O Extra é um Gênio!?

Capítulo 109

O Extra é um Gênio!?

Mal o sol tinha acabado de surgir além das montanhas distantes quando Noel saiu do grande hall da propriedade Estermont. A marble sob seus passos ainda sentia o frio da noite, e uma fina camada de neblina matinal pairava sobre o vasto pátio.

Uma carruagem de perfil elegante, de coloração vermelha escura, aguardava-o perto do portão principal, sua estrutura marcada com os sigilos elegantes de Estermont em preto e ouro. Dois poderosos cavalos cinzentos estavam prontos, com as rédeas seguradas por um mordomo alto, taciturno, que já ocupava o banco do cocheiro.

Ao lado da carruagem, estavam Elyra e seu pai, Lord Caeron.

Noel se aproximou, trajando seu casaco de viagem azul-marinho, com a espada calçada ao lado. Noir caminhava silenciosa ao seu lado.

"Bom dia," cumprimentou Noel.

"Bom dia," respondeu Elyra, com voz tranquila.

O olhar afiado de Caeron percorreu Noel, avaliando a cena.

"Você não está levando mais nada?" ele perguntou, com sobrancelha levemente levantada. "É uma viagem de alguns dias, mesmo com carruagem. E vejo só sua espada, aquele cachorro… e uma bolsinha pequena."

Noel sorriu levemente. "Sem preocupação. A bolsinha consegue carregar até cem quilos. Empacotei roupas de inverno, comida e água suficiente para toda a jornada. E o nome do cachorro é Noir—ela é uma loba, na verdade."

A expressão de Caeron suavizou, por um instante. "Entendo… Faz sentido… E minhas desculpas, pequena. Nada de insulto foi intendedo."

Ao dizer isso, Noir balançou a cauda uma vez, como se aceitasse a desculpa.

Noel assentiu. "Bem… chegou a hora de partir."

"Espere," disfarçadamente Elyra falou rapidamente.

Antes que pudesse reagir, ela avançou e envolveu os braços ao redor dele—apertada, quente, de forma súbita.

Noel piscou. "Para quê isso?"

"Para recarregar sua energia," ela sussurrou.

"Entendi…"

Enquanto Elyra descansava a cabeça contra seu ombro, Caeron olhava fixamente Noel nos olhos. Devagar, deliberadamente, ele levantou um dedo e traçou uma linha na sua garganta.

Noel reprimiu um suspiro. 'Sério… de novo?'

Finalmente, Elyra o soltou, com o olhar firme, mas afetuoso, e voltou ao lado do pai.

"Então, até logo," disse Noel suavemente. "Vejo você em breve."

Elyra levantou uma mão, acenando para ele partir.

Com um último aceno de cabeça, Noel entrou na carruagem vermelha escura. A porta se fechou com um suave estalo.

As rodas começaram a girar, e a estrada se abriu diante de si.

A carruagem rolava lentamente pelas estradas sinuosas de Estermont, sua estrutura rubra refletindo um brilho tênue sob o sol nascente. Dentro, a cabine era quente e bem acolchoada, forrada com veludo escuro e detalhes dourados.

Noel sentava-se com um braço apoiado na parede lateral, olhando pela janela enquanto florestas e colinas passavam ao seu redor. Diante dele, Noir jazia estirada no assento, com a cabeça descansada contra a sua perna. Sua respiração era suave, ritmada.

Ele estendeu a mão e acariciou o pelo dela distraidamente.

'Hmm… o sistema disse que você cresce junto comigo. Acho que, à medida que avanço de nível, você também vai ficar maior.'

As orelhas de Noir se mexeram. Ela levantou um pouco a cabeça e emitiu um latido suave—como se estivesse respondendo.

Noel sorriu de leve. 'Entendi… bem, prepare-se para crescer bastante, Noir. Essa vai ser a coisa mais difícil que já enfrentei até agora. Mesmo mais que lutar contra a ruiva… e o Lereus.'

A filhote de loba se aproximou mais de seu lado, sua calorosa presença um pequeno conforto contra a incerteza à frente.

O ritmo das rodas da carruagem e o suave balanço iam acalmando a cabine, mergulhada em uma paz silenciosa. Mas os pensamentos de Noel permaneciam aguçados, focados.

A cada milha que passava, ele se aproximava de uma terra tomada pelo medo—e de uma tarefa que ninguém mais ousara tentar.

'Um passo de cada vez.'

Dois dias passaram em ritmo constante—roda após roda, céus mudando de cor, trechos intermináveis de estrada percorrendo os vales de Iskandar.

Noel passou a maior parte do tempo em meditação, com as pernas cruzadas no largo assento da carruagem, olhos fechados. O fluxo de mana por seu corpo permanecia calmo, mas implacável—como um rio canalizado por margens estreitas.

Adeus de Noir descansava por perto, de vez em quando alongando-se ou apoiando a cabeça contra seu pé. O vínculo entre eles havia se aprofundado durante as horas silenciosas.

Quando o sol do segundo dia despencou em direção ao horizonte, Noel finalmente abriu os olhos. Uma respiração suave escapou-lhe.

"Status."

Uma tela de um azul pálido piscou na sua frente:

[Progresso Atual do Núcleo: 96,43% – Núcleo de Mana: Novato]

Ele franziu levemente a testa.

'Hmm. Apenas +0,10% após dois dias inteiros de meditação. Parece que você também não cresceu muito, Noir.'

A pequena loba, agora despierta, olhou para ele. Sua cabeça inclinou-se, com as orelhas erguidas. Então ela soltou um pequeno resmungo, quase indignada.

Noel riu baixinho. 'Entendo, entendo. Ambos cresceremos em breve.'

Ele se ajustou na cadeira, puxando a cortina para trás. Lá fora, o caminho tinha ficado mais estreito, virando por trilhas mais acidentadas. As densas florestas de Estermont davam lugar a trilhas íngremes e sinuosas nas montanhas. Os picos de Iskandar se erguiam ao longe, seus contornos irregulares cobertos de neve. Geada grudava nas árvores dispersas ao longo da estrada, e camadas finas de gelo brilhavam nas valas.

À medida que desciam em direção a um vale estreito, uma aldeia surgiu à vista—a aglomerado de casas de madeira agrupadas sob a sombra das falésias. Mas algo parecia errado.

Ao se aproximarem, os sinais ficaram claros: uma enorme tenda branca no centro, cercada por guardas. Pessoas em macações improvisadas eram levadas em direção a ela. Outros se aglomeravam nas ruas, com os rostos pálidos e tensos.

Os olhos de Noel se estreitaram.

'Droga… a doença já chegou tão longe.'

Ele se inclinou para frente. "Pare por um momento."

Sem hesitar, o mordomo que guiava a carruagem segurou as rédeas, fazendo o veículo parar.

Noel se levantou, pegou seu capa e saiu na tarde fresca—com Noir silenciosa ao seu lado.

Na frente, uma fila de guardas se movia entre os moradores e a tenda de quarentena.

'Vamos ver o que realmente está acontecendo.'

Abrindo caminho, a brisa fria o atingiu ao descer da carruagem.

Um vento de montanha cortante percorreu as ruas estreitas da vila, trazendo o ardor da neve e do gelo. Camadas finas de geada cobriam as vigas de madeira das casas e as bordas da calçada de pedra. Os moradores, agasalhados em peles grossas, caminhavam apressados, com os rostos pálidos e tensos.

No centro do povoado, uma tenda branca grande agitava suas paredes sob o vento. Ao redor, cercas improvisadas de madeira e corda tinham sido erguidas, e guardas armados, de capas pesadas, davam ordens aos carregadores de maca, enquanto levavam os doentes para dentro.

Noir caminhava silenciosa ao lado de Noel, com as orelhas se mexendo enquanto observava a cena.

Ele se aproximou de um dos guardas—um homem imenso, que parecia mais um bárbaro que um soldado, com peles grossas penduradas nos ombros e um machado enorme preso às costas.

"Com licença. O que está acontecendo aqui?"

O homem se virou, expressão dura. Mas ao notar a carruagem vermelho escura da Casa Estermont atrás de Noel, um reconhecimento piscou em seus olhos. Ele se endireitou um pouco.

"Meu senhor," disse o guarda, com a voz rouca pelo frio. "Uma doença tem se espalhado pela aldeia há meses. Ninguém sabe onde começou—apenas que está piorando. Casais inteiros estão adoecendo."

"Entendi…" Os olhos de Noel percorreram a cena. "De onde a vila tira sua água para beber?"

O guarda franziu a testa. "Do poço. Está bem no centro da cidade—todo mundo usa."

O olhar de Noel ficou mais afiado.

"Feche o poço," ordenou. "Esse é o foco. A doença se espalha por alimentos ou bebidas contaminados."

O guarda hesitou. "Tem certeza? Sei que você vem de Casa Estermont, mas não posso decidir sozinho."

Noel o encarou firmemente. "Confie em mim. Tenho uma audiência com Lady Iskandar em breve. Sei exatamente com o que estou lidando."

O guarda parecia relutante. "Mesmo que eu concordasse… as pessoas ficariam sem água."

Noel abriu sua bolsa dimensional. Um a um, começou a colocar garrafas de vidro seladas no chão coberto de neve—água, dezenas de garrafas, parecendo surgir do nada.

"Use essa água. Está limpa."

O guarda assistia, impressionado, enquanto a pilha de garrafas crescia.

"…Entendido. Faremos como você manda."

Noel fez um aceno curto. "Ótimo. Não quero tomar mais seu tempo."

Ele voltou na direção da carruagem, Noir trotando ao seu lado.

O vento frio ficava mais intenso—mas Noel mal notava. Seus pensamentos já se adiantavam.

A carruagem voltou a mover-se, as rodas fazendo barulho suave sobre o caminho congelado enquanto deixavam a aldeia para trás.

Dentro da cabina, o ar era mais quente—ou quase isso. Noel puxou o capote mais apertado ao corpo e recostou na cadeira. Noir pulou ao seu lado, enrolada contra sua perna em busca de aquecimento.

Pela janela, os picos recortados de Iskandar sobiam cada vez mais altos. Neve cobria os galhos das árvores montanhosas dispersas, e ventos gélidos rasgavam as vales estreitos. Quanto mais avançavam, mais isolada se tornava a terra.

Noel observava o borrão branco do mundo além do vidro.

'Parece que realmente mudei,' pensou, acariciando distraído o pelo de Noir. 'Antes… eu não me importaria com o que acontecesse com os outros.'

Olhou para ela. Noir se mexia no sono, pressionando-se mais perto.

Um sorriso suave surgiu em seus lábios. 'Agora… eu me importo.'

As montanhas ficavam mais próximas, maiores e mais frias.

E, em algum lugar além delas—uma cura esperava para ser descoberta.

Comentários