O Extra é um Gênio!?

Capítulo 60

O Extra é um Gênio!?

'Claro que ela está trabalhando até tarde.'

Nenhuma palavra.

Apenas um olhar—e o menor franzir de sobrancelha, como se estivesse dizendo: "E aí?"

Noel não sorriu.

Mas se moveu.

O cômodo não precisava.

Páginas virando. Tinta riscando. O relógio fazendo seu tique-taque.

Nenhum deles tinha falado por quase cinco minutos.

"Você também devia descansar, sabia?"

"Corajoso da sua parte falar isso, considerando seu histórico."

"Pois é. Fui bastante repreendido esta semana. Pensei em passar a bronca adiante."

Não exatamente uma risada.

Não exatamente uma não.

Ela colocou a pena ao lado do papel.

"Eu descanso quando o trabalho termina."

"E quando é isso?"

"Você me diz. Você viu com o que eu lido."

E depois na segunda xícara de chá ao lado—intacta, ainda levemente aquecida.

'Duas xícaras. Uma para ela... e outra para quem pudesse sentar do outro lado.'

'Ou talvez ela só estivesse esperando por mim.'

Ele não perguntou.

Ao invés disso, olhou diretamente nos olhos dela.

"Se você desabar, quem deve manter o restante na linha?"

Mas a resposta dela foi mais baixa.

"Por isso eu não faço."

Ela tocou a ponta contra o canto da página, olhando o documento sem realmente lê-lo.

"Ouvi dizer que alguns estudantes da Classe C estão apresentando petições para diminuir os padrões físicos para os testes de conjuração."

"Estão convencidos de que a conjuração deve ser puramente mental. Conveniente como eles ignoram a parte em que desmaiar no meio do feitiço tende a matá-lo."

"Acho que é uma lição que eles querem aprender da maneira mais difícil."

"A seleção natural ainda funciona, mesmo com mana."

"Você parece que já escreveu sua resposta."

"Já. Duas vezes. Uma para o registro oficial e outra para quando eles aumentarem a pressão."

"Eficiência."

"Você também não fica atrás. Tem agido com precisão militar ultimamente."

"Disciplina. Ou paranoia. Às vezes é difícil dizer."

E então Elyra perguntou—não de forma ríspida, não de forma acusatória, apenas... silenciosamente:

"Por que você faz isso?"

Noel não respondeu imediatamente.

"Fazer o quê?"

"Se esforçar assim. Sempre na ponta dos pés. Sempre calculando."

Ele não desviou o olhar.

Não sorriu.

Simplesmente deu um leve encolhimento de ombros, com a voz plana.

"Porque eu sei o que acontece se não fizer."

Ela olhou-o por mais um momento, e desta vez, ela não escondeu a preocupação no olhar.

"Alguém já te disse que isso não é sustentável?"

Ele recostou-se novamente, o olhar vagando até o teto arqueado alto.

"Sim, você."

O silêncio que se seguiu não foi constrangedor.

Foi... deliberado.

"Vamos fazer um acordo."

Ele levantou uma sobrancelha.

"Normalmente, esses não acabam bem para mim."

"Este aqui é inofensivo. Eu faço uma pergunta, você faz uma minha. Sem pressão. Sem obrigação de responder."

Noel a estudou por um momento.

"Estar entediado?"

"Curioso."

Ele bateu a língua nos dentes uma vez, depois assentiu.

"Beleza. Uma por um."

Ela não hesitou.

"Por que você sempre senta perto das saídas?"

Ele olhou para ela.

Com expressão neutra.

"Porque gosto de saber que posso sair quando quiser."

Ela cochilou, baixinho.

"Esperava por isso. Ainda assim, queria ouvir você dizer."

Ele bateu um dedo na borda da mesa.

"Minha vez."

Ela esperou.

"Por que você nunca parece surpreso?"

Dessa vez, ela realmente sorriu.

Apenas um pouco.

"Porque eu nunca estou."

Olharam-se por um segundo além do necessário.

Noel se mexeu um pouco na cadeira, agora apoiando-se em um braço. A rigidez na postura desaparecera, substituída por algo próximo de... conforto.

"Tudo bem," disse. "Sua vez."

"Por que você sempre age como se estivesse a um dia ruim de dar um soco em alguém?"

Noel piscou uma vez.

Depois sorriu.

"Porque na maioria dos dias, estou a um passo."

"Pelo menos, é sincero."

"Você pediu."

Ela concordou, admitindo a resposta.

"Sua vez."

Noel não se apressou.

"Por que você sempre traz duas xícaras de chá quando estuda sozinha?"

Ela piscou.

Depois olhou, brevemente, para a xícara extra na mesa.

Ainda intacta.

Ainda quente.

"Porque alguém acaba sempre sentando do meu lado."

Ele não respondeu a isso.

Não precisava.

Ela deslizou a segunda xícara na direção dele sem uma palavra.

Ele a pegou.

Saboreou uma gole.

Não comentou o sabor.

Apenas olhou para ela.

"Sua vez."

Elyra estudou-o cuidadosamente, com os olhos mais afiados agora.

Depois perguntou, mais curiosa do que acusadora:

"Por que você ainda não perguntou sobre minha origem?"

"Porque você já é bem famosa."

Ela soltou um suspiro—algo entre um respirar profundo e uma risada silenciosa.

E o silêncio que se seguiu não foi vazio.

Era compartilhado.

A luz da vela vacilava suavemente na madeira polida entre eles.

Noel recostou-se um pouco, deixando o silêncio se estabelecer por um momento antes de falar novamente.

"Tudo bem," disse. "Segunda rodada."

Elyra não hesitou.

"Qual é a primeira coisa que você nota em alguém?"

Ele levantou uma sobrancelha. Depois respondeu sem pensar.

"Qual a primeira coisa que você nota em alguém?"

"A silhueta, eu acho. É a primeira coisa que o olho percebe."

"Por quê?"

"Porque me diz como querem ser vistos... e quanto disso é falso."

Ele tomou um gole do chá que ela lhe deu.

"Sua vez," ela disse.

Noel refletiu por um momento, depois:

"Quando você mente?"

Isso a fez pausar.

Depois, ela encontrou seu olhar.

"Quando a verdade custa mais do que o resultado vale."

Noel a civilizou por um segundo.

Depois assentiu com um breve aceno.

"Inteligente."

"Necessário," ela corrigiu.

Passou um instante de silêncio.

Terceira rodada.

Elyra bateu o dedo uma vez contra a caneca, absorvida.

"O que te assusta?"

Noel não desviou o olhar.

Não se contorceu.

Não sorriu.

"...Não saber o que fazer a seguir."

Os olhos de Elyra se estreitaram um pouco—não de julgamento. Apenas... concentrados.

Como se aquela resposta tivesse aberto alguma coisa.

Ele não deixou que isso persistisse.

"Sua vez."

Ela inclinou a cabeça.

"Você acredita que as pessoas podem mudar?"

Ele não respondeu imediatamente.

Depois:

"Sim. Mas não de graça."

Depois, recostou-se na cadeira, com as linhas da boca quase sem expressão.

"Justo."

Sentaram-se novamente em silêncio, ambos olhando para tudo menos um ao outro por alguns segundos.

Mas nenhum deles se levantou.

Nenhum queria ainda.

As janelas escureceram.

Lá fora, as luzes do jardim piscaram uma a uma, lançando brilho azulado pálido sobre os caminhos de pedra. Em algum lugar ao longe, trovões rolaram baixinho—ainda distantes, mas se aproximando.

Eles não falaram nos primeiros passos, caminhando lado a lado em direção à saída da biblioteca.

Quando chegaram às portas, Noel quebrou o silêncio.

"Está tarde."

"Eu sei."

Noel olhou para ela por baixo do capuz.

"Você devia descansar. Parece que está nisso há horas."

Ela levantou uma sobrancelha para ele.

"Sou eu quem disse isso para você antes."

"Exatamente. Aplica para você também."

Ela deu uma olhada de lado, quase divertida.

"Então, isso é você sendo atencioso?"

"Não se acostume com isso."

Não se apressaram.

O silêncio entre eles não era estranho.

Simplesmente... existia.

E por enquanto, isso era suficiente.

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