O Extra é um Gênio!?

Capítulo 119

O Extra é um Gênio!?

Três dias se passaram.

Três dias de escalada incessante, frio sem fim e batalha após batalha.

Ursos Frosthide, Glacier Maulers, Yétis cobertos de neve—quanto mais avançavam ao fundo do Pico Frostspire, mais criaturas surgiam.

E ainda assim, seguiam em frente.

Cada luta os deixava mais desgastados, mas mais fortes.

Noel podia sentir isso. O fluxo de mana dentro dele estava mais firme, mais afiado a cada hora que passava.

Agora, sob a luz pálida da manhã, descansavam numa estreita saliência—pedra fria sob eles, o vento gritando lá em cima.

Noel estava sentado com as costas encostadas na parede de rocha, a respiração constante, embora o cansaço pesasse em cada membro.

Ele murmurou suavemente:

"Status."

A tela azul familiar apareceu.

[Progresso Atual do Núcleo: 08.13% – Núcleo de Mana: Especialista]

Ele soltou uma respiração lenta.

'Parece que os últimos três dias valeram a pena...'

Mas enquanto seu olhar permanecia nas informações, outro pensamento surgiu — frio e cortante:

'A parte ruim é o tempo que falta. Ainda tenho que extrair os Frostpetals, descer a montanha, lidar com a Lady Vaelora von Iskandar, chegar em Estermont, preparar o remédio e entregá-lo à mãe da Elyra… tudo em—'

Um novo sinal soou na sua mente.

[Nova Missão: Tratar a doença e salvar a mãe de Elyra. Tempo restante: 7 dias.]

'Sete dias…'

Noel sorriu de lado, cerrando um pouco a mandíbula.

Cada segundo importava.

Não havia espaço para erros.

O trecho final era brutal.

Adeus às saliências largas e trilhas sinuosas. Agora, o caminho se estreitava entre cristas irregulares e paredões de rocha lisa e escorregadia de gelo. O ar era mais rarefeito, mais frio—cada respiração uma mordida aguda no peito.

Noel liderava o grupo.

Ele se movia com precisão constante, cada passo deliberado, cada apoio testado antes de confiar nele. Sua espada estava presa firme às costas; aqui, sua lâmina tinha pouco significado.

Sua força, sua resistência—isso era o que importava agora.

A poucos passos atrás, Selene o seguia.

Ela escalava em silêncio, movimentos cuidadosos, porém mais lentos. Essa parte da subida era exigente de uma forma que magia não podia facilitar. Suas respirações ficavam mais difíceis, os membros já cansados de dias de batalha.

Mais de uma vez, Noel olhou para trás.

Ele via nos olhos dela o pensamento não dito:

"Você pode seguir adiante sem mim."

Mas ela nunca dizia isso. E ele nunca a deixava.

Cada vez que alcançavam uma saliência larga o suficiente para descansar, Noel se sentava ao lado dela.

Sem dizer uma palavra, ele pegava uma pequena garrafinha de água da bolsa, oferecendo primeiro a ela.

Depois, desenrolava o pouco de comida que tinham — dividindo uma porção.

Ele não comentava sobre o ritmo dela. Não a pressionava a acelerar.

E isso, por si só, dizia mais do que palavras.

Mais uma vez, sentados numa saliência estreita, com o vento assoviando passar pelas rochas, Noel observava a neve que girava à frente.

'Agora que penso… estamos quase sem comida.'

Ele olhou para a bolsa quase vazia ao seu lado.

'Tenho comido menos esses dias. Planejei as provisões para mim e para o Noir, mas como o Noir está evoluindo, tenho guardado mais para mim. E como trouxe a Selene — algo que não deveria ter feito inicialmente — as provisões estão acabando mais rápido.'

Ele a observou novamente—vendo ela beber lentamente a água, as bochechas quentes da escalada.

'Mas tudo bem. Desde que ela consiga se alimentar direito.'

Mais uma rajada de vento passou pelo prego.

Noel se levantou, estendendo a mão para ela.

"Pronta?"

Selene olhou para cima. Sem palavras — apenas um aceno silencioso.

Juntos, seguiram adiante—passo a passo dolorido—rumo ao pico que se erguia acima deles.

A escalada virou brutal.

A cada metro conquistado, era uma batalha de vontade contra o vento cortante e o cansaço extremo. Os paredões estavam escorregadios de gelo; as mãos ficaram iradas pelo frio, a respiração ofegante e aguda.

Mas, passo a passo, eles não desistiam.

Finalmente, a encosta começou a aplanar.

Noel estendeu a mão, alcançando a última pontinha de pedra. Com um último esforço, puxou-se para cima—e o mundo se abriu diante dele.

Por um instante, ficou imóvel, congelado.

O pico se estendia vasto sob um céu de azul infinito.

Eles tinham ultrapassado as nuvens.

Um mar de branco suave estendia-se lá embaixo, com os picos de montanhas distantes surgindo como ilhas. O sol pendia baixo no horizonte, lançando longos raios dourados sobre o mar de nuvens.

Bem ao norte, além das cristas irregulares de Iskandar, brilhava a linha do oceano — vasto e infinito.

Noel respirou fundo lentamente, o hálito formando névoa na ar fria e rarefeita.

Conseguiram.

Ele se virou, estendendo a mão para a saliência abaixo.

"Vamos lá," disse em voz baixa.

A mão de Selene encontrou a dele sem hesitação. Seu aperto era firme, embora Noel sentisse o cansaço nela. Com força, ajudou-a a passar pela última saliência.

Juntos, ficaram no topo.

O vento aqui era cortante, mas de um gelo estranho — transmitindo uma quietude profunda, quase cristalina.

E, do outro lado do pico… eles os viram.

Frostpetals.

Milhares deles cobriam o cume como um campo de estrelas.

Cada flor tinha a forma de um delicado tulipa, suas pétalas feitas de gelo cristalino azul-cian. Dentro de cada pétala, correntes de mana pura brilhavam sutilmente, emitindo uma luz interna. Não era um gelo frio e morto—era algo vivo, pulsando com poder.

Noel ficou olhando, a respiração presa na garganta.

'Conseguimos.'

Por um longo momento, ninguém falou.

Acima das nuvens, sob um céu sem fim, parecia que eles estavam separados do mundo—sozinhos em um lugar de beleza antiga, intocável.

Então, lentamente, o olhar de Noel se aguçou.

Ainda havia trabalho a fazer.

Ficaram em silêncio.

O topo do Pico Frostspire se estendia amplo ao redor — silencioso, brilhando sob o pálido sol. O vento sussurrava suavemente agora, quase reverentemente, como se até a montanha estivesse prendendo a respiração.

O campo de Frostpetals cintilava sob seus pés.

Selene deu um passo devagar à frente, seu olhar varrendo o mar de flores azul-cian.

"É lindo…" ela murmurou.

Noel assentiu uma vez, embora seus olhos já estivessem mais fechados, tensos.

Uma sensação de apreensão leve surgiu em seu peito.

Aquele silêncio parecia estranho—pesado, expectante, como se a própria montanha estivesse segurando a respiração.

Ele deu um passo um pouco à frente dela, com a voz baixa:

"Não mexa."

Selene congelou.

Suas sobrancelhas se franziram. "O que foi?"

Noel não respondeu.

Devagar—cuidadosamente—ele deslizou um braço em direção à Bolsa Dimensional, os dedos se movendo com calma deliberada.

Dentro dela, a mão fechou-se ao redor de um conjunto de pequenas esferas pretas e frias.

Ele as puxou para fora, sem desviar o olhar do campo à sua frente.

A voz de Selene voltou, calma, mas tensa:

"O que são essas?"

"Granadas de sono," respondeu Noel suavemente.

Um instante de pausa. A voz dela ficou mais firme agora.

"Para quê?"

Ele apertou ainda mais as esferas.

O clima mudou.

Um grito agudo e penetrante rasgou o céu:

"HIAKK!!"

A neve começou a subir do meio do campo.

Petalas espalharam-se pelo ar enquanto uma forma enorme surgia debaixo deles—lançando gelo e geada em todas as direções.

Um Wyvern.

Seu corpo brilhava num azul pálido, as escamas reluzindo como vidro congelado. Seu pescoço alongado arqueava-se para cima, olhos ardendo com uma luz gélida. As asas, enormes, abertas — com dez metros de envergadura — projetavam uma sombra vasta sobre o pico.

Seu ventre cintilava branco contra a rocha escura.

O hálito da criatura saía em grandes nuvens de geada. Ela lentamente se enrolava, erguendo-se ao completo, atingindo sua altura máxima.

As Frostpetals tremiam sob ela.

O coração de Noel bateu forte, duro.

Perto dele, Selene ficou imóvel, segurando sua varinha com força.

E lá no alto, as asas do wyvern começaram a bater—devagar no início, criando rajadas de neve que se espalhavam pelo cume.

Ela tinha acordado.

E havia sentido a presença deles.

"Por isso."

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