O Extra é um Gênio!?

Capítulo 94

O Extra é um Gênio!?

A biblioteca estava silenciosa como sempre, iluminada por lustres de cristal flutuantes que pairavam logo abaixo do teto abobadado. Estantes altas se estendiam ao longo das paredes, repletas de livros sobre teoria mágica, história política, taxonomia de monstros e todos os demais temas necessários para os exames finais.

Elena sentava-se a uma mesa perto de uma das janelas arqueadas, com a luz do sol filtrando-se suavemente através de vitrais coloridos. Seus cabelos prateados e loiros capturavam a luz, e seus olhos cor de âmbar estavam fixos em um livro grosso sobre padrões de canalização de mana. Ela já havia marcado várias páginas e organizado um conjunto de anotações em uma pilha ordenada.

Quando a porta rangeu ao abrir, ela levantou o olhar.

Noel entrou, vestindo o uniforme de inverno, com uma sacola pendurada no ombro. Ele escaneou a sala até que seus olhos encontraram Elena, então se dirigiu até ela.

"Você chegou cedo," disse ao pôr uma cadeira ao seu lado.

"Você está atrasado," respondeu Elena, mas com um tom gentil. "Só cinco minutos, no máximo."

Noel deixou seus livros sobre a mesa e se recostou por um momento antes de abrir o primeiro da pilha. "Precisava tomar café. Isso aqui não funciona sem."

Ela sorriu de leve, mas não comentou. Em vez disso, empurrou um de seus cadernos extras em sua direção.

"Já fiz um esboço dos principais assuntos de Teoria da Magia e Ética de Combate. Não está perfeito, mas deve ajudar."

Noel piscou, realmente surpreso. "Fez anotações para mim?"

Elena inclinou a cabeça. "Você prefere que eu não tivesse feito?"

"Não — uh, não. É que não esperava."

"Você precisa passar, não é?"

"Tch. Essa é uma forma de dizer, né?" Ele folheou o caderno. A caligrafia era limpa, o formato organizado. Eficiente. Ele assentiu com a cabeça. "Você é assustadoramente organizada."

"Por isso me escolheu para estudar juntos, não é?"

Noel olhou para ela, um sorriso irônico surgindo nos lábios. "Talvez."

Elas ficaram em silêncio, canetas riscando o papel, mentes concentradas — ao menos por enquanto — nos exames que se aproximavam.

Passou uma hora. Livros foram abertos, fechados e trocados. Diagramas foram desenhados nas margens. O ritmo constante de estudo os cercava — pena na pergaminho, o leve zumbido das páginas infundidas com mana, a tosse ocasional de algum estudante em outro canto da biblioteca.

Noel esticou-se levemente, girando o ombro. "Acho que é a primeira vez que estudo assim por tanto tempo sem vontade de simplesmente sair."

Elena não olhou para cima. "É porque estou aqui."

Ele riu. "Justo."

Ela virou uma página, depois parou. Seu tom ficou mais suave. "Como você está se sentindo? Depois de tudo, quero dizer."

Noel piscou. O olhar dela era sincero, e por um instante, ele não soube o que responder.

"… Melhor," ele falou finalmente. "Fiquei inconsciente por cinco dias, aparentemente. Ouvi dizer que alguém cuidou de mim."

Elena desviou o olhar, de repente muito interessada nas notas de rodapé do seu livro. "Fiz o que pude."

"Sei que usou magia de cura em mim," Noel disse, com a voz mais baixa. "Me falaram. Então… obrigado. Sério."

"Não foi nada demais."

"Para mim, foi."

O silêncio que se seguiu foi confortável, mas carregado de uma tensão estranha. Noel recostou-se na cadeira e bateu a ponta da caneta na mesa.

"Ei," disse. "Você está livre hoje à noite?"

Elena piscou. "Hoje à noite?"

"Achei que devia te agradecer. Pela cura. Pelas anotações. E pelo puxão de orelha. Tem um lugar fora da academia — lugar fino. Comidinha boa. Pensei em te levar."

Ela olhou para ele por um momento.

"Quer me levar pra jantar?" ela perguntou, com a voz leve, mas as bochechas levemente coradas.

"É. Se quiser."

Ela assentiu lentamente. "Gostaria disso."

"Legal. Vamos às oito. Fora dos muros da academia, então traga seu passe. E… vista-se elegante."

Ela levantou uma sobrancelha. "Quer dizer que normalmente eu não me visto assim?"

"Estou dizendo que esse lugar tem velas de verdade e música de violino, não aquelas lâmpadas de cristal flutuantes e bandejas de refeitório."

Isso a fez soltar uma risada pequena, e com ela, a tensão se suavizou.

"Beleza," ela disse, fingindo estar casual. "Vou ver o que consigo fazer."

De volta aos seus livros.

Pelo menos, Noel continuou estudando. Ele virou uma página, as sobrancelhas franzidas enquanto tocava a borda de um diagrama intitulado "Circuitos de Mana de Três Camadas". Sua caneta pairava sobre um espaço vazio nas anotações.

"Elena, uma pergunta rápida," ele murmurou, sem olhar para ela. "Na camada estabilizadora de uma barreira tripla — ela sempre fica entre os dois fluxos de mana, ou isso só quando os glifos âncora estão embutidos?"

Silêncio.

Noel levantou o olhar.

Elena tinha a pena pressionada aos lábios, os olhos distraídos, claramente a milhas de distância.

"…Elena?"

Ela piscou. "Hã?"

Ele ergueu uma sobrancelha. "Perguntei sobre as barreiras de três lados."

"Ah. Certo. Uh… o estabilizador fica entre, mas só se você ancorar os glifos fora da barreira. Caso contrário, causa interferência interna."

Noel anotou. "Obrigadão. Tá bem?"

"Sim," ela respondeu um pouco rápido demais.

'Mentira,' pensou ele.

Elena virou uma página, mas seus olhos não estavam na leitura. De vez em quando, ela lançava um olhar nervoso para o canto da mesa, onde descansava os dedos, tocando de leve.

'Ela provavelmente está pensando no que vestir hoje à noite,' Noel deduziu, observando de relance. 'E está se estressando bem mais do que deveria.'

Ele já imaginava ela na frente do espelho, puxando vestidos, murmurando para si mesma, escovando o cabelo pela quarta vez.

No entanto, decidiu não provocá-la.

Eles estudaram em paz por mais meia hora. Pelo menos, ele. Ela basicamente folheava páginas e olhava através do texto.

No final, Noel fechou o livro. "Pronto. Hora de se preparar."

Ela assentiu, rápido demais. "Sim. Vejo você na entrada. Às oito."

Ele pegou suas notas e se levantou. "Não se atrase."

"Nunca me atrasei."

Enquanto ele se afastava, Elena olhou para o reflexo dela na mesa polida.

Ela franziu a testa. "Velas e violinos, é?"

Noel estava na frente do espelho do seu quarto, ajustando as mangas do casaco azul-marinho escuro. O traje era elegante, feito sob medida — claramente de design nobre — mas discreto, para não gritar por atenção. Fios de prata traçavam padrões arcanos tênues ao redor do colarinho e das mangas, refletindo a luz das velas de modo sutil.

Cabelos, geralmente bagunçados após treinos ou estudos, tinham sido penteados para trás, dando um ar mais refinado. Ele parecia... bem.

"Tch." Suspirou, puxando as abas do colarinho. "Melhor não virar um jantar político."

Depois, parou por um momento, olhando de lado. Uma pausa silenciosa antes de murmurou: "Tomara que não causem problemas..."

Pegou uma bolsinha de couro pequena na gaveta, prendeu-a sob o casaco — só por precaução.

Na mesma sala, Elena estava diante do espelho, ajustando a alça de um vestido lavanda pálido que brilhava delicadamente com um fio mágico — um encantamento feito para iluminar suavemente sob a luz da lua. Seus longos cabelos dourados estavam presos em uma trança frouxa sobre um ombro, com um grampo em forma de folha de prata.

Ela olhava para si mesma, pensativa. O vestido era... macio. Romântico. Não era a imagem que normalmente mostrava na academia.

"… Talvez seja demais?" ela sussurrou. Depois balançou a cabeça. "Disseram que era fino."

Elena chegou ao portão da academia pouco antes de o relógio marcar oito horas. O ar frio da noite fez a respiração dela formar uma leve névoa ao avançar.

E lá estava ele.

Noel esperando, vestido com um sobretudo azul escuro com detalhes prateados, com as mãos nos bolsos, postura relaxada — mas os olhos sempre atentos. Por um instante, Elena sorriu.

Até perceber a figura atrás dele.

Uma menina de sombra, a um passo dele, braços cruzados, expressão indecifrável sob o brilho suave dos lampiões. Era Selene.

A sorriso de Elena vacilou — só por um instante.

Noel virou-se em direção a ela, o olhar calmo habitual encontrando o dela.

"Pronta?" ele perguntou.

Ela assentiu lentamente, forçando um sorriso educado.

'Então... não seremos só nós dois.'

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