
Capítulo 123
O Extra é um Gênio!?
A cúpula ficou silenciosa.
O Dragão de Gelo jazia morto—seu corpo colossal congelado no meio de seu repouso, tentáculos de geada pálida ainda girando no ar. O chão estava espalhado de fragmentos de gelo quebrado e sangue espalhado por toda parte. Não havia som além do sussurrar suave do vento sobre as rochas.
Noel respirou lentamente e ajoelhou-se.
Todo músculo do seu corpo doía—tenso, ardente. Seus membros pareciam mais pesados que chumbo. Mana… havia acabado. Seu núcleo se sentia vazio, frágil.
Ele cerrava a mandíbula.
'Não posso desmaiar.'
Com um movimento agudo na língua, forçou a dor opaca a despertar seus sentidos. O sabor metálico de sangue invadiu sua boca, auxiliando-o a se estabilizar.
Devagar, ele se levantou.
"Parece que conseguimos," murmurou roucamente.
Seu olhar se deslocou para o wyvern caído.
Ele arrastou-se à frente—passo a passo, doloroso—até ficar ao lado da grande criatura. O ar aqui estava mais frio. Sentia a penúltima pungência do feitiço de Selene perfurando seu casaco.
Noel puxou a Presa do Revive, com as mãos firmes apesar dos tremores em seus braços.
Um corte preciso.
Ele trabalhou com método—fatiando os ossos endurecidos. Pouco tempo depois, puxou duas presas enormes, cujas superfícies brilhavam fracamente com mana.
'Prova, além de ser a coisa que prometi a Balthor.'
Quando tentou guardá-las, algo mais chamou sua atenção—meio enterrado sob a garra do wyvern.
Uma varinha.
Delicada, cristalina—parecendo esculpida de gelo puro. Brilhava suavemente com mana residual, intacta apesar do caos da batalha.
Noel se agachou, pegou-a cuidadosamente.
'Esta deve ser de Selene. Depois eu entrego a ela.'
Guardou a varinha suavemente na Bolsa Dimensional, junto às presas.
Então, seu olhar desviou.
A poucos metros dali, Selene jazia encolhida no chão, imóvel—com a respiração fraca, mas constante. Sua pele pálida, lábios tingidos de geada. Parecia frágil—como se pudesse se desmanchar ao toque.
E o frio…
Estava insuportável agora—cada respiração cortava como navalhas.
Noel hesitou por um instante.
Sem falar uma palavra, tirou o capote e cruzou a distância. Ajoelhando-se ao lado dela, colocou-o cuidadosamente sobre seu corpo pequeno, ajustando-o para protegê-la do pior do frio.
Ela não se mexeu.
Noel apoiou brevemente a mão no ombro dela.
'Você vai ficar bem. Eu vou garantir isso.'
Então—apesar do peso nos braços e da dor aguda em todas as juntas—colocou um braço sob os joelhos dela, e o outro por trás das costas.
Levou-a em um carrinho de princesa, segurando-a bem perto.
Corpo de Selene estava frio contra o dele, mas seu pulso era firme.
Noel apertou o aperto, levantando-se lentamente.
O vento uivava ao redor.
Mas ele não iria parar.
Passo a passo, iniciou a descida.
Os primeiros passos quase fizeram Noel desabar.
Suas pernas tremiam a cada movimento, os músculos gritando de protesto. Cada fibra do seu corpo queria parar—queria se jogar na neve e deixar que a escuridão o levasse.
Mas ele não podia.
Não com Selene nos braços.
Não com o tempo escasso.
O caminho descendente se estendia à sua frente—gelado, íngreme, mas felizmente livre. Eles haviam conquistado o caminho subindo por ele, removendo monstros.
Pelo menos agora… não havia mais ameaças.
Noel ajustou cuidadosamente o peso de Selene em seus braços. Seu aperto era firme, mas respeitoso—um braço apoiando os ombros dela, o outro sob os joelhos. Mantinha-a próxima, protegendo do vento o melhor que podia.
À frente, a montanha se ergia—a descida longa e perigosa.
E então—
Ding!
Uma notificação do sistema piscou na sua visão.
[Nova missão: Trate a doença e salve a mãe de Elyra. Tempo restante: 6 dias.]
'Seis dias restantes. Preciso nos descer em dois… nem mais. Não posso perder uma hora sequer.'
Ajustou sua postura, olhando cada trecho de neve e gelo antes de dar o próximo passo. Cada descida continha risco—um escorregão e eles poderiam cair.
Mas parar não era uma opção.
Ele se moveu lentamente, de forma deliberada.
O peso da Presa do Revive desapareceu—guardado com segurança na Bolsa Dimensional por enquanto. Precisava ter ambos os braços livres para carregar Selene, e toda a estabilidade possível.
A respiração saiu pesada, com nuvens brancas surgindo por trás dele.
Mas sua mente permanecia afiada.
Enquanto caminhava, seus pensamentos vagavam—de forma involuntária—de volta à sombra.
'Parece que acabou… de vez. Fundida com a Presa do Revive.'
Uma pulsação fraca de memória piscou na sua mente—aqueles momentos finais. A onda. A despedida silenciosa.
E o novo traço.
Vontade do Esquecido.
Ao lutar sozinho ou proteger um aliado, concede uma explosão de poder latente, aumentando a velocidade e a precisão temporariamente. Haverão consequências depois!
A testa de Noel se franziu.
'Vontade do Esquecido… filho esquecido. É disso que se trata?'
As palavras ecoaram com força demais.
Um traço ligado à sua linhagem? Ou algo mais profundo?
'Acho que vou precisar explorar os arquivos de Thorne quando voltar. Tem muita coisa que ainda não sei sobre essa família. Peças faltando, muitas.'
Ele exalou lentamente, outro suspiro agudo no ar gelado.
'O romance nunca abordou nada disso… Focado nas aventuras de Marcus. Mas aqui… parece que cada personagem tem sua própria vida. Seu próprio caminho. Inclusive eu.'
Olhou para baixo, em direção a Selene—ainda inconsciente, com a cabeça repousando levemente contra seu peito sob o capote.
'Vamos descer… e depois começamos de novo.'
Com uma determinação renovada, Noel apertou seu grip e continuou a descida—passo a passo, cauteloso—contra o vento cortante.
Calor.
Foi a primeira coisa que Selene sentiu.
Não o frio cortante que ela esperava—nem o calafrio insuportável deixado pelo seu próprio feitiço.
Calor… e movimento.
Suas pálpebras tremularam.
Devagar, seus olhos se abriram—visão turva, respiração superficial. Seu corpo parecia impossivelmente pesado, esgotado ao último fio de força.
Então ela focou.
Sobre ela—fracamente iluminado pela luz pálida da montanha—estava o rosto de Noel.
Ele estava sem capuz. Pela primeira vez, ela podia vê-lo claramente.
Cabelos loiros bagunçados pelo vento, fios caindo suavemente na testa. Olhos verdes semicerrados em concentração profunda, lábios finos e cerrados. Uma pequena ferida na bochecha, a pele abaixo pálida por cansaço.
Mesmo assim, ele parecia calmo.
'Eh…? Estamos nos movendo…?'
A compreensão a atingiu.
Ela já não estava mais deitada no chão frio.
Ela estava sendo carregada—com os braços seguros por baixo dela, envolta em calor.
E foi nesse momento que ela percebeu.
A capa.
A capa de Noel a cercava, com um cheiro sutil, mas inconfundível.
'Tem cheiro… dele…'
Uma leve corada subiu às suas bochechas—aquela que o frio não podia explicar.
Nunca tinha acontecido antes.
Nunca.
Ela se moveu levemente, com a voz quase um sussurro:
"Noel… pode me colocar no chão."
Os olhos de Noel baixaram—surpresos.
"Ah! Você acordou. Que bom." Seu tom suavizou, com uma ternura rara nas palavras. "Não se preocupe. Vou te colocar no chão quando pararmos à noite. Por ora… acho que você não consegue se mexer."
Selene hesitou.
Testou as pernas—tentou flexionar os dedos dos pés.
Nada.
Sem força.
Ela suspirou lentamente, fechando os olhos novamente.
'Ele está certo… não consigo me mover nem um pouco.'
Ficou imóvel, o coração batendo levemente sob o capote.
Noel não falou mais—focado apenas na descida.
Porém, cada passo dele parecia mais alto na sua audição agora.
Ela podia sentir o pulsar do coração dele sob o tecido. Ouvir o ritmo constante da respiração.
Por um instante—apesar de tudo—permitiu-se descansar contra ele.
E Noel, embora cansado e machucado, continuou em frente.
Um passo de cada vez.
Ele não iria parar.
Até que estivessem seguros.