
Capítulo 96
O Extra é um Gênio!?
"Estou nisso há três dias", murmurou Noel, olhando fixamente para o volume sob o cobertor. "Magia de fogo.
Calor moderado. Mesmo envolto como se fosse um bebê. Nada."
"Status."
Uma mensagem azul piscou na tela:
[Status de Incubação: Inativo – Temperatura insuficiente.]
"Claro", suspirou. "Claro que sim."
Deitou-se de costas, com as mãos atrás da cabeça, olhando para o teto. "Deveria estar estudando para os exames finais. Só tenho uma semana."
"Minha essência está em 96,8%. Menos de 4% para alcançar o nível de Adepto, e estou aqui, de babá para uma pedra misteriosa."
Um sentimento de frustração subiu no peito dele. "Nada sai como quero."
"…Talvez o que importa não seja o quê, mas quem."
"Em tempos difíceis", murmurou Noel, levantando-se e afastando os lençóis, "é preciso agir com força."
Com um suspiro resignado, ele pegou suavemente o ovo e colocou diretamente em seu colo, na parte mais quente que conseguiu encontrar — seu colo. Depois, sentou-se com as pernas cruzadas sobre ele, envolvendo-as com braços e pernas, numa espécie de pose de meditação estranha.
Nada.
Então:
[Processo de Incubação Iniciado – 99,9%]
Um instante depois:
[99,8%]
Noel encarou os números flutuantes, expressão vazia.
"Você está dizendo que tenho que ficar assim até ele nascer?"
O contador caiu novamente — 99,7%, decrecendo lentamente. Lentamente demais.
Ele soltou um gemido longo. "Perfeito. Justamente perfeito."
Deixou a cabeça recostar na parede, tentando relaxar, ignorando o desconforto nas costelas e no ombro.
Então, ouviu.
Clique.
O som suave de uma trava metálica sendo destrancada.
Os olhos de Noel se arregalaram — não houve passos, nem batida na porta, nem aviso prévio.
Elyra von Estermont.
Ainda vestindo seu casaco vermelho de nobre, com o brasão da sua casa bordado sobre o coração, ela ficou na porta, piscando uma vez.
Depois, ficou observando.
Então sorriu lentamente. "Essa… essa imagem vai ficar comigo por bastante tempo. Não sei se de um jeito bom ou ruim."
Noel entrou em pânico. "Q–que diabos?! Como você entrou aqui?!
Ele se apressou em pegar um cobertor para se cobrir — e o ovo — ao mesmo tempo, ficando vermelho ao ver os olhos dela brilhando de travessura.
Elyra segurou casualmente uma pequena chave de prata. "Surpresa, Noel. Eu tenho uma cópia."
"O quê?!" Sua voz quebrou.
Ela entrou, fechando a porta suavemente atrás de si com um clique. "Bem, alguém estava tão cansado que acabou dormindo no meu colo. Depois, acho que fiz um pedido para o ferreiro."
"…E o que você pretende fazer com uma cópia da minha chave?"
Elyra sorriu. "Ainda não decidi."
Noel gemeu e apertou o cobertor ao redor da cintura.
"Que bom te ver também", ela acrescentou com uma expressão de desdém. "Embora, admito, essa não era exatamente a imagem que eu esperava ao voltar."
Ele respirou fundo, finalmente se acalmando. "Você voltou."
"Voltei", disse Elyra suavemente. "Embora talvez eu devesse ter batido antes. Antes de perguntar sobre o ovo, você está bem?" O olhar dela se estreitou. "Por que ainda está machucado?"
"É uma longa história."
Elyra cruzou os braços. "Ótimo. Tenho todo o tempo do mundo."
Ele contou tudo para ela.
Tudo mesmo.
O novo professor, Lereus — como ele era um demônio disfarçado. Como usou seu próprio sangue para controlar estudantes por dentro. Como Laziel, sem saber, levou outros ao seu alcance. Como Noel escapou por pouco da mesma sentença. A batalha final no esconderijo dele. O sangue. O medo. E como, no fim, Noel matou ele.
Elyra não interrompeu. Apenas ouviu.
Quando terminou, o silêncio pairou no ar, como fumaça.
"…Bem", ela disse finalmente, com a voz tranquila. "Você teve um mês cheio."
Noel levantou uma sobrancelha. "Isso é tudo que tem a dizer?"
Elyra sorriu de novo, dessa vez mais suave. "O que você quer que eu diga? 'Tenha mais cuidado'? 'Não aja de forma imprudente'?"
Ela balançou a cabeça. "Eu te conheço melhor do que isso, Noel. Você vai fazer o que acredita ser certo… quer os outros aprovem ou não."
Ele desviou o olhar, sem ter certeza de como responder.
Um silêncio se prolongou.
Então Elyra inclinou a cabeça, olhando para os lençóis sob ele. "Agora… sobre aquele ovo?"
Noel piscou, depois deu uma risadinha de leve. "Achei enquanto caçava. Ele… parecia estranho. Então trouxe de volta. Achei que pudesse ser algo especial."
"Você sabe o que tem dentro?"
"Nem ideia."
Ela esticou os braços acima da cabeça, soltando um bocejo suave. "Bem, vou deixar você aí, sentado sobre seu ovo misterioso, como uma galinha gigante. Preciso verificar como a Seraphina está se saindo na nova função."
Noel acenou com a cabeça, e ela se virou em direção à porta.
Mas antes que pudesse sair —
"Espera", disse Noel, sua voz mais baixa do que antes.
Elyra parou com a mão na maçaneta, voltando o rosto por cima do ombro. "Hmm?"
"…Como está sua mãe?"
A pergunta ficou suspensa no ar, pesada e imóvel.
A postura confiante de Elyra vacilou um pouco. O sorriso dela desapareceu, tornando-se algo mais suave, distante. "Ela… é a mesma", disse depois de uma pausa. "Nenhuma melhora. Nenhuma piora. Mas… obrigado por perguntar."
Noel assentiu uma vez. Não insistiu mais.
Elyra virou-se de vez, olhando para ele com um olhar que não dava pra entender — talvez preocupação, talvez gratidão…
Depois, acenou com a mão e saiu, a porta se fechando suavemente atrás dela.
'Ainda não vou contar para ela. Depois dos exames… prometo que vou ajudar. Não importa o que for preciso.'
Seu olhar foi para a janela. A luz tênue do amanhecer começava a entrar pelas bordas das cortinas.
'Preciso focar. Só mais um pouco.'
Ele olhou na direção do canto do quarto—em direção a
Revenant Fang.
'Não posso voltar à mansão Thorne. Mesmo que meus irmãos estejam em Elarith, não suporto ficar debaixo do mesmo teto que aquelas cobras.'
Suas mãos apertaram um pouco mais as mantas ao redor do ovo.
'Vamos sobreviver aos próximos dias… e depois conversamos sobre o resto.'
'Droga… acho que não sou mais o mesmo.'