O Extra é um Gênio!?

Capítulo 122

O Extra é um Gênio!?

O mundo ao redor de Noel desacelerou.

O rugido do dragão, o estalar do gelo, o uivo do vento—todos se afastaram até se transformar em um murmúrio distante. Seu corpo se recusava a se mover, cada músculo dormente pelo impacto. Sangue pulsava atrás dos olhos dele.

E então—algo mudou.

Uma presença familiar.

Da ponta de sua visão embaçada, uma figura deu um passo à frente—silenciosa, escura como uma sombra. A mesma presença que havia guiado sua espada inúmeras vezes antes.

A sombra.

Ela não fez som algum, nem ar, nem palavras—apenas silêncio.

Degrau por degrau, ela se aproximou da Lâmina do Viajante, que tremia levemente ao seu lado.

Coração de Noel acelerado. Ele assistia—assepticamente, congelado—à figura alcançar a lâmina.

Mas então—algo inesperado.

A sombra hesitou.

Devagar, ela virou a cabeça em sua direção.

E levantou uma mão.

Uma onda silenciosa. Um adeus.

A respiração de Noel ficou presa na garganta.

Antes que pudesse falar, a figura desapareceu—fundindo-se na lâmina de Revenant Fang.

A lâmina estremeceu— vibrando com um som profundo e ressonante, como se estivesse respirando pela primeira vez.

Ding!

Um som nítido ecoou na mente de Noel.

[Revenant Fang completou totalmente o seu despertar!]

Novo atributo: Vontade dos Esquecidos — Quando lutando sozinho ou protegendo um aliado, concede uma explosão de poder latente, aumentando temporariamente velocidade e precisão. Haverá consequências depois!

Um sorriso discreto surgiu nos lábios de Noel.

'Boa, sistema. Justo na hora. Às vezes você não é tão avarento quanto parece. Agora, retiro o que disse da última vez.'

Outra pulsação.

Ambos os atributos se acenderam:

Vontade dos Esquecidos e Aumenta a clareza sob pressão de vida ou morte. Evolui sob extremo estresse.

Calor percorreu suas veias.

Seus membros pareceram mais leves—mais claros. As reservas de mana ainda eram baixas, mas adrenalina e pura força de vontade empurraram a fadiga para o lado.

'Não dá mais para pensar nas consequências agora.'

Noel agarrou Revenant Fang.

A lâmina pulsava em sua força—viva, responsiva.

À sua frente, a garganta do wyvern brilhava, enquanto mais um Feixe de Gelo carregava-se.

Noel se levantou—seus botas escorregando no gelo—e então correu direto para o centro do feixe.

Gelo queima no ar—uma maré implacável de luz azul pálido.

Noel entrou de cabeça na rajada.

O gelo queimava ao redor—avelha inabalável de luz azul clara.

Noel avançou nela.

Revenant Fang tremia em sua mão, zumbindo com vida. Mana pulsava por seus músculos, afinando seus sentidos, impulsionando suas pernas através da tempestade de gelo.

Cada passo parecia arrastar por um mar congelado.

A rajada o atingiu de frente—vento frio rasgando seu casaco, mordendo sua pele. Ele levantou Revenant Fang, a lâmina cortando a rajada como uma cunha, criando um caminho onde não havia.

"FOQUE!" gritava Noel acima do rugido, voz áspera. "Vou segurá-lo! Prepare algo forte para acabar com isso!"

Não conseguiu ouvir a resposta de Selene.

Os olhos do wyvern agora fixaram nele, a garganta escurecendo enquanto o feixe se dissipava. Ele rugiu—profundo e furioso—e deu um pulo.

Noel enfrentou isso de frente.

Revenant Fang cantava pelo ar—um golpe após o outro, mirando nas brechas entre as escamas espessas do dragão.

O wyvern atacou—garra varrendo. Noel abaixou-se, deslizando sob o ataque, a lâmina brilhando para cima.

O aço raspou nas escamas—faíscas e gelo voando.

Outra garra veio—ele a desviou com a parte plana da lâmina, pivô para o lado e atingiu a junta exposta atrás da perna dianteira.

O wyvern berrou, torcendo violentamente. Neve e cristais de gelo espalharam-se a cada movimento.

Noel avançou—respiração curta, músculos em chamas. Cada movimento agora consumia suas últimas forças. Ele sabia que não iria durar.

Mas ele não se importava.

O que importava agora era uma coisa apenas.

Segurar a linha.

Dar tempo para Selene.

Selene, com os dedos pressionados na terra coberta de gelo.

Seus olhos permaneciam fechados, cílios tremendo, respiração lenta e superficial. O frio mordia sua pele, mas sua mente se concentrava—longe do campo de batalha, longe dos sons de garras e aço se chocando atrás dela.

Tudo focado na magia.

Tudo.

Seu mana estava baixo—tão baixo que parecia respirar através de vidro—mas havia o suficiente para uma última investida. Uma última magia. Ela só precisava reunir, conter e refinar até que aquilo terminasse com tudo.

O ar ao redor dela mudou.

A temperatura despencou de repente—o bastante para fazer até o gelo do chão rachar e se re fazer em novos padrões, atraída por ela.

Leves flocos de neve se ergueram do chão e pairaram no ar, circulando ao seu redor como brasas brancas.

"Requiem de Gelo Outonal…" ela sussurrou.

O nome ecoou dentro dela.

Não era uma magia de poder—mas de finalização. Uma execução silenciosa.

Ela manteve os olhos fechados, os dedos ainda sobre o gelo, concentrada na incantação—devagar, deliberadamente. Uma palavra de cada vez. Uma respiração de cada vez.

Ao seu lado, podia ouvi-lo.

Noel—gemendo, gritando, atacando de novo e de novo. O wyvern—gritando, batendo as asas, seus movimentos mais lentos, mas ainda violentos.

Porém, ela não se virou.

Não vacilou.

Ela treinara para isso— várias vezes, sozinha nas alturas de Iskandar, onde o ar podia congelar a pele em segundos. Errar o encantamento significava a morte. Hesitar, o fracasso.

Seus lábios se moveram sem som algum.

'Só mais um pouco… Segure ele um pouco mais…'

O gelo ao redor dela engrossou. As botas ficaram presos ao chão. Um halo de névoa começou a subir de seus ombros enquanto mana se condensava em uma tempestade silenciosa e mortal.

Selene permaneceu imóvel.

A magia quase pronta.

O símbolo de sua lâmina colidiu mais uma vez contra as escamas do wyvern—um impacto brutal, que fez uma descarga subir pelo braço. Ela cambaleou para trás, ofegante, todo o corpo gritando de dor. Revenant Fang ainda queimava em sua mão, vivo de energia, mas seus músculos começavam a falhar.

O wyvern rugiu, com gelo escorrendo de sua mandíbula. Uma das patas dianteiras sangrava intensamente agora, e seus movimentos tinham desacelerado—mas seus olhos ainda ardiam com fúria primal. Ela levantou a garra novamente, gigante, acima de Noel.

Ele rangeu os dentes, avançou e enfiou a lâmina no joelho do ombro—forçando a besta a recuar com outro grito furioso.

Esse era o momento dele.

Ele pulou para trás—suas botas esmagando o gelo roto—e gritou com tudo que tinha:

"Agora, Selene!"

Um instante de silêncio seguiu.

Depois—

"Requiem de Gelo Outonal!"

A voz de Selene soou clara, firme e definitiva.

O mundo mudou.

A temperatura despencou de repente—tão violentamente que até o gelo no chão se partiu em poeira cristalina. Cada respiração congelava ao sair dos pulmões. O próprio ar pareceu parar.

E então—

Veio a tempestade.

Um pulso de mana se irradiou de Selene como um batimento—silencioso, mas percebido por tudo no cume.

Um vento branco explodiu de seu corpo, denso, carregando uma enxurrada de agulhas de gelo microscópicas, invisíveis a olho nu, mas mais cortantes que qualquer lâmina. A rajada atingiu o wyvern antes que pudesse reagir.

O monstro congelou—literalmente.

A explosão atravessou seu corpo, perfurando entre as escamas, entrando nas brechas de sua armadura, na carne, nas juntas, no núcleo. Músculos travados. Respiração parada.

Seus olhos se arregalaram.

Um suspiro vazio e sem ar escapou de sua garganta.

Então, seu corpo se quebrou.

O wyvern caiu de lado—pesado, maciço—provocando um tremor no cume ao atingir a pedra. Gelo rugiu de seu cadáver em um anel, deixando para trás apenas silêncio.

Noel permaneceu imóvel, Revenant Fang ainda na mão.

Por um longo momento, ele olhou para a forma imóvel.

A neve começou a cair.

Uma brisa leve passou.

Sem som algum.

Então—

Nada.

Sem sino.

Sem recompensa.

Sem aviso.

O olho de Noel piscou levemente.

O sistema não reconheceu Noel matando o wyvern.

'Mais uma vez, sistema. Tiro de volta. Você é a maior rata que já conheci.'

Ele respirou fundo, lentamente.

Revenant Fang escureceu—suja brilho desaparecendo suavemente em sua mão. Sua força foi embora de repente.

Ele caiu de joelhos, plantando a lâmina no chão para não perder o equilíbrio.

Ao seu lado, Selene ajoelhava-se, tremendo—pálida, mas viva.

Ambos ficaram em silêncio.

Não havia necessidade.

O wyvern estava morto.

E eles ainda estavam de pé.

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