
Capítulo 110
O Extra é um Gênio!?
A carruagem diminuiu a velocidade, fazendo um barulho lento ao parar.
Noel se endireitou na janela, os olhos estreitando-se enquanto observava através do vidro coberto de geada. A paisagem além dali não era nada acolhedora.
Parede de pedra altas se erguiam à sua frente—grossas, desgastadas pelo clima, construídas para a guerra, não para ostentação. A fortaleza de Iskandar não era a mansão ornamentada que se poderia esperar de uma família nobre. Era uma fortaleza, simples e direta, embrenhada no fundo de um vale coberto de neve, entre montanhas acidentadas.
A neve castigava o mundo com espessas camadas. O céu acima era cinza opaco,pressando-se baixo sobre os picos como um peso. Até o ar parecia mais pesado aqui.
Noel respirou lentamente e foi buscar as luvas, colocando-as com cuidado deliberado. Ele vestia um longo sobretudo preto de inverno, tecido grosso e isolante, com uma gola alta virada para cima contra o vento. Botas robustas pretas subiam até os joelhos, fazendo um leve barulho ao pisar no piso da carruagem enquanto mudava de postura.
Seu cabelo loiro tinha crescido um pouco nas últimas semanas, agora caindo em fios irregulares sobre a testa. Contraste forte com o visual austero e o mundo sombrio lá fora, seus olhos verdes brilhavam intensamente, frios e alertas.
Ao seu lado, Noir permanecia em silêncio, o pelo puffed de frio. Seu casaco preto brilhava discretamente com faixas de roxo profundo, cada fio parecendo captar as últimas raias de luz. Seus olhos—íris escuros delineados por uma tonalidade roxa profunda, circundados por preto azulado—observavam o mundo com uma calma, um olhar inabalável e difícil de decifrar.
'Parece que chegamos, Noir.'
Noel empurrou a porta e desceu na neve. O vento o atingiu imediatamente—afiado e cortante, atravessando suas camadas como se tentasse descobrir uma fraqueza. Ele endireitou o casaco, ignorando o frio.
Na frente da carruagem, o mordomo enviado pela Casa Estermont permaneceu sentado, segurando as rédeas. Os cavalos relincharam inquietos, o hálito formando névoa na ar fria.
Noel se aproximou dele, com a voz tranquila. "Pode voltar agora. Avise que cheguei em segurança. Estarei de volta antes de meados de abril."
O mordomo assentiu respeitosamente. "Informarei ao Lorde Estermont."
Sem mais delongas, ele puxou as rédeas, dando a volta na carruagem. A neve levantou-se com o movimento, enquanto ela começava a longa jornada de volta pelo desfiladeiro.
Noel acompanhou o vapor desaparecendo na cortina branca.
'Como eu disse, Noir. Vai ser um mês longo.'
Noel ajustou a correia do cinturão da espada enquanto avançava. A Mandíbula do Vidente pendia na cintura, um peso familiar. Do outro lado, a Bolsa Dimensional descansava contra o quadril, presa ao cinto—uma garantia silenciosa.
Noir trotava ao seu lado, as patas quase sem barulho apesar da camada espessa de neve sob elas. O pelo liso, preto com roxo, destacava-se marcadamente contra o fundo branco infinito.
Neste momento, estavam diante do grande portão de pedra da fortaleza de Iskandar. A muralha se erguia imponente, a pedra áspera e antiga, desgastada em pontos por séculos de vento e gelo. Espessas camadas de neve caíam de cima, girando em ondas que dificultavam ver a mais de alguns metros à frente.
Ele inclinou um pouco a cabeça, observando o portão através da névoa.
'Parece que você gosta desse clima, Noir.'
A sombra do lobo não respondeu, apenas se sentou ao lado dele com a calma treinada, a cauda enrolada sobre as patas.
Noel respirou fundo, a voz firme apesar do frio que cortava sua garganta.
"BOA TARDE!" ele chamou, a voz cortando a tempestade.
Um instante passou. O vento uivou mais forte.
Então, um profundo gemido de pedra e ferro. Lentamente, com um ruído de atrito, o grande portão começou a se abrir. A neve escorria de suas bordas superiores em pesadas cortinas.
Noel abaixou-se, desabotoando a Mandíbula do Vidente na cintura. Sem palavras, deslizou a lâmina para dentro da Bolsa Dimensional, desaparecendo de vista. Não havia motivo para levantar suspeitas do lado de cá dessas paredes.
Ele lançou um olhar para Noir, assentindo levemente.
Juntos, deram um passo à frente, passando debaixo do arco de pedra à medida que o portão se abria mais para permiti-los a entrada.
O mundo além aguardava na sombra e no aço.
Uma coisa que Noel notou ao passar pelo portão foi o silêncio absoluto do lugar.
Sem serviçais agitantes. Sem conversas ociosas. Apenas o estalo nítido de botas na neve, o clangor distante de aço contra aço, e o murmúrio baixo do vento entre pedra e gelo.
E, bem na sua trajetória—uma figura que parecia pertencer a outra era completamente diferente.
O guarda era gigantesco. Ombros largos, braços grossos quase incapazes na túnica de couro forrada de pele. Uma juba de cabelo vermelho flamejante caía em ondas enredadas além dos ombros, combinada com uma barba grossa e trançada. Sua pele era pálida pelo frio, mas avermelhada pelo esforço, e uma cicatriz feia cruzava uma das faces. Em uma das mãos, descansava um machado enorme apoiado no chão.
Seus olhos azuis se estreitaram ao o avaliarem.
"Declara tua missão, rapaz," ele ralhou com uma voz profunda, como deslizamento de terra.
Noel parou alguns passos antes, postura relaxada mas alerta. Noir permanecia quieto ao seu lado.
"Boa tarde. Meu nome é Noel Thorne. Venho solicitar uma audiência com a Senhora Vaelora von Iskandar."
Ao ouvir o nome, a sobrancelha do guarda se levantou. Um risinho seco escapou dele.
"Thorne, é? Sua gente vem do outro lado do continente, menino. Isso é bem longe de casa." Seus olhos brilhavam. "Tenho medo que a Senhora Vaelora não receba visitantes com tanta facilidade."
A expressão de Noel permaneceu inalterada.
"Ela foi informada da minha visita. A Senhora Selene deve ter enviado aviso adiantado."
Um longo momento de silêncio seguiu-se. O guarda o estudou por mais um instante, depois fez um som de impaciência.
"Entendi… espere aqui. Vou confirmar."
Com isso, o guerreiro de cabelo vermelho virou-se e entrou na neve, a empunhadura do machado apoiada em um ombro.
Noel o observou partir com um leve estreitamento dos olhos.
Depois, ajustando o peso, permitiu-se um momento para absorver o interior da fortaleza.
À frente, ficava o prédio principal—um castelo de pedra escura, com torres sombrias e pontiagudas contra o céu pálido. Parecia mais um bastião de um velho senhor da guerra do que uma propriedade nobre.
À esquerda, uma fileira de estábulos abrigava potentes cavalos de guerra, cujo hálito gelava no ar frio. À direita, uma área de treinamento estendia-se sob uma camada de neve. Lá, soldados treinavam em pequenos grupos—gruidades, movimentos com armas brutas, força pura.
Não se via magia ou encantamentos—apenas aço e força bruta.
Machados, espadas, maças—armas pesadas. Mesmo na tempestade, treinavam sem hesitação.
'É verdade que não há magos. Nenhum. A única exceção deve ser Selene.'
O pensamento ficou enquanto a neve se acalmava, a visibilidade se ampliando o suficiente para perceber a disciplina rígida do local.
Noel respirou fundo lentamente, os olhos acompanhando as figuras distantes que se moviam com determinação dura.
Ele esperou.
O som de botas pesadas pisando na neve trouxe sua atenção de volta ao portão.
O guardião de cabelo vermelho tinha retornado, uma tênue fumaça de vapor escapando de sua boca enquanto falava.
"Me siga. A Senhora Vaelora vai recebê-lo."
Noel assentiu levemente e virou-se para seguir, Noir entrando no passo ao seu lado.
Enquanto caminhavam mais fundo na fortaleza, Noel sentiu o peso de diversos olhares sobre si.
Guerreiros pararam no meio do treinamento. Fateiros interromperam seus trabalhos. Até guardas passando lentamente olharam na direção deles.
Seus olhares não eram curiosos. Eram avaliadores, afiados como lâminas afiadas para a guerra.
E, logo, os sussurros começaram.
"Olha só esse bonequinho que entrou."
"Vai estar chorando de volta à sua mansão assim que seus ovos congelarem."
Noel não demonstrou nenhum embaraço, a expressão tão impassível quanto de sempre.
'Sim, sim. Vou certamente voltar correndo.'
O pensamento veio seco, com um toque de quieta diversão escondida.
Ele manteve o ritmo com o guerreiro de cabelo vermelho, ombros firmes, passos firmes.
Passaram por um arco menor e chegaram ao coração do bastião.
Dentro, o frio persistia. As paredes de pedra irradiavam o gélido, suas superfícies rústicas e sem adornos. Simples tochas de ferro queimavam ao longo das paredes, suas chamas alimentadas por óleo comum, sem magia.
O ar tinha um leve cheiro de aço e cinzas.
Este não era um lugar de conforto. Era um lugar feito para resistência.
O caminho atravessava corredores estreitos e salões largos e vazios, todos sombreados em tons de cinza e azul frio.
Finalmente, chegaram a uma porta grande, marcada por entalhes profundos—cenas de batalha e conquista gravadas na madeira escura.
O guarda de cabelo vermelho parou diante deles, voltando-se para Noel.
"É aqui que eu deixo você. Dentro, espera a Senhora Vaelora von Iskandar."
Ele deu um passo de lado, com os braços cruzados ao peito.
Noel hesitou por um instante, o olhar passando brevemente pelas portas imponentes.
As portas abriram com um ranger baixo de dobradiças antigas, o som ressoando suavemente na câmara vasta além.
Noel entrou.
O ar ali era mais frio que em qualquer outro lugar da fortaleza, embora não por causa do clima externo. Vinha do peso da sala em si—uma aura de autoridade e perigo que pressionava a pele como geada.
O salão era vasto e vazio, seu teto alto se escondia na sombra. Colunas de pedra grossas alinhavam-se nas laterais, austeras e sem adornos. Nem bandeiras, nem ornamentos dourados.
Um único feixe de luz descendo de uma grande abertura no teto iluminava o centro da câmara—a longo tapete vermelho que se estendia da porta até uma tribuna elevada.
No final desse tapete, repousava o trono.
Não era um assento de luxo dourado. O trono foi forjado com os ossos de bestas mágicas, suas formas retorcidas polidas e entrelaçadas em uma estrutura imponente de presas e espinhas.
Sobre ele, estava Lady Vaelora von Iskandar.
Ela tinha exatamente a aparência que Noel imaginara—e era ainda mais perigosa.
Seu cabelo caía em uma cascata de prata afiada, com fios escuros interlaçados. Seus olhos de gelo azulado a observavam sob uma sobrancelha forte, sua mirada afiada como os ventos do norte.
Seu físico era robusto—ombros largos e músculos sob um manto de peles. Uma mão repousava no braço do trono; a outra estava próxima à empunhadura de um machado de batalha gigante, cuja lâmina descansava contra a cadeira esculpida em ossos.
À sua esquerda, Selene permanecia rígida, composta, com a habitual firmeza de sempre. Seus olhos encontraram os de Noel por um breve momento, indecifráveis.
Noel avançou, cada passo lento e calculado, as botas silenciosas sobre o tapete espesso.
Parou à frente do tribuna, postura ereta, olhar firme.
Por um instante, reinou o silêncio.
Então, a voz de Lady Vaelora cortou o ar—fria, seca, sem rodeios.
"Por que você veio?"