
Capítulo 114
O Extra é um Gênio!?
A primeira luz pálida do amanhecer começou a penetrar a espessa camada de neve.
Ao redor deles, os picos das montanhas de Iskandar surgiam encobertos de branco, outlines irregulares quase invisíveis através do cortinado denso de neve caindo. O mundo estava silencioso, exceto pelo som suave das botas sobre a neve fresca.
Noel soltou a mão de Selene, permitindo que ela se movesse livremente agora que a escuridão havia dado lugar à luz tênue da manhã.
"Não há mais necessidade de segurar," ele disse em voz baixa. "Devemos nos apressar. Assim que passarmos pelo posto de guarda antes de chegar ao Pico Frostspire, mesmo que percebam que você desapareceu, não conseguirão nos alcançar."
Selene lançou um olhar para ele, sua respiração formando névoa no frio.
"Por quê você fez isso?"
Noel deu um ligeiro encolher de ombros sob seu capote. "Precisava de alguém que me guiasse pra não me perder. Não acha que faz sentido?"
Ela hesitou. "Entendo…"
"E além disso," Noel acrescentou, com voz calma, "acho que você estará mais segura comigo do que de volta à sua casa."
Selene não respondeu, mas as palavras mexeram alguma coisa no seu peito.
'Ele sabe de algo?'
A dúvida pairava na sua cabeça, e seus lábios se abriram para perguntar. Mas antes que pudesse falar, a voz de Noel cortou novamente.
"Chegamos."
À frente, a silhueta de um posto fortificado apareceu através da neve.
O posto se ergia de forma austera contra a brancura da montanha.
Uma alta parede de madeira reforçada com vigas grossas circundava a área à frente. Nuvens de neve empilhadas ao longo da base, e forçações de gelo pontiagudas pendiam do topo. Uma única porta pesada bloqueava o caminho adiante—além dela, começava a subida para o Pico Frostspire.
Algumas figuras se moviam atrás da parede, quase invisíveis pelos vãos. Este não era um local para aventureiros; era um ponto de controle para regular o acesso à montanha.
Noel diminuiu o ritmo, virando-se levemente em direção a Selene.
"Dessa vez não precisa ser à porta fechada," ele disse calmamente. "Tenho autorização da sua mãe. Olhe."
Ele puxou a bolsa dimensional, retirando o documento dobrado e estendendo na direção dela para que visse.
Selene ficou em silêncio, os olhos passando pela folha, expressão indecifrável.
Noel sorriu ligeiramente. "Só puxar o capuz e esconder os cabelos. Não queremos que ajam reconhecendo a herdeira da Casa Iskandar."
Selene hesitou por um momento, depois assentiu. Silentiosamente, ela puxou o capuz para cima, escondendo seus cabelos pálidos.
Ao lado dela, Noir passeava suavemente na neve, com a cabeça baixa e a cauda balançando.
Noel lançou uma olhada rápida na porta.
"Tudo bem. Vamos lá."
Juntos, os três começaram a se aproximar do posto.
A neve estalava sob os pés ao se aproximarem da porta.
Uma figura surgiu de trás do barricade de madeira, envolta em tantas camadas de peles e tecidos que era impossível ver seu rosto. Apenas um par de olhos afiados espiava sob o capuz.
O homem deu um passo à frente, a voz abafada pelo tecido.
"O que vocês estão fazendo aqui? Voltem atrás. Não é lugar para viajantes casuais."
Noel parou a alguns passos de distância, seu tom educado mas firme.
"Bom dia para você também. Tenho permissão da Lady Vaelora von Iskandar para subir a montanha."
E estendeu o documento sem hesitar.
O guarda pegou, dedos grossos de luva desdobrando a folha devagar, com movimentos lentos e deliberados. Seus olhos vasculharam a escrita com atenção, o sopro gélido escapando pelos lábios.
"Parece estar em ordem," murmurou. Depois, seu olhar se voltou para Selene, estreitando os olhos.
"E esta aqui?"
"Uma acompanhante," disse Noel com firmeza. "Me ajudando na subida."
O guarda permaneceu alguns segundos mais observando os dois, suspeita cintilando em seu olhar. Então, com um movimento de cabeça, dobrou o documento e devolveu.
"Muito bem."
Ele virou-se e gritou na direção da parede.
"Abram o portão!"
Com um rangido profundo de madeira e ferro, a pesada porta começou a deslizar, revelando o caminho coberto de neve à frente.
Noel assentiu levemente.
"Vamos lá."
O portão se fechou atrás deles com um estrondo profundo, selando o caminho abaixo.
À frente, a paisagem se abriu para uma vasta extensão de branco. Densas dunas de neve cobriam o chão, e formações rochosas pontiagudas emergiam sob o gelo. O caminho rumo ao topo serpenteava entre penhascos estreitos e encostas íngremes, parcialmente escondido sob a neve que caía.
Por um momento, os três ficaram em silêncio.
Depois, Noel falou, com a voz mais baixa agora que estavam longe dos guardas.
"Parece que estamos seguros agora. Eles não nos encontrarão aqui."
Selene não respondeu, sua expressão escondida sob a sombra do capuz. Ela simplesmente seguiu, com as botas amassando suavemente na neve atrás dele.
Noir caminhava ao lado de Noel, orelhas tremendo, focinho ao ar.
Por um tempo, seguiram em silêncio, o mundo ao redor engolido pelo frio e pela neve. O vento uivava fraco entre os picos, o som distante e misterioso.
Depois de um tempo, Noel olhou para trás em direção a Selene.
"Você conhece o caminho até o topo?"
A dúvida pairou no ar frio entre eles.
Selene olhou para as costas de Noel enquanto ele avançava, com a voz ainda ecoando suavemente em seus ouvidos. Seus passos desaceleraram por um breve momento.
"Não," respondeu em silêncio, sua voz quase se perdendo no vento.
Mas, mesmo falando, seu olhar permaneceu nele. Ele não virou, não parou—apenas continuou andando na direção dele como se a resposta nunca tivesse surpreendido alguém na maior parte do tempo.
Ela o seguiu, com as botas afundando mais fundo na neve a cada passo. O frio roía seus dedos, seus braços, mas eram as perguntas que giravam em sua mente aquilo que pesava mais.
'Por que ele realmente me trouxe?'
'Ele poderia ter ido sozinho. Disse que precisava de um guia, mas… ele confia mesmo em mim? Ou há algo mais?'
Seu aperto ao bastão escondido sob a manga se tornou involuntário. Cada passo adiante parecia mais pesado, não pela subida, mas pela incerteza que crescia dentro dela.
Ela olhou de relance para Noir, que se movia graciosamente na neve, sua forma preta e violeta silenciosa como uma sombra. Juntas, pareciam pertencer ao local—focadas, preparadas.
'Eles agem como se fosse só mais uma aventura… e eu mal consigo mantener minha mente firme.'
Um nó pequeno se apertou no peito dela. Medo, confusão… e algo mais. Uma sensação sutil que ela não conseguia explicar completamente.
'Eu não o entendo… mas vou segui-lo. Por enquanto.'
Ela puxou o capuz para baixo, protegendo o rosto do vento cortante. Então acelerou o passo, encurtando a distância até Noel.
A encosta coberta de neve à frente parecia infinita, coroada pela silhueta imponente do Pico Frostspire.
Só o começo da jornada deles.