
Capítulo 89
O Extra é um Gênio!?
Noel pendia da pegada de Lereus, com os pés mal tocando o chão. Sua visão girava, seus pulmões queimavam de tanto ar. Todo instinto gritava para lutar, mas seu corpo já começava a fraquejar.
Lereus se inclinou, respirando com calma, o tom quase acolhedor.
"Ah, foi divertido", disse suavemente. "Mas agora estou mais faminto, viu… todo aquele sangue que tive que desperdiçar por sua causa."
Sua expressão se alargou, os olhos brilhando com fome.
"Bom apetite."
Noel mal percebeu o movimento.
Uma dor aguda explodiu pelo seu braço superior — Lereus tinha enfiado um dedo com unha profunda em seu bíceps direito, torcendo lentamente como se estivesse saboreando a sensação.
Noel respirou com dificuldade.
Seu corpo se debateu.
Então veio a drenagem.
Era diferente de tudo que ele tinha sentido. Não só sangue — seu sangue estava sendo puxado, fio por fio, como se cada veia estivesse se desfazendo.
Senteu-se indo embora de dentro dele.
Seu calor, sua força, sua cor — tudo estava sendo arrancado.
Se esvaindo.
Ele vomitou sangue.
Foi ao chão com um respingo nauseante.
Lereus gemeu suavemente, como se estivesse degustando um vinho fino.
"Delicioso."
E então — soltou.
Noel caiu como uma marionete com os fios cortados, acertando o chão com força. Seu braço ficou inútil, o sangue ainda pingando do ferimento.
Ele não conseguiu se mexer.
Mas em seus olhos — não havia medo.
Somente ódio.
Lereus lambeu o sangue de seus dedos com uma suspiro de satisfação.
Então fez uma pausa.
Sua mão hesitou.
Seu ar se entrecortou.
Um tremor passou por seu corpo enquanto ele caiu de joelhos, segurando a boca com as mãos.
Sua expressão desapareceu.
Algo estava errado.
"Q... o que é isso...?"
Seus olhos se levantaram — trêmulos, arregalados.
E lá, a poucos passos, Noel ainda estava vivo. Quase.
Ele ajoelhou-se, a outra braço pendurado sem forças ao lado do corpo. O sangue ainda escorria de sua boca, do ferimento, das roupas.
Mas na mão boa, ele segurava uma pequena ampola de vidro cheia de líquido verde brilhante.
Ele lentamente destampou.
E bebeu tudo de uma só vez.
Lereus olhou com descrença, tossindo agora, o líquido escuro subindo aos lábios.
Noel limpou a boca com o dorso da mão.
Sua voz saiu rouca, baixa e arrastada.
Mas claramente audível:
"Surpresa, vadia."
As velhas portas de madeira no final do terceiro andar explodiram para dentro com um estrondo ensurdecedor, estilhaços voando pelo cômodo como estilhaços de granada.
Dezenas de professores invadiram, com capas rodando, varinhas e sigilos brilhando em suas mãos. magia pulsava no ar — fogo, vento, terra, pulsos arcanos — tudo crepitando, pronto.
No centro de tudo, estava o Diretor Nicolas Von Aldros.
Seus olhos varreram a cena uma vez — afiados, calmos, impiedosos.
E então ele viu.
O demônio, ou melhor, Lereus.
A sua forma, outrora impecável, começava a fraquejar. Sua pele — escura e veias visíveis — parecia doentia e quebradiça. Seus músculos tremiam, pulsando com mana instável. Seu sorriso tinha desaparecido. Suas garras tremiam.
Ele parecia… se desmanchando.
Do chão, Noel lançou um sorriso de sangue, olhando para a porta.
'Demorou, hein. Porra.'
Lereus deixou escapar um suspiro rompante enquanto cambaleava de pé.
Suas garras se contorceram. Seus olhos brilharam com ódio puro.
"MERDA!!!" gritou, a voz se partindo. "AINDA NÃO!!! NÃO AGUENTO MAIS! É CULPA SUA!"
Seu corpo sacudiu violentamente. Sangue — escuro e borbulhante — escorria do seu nariz, boca e cantos dos olhos.
"Se eu morrer — VOCÊ VAI LEVAR COMIGO!"
Com um último surto de fúria, ele avançou em Noel — loucura nos olhos, passos instáveis, respiração ofegante.
Mas nunca chegou a alcançá-lo.
Um estalo azul-branco cortou o ar com força.
CRAC!
Um raio de energia pura acertou Lereus no peito, levantando-o do chão. O impacto percorreu seu corpo como um núcleo estourando — sangue e vapor voando da ferida.
Por trás da trilha de relâmpagos que se apagava, estava o Diretor Nicolas, com a mão ainda levantada, expressão tão séria quanto pedra.
Lereus desabou de joelhos.
A visão dele ficou turva, a força se esvaindo.
Então — através do nevoeiro — ele viu movimento.
Noel.
Ainda consciente.
Quase não.
Erguendo sua braço bom com esforço.
Fez um gesto rude com o dedo do meio.
E, com um último sussurro, olhou nos olhos de Lereus:
"Vai se foder."
Finalmente.
Lereus rugiu de fúria—
Depois convulsionou.
Colapsou.
E não se mexeu mais.
O corpo de Noel cedeu.
Ele escorou-se para trás no chão manchado de sangue, olhos semicerrados, respiração fraca e irregular.
Tudo agora parecia distante.
O barulho. O movimento. As vozes gritando ao redor.
Ele não sentia mais o braço. O peito ardia. Sua visão tinha se estreitado em um túnel de cinza e luz intermitente.
Mas ainda havia algo que funcionava.
O sistema.
Uma tênue luz azul piscava em sua mente — calma, clínica, distante do caos ao redor.
[Missão Concluída: Salvar os estudantes e descobrir a verdade]
[Ato II finalizado – Parabéns!]
[Novas recompensas disponíveis]
[Reivindicar agora?]
[Boa sorte no próximo ato.]
E então—
Escuridão.
A batalha tinha acabado — mas as consequências mal começavam.
Enquanto o corpo de Lereus começava a definhar e desintegrar-se, os professores rapidamente se espalharam, verificando a estrutura do piso e apressando-se para liberar os estudantes acorrentados.
Feitiços iluminaram o ambiente — Orbes de Luz, Escudos de Barreira, Campos de Purificação — uma esforço coordenado para estabilizar tudo.
Alguns professores conjuraram maca horizontais flutuantes.
Outros concentraram-se em cortar as amarras dos estudantes inconscientes, pegando-os delicadamente antes que caíssem.
Então, a próxima onda chegou.
Um grupo de estudantes da Classe S, vestidos com capas de inverno, entrou atrás dos professores. Foram chamados como reforço, caso a situação escalasse.
E escalou.
E agora, eles avançaram sem hesitar.
Marcus rapidamente correu para ajudar Garron, que tinha cortes profundos no lado. Clara canalizou Água Purificadora na menina élfica inconsciente. Até Selene entrou na dança — lançando barreiras defensivas em caso de ameaça secundária.
Mas Elena correu direto para Noel.
Ela caiu de joelhos ao lado do corpo inerte dele, com as mãos já brilhando com luz de cura.
"Noel… Noel, fica comigo", ela sussurrou, com a voz trêmula.
Ele não respondeu.
A pele dele estava pálida. Um braço pendia de forma anormal. O peito se mexia, quase imperceptível.
Ela pressionou as mãos nos ferimentos dele, e sua mana irrompeu para fora.
"Vamos lá", ela respirou fundo. "Seu idiota… você não devia fazer isso sozinho."
Lágrimas começaram a se formar em seus olhos, mas sua concentração nunca vacilou. Sua magia de cura ficou mais brilhante.
'Só mais um pouco…'