
Capítulo 118
O Extra é um Gênio!?
O vento tinha ficado mais frio.
Agora, ele uivava ao redor deles, cortante e mordaz, carregando rajadas finas de neve que atravessavam até suas capas mais grossas. Noel e Selene subiam de forma constante, suas pegadas rangendo sobre pedra congelada e gelo compactado.
Já haviam passado da metade da jornada ontem.
Agora só restava o trecho final — o mais difícil.
O ar aqui era mais rarefeito, cada respiração mais aguda, cada passo mais pesado.
Noel liderava, com a Canina Fantasma presa firmemente às costas. Ao seu lado, Selene avançava com determinação silenciosa, sua capa azul ajustada ao corpo, com a varinha em mãos, pronta para usar.
O caminho ia se estreitando à medida que subiam mais alto, serpenteando entre rochas irregulares e plataformas cobertas de neve até o limite do visível.
Noel olhou para cima, na direção do pico imponente que ainda se erguia à frente.
"Quase lá," disse em voz baixa. "Com um pouco de sorte, chegamos ao topo hoje ou amanhã."
Justamente quando as palavras saíram, uma campainha familiar soou em sua cabeça.
[Nova Missão: Curar a doença e salvar a mãe de Elyra. Tempo restante: 10 dias.]
Seu maxilar se tensionou.
'Tenho que apressar. Sinceramente, não quero descobrir o que o sistema amigável faria se eu falhar nesta missão.'
Ele afastou o pensamento por um momento, focando na escalada.
Não havia tempo a perder.
O vento aumentou de intensidade enquanto subiam.
Cada platforma que alcançavam parecia mais estreita que a anterior, a pedra escorregadia com o orvalho de gelo. O trajeto serpenteava entre picos irregulares, com o precipício oculto sob a neve que girava ao redor.
Noel desacelerou ao chegar a uma crista mais ampla.
Então, ouviu.
Um rosnado baixo e ressonante — forte o suficiente para vibrar no peito dele.
Ele ergueu a mão. Selene parou instantaneamente, com a varinha já levantada.
À sua frente, formas enormes emergiram da neve — figuras imponentes cobertas de pelagem branca densa, mais altas que qualquer homem.
Os olhos brilhavam fracamente sob sobrancelhas pesadas. Cada respiração exalava vapor na temperatura congelante, com garras grossas o suficiente para partir pedra.
A voz de Noel era calma, mas afiada.
"Precisamos ter cuidado com esses. Pelo que você comentou, eles são de nível Adept — não podemos vacilar."
Selene assentiu com uma única cabeça.
Noel puxou com suavidade a Canina Fantasma, cuja lâmina brilhava fracamente sob a luz pálida.
Quando o primeiro Yeti rugiu e avançou, Noel se lançou para frente — atraindo a atenção deles.
"Fiquem atrás de mim!" chamou.
Moveu-se com precisão cortante, esquivando-se dos ataques lentos, porém potentes, das criaturas.
Um dos Yetis avançou com investida.
"armadilha de faísca!"
Chamas explodiram debaixo de seus pés, parando a investida com um rugido.
Outro atacou pelo lado — Noel se abaixou sob o golpe, com a lâmina reluzindo:
"Arco de fogo!"
Uma linha afiada de chamas cortou seu peito, mas ele quase não cambaleou.
Pela retaguarda, a voz de Selene soou:
"Prisão dimensional!"
Uma força invisível envolveu um dos Yetis — seus membros foram arrastados como se atravessassem ar mais espesso, movimentos lentos.
Selene aproveitou a vantagem.
"Glacialis!"
Noel agiu rapidamente — atingiu o monstro desacelerado no coração com a Canina Fantasma, girando a lâmina fundo nele.
A fera caiu com um estrondo retumbante.
[Você matou Yeti coberto de neve (Comum - Adept). Você recebeu 0,20%.]
[Progresso atual do Núcleo: 01,53% – Núcleo de Mana: Adept]
Ele virou-se na direção do próximo, movendo-se com fluidez.
Selene observava com atenção, olhos afiados.
'Ele os movimenta à sua vontade, impedindo que o cercassem e me colocando em uma posição segura para lançar feitiços corretamente.'
Quando outro Yeti avançou, Noel avançou de novo, pronto para atraí-los e abrir caminho para sua próxima magia.
A batalha tinha começado.
Eles não pararam.
Depois do primeiro combate, seguiram em frente — adentrando o trecho que ia se estreitando ainda mais.
O vento uivava entre as falhas nas rochas, a neve girando em redemoinhos cegantes ao redor deles.
Outro rosnado baixo ecoou no ar.
Noel amaldiçoou brevemente.
"Mais."
Mais dois Yetis cobertos de neve apareceram — seguidos por um terceiro, depois um quarto.
Noel respirou fundo, com determinação.
"Vou distraí-los de novo. Concentrem-se em lançar as magias."
Selene deu uma única cabeça, olhos já brilhando com mana.
Noel avançou.
"Arco de fogo!"
Uma linha de chamas atingiu o peito do primeiro Yeti. Ele rugiu e partiu em direção a Noel — exatamente como ele queria.
Ele virou-se para evitar o ataque, atraindo dois dos Yetis para si.
"Armigilia de faísca!"
Chamas explodiram aos seus pés, fazendo um Yeti cambalear.
Por trás dele, Selene ergueu sua varinha.
"Prisão dimensional!"
A fita de ar pareceu ondular — um dos Yetis parou no meio da carga, com os membros desacelerados pela força invisível.
Noel enfrentou de frente a próxima criatura.
"Explosão de ignição!"
Chamas envolveram a Canina Fantasma enquanto a empurrava profundamente no lado do Yeti. A criatura uivou, balançando os braços freneticamente — mas Noel a torceu para longe.
"Glacialis!"
Uma saraivada de lanças de gelo atingiu o Yeti desacelerado por trás, perfurando fundo.
Noel finalizou com um golpe limpo no pescoço.
[Você matou Yeti coberto de neve (Comum - Adept). Você recebeu 0,20%.]
[Progresso atual do Núcleo: 01,73% – Núcleo de Mana: Adept]
Ele não diminuiu o ritmo.
O próximo Yeti avançou — Noel desviou-se rapidamente.
"Muralha de gelo!"
Uma parede de gelo surgiu à sua frente, impedindo o avanço.
Selene aproveitou a oportunidade.
"Glacialis!"
Outra tempestade de gelo atingiu a lateral exposta do monstro.
Noel acertou na parte baixa, com Arco de fogo cortando juntas enfraquecidas.
A besta caiu.
[Você matou Yeti coberto de neve (Comum - Adept). Você recebeu 0,20%.]
[Progresso atual do Núcleo: 01,93% – Núcleo de Mana: Adept]
Respirando aceleradamente, Noel circulou ao redor, mantendo os dois últimos afastados.
A voz de Selene voltou a soar:
"Prisão dimensional!"
Um Yeti ficou desacelerado — Noel avançou contra o outro.
"Espinho de gelo!"
Lanças irregulares de gelo surgiram sob ele.
Noel entrou pelo buraco.
[Você matou Yeti coberto de neve (Comum - Adept). Você recebeu 0,20%.]
[Progresso atual do Núcleo: 02,13% – Núcleo de Mana: Adept]
Mais uma onda de gelo e fogo — mais uma criatura caída.
[Você matou Yeti coberto de neve (Comum - Adept). Você recebeu 0,20%.]
[Progresso atual do Núcleo: 02,33% – Núcleo de Mana: Adept]
Ao subir ainda mais, encontraram outro grupo perto de uma plataforma de gelo.
Mais quatro Yetis.
Noel liderou novamente — cortando, queimando, esquivando-se — as magias de Selene os imobilizavam.
[Você matou Yeti coberto de neve (Comum - Adept). Você recebeu 0,20%.]
[Progresso atual do Núcleo: 02,53% – Núcleo de Mana: Adept]
[Você matou Yeti coberto de neve (Comum - Adept). Você recebeu 0,20%.]
[Progresso atual do Núcleo: 02,73% – Núcleo de Mana: Adept]
[Você matou Yeti coberto de neve (Comum - Adept). Você recebeu 0,20%.]
[Progresso atual do Núcleo: 02,93% – Núcleo de Mana: Adept]
[Você matou Yeti coberto de neve (Comum - Adept). Você recebeu 0,20%.]
[Progresso atual do Núcleo: 03,13% – Núcleo de Mana: Adept]
O último Yeti caiu com um estrondo final, que pareceu sacudir os ossos.
Noel ficou de pé sobre ele, a respiração espumando no ar frio.
'Era isso que eu quis dizer, sistema. Agora, isso sim, vale a pena. 0,20%, é um jogo completamente diferente. E agora que sou Adept, minhas reservas de mana estão muito maiores do que antes.'
Ele olhou de volta para Selene.
Ambos estavam cansados — mas ainda de pé.
Noel deu um pequeno aceno com a cabeça.
"Vamos procurar abrigo."
O vento estava piorando.
O vento ficara brutal agora.
Uivando das elevações mais altas, ele chicoteava neve ao longo do caminho com rajadas cegantes. Mesmo com as capas ajustadas, Noel e Selene precisaram avançar com cuidado, inclinando-se contra o vento a cada passo.
A visibilidade caiu de forma acentuada.
Noel escutou as rochas enquanto subiam, com os olhos semicerrados contra a neve que picava.
"Ali," apontou finalmente, para uma fenda estreita na parede de rochas à frente.
Uma cicatriz profunda na encosta da montanha, semioculta por gelo e sombra.
Sem dizer uma palavra, eles seguiram na direção dela.
Dentro, o espaço era estreito — mal o suficiente para duas pessoas se moverem confortavelmente — mas as paredes de pedra bloqueavam o pior do vento. O ar ainda era frio cortante, mas, sem o vendaval, parecia quase quente.
Noel colocou a mochila no chão primeiro.
"Isso serve para passar a noite."
Selene assentiu, com voz baixa. "Está bom assim."
O vento uivou tímido além das paredes de pedra, um som distante, constante — como uma voz lamentosa perdida na noite.
Dentro da fenda estreita, o mundo parecia pequeno.
Fechado.
Silencioso.
Noel e Selene deitaram-se de costas um para o outro, com as capas apertadas. A pedra fria sob eles parecia insignificante após horas de luta e subida.
Mesmo assim, Noel teve dificuldades para dormir.
A estreiteza do espaço fazia suas costas tocarem levemente através do tecido — calor passando entre eles de forma pequena, quase imperceptível.
Ele podia sentir a respiração dela — calma, medida, mas não completamente adormecida.
Por um tempo, nenhum deles falou.
A vibração da luta ainda podia ser ouvida quietamente em Noel. A mensagem do sistema que chegou mais cedo ecoava em sua mente, uma pressão silenciosa que não conseguia afastar.
E, no entanto… aqui, naquele abrigo estranho e estreito, um outro peso se impunha sobre ele — mais difícil de nomear.
Ele se mexeu levemente.
"Desculpe… não quero te deixar desconfortável."
Houve uma pausa — uma respiração suave, depois uma resposta silenciosa.
"Tudo bem."
Mais do que isso, não.
Com um suspiro devagar, Noel fechou os olhos.
Então, após um momento longo, sua voz voltou a surgir:
"Tenho uma pergunta… posso fazê-la?"
Ele abriu os olhos, surpreso com o tom.
Havia uma hesitação ali — uma tensão que ele não tinha percebido antes nela.
'A Selene, que sempre está fria, quer perguntar algo? Agora, estou curioso.'
"Claro."
Uma pausa. Ele quase podia senti-la juntando as palavras.
"Por que você fez isso?"
Noel franziu a testa ligeiramente. "Fazer o quê?"
Uma respiração.
"Por que você me ajudou?"
As palavras ficaram no ar, frágeis como vidro.
Ele sentiu o corpo dela ficar tenso por trás dele.
Mesmo através do tecido, sem ver seu rosto — ele sabia que aquilo não era fácil para ela perguntar.
"Você quer dizer por que eu... 'sequestei' você?" perguntou suavemente.
"Sim…"
Um instante.
A garganta de Noel deu uma apertada por um momento.
'Não posso dizer a ela que foi porque sei como é a mãe dela e o quanto odeio ler isso no romance.'
Por um instante, o silêncio se alongou.
Depois, ele falou — firme, embora não completamente natural.
"Achava que ter a melhor aluna da Academia Imperial de Valor comigo facilitaria as coisas."
Mesmo enquanto as palavras saíam, ele sabia que ela perceberia a hesitação nelas.
E ela percebeu.
Do outro lado do espaço estreito, o suspiro de Selene foi breve.
Ela não pressionou — mas a dúvida em sua voz era clara.
Ela sentiu.
Ela sabia.
Porém, deixou passar.
Seguiu um longo silêncio.
E então — quase inaudível, como se fosse um sussurro:
"Feliz aniversário."
As palavras foram sussurradas, hesitantes, quase tímidas. Mas, pela proximidade — de costas uma para a outra, a poucos centímetros de distância — Noel as ouviu perfeitamente.
Seu coração parou por um instante.
Não esperava por isso.
Engoliu com suavidade, sentindo uma leve calor na peito.
"Obrigado," respondeu ele baixinho — sincero, quase subconscientemente.
As palavras pareceram aliviar algo no espaço entre eles.
Para Selene, até essa frase pequena foi um grande passo — uma conquista.
A garota que raramente falava, que mantinha suas palavras afiadas e frias… ofereceu algo simples.
Algo suave.
Um pequeno presente na quietude da noite congelada.
Noel sorriu levemente para si mesmo, sem ser visto.
Outra pausa.
Depois, sua voz voltou, suave, mas um pouco mais firme:
"Boa noite."
"Boa noite."
Do lado de fora, o vento continuava a chorar contra as falésias.
Dentro, na estreita e quente vala de pedra, duas figuras repousavam calmamente, separadas por pouco — apenas seus corações protegidos.
E algo tinha mudado entre elas.
Não de forma estrondosa.
Não completamente.
Mas suficiente.