
Capítulo 108
O Extra é um Gênio!?
A refeição tinha acabado, mas o ar na sala de jantar permanecia pesado—carregado de algo não dito.
Noel colocou os utensílios com cuidado e respirou lentamente. Seu coração não acelerava. Sua mente estava clara. Agora ou nunca.
Ele levantou o olhar para Lorde Caeron.
"Lorde Caeron," começou, com uma voz calma mas carregada de peso, "gostaria de lhe dizer uma coisa."
O nobre, que acabara de levantar sua taça, a colocou lentamente na mesa. Seus olhos escuros se aguçaram, fixando-se em Noel. Seu tom era frio, de quem espera uma resposta.
"Diga."
Noel endireitou as costas, sem sinal de medo na voz.
"Sei como criar uma cura para a doença que afeta sua esposa... e seu povo."
O silêncio que se seguiu foi imediato—precipitante e esmagador.
Os olhos de Caeron se estreitaram até virar fendas. A atmosfera ao redor dele mudou como uma tempestade se formando sob águas calmas. Poder emanava dele—não mágico, mas pura força de vontade. Mesmo os serventes, que estavam silentamente limpando os pratos, pararam e involuntariamente recuaram do cômodo.
Uma pesada tensão pressionou seus ombros. Noel manteve a respiração firme.
A voz de Caeron voltou a uma tonalidade profunda e fria.
"Espero que entenda o que acabou de dizer."
Seu olhar poderia ter congelado aço.
"Se você entrar na minha casa e falar uma besteira dessas sem os meios de comprovar... sabe muito bem o que vai acontecer, não é?"
Noel não hesitou. Encarou-o de frente.
"Sei exatamente o que acontece."
A sala ficou em silêncio. Elyra trocava olhares entre eles, captando a corrente de tensão que crescia entre seu pai e o garoto sentado tão calmo na mesa oposta.
Mas Noel não abaixou o olhar.
'É isso que vim fazer aqui. Um passo adiante.'
O silêncio se estendeu. Noel conseguiu sentir como se ele mesmo estivesse se infiltrando nos seus ossos—espesso como neblina, afiado como gelo.
Ele mudou um pouco o olhar, só um pouco, na direção de Elyra.
Ela entendeu imediatamente.
"Pai," disse ela, com uma voz calma mas firme, "você pode confiar nele. Pode parecer estranho, mas é confiável."
Noel deu uma pequena inclinação de cabeça em sinal de agradecimento, então avançou, com a voz firme:
"Se duvida de mim, posso descrever os sintomas. Febres acima de quarenta graus. Erupções vermelhas se espalhando pela pele. A doença não se transmite pelo contato—transmite-se pela saliva. Portanto, Lady Estermont deve ter consumido alimentos ou bebidas infectadas."
Caeron apertou a mandíbula. Seus dedos se enroscaram levemente sobre a borda da mesa.
"Isso é impossível," disse ele de forma abrupta. "A comida aqui é a melhor do continente—todos os itens são escolhidos pessoalmente para esta casa."
Noel não hesitou.
"Houve alguma ocasião em que ela comeu fora do sítio?"
Um instante de silêncio. Caeron franziu a testa, estreitando ainda mais os olhos.
'Ele está pensando nisso,' Notou Noel silenciosamente.
Por fim, Caeron exalou pelo nariz.
"Agora que você mencionou… sim. Almoçamos juntos em um restaurante perto de nossa casa."
Noel assentiu uma vez.
"Então é bem possível que a infecção tenha tido origem lá."
Por um momento, o grande Lorde Estermont—um homem que irradiava um controle intangível—baixou o olhar, com uma expressão difícil de interpretar.
O ar no cômodo mudou.
Seguiu-se um longo silêncio.
Lorde Caeron permaneceu imóvel, com os olhos virados para o chão por um momento. Quando finalmente falou, sua voz foi mais baixa—não mais fraca, mas controlada.
"Então… foi minha culpa," disse ele suavemente.
Noel balançou a cabeça. "Não. Não foi. Você não tinha como saber. Não pode se culpar por isso."
Caeron respirou fundo, os ombros subindo e descendo. A tensão no ambiente parecia se aliviar—um pouco.
"Entendo," disse ele. Então, levantando novamente o olhar—agudo e determinado—falou claramente: "Você diz que vai para Iskandar?"
"Sim. Parto amanhã bem cedo. Quanto mais rápido, melhor."
"Então vou providenciar um meio de transporte para você. Viajará sob a proteção completa da Casa Estermont."
"Obrigado, Lorde Caeron."
Nisso, Elyra falou, com uma voz suave mas resoluta: "Eu vou com você."
Noel se virou para ela, encontrando seus olhos. Seu tom permaneceu gentil, mas firme: "Não. Você deve ficar aqui. Sua mãe precisa de você, mais do que nunca."
Elyra hesitou—com uma expressão que betray sua frustração—mas, depois de um momento, assentiu. "Muito bem… Nos encontraremos quando você voltar. E espero que não tenha mentido para mim, Noel."
Noel deu um leve sorriso, olhos firmes.
"Você tem minha palavra. Voltarei com o que prometi."
Ele se endireitou na cadeira. "Mas antes de partir, preciso que preparem algumas coisas: mel de abelha real... e pólen de Gloomthorn. Seus esporos são venenosos, mas, combinados com o que trarei de Iskandar, formarão uma parte fundamental da cura."
Caeron assentiu uma vez. "Entendido. Vamos prepará-los."
Noel se levantou da cadeira. "Isso é tudo. Parto ao amanhecer."
Sem mais palavras, fez uma reverência para pai e filha, virou-se e saiu da sala—passos calmos, mas a mente já pensando adiante.
A porta do seu quarto de hóspede se fechou atrás dele com um clique.
Noel respirou fundo e encostou-se na porta por um momento, ainda sentindo o peso da conversa em seu peito.
'Isso… foi melhor do que podia esperar.'
Empurrou a porta, tirou a jaqueta, e colocou a pequena bolsa dimensional na beira da grande cama. A luz suave do cômodo dava tudo uma tonalidade dourada—caro, elegante, e demasiado silencioso.
Noel cruzou até o banheiro privativo, enxaguou o rosto com água fria e jogou sobre ele. O frio o ancorou. Olhou seu reflexo no espelho—cabelos molhados caindo sobre seus olhos esmeralda, uma fadiga desconhecida por trás deles.
'Acabei de fazer uma promessa muito grande.'
E uma que tinha toda a intenção de cumprir.
Secou o rosto, trocou de roupa para o pijama simples do guarda-roupa, e sentou-se na beira da cama enorme. Os lençóis estavam frios contra suas mãos. O silêncio da propriedade pressionava—um peso diferente agora.
'Hora de descansar. Preciso de cabeça limpa amanhã.'
Ele se deitou sob as cobertas, olhos semicerrados, quando—
Um toque suave na porta.
Noel piscou. 'Elyra? Ela nunca bateu antes.'
"Entre", chamou.
A porta se abriu com um rangido suave.
Elyra entrou, vestida com uma túnica de seda simples, o cabelo preso frouxo sobre um ombro. Pela primeira vez, pareceu hesitante—sua confiança habitual suavizada.
Noir entrou silenciosamente ao lado dela, enrolando-se perto da porta como se percebesse o clima.
Noel se ajeitou um pouco contra o cabeceiro. "Algo há de errado?"
Elyra balançou a cabeça. "Não… só queria te agradecer."
Ele arqueou uma sobrancelha. "Agradecer? Ainda não fiz nada."
Ela atravessou a sala, parando alguns passos antes da cama.
"Pelo gesto," disse suavemente. "E por nos dar esperança. Nós… não tínhamos mais muito. Nada do que tentamos funcionou. Estávamos começando a… perder ela."
A expressão de Noel suavizou. "Guarde o agradecimento para quando eu voltar. E não se preocupe—eu voltarei."
Ela sorriu fracamente. "Entendi… então, deixo você descansar. Nos vemos amanhã."
Ela virou para sair, mas parou na porta.
"Boa noite, Noel."
"Boa noite."
A porta se fechou suavemente ao lado dela.
Noel se recostou, olhando para o teto na luz tênue. O silêncio voltou a envolver a propriedade.
'Parece que vou ter que trabalhar duro para corresponder às expectativas.'
Seus olhos se fecharam lentamente, a preocupação de amanhã já puxando seus pensamentos.