
Capítulo 86
O Extra é um Gênio!?
A prateleira de madeira rangeu sob seu peso.
Noel perdeu a agarra.
Ele não gritou. Não havia tempo.
Seu corpo caiu do terceiro andar como uma pedra, e ele mal conseguiu torcer o tronco no ar antes de colidir numa pilha de sacos de lixo e caixotes quebrados. A dor atravessou suas costas e costelas ao rolar pelo chão, tossindo poeira e sujeira dos pulmões.
Mas ele não parou.
Levantar-se rapidamente, correu.
"Merda, merda, merda."
Sua batida de coração era ensurdecedora, ecoando em seu crânio mais alto que seus passos na pedra.
'Lereus é o demônio. Isso já foi confirmado. Aquele filho da puta não está brincando—ele está se alimentando dos estudantes. Vi onde eles estão sendo mantidos, e agora sei o que aconteceu com Laziel…'
Virou uma esquina e quase escorregou no calçamento molhado.
'Ele estava tremendo… Quando mandou-o ajoelhar, ele caiu como um boneco. Está controlado. Por isso obedeceu—por isso não parece mais ele mesmo.'
Um zumbido baixo ressoou em seus ouvidos enquanto a adrenalina corria por suas veias.
'Não posso agir sem um plano. Preciso de tempo. Se fizer besteira, todo mundo naquela lista morre. Marcus. Clara. Elyra. Garron. Todos.'
Os edifícios ficaram embaçados enquanto ele corria. As torres exteriores da academia surgiam ao longe.
'Amanhã tenho aula. Com ele. Vou ter que encarar esse monstro cara a cara.'
Ele não diminuiu a velocidade e seguiu em frente.
Behind him, a door creaked open.
Noel didn't dare look back—but he felt it. That presence. That wrongness.
Footsteps echoed faintly, precise and clean.
Ele lançou um rápido olhar por cima do ombro e viu uma figura surgir do prédio abandonado.
Lereus.
Mas agora… de volta ao humano.
Seu cabelo estava penteado de forma impecável, cada fio no lugar. As vestes estavam limpas, pretas, suaves, o tecido levemente ondulando a cada passo calmo.
E seus olhos—azulados, fixos e frios. Não pareciam olhos de pessoa. Mais como cristais de vigilância, escaneando cada detalhe, rastreando movimento, calor, medo.
Noel puxou o capuz para baixo, para esconder seus cabelos loiros. Sua capa era grossa o suficiente para disfarçar sua silhueta, mas ele sabia que isso não bastaria se permanecesse parado.
Então, moveu-se.
Rápido.
Primeiro caminhar,
depois correr a passo brisk,
e então sprintar.
Podia ouvir os passos atrás dele, suaves, mas se aproximando.
'Merda. Está seguindo.'
Ele percorreu as ruas laterais, esquivando-se de pilhas de lixo e cercas quebradas. Sua mente acelerava, cada viela lembrada, cada curva calculada.
'Vamos lá, quase lá.'
Por fim—ele emergiu na via principal.
O silêncio áspero do beco foi substituído pelo caloroso zumbido de vida. Luminárias brilhavam acima das lojas. Pessoas conversavam, discutiam, moviam-se em ondas. Vendedores gritavam, carrinhos bateram contra pedras.
Noel não parou.
Ele puxou a capa, enfiou-a debaixo do braço, e se misturou à multidão com prática naturalidade. Alguma gente virou a cabeça ao sentir seu movimento brusco, mas ninguém lhe deu atenção de verdade.
'Conheço essa rua… Elyra me trouxe aqui uma vez. Aquele dia do encontro.'
Percebeu-se e cerrando a mandíbula.
'Não é hora de boas lembranças.'
Continuou em movimento, respirando o mais tranquilo possível.
Sem olhar para trás.
Sem passos repentinos.
Apenas o ritmo da cidade encobrindo sua fuga.
'Parece que o perdi.'
Lereus saiu do prédio, a porta rangeu suavemente ao fechar atrás dele.
Ele parou na escuridão do beco, levantando um pouco o queixo, como um cão que detecta um cheiro no ar. O vento noturno permanecia calmo.
Mas algo estava errado.
Algo permanecia.
Seus olhos—intensos, afiados—estreitaram enquanto varriam telhados, esquinas, paredes. Cada movimento da cabeça era suave.
"Alguém estava observando..."
Disse em voz baixa, não como uma pergunta—mas como uma verdade.
Ele estalou a língua.
"Não gosto de baratas."
Sua expressão não mudou, mas seu passo acelerou.
"Acho que vou exterminar essa aqui."
Lereus começou a se mover—não mais o elegante professor andando pelos corredores, mas algo diferente sob a pele. Cada passo era preciso, seus pés quase sem som ao seguir a trilha pelas ruas de trás.
"Hmm... Coisa rápida," murmurou. "Mas provavelmente não rápida o suficiente."
Chegou ao fim do beco justo a tempo de ver uma capa desaparecer na esquina.
Ele virou atrás, rápido e silencioso.
Até parar.
Seus olhos se arregalaram levemente.
A rua estava cheia—dezenas, talvez centenas de pessoas, caminhando de ombro a ombro, as lanternas dançando sobre seus rostos.
Ele examinou todas em segundos.
Demasiado tarde.
"...Merda."
Ficou ali por mais um momento, ombros tensos.
"Muitos. Impossível encontrá-lo agora."
Ele voltou às sombras, sua voz baixa, quase divertida.
"Mas agora sei que alguém está de olho. Vamos ver quanto tempo conseguem esconder."
A porta se fechou com um clique atrás dele.
Noel ficou no meio do seu dormitório, respirando pesadamente. O silêncio agora parecia mais pesado—quase opressivo. Como se as próprias paredes estivessem prendendo a respiração.
Ele deu um passo lentamente para frente, depois outro. As pernas tremiam. As dores do tombo ainda latejavam, e as roupas carregavam o cheiro de lixo de esquina e poeira da cidade.
"Merda... Eu realmente não gosto de ver essas coisas."
Não se incomodou em tirar as botas.
Foi direto ao banheiro.
Ligou a luz.
Levou a tampa do vaso.
E vomitou.
Suas mãos seguravam firme a borda da pia enquanto tossia e ofegava, com os olhos ardendo—não pelo ácido na garganta, mas por aquilo que sua mente se recusava a deixar passar.
Sangue.
Cadeias.
O grito abafado de uma garota.
O olhar vazio de Laziel.
Ele enxaguou a boca duas vezes, depois jogou água fria no rosto.
olhou para o espelho.
Seu reflexo o fitou de volta—pálido, tenso, atormentado.
"Sea força."
Ele voltou cambaleando para dentro do quarto, sentou na beirada da cama, enfiou as mãos nos cabelos. O colchão rangeu sob seu peso.
Mas não se deitou.
Não descansou.
Depois de um longo momento, levantou-se de novo.
'Não há tempo para conforto. Preciso encontrar a Elena. Agora.'
Noel não precisou ir longe.
Ele e Elena estavam nos dormitórios da Classe S, e, por sorte, o quarto dela ficava apenas um andar abaixo do dele. Saiu do quarto em silêncio, descendo as escadas rápido, duas degraus de cada vez. O corredor estava silencioso, os pisos de pedra frios sob seus botas.
Parou na porta dela, bateu uma vez—firmemente, com decisão.
Alguns momentos depois, ela abriu. Elena estava ali, segurando um livro numa mão, com o cabelo comprido preso em uma trança baixa. Parecia surpresa, mas não alarmada.
"Noel?"
Ele não respondeu imediatamente. Enfiou a mão no casaco, puxou uma folha dobrada de papel e entregou a ela.
"Amanhã. Depois das aulas. Vá a este lugar. Leve o Nicolas lá, por favor."
Ela piscou, abriu o papel. "O que é isso?"
"Você verá na hora. Mas prometo—é logo após a aula. Nem um minuto antes."
"...Tá bom?" ela falou com cautela. "Espera, você encontrou alguma coisa, não? Sobre o incidente. Por que não quer me contar mais?"
"Não quero que ninguém se machuque," disse Noel, em voz baixa. "Agir cedo demais seria um erro. Confie em mim. Vamos esperar. Tenho um plano."
Elena franziu a testa, mas assentiu devagar.
"Beleza... só porque você me ajudou na Caçada."
"Obrigado." Ele deu um passo para trás, já voltando para as escadas. "Preciso me preparar."
Ele parou na borda do corredor.
"Por favor—avise o diretor e todos os demais depois das aulas. Não antes. Se alguém agir cedo demais... algo ruim pode acontecer."
Depois, sumiu.