
Capítulo 101
O Extra é um Gênio!?
A Grande Salão estava lotado.
Mais de mil estudantes preenchiam o espaço, organizados por ano e turma, com os membros da Classe S na frente. Apesar da multidão, o ambiente era silencioso. Ninguém falava. Ninguém se movia desnecessariamente. A atmosfera era densa — não de medo, mas de expectativa.
Noel estava entre eles, com os braços cruzados, Revenant Fang guardado ao seu lado. O peso da lâmina já era familiar. Confortável. Noir tinha ficado para trás, dormindo tranquilamente no aconchego da sala do dormitório. Noel tinha se certado de alimentá-lo antes de sair.
Ele percorreu brevemente o salão — tantas faces, tantas auras. Primeiro anos, segundos anos, terceiros anos. Normalmente separados, mas não hoje. O exame prático não se importa com o seu ano. Só com seu desempenho.
No final do salão, uma plataforma circular elevava-se do chão. Uma figura descreveu o caminho até ela.
Nicolas Von Aldros.
Mesmo entre tantos, sua presença destacava-se como uma chama na escuridão. Parecia não ter mais que quarenta anos, com cabelo prateado curto e traços marcantes, vestido com robes de cor violeta profunda adornados com embroidery arcano. Mas todos sabiam a verdade — ele tinha mais de oitenta. Um dos magos mais poderosos de todo Valor.
Quando falou, sua voz ultrapassou o salão sem esforço.
"Sejam bem-vindos, futuros lendários e estrelas em ascensão."
Noel endireitou-se involuntariamente. A voz carregava poder — calma, ponderada, mas inegável.
"Hoje vocês enfrentarão o exame prático. Este ano, haverá apenas uma prova. Uma prova simples."
Ele levantou a mão, com a palma aberta.
"Cada um de vocês será transportado para minha ilusão, um domínio pessoal construído para esta prova. Lá, vocês lutarão contra monstros. Não se preocupem — são ilusões. Vocês não sofrerão danos reais. Contudo, se receberem um golpe mortal... o teste terminará imediatamente."
Um silêncio breve percorreu a multidão.
"Vocês terão somente uma chance. Então façam o possível. Mostrem como vocês lutam quando a situação importa. Os monstros virão em ondas, e cada onda será mais forte que a anterior."
Houve uma pausa.
"Boa sorte."
Com um estalar de dedos, magia percorreu o ambiente. Uma pulsação de energia se expandiu, e um a um, os estudantes começaram a desaparecer em flashes de luz prateada.
Noel sentiu a atração uma fração de segundo depois.
'Vamos lá.'
O mundo se dobrou, e tudo ficou branco.
Acima do Grande Salão, em uma câmara selada forrada de paredes de cristal, uma enorme plataforma circular se estendia pelo cômodo. Centenas de cristais brilhantes flutuavam no ar — cada um atribuído a um estudante, cada um exibindo uma imagem ao vivo da sua câmera de ilusão.
Mais de trinta professores circulavam entre as fileiras. Alguns permaneciam em silêncio, com as mãos nas costas. Outros anotavam ou murmuravam entre si.
À esquerda, estava o Instrutor Dauk, com os braços cruzados e testa franzida. Seus olhos passavam de cristal em cristal, parando ocasionalmente para murmurar algo com o assistente ao lado.
"Terceiro ano. Forma forte. Sem controle," resmungou. "Próximo."
Perto dele, o Professor Daemar observava um cristal específico, seu olhar violeta fixo nele.
Noel Thorne.
A imagem mostrava um terreno rochoso com falésias dispersas e chão irregular. Noel tinha acabado de se materializar no centro, com a espada na cintura, os pés firmes, escaneando o ambiente com precisão fria.
"Sempre tão concentrado," disse Daemar em tom baixo.
Dauk olhou para ele. "Aquele é seu?"
Daemar não desviou o olhar. "Ele pediu ajuda com teoria. Estudou mais que qualquer outro que eu tenha visto em anos. Não é o aluno mais convencional, mas... um que promete."
"Hmph. Vamos ver se isso se traduz em combate."
Em outra parte da sala, os comentários dos professores se misturavam, falando sobre seus melhores alunos.
"Ela acabou de usar uma barreira de triplo feixe. Impressionante."
"Aquele garoto da Classe B — já caiu."
"Olha só para o segundo ano. Cinco ondas e ele ainda não usou uma magia."
Cada cristal piscava, brilhando mais forte conforme começavam as provas de ilusão.
A Onda Um havia começado.
O ambiente permaneceu imóvel.
Noel permanecia sozinho no centro de uma arena rochosa, cercado por falésias irregulares e crateras rasas. O céu acima era cinzento, imóvel — uma cúpula pintada que não dava calor, som, direção. O chão sob seus pés parecia sólido, verdadeiro. Era fácil esquecer que tudo aquilo era uma ilusão.
Um glifo azul cintilou no ar diante dele:
[Onda 1]
Ele abaixou-se e desfeito Revenant Fang da cinta. A lâmina deslizou com um zumbido baixo, sua borda deixando rastros de névoa negra que se enrolou e desapareceu no ar. Segurou-a frouxamente com uma mão, olhos fixos à frente.
Um estrondo ecoou pela área. Das sombras entre as rochas, três criaturas emergiram — bestas baixas, com corpos cobertos por pelagem escura, olhos amarelados brilhantes e garras serrilhadas.
Noel respirou fundo uma vez.
Calmamente, deu um passo à frente e levantou a mão livre.
"Fire Arc."
Uma linha curva de chamas vermelhas explodiu de sua palma, varrendo em um semicírculo. O feitiço cortou o ar com um assobio agudo e atravessou as três bestas antes que pudesse reagir. Seus corpos brilharam, racharam e se dissolveram em pontos de luz.
[Onda 2]
Noel virou um pouco o pescoço, fazendo uma torção.
Duas criaturas maiores apareceram— o dobro do tamanho de um homem. Sua pele era cinza, coriácea, como pedra esticada. Martelos de osso retorcido pendiam de seus braços.
Ele levantou a mão mais uma vez.
"Glacialis."
Um fluxo de vento congelante jorrou de suas pontas dos dedos, coberto o primeiro ogro com uma espessa camada de gelo. A criatura rugiu e balançou os braços de forma descontrolada — mas Noel já tinha dado um passo ao redor dela.
"Surge."
Um piscar de luz laranja se acumulou em sua palma, e então explodiu. Ele bateu no peito do segundo ogro, causando uma combustão interna que o queimou por dentro. A ilusão vacilou, rachou e desmoronou.
O gelo tentou reagir, mas Noel atravessou-o com Revenant Fang antes que pudesse se mover.
Duas outras partes desapareceram em luz.
Ele permaneceu sozinho, a espada exalando vapor.
[Onda 3]
'Mantenha a calma, Noel. Mantenha a calma.'
Noel se preparou.
O terreno começava a mudar.
Com cada onda, a ilusão se ajustava ligeiramente. Mais rochas irregulares. Menos espaço aberto. Mudanças sutis na elevação, dificultando os passos. Noel tinha alcançado a Onda 6, e sua respiração começava a ficar mais profunda. Não de cansaço — ainda —, mas pelo ritmo acelerado.
Desta vez, os inimigos vinham em número.
Dezenas de criaturas insetóides saíam das rachaduras na pedra, rastejando rapidamente. Seus exoesqueletos brilhavam como obsidiana, com membros que tremiam com velocidade sobrenatural. Os olhos brilhavam em verde pálido.
Noel rangeu os dentes.
Recuou alguns passos, levantou a mão.
"Flares Trap."
Um glifo de luz vermelha queimou no chão sob seus pés, desaparecendo logo em seguida. Quando a primeira onda de insetos avançou, o glifo explodiu em uma rajada de chamas ardentes, incinerando o primeiro grupo instantaneamente.
"Frost Wall."
Uma parede sólida de gelo surgiu à sua frente, bloqueando a esquerda. Vários seres bateram contra ela e se estilhaçaram ao impacto.
Noel virou-se rapidamente.
"Ice Spike."
Picos de gelo irregular irromperam do chão atrás do grupo, ferindo quatro deles no meio do ataque.
Restaram poucos.
Ele ergueu a espada e deslizou para baixo — "Fireball". A esfera brilhante explodiu no meio do ar, engolindo o último grupo.
[Onda 7]
Noel respirou lentamente.
Então, vieram — mais pesados desta vez. Bestas com peles blindadas, lentas e deliberadas, cada uma do tamanho de um cavalo de guerra. Sua pele era pálida, cinza, seus músculos densos, olhos vermelhos.
Ele avançou antes que pudessem se fechar sobre ele. Um golpe. A lâmina ricocheteou na armadura.
'Não adianta.'
Pulou para trás, concentrando mana na palma da mão.
"Ignition Surge."
Colocou a mão no pescoço da criatura. O feitiço pulsou. Vapor saiu das rachaduras em sua pele. Ela caiu.
"Frost Wall."
Redirecionou o segundo monstro com uma muralha de gelo, depois deu uma volta com Revenant Fang, atingindo seu lado exposto.
[Onda 8]
Agora, eles vinham mais rápido.
Noel passou um pouco a mão na testa, enxugando o suor.
'Ainda dá pra controlar.'
[Onda 9]
O glifo vacilou novamente. Desta vez, apareceu apenas uma figura.
Era alta — humanóide — mas errada. Seus membros eram largos demais, a pele manchada de cinza, e o rosto coberto por uma máscara branca de osso, sem boca, só uma fenda vertical para um olho. Movia-se com uma elegância trêmula, como uma marionete que aprendeu a dançar.
Noel não lançou magia alguma.
Em vez disso, ajustou a pegada em Revenant Fang.
A espada respondeu com um leve zumbido, sua névoa escura se apertando ao redor da lâmina.
'1 contra 1 agora?'
A criatura avançou, rapidamente anormal. Noel desviou-se, desceu a espada, mas o inimigo torceu na última hora. Uma garra varreu na direção de suas costelas.
Ele a desviou limpo.
Seus pés escorregaram um pouco no chão ao redirecionar o impulso.
Revenant Fang cortou na diagonal, rasgando a coxa do monstro. A criatura não gritou — simplesmente se moveu novamente, girando, dando uma voadora brutal.
Noel abaixou-se. O vento da pancada bagunçou seus cabelos.
Contrapôs com um golpe ascendente.
A lâmina cortou diagonalmente pelo torso dele.
Uma explosão de névoa negra saiu da ferida enquanto o monstro se partia e desaparecia em luz.
Ele baixou a espada.
'Esse poderia ter matado alguém. Mesmo numa luta real.'
[Onda 10]
O ar se deslocou.
Sem glifo nesta vez. Apenas um som.
Da névoa à frente, algo apareceu — uma besta feita inteiramente de rocha negra irregular, com luz incandescente emanando de dentro de suas juntas. Um gólem. Seus braços terminavam em martelos de pedra arredondados. Seu corpo irradiava calor.
Noel recuou um passo.
'Revenant Fang só corta o que consegue alcançar. E duvido que magias de fogo ajudem contra lava viva.'
O gólem rugiu. O chão sob seus pés rachou enquanto ele avançava.
Noel correu ao encontro.
Usou o terreno — pulou numa rocha, deslizou por baixo do primeiro ataque, cortou para cima ao longo da perna dele. Faíscas voaram. A lâmina perfurou, mas não profundamente.
O gólem se virou e bateu com força no chão onde ele tinha pulado.
Ele desapareceu antes do impacto, já escalarando o braço como uma escada. Chegou ao ombro. Levantou a espada.
E golpeou com as duas mãos.
A névoa negra explodiu em um arco para baixo, cortando o núcleo embutido no centro das costas do monstro. O gólem cambaleou.
Depois, quebrou-se.
Noel caiu de costas no chão, apoiando-se em um joelho.
Levantou-se lentamente. Respirando com calma.
Um novo glifo apareceu na frente, brilhando suavemente.
[Onda 11]
Ele ergueu a espada novamente.
'Ainda não acabou.'
E deu um passo adiante.