
Capítulo 128
O Extra é um Gênio!?
Noel desceu da carruagem.
À sua frente, sob o enorme arco carmesim, estavam Elyra e Senhor Caeron, esperando.
Suas expressões diziam tudo — e nada de bom.
Noel já sabia por quê.
A mensagem fria do sistema ainda ecoava em sua mente.
[Nova Missão: tratar a doença e salvar a mãe de Elyra.]
[Tempo restante: 12 horas.]
E junto com ela, uma outra linha surgiu:
Condição crítica. Expectativa de vida estimada: 12 horas.
Elyra foi a primeira a falar, sua voz tensa de preocupação.
"Noel, minha mãe está piorando. Nas últimas horas… ela está instável."
Noel lhes lançou um breve aceno de cabeça em sinal de cumprimentos, mas não diminuiu o ritmo.
Sem esperar por mais palavras, seguiu direto pelos corredores internos da fazenda.
"Você preparou os materiais?" perguntou rigidamente.
Senhor Caeron respondeu imediatamente, acompanhando o passo de Noel.
"Sim. Ambos estão prontos na sala. O Mel de Abelha Real e o Pólen de Espinheira Sombria, exatamente como pediu."
"Ótimo", disse Noel. "Então, vamos logo — rápido."
Ele fez um movimento de lado, dando passagem para que Senhor Caeron assumisse a dianteira.
O passo do homem mais velho era ágil, decidido. Noel o seguia bem atrás, com Elyra bem próxima.
Eles atravessaram os largos corredores polidos da mansão Estermont, as bandeiras rubras da casa parecendo desfocar ao passar. Os criados se abriram silenciosamente ao redor, ninguém ousando interromper.
Finalmente, chegaram às grandes portas duplas do quarto principal.
Senhor Caeron as empurrou sem hesitar.
Os três entraram.
Lá — deitado em uma grande cama de seda e veludo —
Lady Elissabeth von Estermont.
Ela permanecia imóvel como uma estátua de mármore.
Seu rosto, apesar de pálido devido à enfermidade, carregava a elegância inconfundível de sua filha — maçãs do rosto altas, queixo afiado e longos cabelos negros que se espalhavam como tinta molhada sobre os travesseiros. Mesmo inconsciente, suas feições permaneciam compostas.
Seus olhos estavam fechados — mas Noel já sabia qual seria a cor deles.
Cinza. O mesmo tom penetrante de Elyra.
Mas o que mais chamava atenção era o estado do corpo dela.
Suor cobria sua pele, brilhando levemente sob a luz tênue. Sua respiração era superficial — pesada.
E pior ainda — marcas vermelhas e inflamadas se espalhavam pelo pescoço, serpenteando como vinhas que descem pelo braços e pernas. A infecção avançava rapidamente.
O maxilar de Noel se apertou.
Não havia tempo a perder.
Noel mergulhou a mão na bolsa dimensional e puxou um almofariz e pilão simples — uma ferramenta antiga, usada e gasta. Era igual à que havia comprado no dia em que adquiriu as granadas de sono de Balthor.
Um almofariz básico. Primitive. Sem traço de mana dentro dele.
Levou-o até a mesa que fica perto da parede do quarto, onde os dois ingredientes já esperavam.
Elyra ficou perto dele, com a voz tensa.
"Espero que o que você for fazer funcione, Noel."
Noel não respondeu. Não porque não quisesse — mas porque, naquele momento, seu foco era absoluto.
Não podia permitir uma distração sequer.
Antes de começar, no entanto, ele pegou um pedaço de papel dobrado — o mesmo contrato que Lady Vaelora fez ele assinar. Sem dizer uma palavra, entregou-o para Elyra.
Ela olhou-o rapidamente, depois passou para o pai.
Senhor Caeron pegou o papel, leu-o uma vez com olhar afiado, e assentiu firmemente.
"Tudo bem. Se é isso que precisa ser feito, então que seja."
Noel voltou sua atenção para a mesa.
Mergulhou novamente a mão na bolsa e retirou o ingrediente mais precioso de todos — os pétalas de geada.
De forma cuidadosa, colocou-os no almofariz.
As pétalas brilhavam levemente ao se acomodarem lá dentro.
Como cristais de gelo, mas emitindo uma luz suave do mana natural.
Noel segurou o pilão.
E então começou a moer.
Devagar no começo — pressionando com firmeza, torcendo. As pétalas de geada começaram a se partir sob a força da pedra.
Partículas minúsculas de cristais se espalharam pela superfície do almofariz — como gelo triturado, brilhando suavemente sob a luz do cômodo.
Mas não havia tempo para admirá-los.
Passaram-se minutos. Noel trabalhou incansavelmente, garantindo que cada partícula fosse triturada perfeitamente. Seus braços doíam — mas ele não parou.
Quando as pétalas de geada estavam prontas, estendeu a mão para o próximo componente.
Mel de Abelha Real.
Grosso. Rico. Carregado de mana natural.
Deixou-o cuidadosamente cair no almofariz.
A mistura espessou na hora — ficando pegajosa e difícil de mexer. Mas esse passo era crucial.
Noel se inclinou sobre o almofariz e voltou a moer — girando, misturando.
De novo e de novo.
Minutos se passaram, quase meia hora.
Suor escorria pelas têmporas. A respiração ficava mais pesada a cada movimento. Mas suas mãos nunca pararam.
A mistura começou a adquirir uma textura nova — lisa, encorpada, brilhando levemente sob a energia que percorria o líquido.
Depois veio o último ingrediente.
Pólen de Espinheira Sombria.
Uma pequena pitada — medida exatamente. Noel acrescentou lentamente, incorporando à mistura.
De imediato, a reação aconteceu.
Uma aura estranha começou a irradiar do almofariz.
Uma luz suave — nem quente, nem fria — algo mais profundo, que cintilava com um poder invisível.
A própria mistura começou a emitir um brilho.
Noel se levantou rapidamente da mesa, almofariz na mão.
Sem hesitar, atravessou até a cama onde Lady Elissabeth repousava.
Uma mensagem do sistema surgiu diante de seus olhos.
[Nova Missão: tratar a doença e salvar a mãe de Elyra.]
[Tempo restante: 9 horas.]
'Parece que cheguei bem na hora.'
Sem perder tempo, Noel mergulhou uma pequena colher na mistura.
Com cuidado, inclinou a cabeça de Lady Elissabeth e deu uma pequena porção do remédio na boca dela.
A líquida espessa escorreu lentamente pela garganta — Noel observando cada respiração, cada reação.
Senhor Caeron ficou perto, olhos atentos.
"Espero sinceramente que o que você acabou de fazer… funcione."
Noel não desviou o olhar de Lady Elissabeth.
"Agora… esperamos", disse, com a voz cansada, exausta das horas de concentração.
E assim, deu um passo para trás — o coração acelerado sob o peso daquele momento.
Horas se passaram.
Uma após a outra, cada uma mais lenta que a anterior. Parecia uma eternidade.
[Nova Missão: tratar a doença e salvar a mãe de Elyra.][Tempo restante: 3 horas.]
‘Droga! Seis horas se passaram e ainda não há sinal de melhora. Será que funcionou de verdade? Segui as instruções exatamente como estavam no romance...’
Noel ficou sozinho no corredor, descansando em um banco longo sob as altas janelas em arco.
A noite havia se instalado sobre Estermont.
A luz da lua atravessava o vidro, lançando feixes de prata pelo piso polido e pelo grande jardim ao lado. A fazenda estava silenciosa. Sem criados. Sem vozes. Apenas o sussurro frio, paciente, da noite.
Noel inclinado para frente, as mãos apoiadas nos joelhos, os dedos entrelaçados sob o queixo.
Ele não conseguia parar os pensamentos que giravam em sua cabeça.
'E se eu esqueci de alguma coisa? Faz tanto tempo que não leio essa parte... Pode ser que sim… mas não, é impossível. Não posso falhar. Prometi a Elyra que salvaria a mãe dela.'
Ele cerrara os dentes, com os olhos estreitando.
'Não posso falhar com ela.'
De repente — um estalo agudo quebrou o silêncio.
As portas do quarto principal se abriram de repente, batendo forte contra as paredes.
Noel olhou de imediato para cima.
Uma silhueta familiar surgiu na passagem.
Elyra.
Ela não vestia mais a roupa formal. Agora usava um conjunto simples e elegante de pijama de seda vermelha escura, a cor profunda de sua casa. Seus cabelos — normalmente presos em uma trança longa — agora estavam soltos ao redor dos ombros, fluindo atrás dela enquanto corria.
Mas Noel não focou na roupa dela.
Seus olhos se prenderam ao rosto dela.
Ela não tinha uma expressão fria, ou composta, ou calculista — como muitas vezes tinha.
Seus olhos estavam molhados — não de tristeza.
De alegria.
Noel se levantou da cadeira exatamente quando ela chegou até ele.
E naquele instante, uma janela azul apareceu diante de seus olhos.
[Parabéns. Você completou a missão: tratar a doença e salvar a mãe de Elyra.]
As palavras mal haviam acabado de aparecer quando Elyra se lançou na direção dele, com toda força.
O impacto os derrubou ao chão.
Elyra se agarrou fortemente a ele, com o rosto colado ao seu peito, os ombros tremendo.
"Obrigada… obrigada…" ela sussurrou, repetindo várias vezes, com a voz quebrada de alívio.
Noel inicialmente não falou nada.
Ele apenas envolveu um braço ao redor das costas dela suavemente, e com a outra mão, passou os dedos lentamente pelo cabelo dela.
"Eu te avisei, viu?" ele murmurou em tom suave. "Eu jamais mentiria para você sobre algo assim, Elyra."