?"

Elyra sorriu levemente.

"Você não me avisou antes que preferia que eu batesse primeiro?"

"Ah… certo. Eu falei. Mas, honestamente, se for você, não me incomoda."

Elyra inclinou a cabeça, um pequeno brilho brincalhão nos olhos.

"Hã? Está tentando flertar comigo agora?"

A expressão de Noel mudou um pouquinho—um toque de constrangimento que ele não conseguiu esconder totalmente.

Ele não era muito bom em jogar com as provocações de Elyra, e ela podia perceber claramente na leve cor que subia ao seu rosto.

Para mudar de assunto, ele pigarreou.

"Então… o que te traz aqui?"

O olhar de Elyra suavizou.

" Vim me despedir. Sei que você vai partir daqui a cerca de meia hora para pegar seu navio."

Noel assentiu. "Você queria vir comigo?"

"Sim."

Seus olhos se arregalaram um pouco. "Sério?"

Elyra sorriu de leve.

"Eu quero… mas, neste momento, prefiro ficar com minha mãe."

Noel deu um suspiro, um pequeno sorriso surgindo nos lábios.

"Entendo. É a coisa lógica a fazer. Não que eu faria isso… mas faz sentido, não é?"

Elyra deu uma risadinha suave.

"Sei que você não tem exatamente uma boa relação com sua família, Noel. Mas nem todo mundo é igual, sabe?"

Ele expirou lentamente.

"Sei… honestamente, não estou ansioso para rever eles novamente. Mas acho que não tenho muita escolha."

Elyra deu um passo um pouco mais perto.

"Sabe… existe uma solução para tudo."

Noel olhou para ela, curioso.

"O que quer dizer? Você sabe que eu não posso simplesmente faltar ao casamento, né?"

Ela sorriu gentilmente.

"Não exatamente isso, o que quero dizer… você sempre pode ter outra família. Ou melhor ainda—começar uma do zero."

Noel ficou olhando para ela, com a boca levemente aberta.

Por uma vez… ele ficou sem palavras.

A voz de Elyra era calma—mas firme.

"Já te falei que gosto de você, Noel. E sei que você atrai outras garotas também. Mas, vamos esclarecer—sou a primeira."

Noel abriu a boca… mas nenhuma palavra saiu.

Antes que pudesse pensar em algo para dizer, Elyra se aproximou mais—até ficarem a poucos centímetros de distância.

Quase um palmo de altura entre eles.

O rosto de Noel ficou ainda mais vermelho, mas… ele não recuou.

Algo no ar fez com que ele deixasse passar, apenas por este momento.

Elyra segurou a manga da gravata dele e ficou na ponta dos pés.

Sem hesitar—ela o beijou.

Noel sentiu seus lábios novamente, suaves e deliberados. Um gosto diferente e mais doce desta vez—provavelmente do batom que usava.

Ele não resistiu.

Quando ela finalmente recuou, os olhos de Elyra brilhavam.

"Você não parece desgostar da ideia—pelo jeito de aceitar tão facilmente."

Noel sorriu levemente, ainda recuperando o fôlego.

"Que se dane, a vida é uma só… Ou talvez duas?"

"Já te disse—estando com a filha da casa mais poderosa de Valor… bem, só atrás da família imperial, não soa tão mal, e acho que agora estou pronto."

Elyra sorriu satisfeita.

"Ótimo. Assim será de agora em diante. Como disse—sei que não serei a única. Tudo bem com isso. Mas lembre-se—se algum dia me negligenciar por um segundo, meu pai está pronto. E o mais importante—sou a primeira."

Noel arqueou uma sobrancelha.

"Por que acha que haverá outras?"

Ela riu suavemente.

"Você não percebeu ainda como Elena tem olhado para você nos últimos meses? Se fosse cego, não veria."

Noel suspirou.

"Entendo… bem, acho que nos veremos novamente em cerca de dois meses, quando as aulas recomeçarem?"

"Exatamente. Estaremos no segundo ano até lá. E… perdão—não te dei parabéns pelo teu aniversário."

Noel piscou.

"Como você sabe quando é o meu aniversário?"

Elyra sorriu com will.

"Você acha que a vice-presidente do conselho não tem acesso às informações dos estudantes?"

Noel a olhou fixamente. "... Desde quando você começou a investigar sobre mim?"

"Desde a segunda semana de aulas, talvez. Desde que te pedi ajuda com os estudantes que estavam saindo escondidos."

"Entendi… não percebi."

"Normal. Eu sou boa em esconder o que quero."

Noel olhou para o relógio.

"Bem… é hora de eu ir. Não quero perder o navio."

"Eu vou com você."

Os dois caminharam juntos pelos grandiosos corredores da mansão de Estermont.

Noel tinha Revenant Fang ao seu lado, no bolso dimensional bem guardado. Tudo o mais—roupas, suprimentos—estava bem armazenado lá dentro.

Ao chegar ao pátio da frente, a carruagem já os aguardava.

Dois cavalos negros e imponentes, maiores que os comuns, estavam em atenção.

'Obviedades. Familiars mágicos, provavelmente. Dinheiro aqui não é problema,' pensou Noel.

Próximo à carruagem estavam Lady Elissabeth von Estermont e Lord Caeron.

O cocheiro esperava pacientemente na frente.

Noel parou diante deles e fez uma leve reverência.

"Obrigada pela hospitalidade. Mas preciso partir agora. Espero que nos encontremos de novo em breve, Lady Elissabeth von Estermont, Lord Caeron von Estermont."

Elissabeth sorriu calorosamente.

"Venha nos visitar quando quiser. Você é quase como um filho para nós, não é mesmo, querido?"

Lord Caeron não parecia muito feliz, mas assentiu de relance.

Não tinha escolha—a palavra da esposa era lei aqui.

'Sim… sei exatamente como é essa sensação,' pensou Noel, observando o casal.

Antes de subir na carruagem, Noel se aproximou primeiro de Elyra.

Elyra sorriu.

"Não está esquecendo de algo?"

Noel deu um sorriso de canto. "Estava indo nessa… embora não esteja exatamente animado com seu pai me observando."

"Não se preocupe," disse Elyra piscando. "Minha mãe mantém ele na coleira."

Sem esperar mais, Noel se inclinou e a beijou.

Desta vez—ele tomou a iniciativa.

Durou pouco—mas foi tempo suficiente para os segurarem por dois meses.

Quando se separaram, Noel sussurrou:

"Até breve."

Logo atrás, Lord Caeron levantou um dedo e passou por cima da garganta numa ameaça de brincadeira.

Mas antes que pudesse concluir o gesto, Elissabeth o puxou pela orelha e o afastou.

"Perdoe meu marido," ela disse com um pequeno sorriso. "Ele ainda não aprendeu a se comportar perto do futuro genro."

"Até logo, pai e mãe."

Noel riu baixinho, depois entrou na carruagem.

As patas dos cavalos partiram suavemente, indo em direção ao oeste, ao porto de Estermont.

A viagem foi tranquila, e após os dias tensos, Noel finalmente se permitiu fechar os olhos.

'Vou descansar um pouco.'

Logo, a voz do cocheiro o despertou.

"Jovem Thorne—chegamos."

Noel piscou, endireitou-se na cadeira e olhou pela janela.

Ante ele, estendia-se o vasto porto de Estermont—a porta de entrada para o próximo capítulo de sua jornada.

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