O Extra é um Gênio!?

Capítulo 93

O Extra é um Gênio!?

A cafeteria vibrava com vozes baixas, o som de bandejas sendo colocadas e as risadas ocasionais de alunos fingindo que tudo estava bem.

Noel permanecia em silêncio, rodeado por Marcus, Roberto, Garron e Laziel. Um prato meio comido jazia à sua frente, intocado há cerca de dez minutos. Ele olhava além dele, com os pensamentos voando longe.

'Já se passaram dois dias desde o incidente... e tudo foi mantido em silêncio. Os alunos que foram afetados parecem não se lembrar de nada. Faz sentido, acho. Aquele bastardão do Kaelith falou isso também. Só Laziel guardou as lembranças — afinal, ele esteve diretamente envolvido.'

Ele lançou um olhar sutil para Laziel, que gargalhava de algo que Roberto tinha dito. O menino parecia estar bem agora. Normal, até. Mas Noel sabia que não era bem assim.

'Ele não agiu sozinho. Lereus—Kaelith—usou ele. Fez com que atraísse os estudantes. Todo mundo achava que Laziel só estava entregando recados como assistente do professor. Mas foi uma armadilha. Quando eles entraram... ele ofereceria uma bebida. E era isso. Sangue no chá. Uma vez que aquilo estivesse no seu corpo, ele tinha controle total.'

Noel ajustou-se na cadeira levemente, expressão neutra, embora sua mente estivesse agitada.

'Só não caí nisso graças ao antídoto que comprei. Me custou uma fortuna, mas... valeu a pena.'

Seu olhar se perdeu na janela.

'As provas finais são em uma semana. E... o casamento da minha irmã. Ótimo. Justo o que eu precisava. Recebi uma carta ontem — ela vem me visitar antes. Não estou exatamente animado. Tenho certeza de que todos ainda odeiam o "pequeno Noel".'

Ele cruzou os braços no peito, o maxilar tenso.

'E tem a Elyra também. A situação lá no norte... a enfermidade está se espalhando mais rápido do que o esperado. Claro que está. Nada acontece quando deve. Se eu quiser ajudar, vou precisar ir até a região norte. Mas criar a cura... encontrar os ingredientes... isso não será fácil.'

Ele batucava os dedos distraidamente na mesa.

'Certo. E o ovo. Não posso esquecer dele. Ainda não descobri como incubá-lo. Ele fica ali, parado. Acho que vou ter que apelar para algo mais criativo.'

"Noel?" A voz de Roberto cortou sua neblina de pensamentos.

Noel piscou lentamente, virando-se para olhá-lo.

"Noel?" Roberto repetiu, franzindo a testa. "Você está bem?"

"Eh?" Noel voltou ao presente. "Sim. Sim... estou bem. O que foi?"

Marcus se inclinou, com as sobrancelhas franzidas. "Estamos chamando seu nome faz um monte de tempo. Tem certeza que está bem?"

"Eu só... estava pensando," Noel murmurou, coçando o pescoço.

"Isso geralmente não é um bom sinal," disse Roberto, levantando uma sobrancelha. "Sempre que você fica 'pensativo assim', normalmente algo vai explodir. Seja de verdade ou figuradamente."

Noel respirou fundo pelo nariz, um sorriso meio desconfiado surgindo. "Você está exagerando."

"Não acho," disse Marcus. "De qualquer forma... teve algum progresso?"

"Progresso?" Noel repetiu, com a cabeça inclinada.

Marcus sorriu de lado. "Naquilo que diz respeito à Elena. Ela não fica grudada em você do nada, né?"

A expressão de Noel permaneceu indecifrável. "Não sei do que você está falando. Mas, na verdade—falando em pessoas se mantendo distantes—a Clara está evitando você. Fez alguma coisa?"

Isso atingiu em cheio. O rosto de Marcus ficou vermelho de imediato.

"Eu—não. Nada de mais," ele murmurou.

"Depois de quase um ano," suspirou Roberto dramaticamente, "ele finalmente fez alguma coisa e deu ruim. Mas não se preocupe, Marcus. Tenho rezado aos deuses por você. Minha fé vai te guiar."

"Guia ele para quê?" Laziel respondeu com uma risada escarnecedora. "Última vez que tentei algo romântico, acabei recebendo um não bem claro."

"Ah, vai lá," bufou Roberto. "Vocês poderiam aprender uma coisa ou duas comigo."

Garron, que vinha comendo em silêncio, olhou para cima.

"Se quiserem conselho, posso ajudar."

Todos olharam para ele simultaneamente.

De uma só vez: "Você?! Por quê?"

Garron piscou. "Que quer dizer, por quê? Tenho namorada."

Noel quase deixou escapar o garfo. "Desde quando?"

"Tipo... uns dois meses atrás?" Garron coçou a cabeça.

Marcus ficou boquiaberto. "E você não nos contou?"

"Ela não quis que eu dissesse. Foi segredo," disse Garron, de forma casual. "Mas ela é ótima. Muito doce. Pequena e adorável."

Roberto levantou uma sobrancelha. "Deixe-me adivinhar... ela também é uma bodybuilder de dois metros que levanta trolls de brincadeira?"

Garron riu. "Nem chega perto disso."

O sino acima da porta da cafeteria tocou suavemente.

Garron olhou para cima, levantando a mão de forma casual. "Ah, lá está ela."

Todos se viraram.

Uma garota pequena entrou na visão, com passos leves porém confiantes. Parecia ser o oposto exato de Garron — corpo compacto, cabelo castanho curto escovado para trás de uma orelha, olhos castanho-claros brilhantes. Ela usava um casaco de inverno macio, forrado de pele, e tinha as mãos juntas à frente de maneira elegante.

Roberto piscou. "Não é possível."

"É... ela?" Marcus sussurrou.

"Parece que ela vai ser arrancada pelo vento," acrescentou Laziel.

A garota se aproximou com um sorriso educado, porém afiado nas pontas.

"Oi, desculpa interromper," ela disse docemente. "Sou Sophie, namorada do Garron. Prazer em conhecê-los."

A voz dela era suave, quase etérea—até que seu olhar se dirigiu a Garron. O sorriso permaneceu, mas seus olhos se estreitaram um pouco.

"Você tinha um encontro comigo hoje, lembra?"

Garron ficou pálido. "Ah... droga. Esqueci."

Sophie se inclinou um pouco, ainda sorrindo. "Você fez."

"Gente, eu—ah—preciso ir," Garron disse, pegando sua bandeja e se levantando às pressas, como um soldado pego dormindo na inspeção.

Sophie virou de volta para a mesa, toda calorosa novamente. "Prazer em conhecê-los! Sinceramente." Ela segurou o braço de Garron e saiu caminhando com ele.

Assim que eles se afastaram e ficaram fora de ouvido, a mesa ficou em silêncio por um instante.

Então:

"Caramba," murmurou Roberto.

"Foi de arrepiar," acrescentou Laziel.

"Não esperava por isso," disse Marcus.

Noel riu discretamente. "Deveria tirar umas notas, Marcus."

Marcus resmungou. "É, é..."

'Agora que penso nisso... não vi Elyra depois daquilo.'

"Noel?"

Ele piscou.

Roberto fez um gesto na frente do rosto dele. "Você está viajando de novo."

"Desculpa," murmurou Noel, levantando a colher. "Só estou pensando."

Roberto olhou de lado. "Pensar sempre leva a algo absurdo com você."

Noel sorriu suavemente. 'Você nem faz ideia.'

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