
Capítulo 112
O Extra é um Gênio!?
Noel permaneceu de pé, a respiração tranquila, a mente focada.
O peso da sala não diminuiu—na verdade, o ar parecia ainda mais pesado agora, mais frio.
"Sei como preparar a cura, Senhora Vaelora", disse calmamente, a voz clara no vasto salão.
Vaelora inclinou levemente a cabeça.
Um brilho perigoso surgiu em seus olhos azuis como gelo.
"Ah é?" ela respondeu, o tom tanto de diversão quanto de agudeza. "Agora isso é interessante. Mas diga-me—já que me ofereceu essa pista… por que não tirar o resto de mim, assim como fez com minha filha?"
Noel engoliu, a garganta se apertando por um instante.
'Ponto válido… bem jogado.'
Porém, seu rosto permaneceu impassível. Endireitou os ombros.
"Porque eu confio", afirmou firme, os olhos fixos nos dela, "que a grande Senhora Vaelora nunca se rebaixaria ao nível de uma vergonha da família Thorne."
Seguiu-se um silêncio frio.
Então—Vaelora deu um ligeiro sorriso de canto de boca.
"Entendo. Não, eu não faria isso."
Ela recostou-se um pouco em seu trono, os dedos batendo uma vez na apoie de osso entalhado.
"Muito bem, fale e me conte mais."
Noel assentiu uma vez.
"Sei como preparar a cura. Para isso, preciso de Flores de Gelo como ingrediente principal. As pétalas possuem propriedades curativas poderosas, especialmente para febres severas. E, como deve saber… o sintoma mais letal dessa doença são exatamente essas febres."
O olhar de Vaelora se afinou, mas ela não respondeu—apenas aguardou.
Noel prosseguiu.
"Meu plano é simples. Irei eu mesmo até o Pico Frostspire e colherei as flores. Extrairei as pétalas e as levarei para baixo. Uma vez de volta a Estermont, poderei começar a fazer a cura—já tenho os demais ingredientes preparados."
Ele fez uma breve pausa, garantindo que seu tom permanecesse controlado.
"Depois disso, começaremos a distribuir a cura. Claro que a família Estermont não sabe sobre as Flores de Gelo. Pode ter certeza disso—esse conhecimento é só meu."
Vaelora o estudou cuidadosamente, a expressão impenetrável.
"E o que a Casa Iskandar ganha com isso?"
Noel respondeu sem hesitação.
"Recursos. Dado o problema que estou causando agora, a Casa Estermont aceitará apoiar a Casa Iskandar. E, além disso—quando a cura se espalhar, o nome de Iskandar brilhará ainda mais em Valor. Você será vista como peça-chave na superação desta crise."
Vaelora se inclinou para frente, apoiando ambos os cotovelos nos joelhos, a voz baixa.
"É uma oferta interessante, não posso negar. Mas gostaria de uma garantia. Você diz que sua família pouco se importa com você… quero uma prova. Um acordo por escrito."
Noel assentiu lentamente.
"Claro", respondeu.
Ao sinal de Vaelora, dois guardas entraram no salão. Um carregava uma folha de pergaminho grosso e uma pena, o outro—a guerreira de cabelo vermelho que Noel tinha visto antes—trouxe uma pequena mesa de madeira, que colocou cuidadosamente diante do trono.
A voz de Vaelora cortou o silêncio.
"Anote isto."
A primeira guardia posicionou o pergaminho e a pena, ficando preparado.
"Ponto um. Se o jovem Noel Thorne, da Casa Thorne, morrer, sua família não poderá buscar vingança contra a Casa Iskandar."
A pena arriscou suavemente na página.
"Ponto dois. Se a missão dele for bem-sucedida, a Casa Iskandar será nomeada como a descobridora da cura. Noel Thorne não terá direito a qualquer reconhecimento."
Mais uma pausa enquanto a guarda escrevia.
"Ponto três. Se Noel Thorne não retornar com vida, devido às complicações que causou, a Casa Estermont deverá indenizar a Casa Iskandar pelos danos."
A pena se moveu novamente, firme e precisa.
"E ponto quatro. Se Noel Thorne revelar o segredo que conhece sobre a família Iskandar, pagará com a própria vida."
As últimas palavras ecoaram levemente na câmara, mais frias do que o próprio pedra.
O olhar de Vaelora se fixou nos de Noel.
"Muito bem. Agora, assine isto, Noel Thorne, e nosso acordo estará selado. Assim que fizer isso, lhe concederei o direito de subir ao Pico Frostspire."
Noel exalou lentamente pelo nariz, aproximando-se da mesa.
'Então, tudo o que tenho que fazer é não morrer… bem fácil, não é?'
Sem hesitar, pegou a pena, assinou com traços suaves e treinados e recuou.
Sorriso de Vaelora voltou, afilado e frio.
"Espere. Ainda não acabamos. Há uma segunda cópia."
Noel levantou uma sobrancelha levemente.
"Uma segunda?"
"Claro," respondeu Vaelora. "Uma para mim… e uma para você. Assim não se esquecerá."
Noel assentiu discretamente, com uma voz tranquila.
"Entendo. Faz sentido. Você é uma mulher sábia, Senhora Vaelora."
Seu sorriso se aprofundou.
"Com esse papel, você está livre para partir. Pode subir a montanha quando quiser. Os portões se abrirão para você."
Noel fez uma reverência ligeira em sinal de respeito.
"Entendido. Obrigado."
Noel saiu do salão principal, as portas pesadas se fechando com um eco profundo. O ar frio lá fora parecia quase quente, comparado à atmosfera que acabara de deixar.
Sem parar, ele pegou o documento e cuidadosamente o colocou em sua Bolsa Dimensional, certificando-se de que estivesse seguro. Seu peso não era muito, mas a importância dele era clara o suficiente.
A noite caía rapidamente sobre a fortaleza. A luz pálida da lua mal penetrava as nuvens densas que se acumulavam sobre o Pico Frostspire. Noel virou o olhar para a silhueta distante da montanha, sua forma irregular quase visível contra o céu escurecendo.
"Amanhã," pensou. "Começa."
Ele percorreu os corredores de pedra, os passos levemente abafados sobre os pisos cobertos de geada. Perto do quartel, encontrou um jovem guarda e pediu um quarto para a noite. O homem o conduziu até uma pequena câmara, pouco mobiliada, dentro do pátio interno.
Noel entrou sozinho, a porta se fechando suavemente atrás dele. O quarto era simples, mas aquecido o suficiente—uma cama, uma cadeira, uma mesa pequena e pouco mais.
Enquanto começava a tirar o casaco, um som sutil chamou sua atenção. Passos leves. Um momento depois, Noir entrou no cômodo, os olhos brilhando levemente na pouca luz. Sua pelagem preta e violetada estava coberta de neve.
Noel sorriu fracamente.
"Você encontrou, pequeno?"
Noir emitiu um suave "Au," com a cauda abanando uma vez.
Noel se agachou e bagunçou a pelagem atrás das orelhas dele.
"Boa trabalho."
Ele se endireitou, os olhos fixos por um instante na mochila que Noir carregava de volta. Tudo estava no lugar.
'Mais uma noite,' pensou. 'Depois, subimos.'
A porta do quarto de Selene se abriu de repente, rangendo forte com as dobradiças antigas.
Vaelora entrou, sua presença preenchendo o espaço como uma frente de tempestade. Observou sua filha, encolhida sob os lençóis finos, olhos fechados em sono agitado.
"Tsc." Sua voz foi um sopro frio e cortante.
"Acorde!"
Selene se endireitou de um salto, o coração batendo forte no peito. Por um instante, desorientada, piscou contra a pouca luz do quarto.
Vaelora permanecia perto da porta, com os braços cruzados, a expressão de gelo.
"Sua amiguinha sai amanhã," ela disse de modo seco. "Parece que você fez algo útil… embora isso não justifique ter revelado um segredo da família. Você sabe o que lhe espera, não é?"
A garganta de Selene ficou seca. Sua voz saiu baixa, resignada.
"Sim, mãe…"
Vaelora permaneceu um instante a mais, o olhar duro, depois virou bruscamente sobre os calcanhares.
"Bom. Melhore sua força."
Ela bateu a porta com força, deixando Selene sozinha novamente.
O silêncio voltou ao quarto.
Selene ficou imóvel na beirada da cama, abraçada a si mesma. O eco da porta batendo ainda ressoava em seus ouvidos.
As palavras da mãe não eram novidade—agnósticas, frias, sempre cortando mais fundo do que qualquer espada. Mas desta vez, algo mais se instalou em seu peito… uma dor surda que não queria desaparecer.
'Então… ele vai embora amanhã.'
O pensamento despertou uma mistura estranha de sentimentos dentro dela. Uma parte sentia alívio, de que Noel logo sairia daquele lugar, fora do alcance da mãe. Mas outra, pequena e frágil, sentia um vazio estranho com essa ideia.
'Por que ajudei ele...? Talvez… talvez eu só quisesse alguém para ajudar os outros. Talvez eu quisesse ajudar.'
Seu corpo fraquejou um pouco enquanto ela se deitava, puxando os lençóis finos sobre si. O quarto parecia mais frio do que nunca.
Então, um bocejo profundo veio de seu estômago. A fome a atormentava, aguda e persistente, mas ela sabia que não haveria comida naquela noite. Raramente havia quando sua mãe ficava descontente.
Ela passou a mão pelo ventre, os dedos tremendo um pouco.
'Apenas durma… esqueça… durma.'
Encolhida sob o cobertor fino, fechou os olhos, forçando seu corpo a ficar imóvel.
Mas o peso do dia, de suas escolhas e do silêncio deixado para trás pressionava ainda mais.