
Capítulo 117
O Extra é um Gênio!?
A neve fazia um barulho suave ao ser esmagada sob as botas de Noel enquanto ele retornava ao seu pequeno acampamento.
"Voltei", ele anunciou em voz baixa.
À sua frente, Noir estava deitado, encolhida perto de Selene, seu corpinho pequeno afundado na neve. A garota sentava-se próxima, com a capuz puxado, sua respiração formando névoa no ar frio.
Ao ouvir sua voz, as orelhas de Noir se eriçaram. Num instante, ela pulou em sua direção, com a cauda balançando freneticamente.
Um sorriso suave apareceu nos lábios de Noel enquanto ele se agachava para encontrá-la.
"Sentiu minha falta?"
Noir pulou, lambendo seu rosto em cumprimento. Então, sem aviso, sua forma reluziu—e, no próximo momento, ela desapareceu, escorregando para a sombra sob seus pés.
Um som suave de sininho ecoou na cabeça dele.
[Noir familiar está evoluindo. Parabéns.]
Noel piscou, surpreso.
'Ela consegue fazer isso??? Isso é muito útil. Acho que ela gostou de ficar mais fora, já que é a primeira vez que a vejo fazer isso. Além disso… parece que, por ter atingido o nível Adepto, ela entrou em modo de evolução. Acho que isso é bom—ela vai ficar mais forte. E se eu também ficar mais forte, ela crescerá junto. Honestamente, esse sistema é bem generoso com as recompensas.'
Uma voz interrompe seus pensamentos.
"O que foi isso?"
Selene observava toda a troca com curiosidade silenciosa.
Noel endireitou-se. "Não sei também", admitiu. "Mas parece que ela está em modo de descanso por enquanto."
Selene assentiu levemente. "Entendi…"
O momento passou em silêncio tranquilo.
Noel lançou um olhar na direção do caminho estreito à frente.
'Hora de continuar, então.'
Nos dois dias seguintes, o ritmo frio e implacável continuou.
Pisada. Luta. Descanso. Repetir.
À medida que subiam, o caminho se tornava mais hostil. O ar fino da montanha tornava cada respiração mais aguda, cada passo mais lento. A neve aumentava, escondendo gelo traiçoeiro por baixo da superfície.
E as criaturas ficavam mais ousadas.
No meio do segundo dia, um rosnado baixo chegou deles de uma crista estreita à frente.
Noel parou. Selene fez o mesmo, com a varinha na mão.
Dois ursos de pele congelada surgiram à vista, seus corpos enormes cobertos com pelagem endurecida pelo gelo. Mesmo de longe, seus olhos brilhavam com agressividade bruta.
Noel deslizou a porta-retrato Revenant Fang com um movimento suave.
"Se quiser, é seu", disse Selene calmamente, embora a varinha permanecesse em guarda.
Noel sorriu de leve. "Vamos cuidar deles juntos."
O primeiro urso avançou.
Noel correu na frente, mais rápido do que antes. Seu corpo movia-se com uma nitidez renovada—peso de poder sob cada passo.
"Arco de Fogo!"
Uma linha afiada de chamas cortou o flanco da fera. O urso rugiu, cambaleou—mas não caiu.
Ao seu lado, Selene sussurrou:
"Controle de Graviton."
Uma força invisível prendeu o segundo urso, fazendo seus movimentos desacelerarem. Cristais de gelo se formaram ao longo dos membros dele enquanto a magia de Selene se intensificava.
O primeiro urso avançou novamente.
Noel o enfrentou de frente.
"Rajada de Ignição."
Chamas explodiram ao longo de Revenant Fang enquanto ele empunhava a lâmina profundamente sob as costelas da criatura. O animal soltou um rugido engasgado e caiu na neve.
[Você matou Urso de Pele Congelada (Raro - Novato). Recebeu 0,05%.]
[Progresso Atual do Núcleo: 01,28% – Núcleo de Mana: Adepto]
Noel se virou para o segundo urso.
Selene balançou a varinha, com a voz firme:
"Glacialis!"
Lanças de gelo cortantes perfuraram o lado do urso preso. Ele rugiu, lutando contra o peso da gravidade.
Noel avançou com tudo.
"Lança-chamas."
Um jato estreito de fogo queimou a garganta da fera, e, com um golpe final, Revenant Fang o matou.
[Você matou Urso de Pele Congelada (Raro - Novato). Recebeu 0,05%.]
[Progresso Atual do Núcleo: 01,33% – Núcleo de Mana: Adepto]
Respirando com firmeza, Noel limpou a lâmina.
Selene abaixou a varinha, observando-o.
"Você ficou mais rápido", disse suavemente.
Noel deu um pequeno encolhimento de ombros. "Você também."
Com o sol se escondendo mais atrás das montanhas, eles montaram acampamento em uma estreita plataforma de pedra. O ar aqui era rarefeito, mas a saliência estava protegida o suficiente do vento.
Noel sentou-se perto da fogueira, ajustando seu capa com mais segurança. As batalhas dos últimos dois dias haviam pesado—não de forma grave, mas a fadiga começava a se acumular.
Mesmo assim, algo o incomodava na mente.
'Vamos ver quanto esse ritmo está me fazendo evoluir.'
Ele murmurou baixinho:
"Status."
A janela azul familiar piscou na sua frente.
[Progresso Atual do Núcleo: 01,33% – Núcleo de Mana: Adepto]
Noel olhou por um momento.
Depois soltou um suspiro profundo.
'Volto atrás. O sistema é uma maldita armadilha—como é que pode reduzir as recompensas pela metade só porque eu subi de nível?'
Ele esfregou a nuca, balançando a cabeça.
"Você chegou ao nível de Adepto, Noel?"
Ele piscou, saindo dos pensamentos.
Selene o observava silenciosamente, com um olhar curioso mas tranquilo.
"Ah—oh", disse Noel, sentando-se mais ereto. "Sim. Subi de nível há dois dias, quando me separei de vocês e da Noir."
Os lábios de Selene se abriram levemente. "Entendi… parabéns."
"Obrigado." Um sorriso tímido apareceu na expressão dele. "Se bobear, logo eu alcanço você."
Ele quis dizer como brincadeira—mas o brilho nos olhos de Selene indicava que ela não o interpretou assim.
Sua expressão ficou levemente tensa.
Ao perceber, Noel levantou a mão suavemente.
"Era brincadeira. Não precisa se pressionar."
Selene hesitou, depois assentiu lentamente.
"Ah… entendi."
Noel respirou fundo, oferecendo-lhe um olhar de tranquilidade.
Eles tinham avançado bastante.
À frente, o caminho se enroscava em penhascos mais íngremes, a pedra escura e irregular sob manchas de neve profunda. A temperatura caíra drasticamente—cada rajada de vento cortante.
Noel parou perto de uma pequena saliência, analisando a trilha.
"Parece que estamos na metade do caminho agora", disse.
Selene parou ao lado dele, sua respiração formando nuvens pálidas no frio.
"Mas provavelmente o percurso à frente vai ficar mais perigoso", continuou Noel, com uma voz calma. "Na verdade, eu tecnicamente te seqüestrei, então, se quiser voltar… não vou impedir."
Ele dizia sério.
Essa não era uma luta dela—não de verdade. E os riscos que os aguardavam eram consideráveis.
Por um momento longo, Selene ficou em silêncio.
Seu olhar caiu na neve aos seus pés, pensamentos carregados de velocidade.
'Tenho que escolher por mim mesma…'
Ninguém mais a obrigava. Nem sua mãe, nem a academia, nem Noel.
Era uma decisão dela.
Devagar, ela levantou o rosto, com o olhar firme.
"Vou ficar com você."
Noel observou seu rosto, pesando a determinação na sua voz.
"Tem certeza? Vai ficar bem mais difícil daqui pra frente."
Selene assentiu uma vez.
"Tenho certeza."
Um leve sorriso apareceu nos lábios de Noel.
"Então, tudo bem."
Eles não falaram mais sobre isso.
Mais tarde, enquanto o crepúsculo se aprofundava na noite, fizeram acampamento sob uma saliência rochosa. Noel preparou comida e água para ambos, movendo-se com tranquilidade familiar.
Comendo sob o brilho fraco da fogueira pequena.
Quando terminaram, Selene foi a primeira a levantar-se.
"Boa noite", disse suavemente.
Noel levantou o olhar. "Boa noite."
Selene hesitou por um momento perto de seu cobertor, depois olhou para trás.
"Não vai dormir?"
Noel deu uma leve sacudida na cabeça.
"Ainda não. Vou ficar de guarda um pouco."
Ela assentiu, puxando seu capa mais para perto antes de se deitar.
Em poucos instantes, sua respiração ficou lenta—estável e suave.
Mas Noel permaneceu ao lado da fogueira, com os olhos fixos na trilha escura à frente.
A chama já tinha apagado quase por completo.
uma brisa leve mexia as brasas, enviando finos rastros de fumaça para a noite fria.
Noel, sentado sozinho na última luz do calor, com o capa bem fechado ao redor de si. Seu olhar vagava para as estrelas acima—afiadas e distantes contra o infinito preto.
Ao seu lado, Selene permanecia enrolada sob seu capa, respiração calma e constante. Ela não disse mais nada, mas sua presença permanecia no espaço entre eles.
Os dedos de Noel repousavam levemente na lateral de sua Bolsa Dimensional.
Pela primeira vez, hesitou.
Então, com uma respiração suave, ele estendeu a mão para dentro.
De dentro, retirou um pequeno muffin, envolto em papel fino, e uma única vela.
Um sorriso amargo atravessou seus lábios—não quente, mas triste.
Em outra vida—outro mundo—isso tinha sido uma tradição.
Mesmo sem dinheiro, sem uma grande celebração, seus pais sempre encontravam uma forma.
Um muffin. Uma vela. Um momento simples, que significava muito mais do que imaginavam.
Agora, aqui—sozinho numa montanha congelada—ele se agarrava a esse ritual.
Noel abriu cuidadosamente o muffin e colocou a vela em seu centro. Sua voz saiu quase um sussurro.
"Lança-chamas."
Uma pequena chama controlada acendeu o pavio.
Por alguns segundos, a luz tênue piscou contra a escuridão, uma frágil resistência contra o frio.
Noel olhou fixamente, o peso no peito aumentando.
"Feliz dezessete anos, Noel", murmurou.
Sua voz engasgou ligeiramente nas palavras finais.
Sem dizer mais nada, ele inclinou-se e soprou a chama.
O mundo pareceu mais frio assim que a luz se apagou.
Ao seu lado, Selene permanecia imóvel—olhos semiabertos sob o capuz. Ela ouvira cada palavra, mas não se mexeu nem falou.
'Esse momento é dele', pensou ela. 'Não vou tirá-lo dele.'
E assim, manteve-se em silêncio.
No silêncio que se seguiu, Noel ficou sob as estrelas, um ano mais velho—carregando mais peso do que qualquer rapaz de dezessete anos deveria.