O Extra é um Gênio!?

Capítulo 127

O Extra é um Gênio!?

A neve não parava de cair. Uma fina camada de branco cobrira cada degrau de pedra da escadaria do pátio, abafando até os sussurros mais leves.

Selene deitou-se sozinha nos degraus, com os joelhos levantados ao peito e a cabeça baixa. Sua capuz estava puxado para baixo, escondendo a maior parte do rosto. O capa de Noel ainda repousava sobre seus ombros, bem apertada ao seu corpo pequeno.

De longe, Noel a avistou enquanto atravessava o pátio. Ele hesitou por um momento, observando-a em silêncio. Depois, sem uma palavra, aproximou-se.

Cuidadosamente, sentou-se ao lado dela na pedra fria, deixando um espaço entre eles.

— Como você está?

Pausou. Então, de modo suave, Selene respondeu.

— Estou bem. Finalmente consegui dizer tudo que tinha guardado por dentro... Obrigada.

Noel olhou para ela.

— Por quê?

Selene moveu-se levemente sob o manto.

— Acho que... foi porque você me levou consigo. Depois do que passamos... percebi algumas coisas. Você nunca me pediu nada. Nunca me julgou. Nem quando chorei, nem quando comi demais, nem quando não falava muito... Você sempre me ouviu quando falava.

Noel soltou um suspiro suave.

— Isso é o que qualquer pessoa normal deveria fazer. Se alguém não te trata assim, não merece você.

Ele mexeu na bolsa dimensional.

— Antes que eu esqueça — aqui.

Cuidadosamente, puxou a vara congelada e se apresentou a ela.

Selene piscou, surpresa. Pegou-a com cuidado, com ambas as mãos.

— O que é isso?

— Encontrei depois que matamos o Wyverne de Gelo. Sua mãe colocou lá. Disse que é a última coisa que seu pai deixou pra você... e foi feita pra você.

Selene ficou em silêncio por um longo momento, observando a vara. Uma mana fria pulsava suavemente de seu interior.

— Entendo...

Noel a observou por um segundo, depois falou novamente, com voz baixa.

— Sei que você não quer ver sua mãe agora. Talvez nunca queira. E tudo bem. Mas... se algum dia encontrar força, talvez... escute ela uma vez.

Selene não respondeu.

A neve continuava caindo entre eles, sussurrante e silenciosa.

Noel se levantou lentamente, sacudindo a neve de suas roupas.

— Tenho que ir. A carruagem que sua mãe preparou provavelmente está pronta. Preciso partir para Estermont o quanto antes.

Ele olhou para ela.

— E você? O que vai fazer agora?

— Acho que... vou voltar pra academia.

Noel fez uma leve cabeça com a devida concordância.

— Certo. Nos vemos em alguns meses.

Ele começou a se virar, então parou, olhando para ela com um sorriso discreto.

— E não se preocupe com o manto. Em Estermont não faz tanto frio assim.

Selene piscou. Só então pareceu perceber que o capa ainda estava enrolado nos ombros dela.

Por um momento, não disse nada.

Então, lentamente, baixou a cabeça ainda mais dentro do tecido, escondendo o rosto.

Sem mais palavras, ele virou-se e foi andando, deixando-a sentada calmamente nas escadarias cobertas de neve, com o manto ainda apertado ao redor de si.

Quando Noel chegou aos portões, o vento já havia ficado mais forte.

Flocos de neve cortavam o ar em rajadas giratórias, com frio cortante contra a pele exposta. Ele puxou o casaco mais para perto do corpo enquanto atravessava o último trecho do pátio.

Dois cavalos negros altos aguardavam perto do arco de pedra, com vapor saindo de suas narinas enquanto pisoteavam o chão coberto de neve. Seus mantos brilhavam com força e disciplina, as cabeças erguidas e atentos.

A carruagem atrelada atrás deles era feita para viagens longas—uma estrutura reforçada de carvalho escurecido, forrada com tiras de aço, com rodas resistentes para enfrentar estradas geladas. Elegante, mas prática.

Um cocheiro experiente sentava-se na frente, vestindo um manto pesado. Sua barba cinza estava coberta de geada. Ele percebeu imediatamente a aproximação de Noel e inclinou a cabeça.

— Está tudo pronto, senhor?

Noel parou ao lado da carruagem, olhando para cima.

— Sim, — respondeu simplesmente. — Podemos partir agora.

O cocheiro acenou com a cabeça e deu um leve estalo na rédea, controlando os cavalos inquietos.

— Vamos pela passagem do sul, — acrescentou. — Se a sorte nos favorecer e as nevascas permanecerem leves, chegaremos a Estermont em três dias—no máximo.

Noel colocou uma mão na maçaneta fria da porta da carruagem, respirou fundo e entrou.

O interior era simples, mas confortável. Assentos acolchoados de veludo escuro alinhavam os lados, e uma esfera de aquecimento levemente luminosa havia sido fixada ao centro do teto, emitindo um calor constante que combatia o frio do vento.

Noel acomodou-se na poltrona, esticando levemente as pernas. Seus membros ainda doíam pelos últimos dias—pela subida, pela luta, pela tensão com Vaelora.

Deixou os braços repousarem nos joelhos.

'Três dias,' pensou. 'Se nada atrapalhar.'

Sua mandíbula se fechou com força.

Do lado de fora, o cocheiro estalou a rédea novamente. Os cavalos passaram a se mover com um trote firme e poderoso, pisando firmes sobre a estrada de gelo.

A carruagem passou pelo portão externo e seguiu pelo caminho coberto de neve. Atrás deles, a silhueta imponente das montanhas de Iskandar lentamente desaparecia na névoa branca que girava ao redor.

Noel olhou mais uma vez pela pequena janela ao seu lado.

'Hora de seguir em frente.'

A carruagem ganhou velocidade, as rodas cortando limpo pela neve enquanto o caminho à frente se estendia longo e implacável em direção a Estermont.

Os dias se misturavam uns aos outros.

A carruagem nunca parava por muito tempo—apenas breves descansos para os cavalos e refeições rápidas na estrada. Noel dormia pouco, sempre com a sensação de que o tempo escorria entre seus dedos.

Foram longas jornadas por florestas e campos, deixando para trás as montanhas geladas. A neve deu lugar ao céu mais claro e a estradas pavimentadas. O ar foi se tornando mais ameno gradualmente.

No terceiro dia, a paisagem mudou completamente.

Ponte de pedra alta cruzava rios sinuosos, caravanas de comerciantes desfilando por estradas largas, bem conservadas, adornadas com faixas carmesim.

À frente, Estermont surgia como uma joia de riqueza e poder.

Noel se endireitou, o pulso acelerado. Seus olhos se voltaram para a janela quando as primeiras torres apareceram—pedra vermelha polida, arcos grandiosos, bandeiras de vermelho profundo com detalhes dourados tremulando ao longo de todas as principais ruas.

Estermont não precisava de neve para congelar o coração—ela irradiava força apenas através da opulência.

Depois—

Clang!

Uma notificação brilhante do sistema apareceu na sua frente.

[Nova missão: tratar a doença e salvar a mãe de Elyra. Tempo restante: 12 horas.]

A garganta de Noel apertou.

'Droga, quase não tenho tempo…'

Ele apertou os punhos por um instante, depois respirou fundo, tentando manter a calma.

A carruagem rumou pelo último trecho da estrada, as rodas deslizando com suavidade sobre o piso de pedra impecável—sem gelo, sem lama, só uma perfeição de artesania. Onde Noel olhasse, sinais de riqueza e influência eram impossíveis de não notar.

Ao passar pelo portão interno final, Noel inclinou-se um pouco para a janela.

Lá—perto do ponto de chegada—duas figuras aguardavam.

A primeira—alta, de ombros largos, vestida com um casaco formal vermelho escuro com detalhes dourados da autoridade. Seu cabelo preto tinha fios grisalhos nas têmporas, e a barba curta estava cuidadosamente aparada.

Lord Caeron.

Ao lado dele, Elyra—com roupas confortáveis em preto e vermelho, postura ereta, porém tensa. O vermelho intenso da casa dela era visível até em suas roupas casuais.

Suas silhuetas permaneciam imóveis sob as altas muralhas carmesim de Estermont, com os olhos fixos na carruagem que se aproximava.

O coração de Noel acelerou novamente.

'Quase lá. Não posso perder tempo.'

A carruagem desacelerou.

O olhar de Noel permaneceu preso às duas figuras que aguardavam enquanto as rodas finalmente pararam.

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