O Extra é um Gênio!?

Capítulo 72

O Extra é um Gênio!?

O ar matinal estava fresco, e o pátio principal fervilhava de energia.

Os estudantes se reuniam em grupos ao redor do grande arco do pilar de anúncios—uma coluna de ônix gravada com finas veias douradas, que pulsava suavemente com encantamento. No centro, o escudo da academia girava lentamente acima de um pergaminho cintilante de escritura vinculada a mana.

A lista oficial dos vinte estudantes selecionados para os Dormitórios de Classe S.

Elyra se aproximou com a mesma calma controlada que usava como escudo.

Ela já sabia a maior parte dos nomes. Tinha visto a lista preliminar uma semana atrás. Não esperava surpresas aqui.

Para ela, isso era uma formalidade.

Reforço.

Mesmo assim, leu cada nome—porque hábitos como o dela não se quebram facilmente, ela precisa de tudo verificado e tudo tem que estar perfeito.

Primeiro, Selene von Iskandar.

Segundo, Clara de Nivária.

Terceiro, Laziel Varn.

Quarto, Marcus.

'Todos esses nomes são normais para estar aqui, especialmente se considerarmos potencial e como ajudaram no último incidente.'

A lista prosseguiu.

Serafina de Valor.

Dior de Valor.

'Os dois irmãos herdeiros.'

Ela continuou, olhos atentos, sem nem piscar.

Garron Bale.

Dama Myriel von Astralis.

Elyra von Estermont.

Seu próprio nome.

Ela seguiu lendo.

E então—

Parou.

Uma linha acima do último nome.

"Jareth Velroin."

Seu cenho se franziu, quase imperceptivelmente.

Aquele nome não tinha estado lá antes.

E um nome estava ausente.

Um nome bem específico.

Ela olhou novamente a lista rapidamente, com precisão absoluta.

Ele não estava lá.

Noel Thorne.

Aspa.

'Não faz sentido, o que acabou de acontecer, tem alguma coisa errada nisso?'

Ela recuou um pouco.

Os estudantes ao redor murmuravam—maioria animada, alguns indiferentes. Ninguém mais tinha percebido a mudança.

Mas ela tinha.

E sua mente já estava em movimento.

Rápido, talvez até rápido demais.

Porque ela sabia a lista previamente, e houve uma alteração de última hora.

Elyra se afastou do pilar de anúncios, com as mãos cruzadas atrás das costas.

O barulho ao redor dela virou uma espécie de ruído de fundo—estudantes parabenizando um ao outro, amigos puxando amigos para celebrações improvisadas, e os nobres de sempre comentando quem não deveria ter sido aprovado.

Nada daquilo importava para ela agora.

Ela virou-se calmamente e se afastou da multidão.

"O nome do Noel estava na lista preliminar. Eu mesmo confirmei, até mostrei e falei para ele."

"Jareth Velroin nunca esteve lá, e nunca esteve, algo está errado aqui."

Ela passou pela fonte oeste e seguiu pelo caminho lateral em direção ao setor acadêmico, ignorando um cumprimento de um dos assessores do conselho de menor escalão.

Sua passos não mudaram.

Mas sua mente acelerava.

'Aconteceu alguma coisa? Ele se removeu? Ou foi uma jogada de alguém mais? Planejou isso? Ele não gosta de mostrar seus planos, então é uma possibilidade.'

Primeiro, ela verificou a biblioteca.

Noel não estava lá.

Depois, visitou o campo de treinamento—não naquele momento, era tarde demais, mas precisava ter certeza.

Também não no lounge dos dormitórios.

'Para onde vai quando não quer ser encontrado, mas também não quer se esconder?'

Só uma ideia veio à cabeça.

'O lugar que eu te disse.'

A antiga sala do conselho.

O ponto de encontro não oficial deles.

A antiga sala do conselho era exatamente como tinha sido deixada.

Uma luz tênue vinha por janelas estreitas de vitrais, lançando tons suaves de vermelho e prateado nas paredes de pedra. Partículas de poeira flutuavam no ar, intocadas pelo movimento—pois ninguém vinha aqui mais.

Exceto eles.

E dessa vez, ele já estava lá.

Noel estava de pé perto da janela, de costas para a porta, uma mão apoiada na soleira, a outra enfiada no bolso do casaco.

Elyra não anunciou sua presença, ela não precisou.

Entrou, deixando a porta fechar silenciosamente atrás de si.

Ele não se virou.

Não precisava, ele sabia quem poderia ser.

"Você chegou cedo," disse.

Elyra percorreu a sala com passos firmes.

"Você não está na lista de Classe S."

Isso fez ele se virar.

Seus olhos encontraram os dela, indecifráveis, mas não hostis.

Ela falou novamente, mais suave desta vez.

"Você está bem?"

Noel olhou para ela por um momento, depois assentiu uma vez.

"Fisicamente? Estou."

Ele voltou a olhar para a janela.

"Mentalmente? Tô um pouco irritado. Mas isso é normal."

Elyra encostou-se na antiga mesa próxima a ele, com os braços cruzados.

"O que aconteceu?"

Ele contou tudo.

O embate.

A retaliação.

A visita à enfermaria.

A conversa com Nicolas.

A punição.

Quando terminou, silêncio se estabeleceu entre eles por alguns segundos.

A expressão de Elyra não mudou. Mas sua voz ficou mais fria do que o normal:

"Eles te atacaram. E você foi quem levou a punição, você não fez nada de errado."

Noel não respondeu.

Porque ela já sabia a resposta.

Elyra não parecia cansada, apenas parecia estar planejando algo.

Sentou-se como alguém que está arquitetando um plano.

Cruza uma perna sobre a outra, apoia as mãos no joelho, e observa Noel em silêncio.

Então disse:

"Perdemos uma votação."

Noel soltou um suspiro curto e seco.

"Pois é. Obrigado por lembrar."

"Mas nada que não possamos recuperar." O tom dela permaneceu o mesmo.

"É só uma peça. Eu sempre consigo o que quero—uma forma ou de outra."

Noel arqueou uma sobrancelha.

"Reassegurador."

Elyra fixou o olhar nele.

"Você ainda está no jogo. Só foi movido para outra parte do tabuleiro."

"Poético."

Porque ela não estava errada.

Depois de um momento, ela continuou:

"O segundo e último debate está chegando. Logo, antes das eleições."

Noel voltou a encostar na parapeito da janela.

"Imagino que você não esteja sugerindo que apenas aplaudamos educadamente desta vez."

Sorriso de Elyra foi breve, mas afiado.

"Conheço Dior desde crianças."

Pausa.

"A versão dele pública é limpa. Nobre e equilibrada, como a imagem que estamos vendo na academia."

Ela se inclinou um pouco, a voz mais baixa agora.

"Mas o verdadeiro Dior?" Ela fez uma pausa, olhando seriamente. "O orgulho dele é envolto em seda. Inseguro por baixo do título. Perigoso porque odeia ficar atrás de alguém—principalmente da irmã dele."

Noel assentiu uma vez.

"Então vamos mostrar esse lado dele para a academia."

Sorriso amargo de Elyra.

"Não precisamos mentir. Apenas deixá-lo falar tempo suficiente sem a máscara."

"Qual é o plano?"

"Atraí-lo. Discretamente. No próximo debate, é."

Ela bateu levemente com um dedo na mesa.

"Mas, para que funcione, precisaremos de alguém que possa atingir seu orgulho no lugar exato—publicamente, sem ultrapassar os limites."

Ela olhou para Noel.

E fez uma longa pausa, intencionalmente.

"Claro."

Noel não disse nada por um momento.

Simplesmente cruzou os braços e olhou para Elyra como alguém que espera a segunda parte de uma piada.

"Quer que eu cutuque o herdeiro real na frente de metade da academia."

A expressão de Elyra não mudou.

"Não cutucar. Provocar estrategicamente."

Ele piscou.

"Isso é pior."

Ela se inclinou um pouco à frente, com os dedos entrelaçados sob o queixo.

"A fraqueza de Dior não está em perder argumentos. É em ser questionado, desafiado—especialmente em público. Ele gosta de ser questionado, não gosta quando as coisas não saem como ele quer."

"Se perguntarmos algo que bata bem próximo de expor sua rachadura—ele tentará manter o controle."

Uma pausa.

"Mas ele nunca precisou fazer isso na frente de alguém que não tem medo dele."

Noel deu um meio sorriso.

"Sortudo por você, eu não temo ninguém. Só fico irritado com a maioria."

Ela sorriu de leve, nisso.

Depois, puxou um papel dobrado do casaco—nomes dos estudantes selecionados para formular perguntas no debate.

Ela apontou para um.

"Selene."

"Ela é respeitada. Fria e considerada a maior gênio da nossa geração, quase reaching Adept, apesar de ainda estar no primeiro ano como nós. Não tem interesse em nenhum dos candidatos… publicamente."

Noel assentiu.

"Se conseguirmos convencer ela a fazer a pergunta certa—"

"Não precisamos de uma pergunta," interrompeu Elyra, com uma voz calma.

"Precisamos de uma afirmação disfarçada de pergunta. Uma que toque o ego do Dior e o faça sangrar."

Ela entregou a ele um pequeno pergaminho com um rascunho escrito de forma grosseira.

Ele o leu.

Era pontiagudo.

Neutro na superfície, mas com mordida suficiente para fazer alguém como Dior se sentir encurralado.

Noel deu um sorriso de canto.

"Você realmente nunca erra, né?"

"Eu faço questão de não errar."

Elyra se recostou novamente, dobrando a lista e colocando-a cuidadosamente ao lado.

Noel olhou para o pergaminho em suas mãos por mais um segundo, antes de colocá-lo no bolso do casaco.

Ele não deu um "sim".

Mas não precisava.

Ambos entenderam o que isso significava.

Elyra levantou-se, aparando uma poeira imaginária do casaco.

"Vamos falar com Selene em breve. Ela vai concordar—se fizer sentido para ela."

"Eu cuido disso."

Elyra deu um olhar para ele.

"Sem improvisos desta vez. Você precisa ser cauteloso, precisamos controlar a situação."

Noel a olhou, depois para a porta.

"Eu também prefiro controle."

"Principalmente quando estamos tão próximos de chacoalhar o conselho."

Ela sorriu, mas não contestou.

"Ótimo. Eu odiaria ver você arruinar sua reputação de competente."

Noel parou na porta.

'Se vamos expor o idiota, é melhor ser perfeito. Você verá em breve, vou mudar o rumo desse mundo aos poucos.'

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