
Capítulo 124
O Extra é um Gênio!?
As palavras pairaram no ar.
"Precisamos discutir um problema muito grave."
A voz do Rei Alveron IV era baixa, medida—mas por baixo dela fervilhava algo mais frio que o mar lá embaixo. Seus olhos carmesim fixaram-se em Deyrion Neral do outro lado da mesa, sem piscar.
O Rei de Velmora recostou-se levemente para trás, com as mãos relaxadamente nasarmenhas de sua cadeira. Sua expressão permanecia indescritível—os chifres pretos reluzindo suavemente sob a luz tênue.
"Fale, Alveron IV," disse Deyrion, com fluidez. "Vou ouvir."
Os dedos de Alveron deram uma batida rápida contra o cabo da espada diante dele—um gesto sutil, deliberado.
Então, ele falou.
"Um demônio agia livremente dentro do meu território. Dentro das muralhas da minha academia. E além delas." Seus olhos se aguçaram. "Kaelith Drosen, ou sua identidade pública, Professor Lereus."
Os olhos de Deyrion estreitaram-se um pouco. Ele ficou em silêncio.
Alveron continuou.
"Ele matou civis inocentes na capital Valon. Levou estudantes—crianças—dentro dos nossos regionais mais protegidos. E quase destruiu um pilar do futuro do nosso reino."
As palavras ecoaram na câmara.
Deyrion permaneceu calmo.
"E você acha que Velmora esteve envolvida," disse ele suavemente. Sem dúvida—uma observação.
Alveron inclinou-se um pouco para frente.
"Acredito que um ser de tal poder, capaz de ultrapassar defesas destinadas a desencorajar até mesmo o seu tipo, não agiria sem conhecimento delas. Ou sem ajuda." Sua tonalidade ficou mais dura. "E você governa o reino de onde esses seres vêm."
Um momento de silêncio.
Depois, Deyrion falou—voz suave como pedra polida.
"Velmora não tem interesse em sabotar a paz que lutamos para manter," disse ele com firmeza. "Nem eu levo a sério as vidas perdidas na sua capital. Se pensa que sou tolo a ponto de provocar uma guerra enquanto ainda pagamos pelos crimes do meu pai— então talvez subestime o peso dessa história."
Seu olhar carmesim cruzou com o de Alveron, firme.
"As ações de Kaelith Drosen não servem nem aos meus interesses nem aos do meu reino. E não as defenderei."
O ar na câmara tornou-se ainda mais frio.
Mas Deyrion permaneceu completamente imóvel—sem vacilar sob o peso do olhar de Alveron.
Aquietou-se uma longa silêncio entre eles.
Então, com uma respiração lenta, Alveron recostou-se na cadeira. Seus dedos soltaram o cabo da espada embutida, cruzando-os sobre o peito.
"Quer você diga a verdade ou invente bem uma, Deyrion... não podemos ignorar isso."
Deyrion inclinou a cabeça levemente. "Então concordamos em alguma coisa."
"O demônio agiu com precisão. Conhecia a academia—sua estrutura, seus cronogramas, seu layout—não porque adivinhou, mas porque fazia parte dela. Infiltrou-se como professor. Criou uma identidade pública. Que era confiável e respeitada."
Ele fez uma pausa, deixando o peso do que viria a seguir assentar.
"Ele passou dez anos ensinando na Torre de Mármore, apenas para construir um perfil credível... para obter as credenciais necessárias para passar por nossos portões e caminhar livremente dentro de nossas muralhas."
"Concordo," disse Deyrion. "Por isso Velmora está disposta a cooperar."
Isso fez Alveron levantar uma sobrancelha.
"Cooperar?"
O tom de Deyrion manteve-se firme. "Vou abrir acesso a todos os registros que temos sobre Kaelith Drosen e quaisquer movimentações relacionadas nas terras fronteiriças. Minhas redes de inteligência compartilharão descobertas relevantes—desde que, é claro, isso fique dentro dos limites do Acordo."
Os olhos de Alveron se estreitaram.
"E o que você pede em troca?"
"Apenas que sejamos tratados como parceiros nesta questão, não como suspeitos."
Um longo intervalo.
Depois, Alveron se levantou lentamente.
"Muito bem. Mas saiba uma coisa—não vou confiar na boa-vontade das sombras. Vou conduzir minha própria investigação. Pessoalmente."
Por um longo momento, nenhum dos reis falou.
O mar lá embaixo revolvia-se em silêncio invisível, seu rugido distante engolido pelas antigas defesas que sustentavam a câmara no alto.
Entre eles, as quatro espadas permaneciam cravadas na mesa—immóveis. Pesadas de significado.
O olhar de Alveron desviou-se para o aço diante dele.
Símbolos de paz.
De uma linha frágil que nenhum deles podia se dar ao luxo de atravessar.
Do outro lado da mesa, Deyrion levantou-se lentamente, com graça. Seus olhos carmesim ficaram um pouco mais tempo sobre as lâminas do que o necessário.
Então, falou—voz baixa, mas carregada de intenção.
"Esperemos que nenhum de nós encontre motivo para empunhar essas lâminas."
Alveron apertou a mandíbula. Não respondeu—apenas assentiu, de modo curto.
Mas ao se virar, veio-lhe à cabeça sem aviso:
'Espero o mesmo… Eu realmente espero. Que essas espadas permaneçam onde estão—para sempre.'
Finalmente, seus pés tocaram o chão nivelado.
Noel cambaleou ao dar o primeiro passo verdadeiro na encosta gelada—sua bota afundando na terra úmida ao invés de na pedra congelada.
Selene o seguiu de perto, ainda enrolada em seu manto, seus passos vacilantes, mas decididos. Ambos carregavam a mesma exaustão—marcada em seus movimentos, nos olhos.
Noel soltou um suspiro forte, o suor travando contra a pele.
Na sua visão, uma nova mensagem apareceu:
[Nova Missão: Tratar a doença e salvar a mãe de Elyra. Tempo restante: 4 dias.]
O ar lhe faltou.
'Droga. Droga... estou ficando sem tempo. Por favor—não deixe isso piorar.'
Ele avançou.
Elas atravessaram uma névoa fina que grudava ao chão da floresta—seus tentáculos se entrelaçando entre árvores e marcadores de pedra antiga. A montanha se ergueu atrás deles agora, um gigante silencioso. À frente, a silhueta tênue do posto de vigia externo começou a surgir através da neblina.
Ele estreitou os olhos.
Reconheceu a estrutura.
A mesma onde Selene havia passado por invisível na subida—e onde ele tinha usado seu writ para passar sem ser desafiado.
Mas algo era diferente desta vez.
À medida que se aproximavam, a neblina se abriu o suficiente para revelar uma figura em pé no topo do muro.
Uma figura alta, envolta em silêncio e autoridade, de pé com presença imponente no alto da muralha.
Lady Vaelora von Iskandar.
Seu olhar fixou-se nas duas silhuetas emergindo da névoa—primeiro Noel, avançando com propósito firme apesar da deficiência, e logo atrás, sua filha, visivelmente exausta, apoiada parcialmente por sua presença.
Os olhos de Lady Vaelora se estreitaram.
Sem hesitação, ela ergueu uma mão—um sinal não dito.
Ao redor das muralhas, figuras começaram a se mover. Soldados rapidamente se posicionaram, prontos para interceptar.
NOel diminuiu o passo, instintos em alerta.
'Por favor—não deixe isso piorar. Por que tive que pensar nisso? Essa porra de clichê de romance.'