O Extra é um Gênio!?

Capítulo 81

O Extra é um Gênio!?

Noel vestia um manto escuro com a capa puxada até o chapéu, escondendo seu rosto da vista de quem olhava. O uniforme da academia nem era mais visível—hoje, passar despercebido valia mais do que prestigiar-se.

O frio era cortante contra as paredes externas da academia, onde ele agora se encontrava, sozinho, sob a luz pálida das lâmpadas de mana. Além dos portões, estendia-se a capital de Valon, e ele tinha a intenção de alcançá-la antes que a madrugada se instalasse.

No interior do manto, trazia o emblema do conselho estudantil—oficial, encantado e inconfundível.

Dois guardas estavam na porta, ambos na faixa dos vinte anos. Um segurava uma lança, o outro uma espada presa ao cinto. Pelo jeito de postura e pelo equipamento polido, não tinham se formado há muito tempo na academia. Agora, como muitos outros, estavam cumprindo aqueles turnos noturnos silenciosos.

Um deles arqueou o olhar, franzindo os olhos na direção da figura encapuzada de Noel.

"Você sabe que não pode sair agora, garoto?"

O outro deu um passo à frente, com os braços cruzados.

"Pois é. Desde a nova política do diretor, as regras ficaram mais rígidas. Melhor dar meia-volta e voltar atrás."

Noel não respondeu. Simplesmente colocou a mão dentro do manto e tirou uma carta com detalhes em prata e o emblema do conselho.

O selo de cera era inconfundível: Serafina de Valor.

"Acho que não seria uma jogada inteligente desafiar a Princesa Imperial... concorda?" disse calmamente.

Os dois guardas olharam para a assinatura, depois de volta para ele. Seus rostos empalideceram um pouco.

"Isso... isso é assinatura dela. Desculpe—we não nos demos conta de quem estávamos falando."

'Você realmente é útil, Serafina,' pensou Noel, guardando a carta.

Um dos guardas fez uma expressão desconfortável.

"Ainda assim... lembre-se da situação da academia. Se outro estudante desaparecer—"

"Ei, abaixe a voz! Ainda não é público isso," sussurrou o outro.

Noel levantou levemente a mão.

"Fiquem tranquilos. Sei do que estão falando. E relaxem—voltarei inteiro."

Com isso, passou por eles sem mais palavras, sua capa esvoaçando levemente atrás dele enquanto desaparecia na escuridão.

"ESPERA!."

A voz soou aguda e familiar.

Noel parou no meio do caminho, os ombros tensos, e virou-se lentamente. Já sabia quem era—não tinha como confundir aquela voz.

Elena corria em direção ao portão, um pouco sem fôlego e claramente irritada.

"Quer me explicar que porra você está tentando fazer?" ela exclamou.

Os dois guardas trocaram olhares, surpresos.

"Não se preocupe com ela," disse Noel de forma monocórdica. "Ela fica. Não a deixe passar."

Os guardas trocaram um olhar e assentiram, se colocando na frente de Elena.

"Desculpe? O que quer dizer que ela fica?! Eu tenho a sua carta. Vou com você."

'Ih... devia ter adivinhado que aquele maldito pombinho tinha conseguido entrar em cinco minutos. Devia ter considerado isso.'

Noel suspirou, então olhou para ela. "Por que você quer vir?"

"Porque é perigoso. E não vou te deixar ir sozinho."

"Você sabe que dou conta de mim, né? Quero dizer, você já viu isso de perto. Bem, de longe—mas ainda assim."

"Exatamente por isso que estou vindo."

"…O quê?"

Um dos guardas levantou a mão de jeito estranho.

"Olha, eu entendo que umas discussões de casal podem esquentar, mas talvez vocês possam resolver isso em outro lugar? Aqui não é exatamente o melhor momento nem o lugar, e vocês estão chamando atenção."

Elena ficou vermelha na hora, completamente pega de surpresa.

"N–Nós não somos um casal!"

O guarda deu uma risadinha. "Ah, entendi. Perdão, meu erro, rapaz."

'Que porra foi essa? Não é como se eu tivesse confessado ou algo assim…' pensou Noel, irritado.

Ele soltou um suspiro curto. "Tudo bem. Mas troque de roupa—não dá pra sair por aí de uniforme da academia. E trague um pouco de dinheiro."

Os olhos de Elena brilharam de vitória, ela girou e saiu correndo.

Noel encostou na estaca do portão, com os braços cruzados, esperando.

Dez minutos depois, Elena voltou.

E, bem... ela estava visivelmente perceptível.

Ela vestia um traje de viagem estiloso—notadamente chamativo—calças justas negras, botas altas, e um casaco vinho profundo com detalhes prateados. Prático, mas longe de ser discreto demais.

Noel piscou uma vez.

"Você não tinha algo menos... chamativo?"

"O quê? É só isso que você vai dizer?" ela reclamou, bufando.

"Primeiro, vamos passar numa loja. Depois, vamos ao lugar."

"Que lugar? Ei—responde a mim!"

Noel não respondeu. Ele apenas começou a caminhar.

Elena resmungou atrás dele, mas seguiu mesmo assim.

Alguns quarteirões adiante, pararam em um armazém de roupas e equipamentos. Noel comprou uma capa escura quase idêntica à dele—com capuz, usada, e totalmente sem graça.

Depois de colocá-la, eles se misturaram bem melhor.

Sem mais delongas, os dois se dirigiram à Taberna O Martelo Bêbado.

Chegaram exatamente na hora de ver dois homens saindo voando pela porta da frente—literalmente.

As portas de madeira da taverna se abriram de repente, enquanto uma briga se espalhava para fora, fazendo os lutadores tombarem na rua enlameada. Um deles gemeu, o outro nem se moveu.

Antes que Elena pudesse reagir, Noel a segurou pelo ombro, puxando-a para perto, protegendo-a com seu corpo.

"Cuidado," murmurou. "Aqui, perder o foco não é um luxo. Fica próxima de mim, pelo menos por enquanto."

Ela assentiu rapidamente, um pouco abalada. "Tudo bem."

Eles entraram.

O caos os recebeu instantaneamente.

Homens bêbados gritavam de todos os cantos, alguns cantando desafinados, outros batendo canecas em mesas tortas. O cheiro de suor, cerveja e fumaça impregnava o ar. Um dispositivo alimentado por mana ao fundo—rudimentar, mas eficiente—tocava música alta, uma mistura de hino de batalha e música de taverna.

"Você tem certeza de que é aqui mesmo?" perguntou Elena, observando o povo com cautela.

"Absoluta. Ninguém te arrastou aqui, lembra?" respondeu Noel, expressões inexpressivas.

"Tá bom... mas eu não me sinto segura aqui."

Sem responder, Noel segurou sua mão.

Seu aperto era firme, firmeza que transmitia proteção, não ternura.

"Como eu disse, fica perto. Quero que ambos saiam daqui inteiros."

Eles se esquivaram pelo meio da multidão, desviando de cotoveladas e canecas, até que Noel avistou-o.

'Lá está você, anão.'

"Vamos lá. Encontrei ele."

"Quem?"

Pararam ao redor de uma mesa redonda, desgastada, no fundo, onde um grupo de homens barbados jogava pôquer mágico. No centro, rindo e vermelho na face, estava Balthor do Martelo.

Ele era inconfundível.

Um anão não mais alto que 1,30 metros, mas com uma presença que lembrava o ferro de um ferreiro. Sua barba ruiva, grosseira, trançada em mechas grossas, suas bochechas vermelhas, e uma caneca de cerveja gigante ao seu lado. Tinha uma presença que preenchia o espaço—mesmo sentado.

O ouro empilhado na mesa? Quase todo diante dele.

Noel avançou.

"Boa noite. Tem espaço pra mais um?"

Balthor o fitou de relance, soltando uma risada entre um soluço de soluço.

"Sempre há—se você tiver moeda, rapaz. Hahahaha!"

Noel soltou uma pequena bolsa que caiu na mesa, fazendo um som de sininho satisfatório.

'Últimos recursos que tenho.'

As cartas estavam sendo embaralhadas.

O jogo começaria em breve.

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