O Extra é um Gênio!?

Capítulo 113

O Extra é um Gênio!?

Os olhos de Noel se abriram na escuridão.

A primeira luz do amanhecer ainda não tinha surgido sobre as montanhas. A sala permanecia silenciosa e quieta, mas o sono já tinha fugido dele. Havia algo que precisava fazer antes de colocar os pés na Cume de Frostspire.

Ele se levantou sem hesitar, vestindo as camadas de roupas escuras que havia preparado na noite anterior. Botas grossas que atingiam seus joelhos; seu capa e capuz puxados firmemente para bloquear o frio. Apenas alguns fios de cabelo loiro caíam sobre a testa, e seus olhos emerald estavam brilhando sob a sombra do capuz.

Do outro lado do cômodo, Noir estava esperando, seu pelo preto e violeta fundindo-se à escuridão. Seus olhos eram firmes e pacientes.

Noel ajustou a última fivela do cinto e olhou na direção dela.

"Você está pronta, Noir? A gente pode nem chegar ao Cume de Frostspire antes que nos matem."

"Wof."

Um sorriso suave surgiu no canto da boca de Noel.

"Pois é, é loucura… mas não dá pra ficar parado e fazer nada, né?"

"Wof."

Ele soltou uma respiração silenciosa, a mais tênue tensão permanecia sob seu exterior calmo.

'Vamos lá.'

Sem mais palavras, ele se dirigiu à porta, seus passos silenciosos sobre o piso de pedra.

Noir o seguiu, sua silhueta uma sombra na escuridão mais profunda.

No corredor, a fortaleza ainda estava envolta em sombras. Não havia tochas acesas — apenas o brilho distante das patrulhas em outros corredores. O ar frio infiltrava-se pelo par de pedras, pressionando-os.

Noel inspirou silenciosamente e puxou sua Glope Revenante do Bolsão Dimensional, segurando a lâmina na cintura com destreza treinada.

Ele lançou um olhar para Noir, que permanecia preparada próxima ao limiar da passagem.

"Você lidera."

Sem fazer barulho, Noir avançou, suas patas deslizando com graça fluida sobre o chão. Noel a seguiu de perto, passos calculados, cuidado para não trair sua presença.

'Na verdade… é incrivelmente útil,' pensou ele enquanto observava seus movimentos. 'Faz sentido. Afinal, ela é uma Loba Sombria.'

Eles percorriam os corredores escuros, mantendo-se próximos às paredes, cada curva tomada com cautela.

De tempos em tempos, o brilho do fogo das tochas se aproximava — guardas passando em patrulhas rotineiras.

Noel recuava para as sombras junto com Noir toda vez, tomando cuidado para prender a respiração enquanto os guardas passavam sem perceber.

Os minutos pareciam se arrastar enquanto eles avançavam mais fundo na fortaleza, sempre um passo à frente de cada patrulha.

Seguindo a liderança de Noir, Noel se movia silenciosamente, sem dizer uma palavra.

Logo… eles atingiriam o destino.

Após várias curvas por corredores escuros e desocupados, Noir desacelerou seu ritmo.

Ela parou diante de um corredor estreito e sem iluminação, onde nenhuma luz de tocha chegava. No fundo, uma única porta isolada — sem guardas, sem sons.

Noel se agachou ao lado dela, sua voz baixa.

"É aqui?"

Noir balançou o rabo uma vez, o movimento suave, mas decidido.

Noel olhou para o corredor totalmente escuro.

"Bem… um lugar estranho pra ser um quarto."

Ele respirou lentamente, endireitou-se e avançou. Cada passo ecoou suavemente no espaço estreito. A porta ao longe aproximava-se.

'Não tem mais volta agora.'

Ele chegou à porta, os dedos envolvendo levemente a maçaneta. Com um giro cuidadoso, abriu-a apenas o suficiente para entrar.

O cômodo era escuro — sem janela, apenas o brilho tênue de uma vela apagada sobre a mesa. Na cama, Selene jazia dormindo, sua respiração calma e regular. Seus cabelos, curtos e soltos, emolduravam seu rosto na luz pálida.

Noel se aproximou silenciosamente, passos quase inaudíveis. Ajoelhou-se ao lado da cama e estendeu a mão, tocando o ombro dela com os dedos.

"Selene… Selene… acorde."

Ela mexeu-se, franzindo a testa.

"Mãe…?" Sua voz saía sonolenta, carregada de medo residual.

"Não," Noel sussurrou novamente, com um sorriso suave na voz. "Não é tão assustador assim. Sou eu — Noel. Vista-se. Vamos embora."

Ela pisca várias vezes rapidamente, a confusão se estabelecendo em seu rosto.

"Partir? Minha mãe disse que você iria sozinho amanhã."

"Pois é… mudança de planos."

Selene sentou-se, balançando a cabeça levemente.

"Não posso."

"Você vai ficar bem. Nada vai acontecer."

Sua voz abaixou, frágil.

"Você não sabe do que ela é capaz."

O olhar de Noel suavizou um pouco.

"Confie em mim. Só vista-se. Vou esperar lá fora. Não faça barulho demais."

Sem esperar uma resposta, ele se levantou e saiu silenciosamente do cômodo, deixando a porta entreaberta para trás.

A porta caiu com um clique suave, deixando Selene sozinha naquele quarto tênue.

Ela sentou-se na beirada da cama, o coração acelerado, as mãos agarrando o lençol fino como se pudesse ancorá-la ali.

'O que Noel está fazendo aqui?'

A ideia girou em sua cabeça, aguda e confusa.

'Ele realmente entende? Minha mãe poderia matá-lo por isso.'

Ela engoliu em seco, a respiração trêmula. Seu olhar se perdeu nas roupas dobradas prontamente ao lado, e na varinha fina repousando ao lado da vela apagada na mesa.

'Por que estou me arrumando…? Eu não devia sair.'

Suas mãos se moveram antes que sua mente percebesse, puxando o tecido, deixando suas roupas de dormir para trás e vestindo sua roupa habitual. Movimentos automáticos, quase sem sentir.

'Ele está sério… mas por quê? Por que me levar junto dele?'

Ela foi até a sua varinha, a pegando com dedos que tremiam levemente.

Mais uma pausa.

'Isto é imprudente… eu não devia ir.'

Porém, seus pés a levaram adiante, cada passo lento, deliberado. A porta se abriu com um pequeno empurrão, o corredor escuro à sua frente aguardando silencioso.

Noel estava ali, sua presença calma e firme.

E sem entender por quê… ela o seguiu.

"Está pronta?" A voz de Noel, silenciosa na escuridão, enquanto Selene saía do quarto. "Não consigo te enxergar bem nesse escuro… mas vamos."

Sem esperar, ele estendeu a mão delicadamente e segurou a dela, os dedos firmes, mas sem força excessiva.

Selene ficou tensa por um momento, mas permitiu, sua pegada incerta.

'O que está acontecendo?'

Noel fez um breve aceno para Noir. "Tudo bem, Noir. Nos leve lá fora."

A loba avançou com precisão silenciosa, rabo baixo, passos medidas. Ela passou o dia estudando o mapa do castelo, memorizando cada corredor e curva. Agora, liderava com firmeza inabalável.

Pelos estreitos corredores e passagens sombreadas, eles se moveram com passos deliberados, prendendo a respiração toda vez que a luz fugitiva de uma tocha aparecia ao longe. Duas vezes, se esconderam em alcovas, observando silenciosamente os guardas passarem, desapercebidos.

O coração de Selene pulsava forte com cada perto de ser descoberta.

'Se nos pegarem… o que ela vai fazer com a gente?'

Noel mantinha a ação firme na mão dela, seu ritmo calmo, movimentos suaves. Era como se tivesse feito isso dezenas de vezes.

Logo, as paredes de pedra deram lugar ao ar frio e tênue do pátio externo.

As portas da fortaleza estavam adiante, e logo além, a saída.

Noel sussurrou baixinho, soltando sua mão. "Fica aqui um instante."

Ele avançou sozinho, se aproximando da porta onde o guarda de cabelo vermelho, com machado apoiado contra a parede, estava.

"Bom dia," cumprimentou Noel, com voz leve e controlada. "Estou pronto para partir."

O guarda o observou de cima a baixo, com a sobrancelha levantada. "Você acha que isso basta pra passar por aqui? Bem… se você acha que sim."

Noel sorriu de leve e enfiou a mão atrás das costas, fazendo um gesto sutil — lento e baixo.

Selene percebeu e se moveu cautelosamente, avançando em passos silenciosos enquanto Noel mantinha a atenção do guarda.

De seu Bolsão Dimensional, Noel tirou uma pequena tina de madeira — aproximadamente cinco quilos.

"Um presentinho," disse com facilidade, oferecendo à frente. "Pelo transtorno que causei."

O guarda piscou surpreso, sorrindo um cão feroz.

"Ah? Você não imagina como é raro achar uma bebida boa por aqui. Muito obrigado, rapaz."

Enquanto o homem se ocupava com a tina, mexendo nela com mãos ansiosas, Selene passou por trás dele, presa na garganta com o susto. Noir a seguiu suavemente ao seu lado.

Alguns instantes depois, Noel voltou a encontrá-los logo além do portão. O vento frio da noite aberta os atingiu de frente agora.

Estavam do lado de fora.

Livres.

Eles se afastaram rapidamente da muralha externa, o castelo diminuindo ao longe a cada passo. O vento ficava mais frio aqui, carregando a calma das montanhas. Suas respirações formavam pequenas nuvens enquanto seguiam por um caminho estreito junto às árvores.

Por um longo momento, nenhum deles falou.

Então, finalmente, a voz de Selene quebrou o silêncio, tensa e incerta.

"Preciso voltar."

Noel olhou para ela no escuro, depois estendeu a mão novamente — agora firme.

"Não."

Ela piscou, a respiração presa.

"Não?"

"Não." Ele deu um pequeno sorriso, quase travesso. "Vou sequestrá-la."

Selene parou no meio do caminho, encarando-o.

"Você… vai me sequestrar?"

"Exatamente." O tom de Noel era calmo, firme. "Vou te sequestrar."

Os pensamentos de Selene giraram loucamente.

'O que está acontecendo?'

Mas a firmeza dele era segura, e por motivos que ela não sabia explicar… ela não tentou se afastar.

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