
Capítulo 78
O Extra é um Gênio!?
O quadro de avisos da academia estava novamente cercado por murmúrios. Sem cerimônias. Sem aviso prévio. Apenas um novo pergaminho pregado de maneira limpa, sem brasão, sem assinatura—apenas o peso das palavras escritas com traços firmes e decisivos:
AVISO A TODOS OS ESTUDANTES
A partir de agora, as regras de toque de recolher foram modificadas.
Todos os estudantes devem permanecer em seus dormitórios após o pôr do sol.
Movimentar-se pelo campus à noite está estritamente proibido.
As aulas continuarão normalmente.
— Por ordem direta do Diretor Nicolas Von Aldros
Noel ficou na borda da multidão, em silêncio. Alguns estudantes leram pela terceira vez, buscando algum significado oculto, alguma razão por trás da regra repentina. Mas não havia nenhuma.
'Nenhuma comunicação da liderança estudantil também… Saiu direto do Diretor. Isso não é normal.'
Seu olhar desceu um pouco—bem abaixo do pergaminho. E lá estava.
Noel Thorne – Classe S
A mesma linha que havia sido removida semanas atrás. Reinstalada de forma discreta.
'Acho que o Diretor quer que eu volte para a Classe S. Provavelmente para me vigiar… Não que eu esteja reclamando. Os recursos aqui são melhores e mais seguros.'
A manhã ainda tinha o frio do orvalho, seu hálito visível em finas nuvens brancas. Ele ajustou o colar do casaco.
'E isso está pior do que imaginei. Sabia que a queda do Dior teria consequências—mas não dessas.'
Sem dizer uma palavra, deu um passo para longe do grupo, seus passos leves sobre o piso de mármore frio.
A cabana estava silenciosa.
Do lado de fora, o céu permanecia opaco e cinzento, carregado de nuvens pesadas de neve. O vidro encantado da janela filtrava a luz, tornando tudo mais frio e monótono. Noel sentou-se à sua mesa, com um pergaminho em branco diante de si, caneta na mão.
Ele não começou a escrever logo de cara. Ficou simplesmente olhando.
Depois de alguns segundos longos, finalmente mergulhou a pena na tinta e começou.
Elyra,
Como está sua mãe?
Como você está?
Não me venha com o papo de “Estou bem” se não estiver.
Apenas... não se esqueça de cuidar de si mesma enquanto tenta arrumar tudo ao seu redor, como de costume.
As coisas aqui estão estranhas.
Implementaram um toque de recolher—ninguém pode sair do dormitório após escurecer.
Sem explicação. Nem a Serafina sabia que isso ia acontecer. Veio direto do Diretor.
Aliás... estudantes estão desaparecendo. Alguns que ajudaram durante o ataque. Civis também.
Ninguém fala nada. Mas está acontecendo.
Se eu descobrir alguma coisa, te aviso.
— Noel
Ele dobrou o pergaminho e selou com uma pequena impressão de cera—não um brasão de família, só o nome dele mesmo.
Do lado de fora, uma pomba pousou na grade, esperando.
Noel abriu o vidro. O frio entrou de imediato, tocando seu rosto. Sem hesitar, estendeu o pergaminho.
A pomba pegou delicadamente com o bico, as garrinhas se fechando firmes enquanto ela bicava uma, duas vezes, e então levantou voo.
Ele assistiu ao voo, soltando uma respiração suavemente.
"Mais ou menos uma semana," murmurou. "Se nada acontecer pelo caminho."
Fechou a janela, levantou-se novamente e pegou o casaco, fechando o colar enquanto se movimentava.
Não tinha um destino certo em mente. Caminhou pelos corredores silenciosos do andar leste, deixando seus pensamentos vagarem a cada passo. O ar de inverno tinha impregnado as paredes; até as pedras pareciam frias ao toque.
"Ei, Noel," veio uma voz familiar.
Ele virou-se para ver Marcus se aproximando, acompanhado por Garron… e Laziel, um pouco mais atrás. Este último parecia distante, desconectado.
"Você viu o aviso que colocaram umas horas atrás?" perguntou Marcus. "Sabe do que se trata?"
"Você não sabe?" Noel levantou uma sobrancelha, depois fez um gesto para que eles se aproximassem. "Bom… acho que faz sentido. Venham."
Os três se aproximaram e Noel abaixou a voz.
"Parece que estão desaparecendo estudantes. Civis também. Ninguém fala nada, mas isso está acontecendo."
Garron franziu a testa.
"E a gente fica de braços cruzados? A sério que vamos permitir que isso continue assim?"
Noel não respondeu imediatamente. Apenas os observou.
"Vamos lá, Noel," acrescentou Marcus, com frustração na voz. "Não podemos ficar parados. Alguém precisa agir."
'Lá vem o clássico protagonista,' pensou Noel secamente. 'Pobre Marcus. Gostaria que fosse tão simples assim.'
"Ele tem razão," disse Garron. "Precisamos começar a investigar. Agora."
"Se achar alguma coisa, me avise," disse Noel calmamente. "Agradeceria."
Marcus inclinou a cabeça de brincadeira.
"Uau, o misterioso Noel Thorne pedindo ajuda? Isso é novidade."
"Com certeza, é novidade," Garron riu.
"Certo, Laziel?" Marcus completou com um sorriso. "Ei, Laziel—"
Todos se voltaram.
Laziel ainda estava parando lá, mas seus olhos estavam desfocados, perdidos em algum lugar distante. Ele não tinha reagido de verdade.
Noel o estudou cuidadosamente.
"Tudo bem? Você parece pálido. Ainda mais do que o de costume."
"Ele está certo," disse Marcus, franzindo o rosto. "Você não está bem."
Sem esperar, Marcus colocou a mão no ombro de Laziel.
"Depois, Noel. Vamos levar ele ao hospital."
Noel assistiu à cena, uma leve expressão de preocupação entre as sobrancelhas.
Algo não estava certo com Laziel.
E ele não gostou disso.
Noel encontrou a Elena perto da sala de registros do conselho, onde o aroma de papel antigo impregnava o ar e o silêncio envolvia cada estante. Ela estava ao lado de uma longa mesa, diversos arquivos espalhados diante dela.
"Achou alguma coisa útil?"
Elena balançou a cabeça, sem olhar imediatamente.
"Estive vasculhando tudo que consegui. Nada. As vítimas da academia... é como se tivessem desaparecido sem deixar rasto."
Noel se recostou na borda da mesa, de braços cruzados.
"Hmm. Sabemos que sua amiga desapareceu. E mais alguns estudantes. Mas a parte dos civis... isso não encaixa."
"Pois é," Elena murmurou, estreitando os olhos. "Por que civis estariam envolvidos?"
"Civis. Estudantes. Nada faz sentido." Noel bateu devagar os dedos na mesa. "Como alguém se move entre os alvos? Duvido que um assassino tenha acesso fácil à academia."
"Acho que a resposta é óbvia, não é?"
"Desculpe," disse Noel, saindo de si. "Estava pensando alto."
E então, uma conexão aconteceu.
Uma pausa repentina.
A mente dele acelerou, unindo uma cadeia que até então não tinha percebido.
'Por que não pensei nisso antes?'
"Tem que ser alguém," falou lentamente, com os olhos afiados, "que consegue se mover livremente. Dentro e fora. Sem perguntas."
Elena voltou o rosto para ele, captando a mudança na expressão.
Algo havia mudado.
Noel não perdeu mais tempo.
Assim que a ideia se formou, virou-se de repente e saiu às pressas da sala de arquivo.
'Se você não quer ser visto saindo da academia… onde você iria?'
Seus passos ecoaram no piso de pedra enquanto aumentava a velocidade, o casaco esvoaçando atrás de si.
'Exato. Por baixo. Pelas redes de túnel. Eu sei porque já fiz isso também… hehe.'
Logo atrás dele, uma voz aguda gritou.
"Para onde você está indo tão rápido?! Espera!"
Elena correu atrás, mal conseguindo acompanhar na curva.
Noel olhou por cima do ombro. "Se você vai me seguir, então vem logo. Me ajuda a procurar."
Elena lançou um olhar firme, um pouco sem fôlego, mas focada.
"Não estou te seguindo só por isso! Quero ajudar."
Noel sorriu de leve, os olhos já focados na rota à frente.
Bom.
Os túneis sob a academia se estendiam infinitos, pedra antiga serpenteando em padrões confusos—salas, curvas, becos sem saída. Já caminhavam há mais de duas horas.
Noel liderava com uma tocha na mão, a chama pálida lançando sombras oscilantes nas paredes úmidas.
"São maiores do que eu imaginava," comentou. "Muito maiores."
A voz de Elena vinha de trás, firme, mas cautelosa.
"Esses túneis… eles não pertencem só à academia, né?"
Noel balançou a cabeça.
"Não. Acho que se estendem por toda a cidade. Provavelmente por todo Valon."
Esse pensamento trouxe um silêncio pesado.
Então ele parou.
"Espera."
À esquerda, parte da parede havia desabado, revelando um corredor estreito parcialmente escondido por entulho. No fim, algo chamou a atenção da tocha.
Uma corda grossa, desgastada, manchada por velhas manchas.
Aproximaram-se com cautela, em alerta.
Elena ajoelhou perto, com os olhos estreitando-se.
"Sangue."
Noel também se ajoelhou. A corda estava firmemente enrolada em torno de um tubo de metal enferrujado. Poeira e pedra a cobriam parcialmente, mas as manchas escuras estavam evidentes.
"Quem foi amarrado aqui não morreu aqui," disse baixinho. "Mas sangrou. Bastante para deixar uma marca."
Elena passou a mão perto do chão, evitando tocar na corda.
"Está seca. Tem pelo menos alguns dias. Não parece recente."
Noel puxou um pedaço limpo de pano da bolsa, envolveu cuidadosamente a corda e guardou dentro da bolsa lateral.
Elena levantou uma sobrancelha.
"O que vai fazer com isso?"
"Vou mostrar ao Diretor. Se alguém puder tirar alguma informação, é ele."
Ela assentiu, mas os olhos já examinavam o resto do túnel cuidadosamente.
"A gente voltou à estaca zero," disse Elena baixinho, se levantando.
Noel permaneceu ajoelhado por mais um momento, olhos fixos na marca da corda na poeira.
"Não é zero," murmurou. "Mas o tempo está acabando."
Ele se levantou e voltou pelo caminho que haviam vindo.
'Se esses túneis realmente percorrem toda Valon, então quem os usa pode desaparecer a qualquer momento.'
'E, com certeza, fizeram...'