O Extra é um Gênio!?

Capítulo 82

O Extra é um Gênio!?

As cartas cintilavam suavemente ao serem embaralhadas, runas brilhantes piscavam em suas superfícies antes de voltarem ao silêncio. O ar ao redor da mesa estava pesado de calor, suor, fumaça — e tensão.

Um dos mercenários na mesa lançou um olhar curioso para Noel. "Sabe as regras, garoto?"

Noel deu de ombros, de maneira casual. "Ouvi umas coisas aqui e ali."

Balthor soltou uma risada profunda e retumbante, balançando a mesa com seus braços largos.

"Haha! É o que todo perdedor diz antes de entregar os pontos. Senta aí, jovem. Vou te passar a versão rápida — sem lágrimas depois."

Noel puxou a cadeira, seu manto caindo ao redor dele, e se inclinou levemente para frente.

"Pôquer mágico," começou Balthor, gesticulando amplamente com um dedo grosso. "Cinco cartas na mão. Rodadas de apostas. Bem simples. Mas aqui vai a novidade —"

Ele estalou os dedos, e uma das cartas na mesa se levantou lentamente no ar, virando-se devagar.

"Você pode trapacear. Com mana, com manha, com sussurros às próprias cartas. Tudo vale."

Noel levantou uma sobrancelha. "Isso me parece... um pouco arriscado."

"A única regra é: não ser pego," disse Balthor, sorrindo. "Se te pegarem, você perde a rodada. Se te pegarem duas vezes, eu te jogo pra fora — talvez na marra."

Os outros riram baixinho.

"Tudo pode ser apostado," acrescentou Balthor, com a voz ficando um pouco mais baixa. "Dinheiro, magia, objetos, segredos — até favores. Desde que todo mundo concorde."

Noel assentiu uma vez. "Entendido."

O anão bateu a mão na pilha de cartas. Elas pularam, brilhando brevemente, prontas para a próxima jogada.

"Então, vamos começar."

A primeira rodada foi desastrosa.

Noel mal compreendia o ritmo da mesa — quem fazia blefe, quem tremer, quem pulsava mana através das cartas como amadores. Ele jogou de forma segura, cautelosa, calculada.

E perdeu.

Cinco moedas de ouro desapareceram na pilha crescente de Balthor com um movimento rápido dos dedos grossos do anão.

A segunda rodada foi ainda pior.

Na quinta rodada, Noel não tinha mais nada para colocar na jogada.

Ele virou-se levemente para Elena, que estava atrás dele, de braços cruzados, com uma sobrancelha já levantada.

"Então..." ele disse baixinho, "sobre esse dinheiro."

Os olhos dela se estreitaram. "É por isso que me pediu para trazer ouro?"

Noel assentiu, sem se envergonhar. "Mais ou menos, é isso."

Ela suspirou desesperada, puxou o saco de moedas e deixou cinco moedas na palma dele.

"Pronto. Mas você está na corda bamba."

Ele sorriu como se não tivesse ouvido o aviso.

E então, aconteceu de novo.

E de novo.

Sete vezes.

Cada rodada terminava em derrota, cada aposta se somava à montanha de ouro crescente de Balthor.

Elena ficou congelada ao seu lado, com o maxilar quase caindo.

"Você gastou tudo que eu te dei."

Ela parecia entre a descrença e o desejo de matá-lo.

Noel não respondeu de imediato. Bateu os dedos na mesa, olhando as cartas se reposicionarem, observando Balthor rir e beber sua cerveja.

"Aposto que só estou azarado hoje," murmurou.

Elena se inclinou mais perto. "Não, você está amaldiçoado."

Balthor bateu na mesa rindo de prazer, a voz ecoando.

"Nunca vi alguém perder assim e ainda sentar direito. Tem mais alguma coisa pra apostar, menino? Ou já acabou?"

Noel ainda não respondeu.

Porque o verdadeiro jogo recém começava.

Balthor recostou na cadeira, sua caneca balançando perigosamente enquanto dava um longo gole. Moedas tilintaram enquanto ele reagrupava suas apostas, claramente curtindo o momento.

"Então, vamos lá," disse, limpando espuma da barba. "Parece que você ficou na mão, garoto. A não ser que..."

Ele olhou além de Noel, direto para Elena. "Quer jogar alguma coisa mais? Tipo... ela por exemplo?"

Elena ficou paralisada.

"Uma elfa bonita como ela daria uma ótima garçonete. Podia usar um charme novo atrás do balcão — limpa, inteligente, silenciosa se treinada direitinho."

A voz de Noel cortou o ar como uma lâmina. "Ela fica fora disso."

Ele pegou algo pequeno, liso e escuro do seu manto — um anel preto com um pulsar esmeralda tênue.

Com cuidado, colocou-o na mesa.

O efeito foi imediato.

O ar mudou. Conversas em mesas próximas suavizaram. Até as cartas pararam de embaralhar por um instante, como se sentissem que algo tinha mudado.

O sorriso de Balthor desapareceu, dando lugar a uma expressão mais séria. Ele se inclinou, com os olhos estreitados.

"O que é isso, então?"

"Um anel," respondeu Noel simplesmente. "E não, não sei do que é feito. Mas nunca vi outro igual."

Balthor não tocou nele imediatamente. Estudou as runas sutis gravadas na banda, o brilho esmeralda que pulsava como um batimento do coração. A luz fazia o metal parecer mais profundo que preto — como se guardasse um peso além do aço.

Finalmente, o anão soltou um assobio baixo.

"Garoto... agora sim, é uma proposta de valor."

Ele mergulhou na própria bolsa, começando a empilhar moedas — dez, vinte, cinquenta, mais.

A torre de ouro cresceu rapidamente.

"Você aposta esse anel — eu igualo. Quinhentos de ouro."

Um silêncio tomou conta da taverna.

Mesas viraram. Cabeças se torceram. Até a música parecia baixar o volume.

Mil moedas.

Mais do que a maioria vê em um ano. Tudo sobre uma única jogada.

Elena se moveu ao lado de Noel, tensa sob o peso repentino de todos os olhares do recinto. Ela puxou o manto mais apertado, tentando passar despercebida — embora já fosse tarde demais.

Noel percebeu.

Sem dizer uma palavra, puxou a cadeira ao lado um pouco para trás e assentiu na direção dela.

Elena piscou, surpresa — mas sentou-se.

'Você é mais atencioso do que demonstra, Noel,' pensou ela. 'Seus gestos nunca mentem, mesmo que suas palavras tentem disfarçar.'

Balthor estalou os nós dos dedos, sorrindo, os olhos fixos na caixa de anel.

"Vamos lá, garoto. Vamos ver se você tem mais do que azar na cabeça."

As cartas brilharam enquanto eram entregues, devagar e deliberadas, deslizando pelo mesa desgastada como peças de um ritual. O pote entre eles — uma pilha reluzente de ouro de um lado, o Sigilo Ashen do outro.

Noel pegou sua mão sem hesitar.

Descarte.

Fraco.

Ele manteve uma expressão neutra, deixando o silêncio se alongar. Balthor sorriu do lado oposto, claramente apreciando o momento.

Eles jogaram.

No primeiro turno, Noel foldou rapidamente — deixando Balthor se sentir confiante.

No segundo, permitiu que o anão manipulasse uma carta no meio do jogo novamente.

Exatamente como antes.

Mas no terceiro, Noel se moveu.

Um leve tique de dedos. Uma faísca de mana. Duas cartas dele trocaram de lugar quase invisíveis a olho nu.

Balthor não percebeu.

Noel venceu.

O anão bufou, inclinando-se para frente.

Na quinta rodada, o anão já se mexia inquieto na cadeira. Sua mão tremeu uma vez, mas Noel foi mais rápido — virou uma carta, blefou com uma expressão séria.

De novo, ganhou.

Elena comentou baixinho, com os braços cruzados.

"Você está trapaceando."

"Estou jogando," respondeu Noel, fixando o olhar na mesa.

"Você não pode perder esse anel."

"Não vou perder."

Sexta rodada.

O jogo ficou brutal.

Balthor tentou uma troca dupla. Noel fez uma troca tripla e incentivou um aumento. Então, bateu a mão na mesa — full house.

O anão xingou alto o suficiente para assustar metade da taverna.

O ouro continuava vindo para Noel.

Sétima rodada.

Noel nem piscou. Uma mentira, uma troca real, um olhar fixo.

Balthor jogou as cartas na mesa com um rosnado. Perdeu de novo.

Era o fim.

A taverna ficou em silêncio enquanto Noel, com calma, arrastava a última pilha de moedas na mesa, empilhando-a com cuidado na sua frente.

Ele se recostou, expirando lentamente, depois pegou o Sigilo Ashen e voltou a colocá-lo no dedo. Ele pulsou uma vez, aquecido.

Balthor olhou para o ouro, depois virou a cabeça e soltou uma risada estrondosa.

"Pelo forja— você tem fogo, garoto!"

Ele se levantou e bateu com força na mesa.

"Sabe de uma coisa? Gostei de você. Tem coragem, inteligência e protege a sua mulher. Você é um verdadeiro homem."

Noel não reagiu.

Elena, por outro lado, ficou levando um susto vermelho.

"N-Não sou a mulher dele!"

Alguns mercenários riram de perto.

Noel levantou uma sobrancelha e pensou: 'A gente realmente parece um casal? É a segunda vez que alguém diz isso hoje à noite.'

Balthor sorriu com superioridade.

"Podia ser pior."

Ele virou-se e apontou o polegar para o fundo da taverna.

"Vamos lá, garoto. Você mereceu. Aposto que tem alguma coisa que quer gastar todo esse ouro."

Noel se levantou, juntando suas moedas. Elena o acompanhou, ainda visivelmente enrubescendo.

Foram andando lado a lado atrás do anão enquanto ele empurrava a porta dos fundos, levando-os às sombras.

A verdadeira razão da visita deles só tinha acabado de começar.

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