O Extra é um Gênio!?

Capítulo 83

O Extra é um Gênio!?

Eles acompanharam Balthor pela porta dos fundos da taverna, por um corredor estreito iluminado apenas por pedras de mana cintilantes na parede. O som da sala principal — risadas, música, vozes altas — ia se apagando a cada passo.

"Você tem certeza de que ele é confiável?" Elena perguntou em voz baixa, caminhando logo atrás de Noel.

"Ele até que parece um bêbado... bem, ele é um bêbado," Noel admitiu, "mas é uma boa pessoa."

Sua voz era calma, mas algo cintilava por trás dos olhos dele.

'É. Boa gente. Lembro como ele ajudou o Marcus depois… quando aquele patife da Círculo veio atrás de sangue. Mas agora que sei de tudo isso de antemão... ele vai trabalhar para mim ao invés disso.'

"É," Noel repetiu em voz alta. "Ele é, com certeza, uma boa pessoa."

Elena lançou-lhe um olhar cético de lado. "Certo…"

Balthor parou na frente de uma porta de ferro reforçada e pressionou a mão contra um painel trancado por runas. Uma leve luz respondeu, e com um clique pesado, a porta rangeu ao abrir.

O espaço além dali era totalmente diferente da taverna que deixaram para trás.

Estantes repletas de armas cobriam as paredes de pedra — lâminas, machados, lanças, até varinhas mágicas, todas fixadas ou suspensas por suportes encantados. Prateleiras transbordavam de frascos alquímicos, grimórios empoeirados, pergaminhos encantados, peças de armadura, amuletos, anéis e muito mais.

Tudo vibrava suavemente com mana.

Não era apenas uma loja. Era uma espécie de cofre. Um arquivo pessoal de itens proibidos e artesanato esquecido.

Mal dava para caminhar. Os caminhos entre as prateleiras eram apertados, cheios de caixas e ganchos pendurados. O cheiro era de metal, poeira, óleo e uma energia antiga.

Noel avançou com um sorriso discreto.

"Agora sim, isso mais parece um lugar de verdade."

"Bem-vindo," disse Balthor, com os braços abertos como se apresentasse um reino. "Ao verdadeiro Martelo Embriagado."

Sua voz ecoou ligeiramente pela câmara de pedra, refletindo nas prateleiras de aço e nos segredos guardados.

"Se existe em Valor, você vai encontrar aqui. Armas, armaduras, objetos mágicos, grimórios, pergaminhos do mercado negro, drogas ilegais, objetos amaldiçoados... tudo mesmo."

Os olhos de Elena percorriam as paredes com cautela. "Encantador."

"Obrigado," respondeu Balthor, sem perder o ritmo. "Tenho orgulho da qualidade."

Noel fez um sinal de cabeça. "Agradecido. Vou procurar o que vim buscar."

Ele começou a caminhar por uma das laterais, com as mãos nos bolsos, olhos percorrendo as prateleiras como quem entra numa loja de doces.

Por trás do balcão, Balthor murmurou baixinho.

"Menino inteligente. Interessante, também."

Ele não pretendia que alguém ouvisse aquilo — mas as orelhas de Elena piscavam.

Ela se aproximou silenciosamente, inclinando-se um pouco para sussurrar.

"O que você quis dizer com isso?"

Balthor piscou, surpreendido. "Heh? Ah… você reparou nisso, hein?"

Ele se inclinou, acompanhando o tom dela.

"Você provavelmente não notou — olhos de iniciante — mas desde a primeira rodada, ele estava me jogando. Perdeu tudo de propósito. Me deixou relaxar, fazer parecer que tinha vantagem."

Ele deu um tapinha no balcão, divertido.

"Depois, fez uma aposta louca — o anel. Me deixou tão confiante que nem hesitei em o igualar. Mas na hora que as apostas ficaram sérias… ele ficou sério. Sem hesitar, sem nervos. Limpo a mesa. Faz dez anos que jogo assim, garota. Ele me pegou no momento em que relaxei."

Ele bateu mais uma vez no balcão, sorrindo de canto.

"Depois, fez uma aposta maluca — o anel. Me deixou tão confiante que nem hesitei em acompanhá-lo. Mas assim que a aposta virou coisa séria… ele ficou sério. Sem hesitar, sem nervosismo. Atrapalhou tudo na mesa. Tô nessa jogada há uma década, garota. Ele me pegou assim que soltei a guarda."

Elena olhou para trás, na direção do corredor onde Noel tinha desaparecido.

"Agora que você diz... é, ele nunca pareceu nervoso. Nem uma vez."

"Exatamente." Balthor cruzou os braços. "Por isso digo que ele é especial."

Noel avançava lentamente pelos corredores, com olhos afiados, mas relaxados, passando as mãos ocasionalmente sobre rótulos empoeirados ou runas desbotadas. O espaço apertado dificultava os movimentos, mas a variedade de itens compensava.

'Espada? Não, tenho a Presa do Revenant. Pergaminhos? Não agora. Preciso de algo prático — tático. O orçamento é de 500 de ouro por causa da aposta, então posso aproveitar para pegar algo interessante.'

Ele passou por uma prateleira de punhais encantados, um baú cheio de moedas estampadas com sigilos desconhecidos e uma prateleira empoeirada de livros gastospedindo "Hexcraft Básico para Idiotas".

Nada chamou sua atenção.

Até que—

"Achei!"

Entre um grimório de couro e uma caixa de monoculos rachados, estavam duas pequenas vasilhas de poções.

Uma era espessa e vermelha, quase em gel, com turbilhões escuros no interior do líquido.

A outra era de verde esmeralda, cristalina, e brilhava levemente quando ele a inclinava.

Cada uma tinha uma etiqueta escrita à mão:

Vermelha – 100 Gold

Verde – 100 Gold

Pacote – 150 Gold

'Caramba, caro... mas, bem, não é meu dinheiro de verdade. Hahaha.'

Ele cuidadosamente guardou as duas na mochila e se virou para voltar ao balcão — até que parou no meio do movimento.

Lá, numa vitrine semi vazia, pendurado numa corrente de filigrana fina, havia um colar de prata com uma pedra de âmbar polida. Pulsava suavemente, quente e lento, como se estivesse respirando.

Noel estendeu a mão e pegou o colar.

No momento em que tocou o pingente, uma pequena janela apareceu na sua visão:

[Item: Colar de Âmbar]

[Tipo: Acessório]

[Efeito: Aumenta em 20% o poder de Magia baseada na Natureza]

[Valor: 50 Gold]

Ele virou o colar na mão uma vez, depois assentiu ligeiramente.

"Nada mal. Prático e útil. E conheço alguém que pode tirar o máximo proveito disso."

Juntou ao inventário e voltou ao balcão.

Noel se aproximou, seu capote arrastando levemente atrás. Elena já estava lá, de braços cruzados, fingindo que não estava esperando — mas levantou o olhar assim que ele se aproximou.

Ele colocou os itens um a um na bancada:

—O frasco viscoso vermelho.

—O líquido verde esmeralda.

—E por último, o colar de prata com o pingente de âmbar.

Balthor levantou uma sobrancelha. Nem precisou perguntar — sabia exatamente o que eram.

"Tem certeza disso, garotinho?" perguntou o anão, sério agora. "O colar é uma coisa. Mas esses dois... não são brincadeira."

"Não se preocupe," Noel respondeu com calma. "Está sob controle."

"O que você quer dizer com 'sob controle'?" perguntou Elena, estreitando os olhos.

Noel olhou de relance para ela. "São temperos. Exóticos."

Balthor resmungou: "Temperos, hein... beleza, vamos chamar assim."

Ele bateu alguns colares num ábaco encantado atrás do balcão, depois assentiu.

"150 de ouro no total."

Noel levantou uma sobrancelha. "E o colar? Estava listado por cinquenta."

"De presente da casa," respondeu Balthor com um sorriso. "Sempre trato meus melhores clientes bem. Fidelidade e tal."

Noel não contestou. Contou as moedas e colocou numa pequena bolsa reforçada. O anão pegou, guardou sem conferir duas vezes.

Noel virou-se para Elena e tirou algo de dentro do capote.

O colar.

Ele colocou com cuidado na mão dela.

"Aqui. Deve ajudar na sua magia."

Ela piscou, depois olhou para a pedra de âmbar.

"…Isso é um presente?" perguntou devagar. "De você?"

"Não se acostume com isso."

Depois entregou uma pequena bolsa de couro.

"Essa é o ouro que você me emprestou, com juros."

Ela pegou ambos, visivelmente tocada, embora tentasse não demonstrar demais.

"Você está cheio de surpresas esta noite," murmurou. "Um presente, e ainda pagou de volta. São dois milagres."

"Se você não quiser, devolvo."

"Não," ela disse rapidamente. "Vou guardar com carinho."

Por trás do balcão, Balthor deu uma risadinha e encostou os cotovelos na madeira.

"Se cuidem aí fora."

Ele piscou para Elena. "Especialmente você, moça."

"Eu dou conta," ela respondeu com um sorriso pequeno.

"Vamos nos encontrar de novo, Balthor," acrescentou Noel, ajustando o capote.

"Estou ansioso. E da próxima vez, traz mais ouro — ou outra jogada inteligente."

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