O Extra é um Gênio!?

Capítulo 90

O Extra é um Gênio!?

— Acho que já vi esse teto mais vezes do que deveria.

A enfermaria estava exatamente como ele lembrava. Paredes de pedra branca. Luzes suaves e flutuantes. O aroma forte de ervas curativas e gazes impregnadas de mana. Sua cama habitual. Sua fadiga de sempre.

De algum modo, esse lugar começou a parecer uma segunda casa.

Passos se aproximaram.

— Ei, Noel — uma voz conhecida disse seca — O que você me contou há menos de um mês?

Ele virou a cabeça lentamente, piscando através da névoa. A enfermeira estava ao lado da cama, os braços cruzados.

— Eu disse… que cuidaria de mim mesmo e tentaria não te dar mais trabalho.

— Boa. Então seu cérebro ainda funciona — ela murmurou. — Sério, não sei como você ainda está vivo. Quem na cabeça funciona bebe algo tão tóxico?

Noel piscou. — Tóxico? Do que você está falando?

Ela o encarou por um instante. Depois rolou os olhos.

— Vamos deixar por isso mesmo.

— Obrigado — ele disse. Então franziu levemente a testa. — Ah... desculpa, qual mesmo seu nome?

Ela levantou uma sobrancelha. — Depois de meses vindo aqui assim, agora você pergunta?

Houve uma pausa.

Então ela suspirou. — Clair. Meu nome é Clair.

Noel sorriu cansado. — Obrigado, Clair.

Ela balançou a cabeça. — Sabe, você realmente deveria cuidar melhor de si mesmo. Ainda é jovem.

— Gostaria de fazer isso. Verdade.

Clair ajustou os cobertores sobre ele, depois fez um gesto para a mesinha ao lado da cama.

— Aliás, você ficou inconsciente por cinco dias. Aquela garota não saiu do seu lado. E você tem uma carta.

Noel seguiu o olhar dela e viu um envelope lacrado repousando de forma cuidadosa ao lado de um copo d’água.

Clair deu uma alongada, soltando um gemido. — Meu turno acabou. Dorme de verdade, e tenta não fazer eu trabalhar horas extras de novo.

— É, claro. Até mais tarde.

— Não. — Ela virou-se parcialmente na porta. — Eu não gosto de ‘até mais tarde’.

Noel sorriu de lado. — Então… até a próxima, Clair?

Ela soltou uma respiração curta de irritação.

Depois saiu, fechando a porta delicadamente atrás de si.

Noel virou a cabeça e notou alguém pendurado na beirada da sua cama.

Elena.

Seu cabelo platinado escorria sobre a manta, liso e preso. Uma orelha pontuda dava o ar da graça entre os fios. Ela descansava a cabeça no colchão ao lado dele, respirando devagar, completamente adormecida.

Ela parecia pacífica.

Confortável.

— Ela esteve aqui o tempo todo?

— Não vou acordá-la. Primeiro… a carta.

Ele se movimentou cuidadosamente, esticando o braço direito para alcançar o envelope na mesa de cabeceira.

De repente, uma dor intensa o invadiu.

— PORRA!!! — ele rangeu os dentes, com a cabeça inclinada.

O som despertou Elena.

Ela piscou rápido, confusa — então seus olhos âmbar fixaram nele.

— Noel! — ela exclamou.

— Desculpa — ele murmurou. — Não queria te acordar—

Antes que pudesse terminar, ela se lançou para frente e o abraçou forte.

— Espera— ai— ei! Eu tô feliz por estar vivo também, mas tenho ferimentos abertos e costelas fraturadas— dá um tempo!

Ela se afastou de repente, vermelha de vergonha. — Desculpa! Eu… fiquei empolgada!

Então, tudo saiu de uma só vez:

— Você está bem? Como se sente? Ainda está com dor? Tem febre? E seu braço? Precisa de ajuda—?

Noel respirou fundo. — Pode fazer duas coisas por mim?

Elena congelou. — Pode?

— Primeiro, se acalmar. E segundo… me entregar a carta.

— Ah, claro! — Ela pegou o envelope da mesa. — Aqui.

— Obrigado. Na verdade… você poderia abrir para mim? Minha mão ainda não funciona direito.

Sem hesitar, ela abriu o envelope e desdobrou a folha.

— É da Elyra.

Ela aclarou a garganta e começou a ler em voz alta:

— Eu não esperava receber uma carta do frio e enigmático Noel.

— Brincadeiras à parte, obrigado. Fez mais pelo que você imagina.

— A condição da minha mãe não mudou. Ainda com febre alta. Ainda com aquelas manchas vermelhas espalhadas pelo corpo dela.

E não só dela.

— A maior parte da região norte está afetada agora. Os territórios de Estermont e Iskandar estão os mais afetados.

— De qualquer forma, volto em uma semana. Os exames finais não vão se fazer sozinhos.

Elena abaixou lentamente o papel.

Noel olhou fixamente para o teto.

— Droga.

Elena piscou, percebendo a mudança na expressão de Noel.

— O que aconteceu?

— Elyra vai voltar em alguns dias.

— E isso é ruim?

— Não… Pelo contrário. O problema são os exames finais que vêm com ela.

Elena soltou uma risada suave. — Deixe-me adivinhar… você não estudou?

— Não.

— Quer ajuda?

Noel virou lentamente para ela. — Você me ajudaria a estudar? Preciso avisar... Sou péssimo em teoria. E isso sendo generoso.

— Não se preocupe — ela sorriu calorosamente. — Eu sempre fico em primeiro na teoria. Pode confiar em mim.

Noel assentiu, grato. — Obrigado.

— Ah, a propósito — Elena acrescentou de repente — Me mandaram avisar o diretor assim que você acordasse. Vou chamá-lo agora.

Ela se levantou da cadeira e saiu com leveza, deixando a porta entreaberta.

O silêncio tomou conta do quarto.

Pela primeira vez desde que abriu os olhos, Noel ficou sozinho.

Ele olhou ao redor, depois murmurou para si mesmo: "Status."

Um som suave de sino ecoou em sua mente.

À sua frente, uma janela azul brilhante apareceu — como na hora em que perdeu a consciência, embora ele não tivesse conseguido vê-la naquela época.

[Você eliminou Kaelith Drosen, O Açougueiro]

[+20% Progresso do Núcleo]

[Progresso atual do Núcleo: 96,33% – Núcleo de Mana: Iniciante]

[Missão Concluída: Salvar os estudantes e descobrir a verdade]

[Ato II completo – Parabéns!]

[Novas recompensas disponíveis]

[Reivindicar agora?]

[Boa sorte no próximo ato.]

— ‘Boa sorte no próximo ato’ — Noel disse zombando. — Vá se ferrar, sistema. Enfia sua ‘boa sorte’ no cú.

Ele respirou fundo, tentando acalmar o coração acelerado.

— Sério? 20%? Estou te dizendo, esse sistema é uma rata. Como não posso estar puto? Eu acabei de matar um demônio — quase na classificação de Ascendente. Ascendente, não Adepto. A-S-C-E-N-D-A-N-T. Ficou com essa?!

Ele balançou a cabeça, incrédulo, encostando de novo na almofada.

— Juro, dá vontade de gritar e nunca mais cagar na vida. Mas…

Seus olhos se estreitaram.

— …pelo menos, estou a um passo de ser Adepto.

Depois, seu olhar focou na parte que realmente importava:

[Novas Recompensas Disponíveis]

— Reivindicar, reivindicar, reivindicar, — ele sussurrou com desejo ganancioso. — Espero que seja algo bom dessa vez. Tipo uma armadura OP. Ou melhor ainda — uma arma. Em um mundo de magia e espadas, isso sim seria genial. Imagina…

A janela foi atualizada.

[Recompensa recebida: Ovo de ???]

—… Você está de brincadeira comigo?

Seu rosto ficou vazio.

— Um ovo, sério?! Depois de tudo isso? Um ovo?!

Ele olhou para ele por um momento, congelado, depois estreitou os olhos.

— …Espere. Espere, espere, espere. Isso parece um daqueles clichês de romance. E essa história é um clichê, vamos admitir. Então, isso provavelmente… é um dragão, né? Ou talvez uma fênix? Algo insano, ao menos."

O ovo brilhante apareceu ao lado da janela. Uma nota do sistema piscou por baixo dele.

[Temperatura insuficiente]

Noel piscou uma vez. Depois, duas.

— Não brinca comigo, não…

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