
Capítulo 111
O Extra é um Gênio!?
O frio na sala agora parecia diferente.
Não era a simples sensação do inverno, mas algo mais profundo.
Noel permaneceu ereto no tapete carmesim, com o olhar firme, ciente de que cada palavra tinha peso aqui. Lady Vaelora von Iskandar o observava de sua cadeira feita de ossos de criaturas, uma mão descansando preguiçosamente perto do machado enorme ao seu lado. Selene permanecia silenciosa ao seu lado direito, com a postura rígida, o olhar baixo.
Noel respirou lentamente, a voz calma.
"Preciso de acesso ao Pico Frostspire. Espero que me conceda, Lady Vaelora von Iskandar—Senhora do Norte."
Por um instante, só o crepitar das tochas respondeu-lhe.
Então, um risinho baixo escapou pela garganta de Vaelora. Seus olhos brilhavam como pedaços de gelo.
"Ah, você tem jeito com as palavras, não tem, rapaz da linhagem Thorne?" Sua voz era afiada, cada palavra envolta por uma fina camada de desdém. "Minha filha me contou que você viria… e que tinha algo importante a discutir." Ela se inclinou levemente para frente, sua presença se tornando mais pesada. "Mas, confio que você sabe, ou deveria saber, que o acesso àquela montanha é um privilégio exclusivo da família Iskandar."
Noel cruzou o olhar com ela sem hesitar.
"Agradeço sua honestidade," disse de forma equilibrada. "Porém, esta questão é de grande importância."
A expressão de Vaelora esfriou ainda mais.
"Sabe…" ela falou devagar, batendo os dedos uma única vez contra o braço da cadeira, "Tenho pouca paciência para quem perde meu tempo precioso. Fale claramente. Por que você veio realmente?"
Noel respirou fundo, a voz agora firme.
"Preciso de Flores de Gelo."
Um momento.
Então Vaelora soltou uma risada—um som curto e áspero que ecoou pela câmara.
"Ah. Agora isso ficou interessante."
Noel não relaxou.
"Você está ciente da doença que se espalha pelos condados do norte de Valor, não está?" ele pressionou. "Ela está avançando mais rápido do que esperávamos… e suas principais vítimas são os territórios de Iskandar e Estermont."
Vaelora inclinou a cabeça um pouco, uma leve carranca curvando seus lábios.
"Ouvi rumores a respeito," ela respondeu com indiferença casual. "Mas por que eu iria me importar com os fracos? Os fracos não são dignos do meu respeito… e pouco me importa o que aconteça com eles."
A mandíbula de Noel tensionsse.
'Exatamente o que eu pensava até pouco tempo atrás.'
"Entendo," ele disse em silêncio.
Os olhos de Vaelora se estreitaram.
"Então me diga," ela perguntou suavemente, a voz voltando a ficar mais aguda, "como você soube da existência das Flores de Gelo?"
A pergunta cortou o ar como uma lâmina.
Noel parou.
Seu raciocínio acelerou—ele se preparou para muitas hipóteses, várias objeções… mas não para isso.
Selene era uma coisa; mentir para Vaelora von Iskandar, uma guerreira experiente Ascendente, era completamente diferente. Seus olhos agora fixavam nele, aguçados e frios, como se estivessem descascando as camadas de suas intenções.
Por um instante, sua garganta secou.
'Tenha cuidado... se for excessivamente cauteloso, parecerá mentira. Se agir rápido demais, ela perceberá que estou escondendo algo.'
Mas antes que pudesse abrir a boca—
"Eu disse a ele."
A voz foi calma, mas clara.
Selene.
A cabeça de Noel se virou um pouco na direção dela. Ela se endireitou agora, com os olhos fixos à frente, a voz firme apesar do leve tremor abaixo dela.
Por um momento, silêncio.
Depois, o olhar de Vaelora se voltou lentamente para sua filha.
"Ah?" O gelo na sua voz se aprofundou. "Minha preciosa filha recebeu permissão para falar?"
A voz de Selene mal escapou dos lábios.
"Não…"
Sorriso de Vaelora era afiado como uma navalha.
"Entendo. Então, além de interromper minha conversa com o jovem Thorne… você também revela um segredo da família no processo."
As palavras lançaram cruelmente como um chicote.
Noel se endireitou, falando rapidamente agora, com tom baixo, mas direto.
"Ela não me contou de livre vontade. Forcei ela a falar."
Ele manteve o olhar fixo em Vaelora. "Precisava de algo e descrevi. Ela murmurou algo debaixo do fôlego… e eu insisti até ela dizer o nome."
Os dedos de Vaelora bateram mais uma vez contra o braço da cadeira—agora mais rápido.
"Então." A voz dela caiu. "Você veio aqui procurando acesso a algo proibido, e força minha filha a trair a confiança da família."
O ar na sala ficou ainda mais frio.
O coração de Noel batia firme no peito, mas ele sentia o peso do olhar dela agora—uma autoridade antiga, implacável, que não se deixaria enganar por gentilizas.
Ele manteve-se firme.
"Selene. Vá para o seu quarto," Vaelora disse com frieza. "E você já sabe o que te espera."
Selene engoliu em seco.
Suas pernas se moveram antes que sua mente pudesse recuperar o controle. Ela inclinou a cabeça ligeiramente—quase um asentimento—e se virou.
'Parece que realmente dei a equivocada dessa vez…'
Ela não ousou olhar novamente para sua mãe. A mulher sentada naquele trono não era uma mãe. Nem para ela. Nem agora, nem nunca.
'Nem sequer sei por que ajudei Noel… talvez porque eu quisesse que ele ajudasse os outros. Talvez porque… alguém tem que fazer isso.'
Seus passos ecoaram suavemente no chão de pedra ao atravessar o grande salão. O frio apertava ainda mais a cada passo.
Ela chegou à porta.
E ao empurrá-la, um movimento chamou sua atenção.
Noel.
De pé, com o olhar calmo—mas com a cabeça ligeiramente virada na direção dela. Seus lábios se moveram, em silêncio.
"Obrigada."
As palavras não chegaram aos seus ouvidos, mas ela as ouviu claramente.
A garganta apertou. Ela se esforçou para não parar, não reagir.
A porta se fechou com um barulho surdo.
Escuridão.
Ela ficou no corredor por um momento, os olhos arderem. Depois, seus pés se moveram novamente, levando-a pelos corredores familiares e vazios.
Ninguém falou com ela. Ninguém a olhou.
Quando chegou ao seu quarto, sua mão tremia ao abrir a porta.
Havia apenas uma cama estreita com lençóis brancos finos, uma pequena mesa de madeira e nenhuma janela—nenhuma calor por perto.
Ilumou uma vela pequena com o resto de cera na mesa. O brilho tênue tremulava contra as paredes de pedra.
Selene sentou-se na cama. Seu corpo se encolheu, braços envolvendo os joelhos.
Seu peito apertava. Seus olhos ardiam.
'Por que nasci assim…'
A voz de sua mãe ecoou na sua cabeça—afiada, repleta de desprezo, inflexível.
Uma maga nascida em uma família de guerreiros, um erro aos olhos deles.
As lágrimas vieram lentamente a princípio, depois mais rápidas, nublando as bordas do quarto.
Ela se enroscou nos lençóis finos, abraçando-os ao peito como se pudessem de alguma forma protegê-la do vazio.
"Por que nasci assim…" ela sussurrou na escuridão.
A porta se fechou com um som oco, deixando o salão maior, mais vazio e mais frio.
A senhora Vaelora se ajustou levemente na cadeira, uma das mãos ainda repousando perto do machado. Seus olhos voltaram-se para Noel, afiados e avaliadores.
"Agora que minha filha se foi," ela disse com a voz mais baixa, mais deliberada, "vamos começar a verdadeira conversa."
A temperatura na sala parecia cair ainda mais. Um frio sutil percorreu a pele de Noel, mesmo sob o grosso sobretudo que vestia.
Um calafrio ameaçou subir por sua espinha, mas ele forçou seu corpo a permanecer imóvel. Encarou-a de forma firme.
"Você não acha," começou com cuidado, "que seria bom para sua casa aumentar ainda mais seu nome em todo Valor?"
Os olhos de Vaelora se estreitaram.
"Sei bem o quanto você lutou, o quanto trabalhou para trazer a Casa Iskandar ao seu auge."
A mente de Noel acelerou. 'Não tenho certeza se ela vai comprar essa… mas vale a tentativa.'
Ele insistiu.
"Um nome que um dia pertenceu a uma pequena família de guerreiros agora está entre as maiores potências do continente. Isso é mérito seu, Lady Vaelora. E há uma oportunidade única de levá-lo ainda mais longe."
Uma pausa.
Então—um suspiro de diversão.
"Então… meus feitos chegaram até o sul do continente?" Houve um brilho de interesse genuíno sob o aço.
'Deu certo? Acho que vou continuar.'
Nosso personagem assentiu discretamente.
"Sim. Histórias sobre a ascensão da Casa Iskandar são conhecidas até fora de suas terras. Esta—esta é uma chance de fortalecer ainda mais esse legado."
Vaelora recostou-se um pouco, os dedos batendo uma vez contra o apoio de osso da cadeira.
"É uma proposta tentadora," admitiu. "Mas permitir seu acesso ao Pico Frostspire é uma coisa. Voltar vivo com uma Flores de Gelo é outra." O olhar dele se tornou sério. "Você entende, rapaz, que se algo acontecer com você, pode gerar problemas com a Casa Thorne. Seu pai é uma pessoa perigosa. Em um duelo… não tenho certeza de quem sairia vivo."
Os lábios de Noel formaram um leve sorriso.
"Não precisa se preocupar com isso, Lady. Minha família me considera uma vergonha. Duvido que eles levantem um dedo por mim."
Vaelora estudou-o por um longo momento, a expressão impassível.
"Muito bem," disse finalmente. "Então, diga-me—qual é o seu plano?"