
Capítulo 76
O Extra é um Gênio!?
As manhãs de inverno na Academia Imperial de Valon tinham o poder de aguçar os sentidos — mas hoje, a mente de Noel estava longe de estar afiada.
Ele permanecia sozinho nos campos de treino cobertos de geada, espada na mão, seu ar visível na temperatura fria. O uniforme de treino estava mais pesado agora, ileso por encantamentos discretos contra o frio, mas o calor extra não tinha efeito algum em acalmar sua mente distraída.
Ele deu um passo à frente, balançou a espada — e quase perdeu o equilibrio.
'Concentra, droga.'
Ele reequilibrou a postura, soltou um suspiro lento, e atacou novamente.
A lâmina oscilava, lenta, imprecisa. A frustração dominava seus movimentos. Ele sabia exatamente por quê:
Élyra.
Desde aquela conversa, as palavras dela ecoavam incessantemente em sua cabeça, uma pergunta suave, mas persistente, que nunca se apagava por completo.
Noel fez uma pausa, deixou a espada descer, sua respiração formando névoa enquanto ficava pensativo, encarando as árvores cobertas de gelo que delimitavam o campo.
'É até certo ponto? Eu nem mesmo sou deste mundo. Se eu realmente conseguir — se salvar este lugar, então o quê? Basta partir?'
Seus olhos se estreitaram levemente, incomodados com o pensamento.
'E mesmo assim… aqui, a poligamia é comum. Caramba, meu pai tinha três esposas. Mas na Terra, meu país de origem? Seria inimaginável. Como posso justificar algo assim? Seria justo?'
Ele segurou a espada com força, balançando a cabeça uma vez.
'Não. Chega. Pense com clareza. Você não precisa decidir agora. Você tem tempo. Ela disse que esperaria.'
Ele soltou um suspiro, vendo sua respiração se transformar em névoa e lentamente dissipar-se.
Sua força no grip suavizou.
Mas a tensão permanecia.
Noel ergueu a espada novamente, ajustou cuidadosamente a postura, e forçou sua atenção de volta à lâmina.
Mesmo que sua mente não estivesse totalmente presente, o mundo não podia esperar.
E ele não podia se dar ao luxo de distrações — ainda não.
Noel terminou o treino mais cedo do que o normal. De qualquer forma, não foi produtivo — sua cabeça ainda estava a milhas de distância. Com um suspiro, deixou o campo de treinamento e seguiu em direção ao pavilhão central, decidido a encontrar Élyra e, talvez, finalmente esclarecer seus pensamentos.
Contudo, algo parecia estranho assim que entrou no hall principal. Estudantes reunidos em grupos, sussurrando baixinho. Mesmo pelos padrões da academia, algo claramente não estava normal.
Antes que pudesse perguntar a alguém, Serafina apareceu de trás de uma esquina, com seu longo cabelo rosa amarrado de forma cuidadosa, sua presença tranquila, mas de alguma forma séria. Ela logo notou Noel.
"Noel," ela cumprimentou suavemente, aproximando-se sem hesitar. "Boa hora. Estava procurando por você."
Noel diminuiu o ritmo. O tom dela sozinho já era suficiente para deixá-lo mais cauteloso. "O que está acontecendo?"
Serafina parou exatamente diante dele, seus olhos pálidos avaliando cuidadosamente sua reação. "É sobre a Élyra."
Algo se contorceu abruptamente no estômago de Noel. "O que aconteceu com ela?"
"Ela pediu dispensa da academia," disse Serafina suavemente, com uma voz gentil, mas firme. "A mãe dela está gravemente doente. Ela ficará fora por pelo menos um mês — talvez dois."
Noel ficou parado, momentaneamente congelado.
Isso nunca tinha acontecido.
'Isso… não faz sentido. A mãe da Élyra nunca foi mencionada no livro, muito menos sua doença. Algo está errado… ou minha interferência causou isso?'
Ele se recompos, sacudindo abruptamente a surpresa o suficiente para assentir lentamente. "Entendi."
Serafina observou seu rosto atentamente. "Você não sabia?"
"Não," admitiu Noel em voz baixa, com os olhos fixos em uma direção qualquer. "Eu não sabia."
Serafina pareceu perceber a profundidade de sua incerteza e suavizou um pouco. "Ela vai ficar bem. Élyra é mais forte que a maioria."
Noel assentiu de maneira distraída. "Sei que ela é."
Mas esse não era o ponto. Ele sabia que Élyra ficaria bem — ela sempre ficava. Mas uma nova incerteza agora o pesava de maneira pesada.
'Se isso não está mais seguindo a história original, então o que mais pode estar mudando?'
Ele expirou lentamente, levantando o olhar para encontrar o olhar firme de Serafina. "Obrigada por me contar."
Ela assentiu silenciosamente, virou-se para ir embora, mas olhou para trás uma vez mais.
"Noel?" ela falou suavemente. "Se precisar de alguma coisa, é só me avisar."
Ele respondeu com um breve aceno, assistindo enquanto ela se afastava.
Permanecendo imóvel por um momento, reunindo seus pensamentos.
'Isso muda tudo. Preciso descobrir o que realmente está acontecendo — e rápido.'
A noite estacionou silenciosa sobre a Academia Imperial, trazendo um silêncio inquietante. Noel estava sozinho na biblioteca, numa mesa carregada de anotações dispersas, mapas enrolados de Valon e uma lista de nomes desenhada às pressas.
Ele passou o dedo pelos nomes com cuidado.
Quatro estudantes. Dois civis. Todos desaparecidos na mesma semana.
'Isso nunca aconteceu no livro original,' pensou Noel, a frustração crescendo fortemente no peito. 'A linha do tempo está errada. E a saída repentina da Élyra — isso não é mera coincidência.'
Ele se recostou, fitando o teto abobadado da biblioteca, iluminado por lâmpadas encantadas. A ausência de Élyra, os desaparecimentos… parecia que o próprio tecido da história que conhecia tinha começado a desfiar.
'Desde que Dior perdeu, alguma coisa mudou. Será esse o gatilho?'
Ele balançou a cabeça lentamente, retomando o foco nos nomes. Todos envolvidos de alguma forma em impedir o ataque terrorista de meses atrás. Alguém está os mirando deliberadamente.
Mas quem? E por quê agora?
Ele revisou os nomes novamente, os olhos estreitando-se pensativamente.
'Quem quer que esteja por trás disso está apagando qualquer um que possa interferir novamente.'
Noel fez uma pausa, uma sensação sutil de inquietação crescendo no peito enquanto ponderava a escala e a precisão das الان disappea rances.
'Isso não é apenas revenge aleatória. É organizado. Meticuloso. Alguém que sabe exatamente quem mirar e como fazer sem deixar rastros.'
Sua mente passou brevemente pela derrota de Dior, mas rapidamente descartou a ideia.
'Não Dior. Ele é impulsivo, raivoso, e não está mais na academia por enquanto. Isso é algo diferente. Algo mais perigoso.'
De repente, ele se levantou, juntando as papéis num pacote. A vontade súbita de agir clareou como lâmina na mão.
'Quem quer que seja, está se movendo rápido. E eu preciso ser mais rápido.'
Noel caminhou até a saída, as portas da biblioteca se fechando silenciosamente atrás dele. Seguiu velozmente pela noite, na direção das ruas de Valon, onde as respostas o aguardavam — estivesse ele preparado ou não.
As ruas de Valon estavam sob a luz pálida da lua de inverno, refletindo nas pedras escorregadias de geada e nas lâmpadas de rua fracas. Noel caminhava com rapidez, seu sobretudo apertado ao corpo, atento a cada sombra e movimento ao redor.
Ele não tinha andado muito quando notou uma figura familiar parada calmamente na ponta de uma rua estreita. O conteúdo delicado, o cabelo platinado longo captando fraca luz lunar — não havia engano.
"Elena?" Noel chamou suavemente, se aproximando lentamente. Ela virou a cabeça de repente na direção dele, olhos âmbar brilhando por surpresa, mas logo se suavizando.
"Noel," ela disse baixinho, puxando o capuz mais apertado sobre os ombros elegantes. "O que faz aqui nesta hora?"
"Posso te perguntar o mesmo," respondeu, ficando ao lado dela, com a voz prudente, mas calma. Notou o distintivo prateado preso discretamente na capa — o símbolo do recém-reestruturado conselho estudantil. "Vi que entrou para o conselho."
Ela assentiu suavemente, olhos pensativos.
"Serafina me convidou. Achei que era hora de assumir um papel mais ativo."
Noel arqueou uma sobrancelha, um pouco divertido, apesar da situação.
"Política nunca foi seu forte."
"Você não está errado," admitiu ela suavemente, um leve sorriso nos lábios.
"Mas também não posso ficar de braços cruzados enquanto as pessoas desaparecem."
Noel relaxou um pouco, reconhecendo uma determinação semelhante na voz tranquila dela. "Então, você também está investigando os desaparecimentos?"
Ela olhou ao redor da rua escura com cautela antes de responder. "Sim. E começo a pensar que tudo vai muito mais fundo do que se pensava, como se fossem sequestros aleatórios. Estudantes, civis — tudo está conectado de alguma forma."
Noel franziu o rosto. "É o que eu suspeitava também."
Elena olhou de novo para ele, seu olhar firme, confiante. "Então talvez possamos nos ajudar."
Noel hesitou por um instante — não era de confiar facilmente. Mas algo na determinação calma dela tornou sua decisão mais fácil.
"Tudo bem," ele finalmente concordou. "Por onde começamos?"
Elena virou o olhar para o menino escuro atrás deles, com uma expressão firme. "Por aqui. Tem uma coisa que preciso verificar."
Silenciosamente, caminharam pela rua estreita, a escuridão à frente de repente mais pesada, mais concreta. Noel se sentiu grato — ao menos, não estava sozinho nisso.
Seguiu Elena na viela sombria, seus olhos ajustando-se rapidamente à pouca luz. O frio parecia mais intenso aqui, envolvendo-os como um manto.
Ele olhou brevemente para Elena, notando a tensão sutil em sua postura, a tensão ao redor dos olhos. Sua expressão normalmente composta tinha um traço que ele não tinha visto antes.
"Elena," começou lentamente, sua voz baixa. "Você não faz isso só pelo conselho, né?"
Ela parou no meio do caminho, virando-se lentamente para ele. Por um momento, hesitação brilhou em seus olhos âmbar, depois desapareceu, substituída por uma determinação calma.
"Não," ela admitiu suavemente. "Uma das estudantes desaparecidas é minha amiga. Chama-se Aria."
A expressão de Noel suavizou, compreensão surgindo. "Desculpe."
"Não precisa," ela respondeu rapidamente, afastando a vulnerabilidade momentânea. "Só me ajude a encontrá-la."
Ele assentiu com firmeza. "Tem alguma pista?"
Ela balançou a cabeça lentamente, claramente frustrada, sua expressão graciosa mostrando isso. "Pouco. Mas tem havido movimentos estranhos por aqui — pequenas ondulações de mana, rastros de magia que não são fáceis de reconhecer."
Noel pensou, cruzando os braços. "Você acha que pode ser coisa do Dior?"
Elena hesitou um instante, considerando, depois balançou a cabeça firmemente. "Não. Não pode ser ele. Desde que saiu da academia, ninguém viu ou ouviu falar dele. Só a Serafina sabe onde ele está, e ela não fala."
Noel desviou o olhar, preocupado. "Então estamos lidando com alguém totalmente diferente."
Ela concordou silenciosamente, seus olhos varrendo a viela mais uma vez. "Alguém muito mais cuidadoso — e perigoso."
Noel soltou um suspiro, o ar visível na temperatura fria. "Então, precisamos correr."
Elena avançou novamente sem dizer mais nada, e Noel a seguiu, acelerando o passo enquanto mergulhavam na escuridão incerta à frente.
A rua estreita se estreitava à medida que se aprofundavam no bairro antigo — onde as pedras de calçada estavam rachadas, e a geada persistia nos muros de pedra. A luz da lua mal chegava aqui. Todos os sons tinham um peso estranho.
Seus sentidos estavam aguçados, sua mana pulsando discreta sob a pele.
Então, ele viu. Uma mancha de sangue seco, quase invisível na beira de uma parede, semioculta atrás de um tambor enferrujado. Abaixou-se lentamente, agachando-se.
"Elena."
Ela já estava ao lado dele, o hálito formando névoa na temperatura baixa enquanto se inclinava.
"Ainda fresca para ser desta semana," ela sussurrou.
Noel seguiu a mancha com os olhos. Ela levava ao canto — e parava abruptamente onde se misturava com outra coisa.
Outra trilha.
Mas essa era diferente. Mais escura, mais espessa na textura. Não tinha a mesma cor.
Noel se levantou lentamente.
'Havia duas.'
Uma parecia pertencer a alguém sendo arrastado ou tentando fugir.
A outra — ele estreitou os olhos — era mais dispersa. Gotas espaçadas de maneira irregular.
"Uma delas estava ferida," murmurou. "E não era só a vítima."
Elena assintiu, o olhar severo.
"Se eram fortes o suficiente para pegar alguém… e ainda deixar rastro de sangue…"
"Então não são invencíveis," concluiu Noel.
Os dois ficaram ali um momento, o silêncio pesado.
Algo estava acontecendo em Valon — algo deliberado. E agora, eles tinham uma prova.
Noel virou ligeiramente a cabeça em direção a Elena.
"Precisamos rastrear isso. Discretamente e com cuidado."
Ela concordou. "Vou informar o conselho e o diretor, esse assunto é maior do que parece."
O maxilar dele ficou tenso.
'Quem quer que esteja por trás disso não tem medo da academia ou até da família real. Estão mandando um recado.'
Juntos, viraram e se recolheram às ruas envoltas na névoa, uma pista a mais — mas ainda longe da verdade.
O sistema ressoou em sua mente.
[Nova Missão, Salvar os Estudantes e descobrir a verdade ocultamente!]
'Que dor de cabeça.'