
Capítulo 95
O Extra é um Gênio!?
As ruas de Valon estavam vibrantes.
Lanternas brilhantes balançavam suavemente acima das ruas de paralelepípedos, suas cores mudando de dourado para lavanda enquanto a primavera sussurrava sua chegada na brisa. O cheiro de castanhas assadas, especiarias e xarope doce pairava vindo dos vendedores ambulantes. Crianças corriam entre as carruagens. Nobres e comerciantes circulavam pela praça principal com casacas ajustadas e vestidos de início de primavera.
Noel caminhava à frente, com as mãos nos bolsos, a luz dourada tocando seu rosto.
'A primavera está quase aqui… Isso significa que meu aniversário também.'
Seus pensamentos se dispersaram até—
"Noel," Elena interrompeu, quebrando o silêncio.
Ele se virou, um pouco surpreso. "Hmm?"
"Achei que ficaríamos sozinhos esta noite."
Ele piscou. "Por quê?"
Ela deu um meio sorriso que não alcançou seus olhos. "Você me convidou, não foi?"
"Sim, mas também devia um favor à Selene," ele disse simplesmente. "Ela me ajudou umas semanas atrás com uma coisa importante. E, como você me ajudou a estudar hoje, achei que... dois coelhos numa janta."
"…Entendi." O olhar dela desviou para a outra garota que caminhava ao lado deles.
Selene não comentou nada. Seguia com sua disciplina habitual, olhando para frente, expressão difícil de decifrar. Sua roupa era simples, mas elegante — blusa azul-marinho escura e calças, cabelo preso em um rabo de cavalo alto. Ela não parecia fora de lugar, apesar dos olhares de curiosidade dos passantes.
'Acho que criei expectativas à toa,' pensou Elena, mantendo um sorriso cordial.
"Lá está," disse Noel, fazendo um gesto à frente.
Chegaram a um prédio de pedra alto, envolto por uma luz dourada aconchegante. Portas de vidro polido ficavam sob um arco gravado com runas. Do lado de fora, carruagens finas alinhavam-se na rua, e serveurs em uniformes de veludo abriam as portas com destreza. Um trio de músicos tocava perto da entrada, suas cordas entrelaçando harmonias suaves no ar noturno.
O edifício tinha três andares — cada um mais luxuoso que o anterior. No topo, um terraço brilhante tinha vista para toda a cidade.
Noel olhou para cima.
'Vou aproveitar a vista.'
"Boa noite, em que posso ajudar?" perguntou o anfitrião, com uma reverência cortês.
Noel deu um passo à frente. "Reserva no nome Thorne."
"Um momento, por favor." O homem consultou o pergaminho encantado sobre seu púlpito, o dedo brilhando levemente enquanto descia pela lista. "Ah, sim, jantar para três às 20h30. Por aqui, por favor."
Enquanto seguiam o anfitrião pelo saguão grandioso, Elena se inclinou um pouco mais para Noel e sussurrou: "Noel… você não acha que esse lugar está um pouco caro demais?"
Ele levantou uma sobrancelha. "Surpresa? Todos nós temos sangue nobre, né? Não é nada fora do comum estarmos aqui."
"Não é isso que quero dizer," ela falou, observando o piso de mármore polido, as colunas douradas, os nobres de capas cravejadas de pedras preciosas. "Quero dizer, como você consegue pagar por isso?"
Noel sorriu de leve. "Você não se lembra? Nosso querido amigo Balthor foi bonzinho e nos deixou umas moedas extras, lembra?"
Elena piscou, depois deu uma risadinha quase imperceptível. "Ah… esqueci daquele jogo de pôquer ridículo."
Subiram uma escada ampla até o terceiro andar. O ar mudou — menos barulho, mais refinamento. O anfitrião abriu uma dupla de portas de vidro que levavam ao terraço.
As luzes da cidade se estendiam abaixo como um mar de estrelas. A lua estava baixa no horizonte, lançando um brilho prateado sobre os telhados. A mesa deles ficava perto da borda, cercada por lírios ao entardecer e lanternas de cristal suavemente glowantes.
"Chegamos," disse o anfitrião com um gesto elegante. "Sua mesa."
'Vou aproveitar o que esse mundo tem a oferecer enquanto posso,' pensou Noel, puxando a cadeira.
"Peça o que quiser," ele falou alto. "Já está tudo pago."
Logo, um jovem garçom chegou e entregou os cardápios a cada um.
"Vou querer o bife de wyvern grelhado," disse Elena, um pouco hesitante.
"Igual," acrescentou Noel.
Porém, Selene tinha uma outra ideia.
"Vou de costelas de javali temperado, rolinhos de serpente-marinha recheada, duas porções de faisão assado, uma tigela de raízes glaceadas, sopa de ossos de dragão—" ela parou, finalmente levantando o rosto. "O que foi?"
Noel sorriu de leve. "Nada. Peça o que quiser até ficar satisfeita."
Elena observou, chocada, enquanto Selene calmamente acrescentava mais três itens à lista.
'Bom… graças a ela, consegui reescrever a história. Isso é uma pequena troca.'
A comida chegou logo depois — bandeja após bandeja, entregues por uma fila de funcionários bem vestida que se curvavam antes de colocar cada prato na mesa.
Os bifes de wyvern brilhavam sob as lanternas do terraço, perfeitamente selados. Elena ajustou delicadamente o guardanapo, postura elegante e composta. Noel seguiu o exemplo, cortando seu bife com tranquilidade e precisão.
E então, veio Selene.
O garfo dela era uma borboleta rápida.
Em segundos, ela já estava no terceiro prato — expressão sempre séria, mesmo enquanto devorava o faisão assado como se fosse uma batalha.
Noel observava, contido um sorriso. "Acho que todo aquele treinamento realmente aumenta o apetite."
"Não esperava esse lado seu," Elena riu com suavidade. "Já que você quase não fala, achei que seria… mais quieta à mesa."
Selene pausou no meio da mordida. "Um guerreiro precisa se alimentar direito."
Noel assentiu, sério. "Claro. Não nos deixe parar você."
Selene retomou seu banquete em silêncio.
Elena desviou o olhar por um momento, apoiando o queixo na mão. "Os exames vêm aí rápido," ela afirmou. "Mal tive tempo de estudar mais que a teoria."
Noel tomou um gole na bebida. "Você vai conseguir. Você foi top na teoria na última vez, não foi?"
"Ainda assim... não quero ficar atrás nos práticos."
De repente, Selene falou de novo, desta vez olhando diretamente para Noel. "Vou ficar em primeiro em todos os práticos desta vez."
Noel a encarou, então sorriu de leve. "Sim. Tenho certeza que vai."
Elena assistia à interação, uma mistura de curiosidade e algo mais bruxuleando nos olhos âmbar dela. Mas não comentou nada.
A conversa continuou, abordando estratégias para os exames, boatos sobre quais professores avaliam quais disciplinas, como alguns estudantes estavam pagando a colegas mais velhos por anotações.
Quando as estrelas começaram a preencher o céu, Selene recostou na cadeira, olhos meio fechados de satisfação.
Elena olhou para Noel, depois para o céu noturno.
'Mesmo sem estarmos sozinhos... não foi tão ruim.'
O vento suave do entardecer balançava calmamente no terraço, levando o aroma de comida quente e pétalas de primavera em flor. Da sua vista elevada, a cidade de Valon se estendia em fios brilhantes de luz de lanterna e ruas de paralelepípedos.
Selene havia ficado quieta — braços cruzados e olhando para o horizonte, como se planejasse a próxima criatura a caçar.
Noel, por sua vez, apoiava-se levemente na sacada, com um copo de algum líquido âmbar na mão. Seus pensamentos estavam distantes novamente.
'Este mundo é cheio de riscos, arrependimentos e conspirações… mas momentos como este? Eu os aceito.'
Do lado da mesa, Elena o observava silenciosamente. Sua postura era relaxada, mas seus pensamentos não.
"Noel," ela falou suavemente, quase hesitando.
Ele se virou.
Ela sorriu. "Obrigado… por me convidar. Sei que não saiu exatamente como imaginei, mas… foi bom."
Ele piscou, surpreso com a sinceridade no tom dela. Então, deu um pequeno aceno. "É, fico feliz que você veio."
Por trás dele, Selene levantou-se abruptamente. "Vou voltar."
Noel ergueu uma sobrancelha. "Já?"
"Já comi o bastante. Tenho treinamento amanhã."
Noel assentiu. "Quer que eu…?"
"Vou dar conta," ela respondeu, já caminhando em direção às escadas. "Obrigado pela comida."
Ela desapareceu tão repentinamente quanto apareceu.
Elena levantou-se lentamente, ajustando o casaco.
Juntos, eles desceram a escadaria polida até chegar novamente à avenida principal. A noite agora estava mais calma, a movimentação dos nobres diminuindo.
Ao chegar à rua principal, Elena desacelerou.
"Noel?"
Ele a olhou.
Ela hesitou, depois sorriu levemente. "Mesmo sem estarmos sozinhos… não foi tão ruim."
'O que ela quer dizer com isso, o que ela não está me contando? Não pode ser verdade… né? Certo?'