O Extra é um Gênio!?

Capítulo 104

O Extra é um Gênio!?

A sala estava completamente quieta.

Noir jazia encolhido aos pés da cama, incomumemente tranquilo, com as orelhas achatadas contra a cabeça, como se percebesse algo intangível na atmosfera. Não saía som algum dos corredores. Nem o vento movia as cortinas. Era como se o próprio mundo estivesse segurando a respiração.

Elyra permanecia ao lado da cama, com os olhos fixos em Noel. O calor de antes tinha desaparecido. O que restava era calma, compostura… e gelo.

Noel encarou-a sem hesitar.

"Entendo perfeitamente o que disse," ele afirmou, com a voz firme. "E entendo o peso que isso carrega."

Elyra não se moveu.

"Você sabe que isso não é algo para se brincar," ela disse, numa voz baixa e precisa. "Não é algo que se diga levianamente."

Noel assentiu uma vez. "Sei. É exatamente por isso que estou dizendo."

Nada se mexeu.

Nem Noir piscou.

Uma tempestade se aproximava — mas ainda não tinha se desabado.

Elyra exalou silenciosamente pelo nariz e virou-se de costas, caminhando lentamente pelo cômodo. Seus movimentos eram graciosos, porém controlados — como alguém segurando demais para não explodir.

"Já vi você fazer coisas que não deveriam ser possíveis," ela disse. "Você sempre parece estar um passo à frente de todos. Como se já soubesse o que vai acontecer."

Ela voltou a encará-lo.

"Mas isso… isso não é questão de instinto, estratégia ou duelos."

Sua voz ficou um pouco mais firme.

"Estamos falando da minha mãe. De uma doença — lenta, dolorosa, implacável."

Ela fez uma pausa, os dedos ligeiramente cerrados ao lado do corpo.

"Sabe quantos recursos usamos, Noel?"

Ele permaneceu em silêncio.

"Trouxemos os melhores curandeiros de toda Valor. Depois, de Elarith. E até sacerdotes. Nada funcionou. Nenhuma cura deu resultado."

Seus olhos se estreitaram.

"Nenhum deles sequer sabia exatamente com o que estava lidando."

Noel manteve-se imóvel, deixando que ela falasse.

Isso não era raiva. Era cansaço, envolto em controle.

Outra camada de silêncio se estendeu entre ambos.

Então ele finalmente falou — sua voz calma, firme.

"Entendo."

Ele deu um passo à frente.

"Mas preciso que confie em mim."

Noel não se moveu. Apenas manteve o olhar fixo nela.

Depois, finalmente, voltou a falar — com a voz tranquila, segura.

"Não estou pedindo que acredite em um milagre. Peço que acredite em mim."

Elyra não respondeu de imediato. Girou levemente a cabeça, mas seus olhos continuaram fixos nele.

"… Continue."

Noel respirou silenciosamente.

"Eu consigo fazer a cura," ele disse. "Mas, para isso, preciso de algo que só se encontra no território de Iskandar."

Isso fez suas sobrancelhas levantarem. "Os iskandários? O que eles podem ter que minha família não tem?"

"Não posso dizer o nome especificamente," Noel respondeu. "Mas há uma planta — rara, frágil. Só cresce durante o primeiro mês da primavera, e apenas uma vez por ano. Cresce na mais alta montanha com neve da cadeia de montanhas deles. Em nenhum outro lugar."

Elyra cruzou os braços. Sua expressão não se suavizou.

"E essa planta… ela pode curar ela?"

Noel assentiu. "Sim. Não sozinha. Existem outros ingredientes, mas são comuns. A planta é a peça-chave."

Ela não falou imediatamente. A chama em sua voz havia desaparecido agora — substituída por algo mais perigoso: reflexão.

Seu tom manteve-se calmo, cuidadoso. Mas havia uma frieza sob cada palavra.

"E essa sua cura," ela disse lentamente, "pode funcionar para os outros também?"

"Deveria," Noel respondeu. "Se funciona para sua mãe… vai funcionar para qualquer um afetado."

Porém, sentia-se ainda o peso da pergunta pairando no ar.

E o peso do que viria a seguir.

Seu tom não elevou. Foi calmo, cuidadoso. Mas havia um frio cortante por trás de cada palavra.

"Vou ser honesta com você, Noel."

Ela deu alguns passos lentamente, o olhar desviando em direção à janela antes de voltar a ele.

"Eu me preocupo com você. Muito mais do que esperava. Depois de tudo esses meses… Achava que conhecia quem você era."

Ela fez uma pausa, analisando sua face.

"Mas isso? Isso não é algo que eu possa levar na brincadeira. É minha mãe. Se você estiver errado… se tudo acabar mal…"

"Sei," Noel disse suavemente, interrompendo. "É exatamente por isso que estou te avisando agora."

Ele deu um passo em sua direção, com a voz baixa, porém firme.

"Vou precisar falar com a Selene também. Imagino que ela já tenha sido chamada de volta para Iskandar."

Elyra levantou uma sobrancelha. "E você? Não precisa voltar para Thorne para o casamento? Ouvi dizer que é em breve."

Noel piscou, surpreso.

"Ah. Certo. Como você sabe? Eu deveria participar, mas é só isso. Ninguém me pediu ajuda com nada."

Ela sorriu de leve, por um momento rápido.

"Esqueceu que sou uma Estermont? Se algo acontecer nesta continente, eu fico sabendo."

Ele lançou um olhar para ela. "Faz sentido."

O silêncio voltou — não pesado, nem tenso. Apenas tranquilo.

Elyra ficou ali por um instante, braços cruzados de leve, observando Noel como se o estivesse vendo pela primeira vez. Não como colega de classe, nem como aliado inteligente ou fonte ocasional de diversão — mas como alguém real. Alguém que acabara de se oferecer para carregar um fardo que ela não deixara ninguém tocar.

Noel permaneceu silencioso, imóvel — apenas esperando.

Finalmente, ela respirou lentamente.

"…Tudo bem," ela disse. Sua voz já não era aguda. Baixa, contida. "Vou confiar em você."

Noel exalou silenciosamente, os ombros relaxando um pouco, mas só um pouco.

Elyra olhou para Noir, que tinha se aproximado silenciosamente e agora repousava a cabeça contra sua perna. Ela abaixou a mão e passou os dedos pelo pelo dele sem pensar.

"Mas você precisa entender uma coisa," ela continuou, sem tirar os olhos dele. "Se você estiver errado — se tudo der errado — não será apenas uma falha."

Ela deu um passo em direção a ele.

"Vai ser pessoal."

Seu olhar permaneceu firme, inabalável.

"Não vou conseguir te perdoar."

Noel permaneceu firme, sem cambiar a expressão.

"Sei disso."

E ficaram ali, as palavras se assentando entre eles como uma pedra. Um entendimento silencioso passou no silêncio — imutável, irremediável, real.

E não era preciso dizer mais nada. Não havia promessas a fazer, apenas ações esperando para acontecer.

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