
Capítulo 59
O Extra é um Gênio!?
O jardim interno da academia estava silencioso ao meio-dia.
Uma brisa suave agitava as pétalas das árvores de flores flutuantes—plantas raras cultivadas a partir de sementes encantadas para desafiar a gravidade. Seus botões pairavam alguns centímetros acima dos caules, girando lentamente no ar como se estivessem dançando ao som de uma música que ninguém podia ouvir.
Os caminhos de pedra serpenteavam por gramados abertos, sebes aparadas e lagos iluminados por cristais, repletos de carpas infundidas com mana. No centro, uma fonte circular sussurrava sobre um mármore escavado, com a água brilhando com tonalidades mágicas suaves.
Estudantes passavam em duplas e grupos, conversando em voz baixa, livros sob os braços, capotes que farfalhavam. Muitos vestiam o uniforme padrão da academia, mas nobles de casas mais elevadas haviam acrescentado seus toques—cbos sob medida, bordados dourados, pins adornados com brasões antigos.
Noel estava sentado sozinho numa das bancos laterais, com os braços cruzados sobre o colo, pernas relaxadas.
Seu uniforme estava levemente desalinhado, como sempre—gola folgada, mangas dobradas até a metade, luvas enfiadas na cintura. Ele não lia nada, apenas deixava a brisa passar enquanto fixava o olhar no vazio.
Porém, sua mente estava desperta.
Pensando.
Então, algo mudou no ritmo do jardim.
Ele não ouviu passos.
Apenas notou que o espaço ao redor dele mudara.
Ela caminhava como se fosse dona do silêncio.
Elena von Lestaria.
Seu cabelo platinado caía livre pelas costas, refletindo a luz como um fio de prata. Sua pele era pálida, impecável. Seu uniforme, embora de estrutura padrão, tinha sido alterado com precisão—fechos élficos dourados, um manto de veludo escuro drapeado sobre os ombros, e o brasão de sua casa bordado na manga esquerda.
Ela se movia sem pressa. Sem hesitar.
Vários estudantes se viraram para olhar.
Alguns cochicharam.
Ela os ignorou completamente.
Seus olhos âmbar vasculharam o jardim—e então pararam.
Exatamente nele.
Noel não se moveu.
Apenas cruzou o olhar com ela, como se fosse a coisa mais natural do mundo.
'Não imaginei que iria chamar sua atenção assim.'
Ela caminhou em direção a ele.
Elena parou a poucos passos da banca, com o olhar firme e tranquilo.
Noel não se mexeu. Deu uma leve inclinação na cabeça, o suficiente para mostrar que tinha notado sua presença.
"Não esperava te ver aqui fora," ela disse, com tom mais suave do que uma fala formal, mas ainda carregado daquela precisão nobre.
Noel deu de ombros, com os olhos semi-cerrados.
"Também não esperava que você fosse direto na minha direção."
Ela sorriu levemente.
"Talvez eu estivesse apenas curiosa."
"Hábito perigoso."
"Só se eu escolher a pessoa errada."
Noel gesticulou preguiçosamente para o espaço vago ao lado dele.
"Quer testar sua sorte, então?"
Elena não hesitou. Sentou-se, com postura relaxada, porém composta—como alguém que sabe parecer à vontade sem jamais baixar a guarda.
Alguns estudantes olharam na direção deles, mas nenhum dos dois deu atenção.
Ela ajustou o manto e falou novamente, agora com o olhar fixo na frente.
"Você tem estado mais quieto do que o normal."
"Talvez eu tenha coisas melhores a fazer do que conversar."
"Mas aqui está."
Ele sorriu de lado.
"Talvez eu só goste do tempo."
"Mentiroso."
Noel riu baixinho, sem humor.
A fonte sussurrava atrás deles, constante e firme.
Elena cruzou uma perna sobre a outra, com as mãos entrelaçadas no colo. Quando falou, a voz saiu mais baixa—mas cortante.
"Por que você fez isso?"
Noel não a olhou.
"Fazer o quê?"
"Por que deixou que eu levasse o crédito?"
Agora ele virou o rosto na direção dela.
Sem sorriso, sem sarcasmo.
Apenas um olhar cansado.
"Porque era importante pra você."
Elena sustentou o olhar.
"Isso não é uma resposta."
"É a única que tenho."
Ela o observou por um segundo a mais, depois fez uma exalação suave e voltou o olhar para o lago.
"Você poderia ter usado isso."
"Não precisei."
"Ainda assim. Foi... muito abrir mão."
Noel deu de ombros.
"Então, pega e segue em frente."
Ela ficou quieta após isso.
Não por falta de o que dizer.
Mas porque, pela primeira vez, não havia mais o que exigir.
O silêncio voltou—ainda mais diferente agora.
Noel se inclinou levemente para frente, segurando os antebraços nos joelhos, com o olhar fixo em algum lugar do jardim. Ele não evitava ela—but também não oferecia nada.
Elena inclinou a cabeça, observando-o de canto de olho.
"Você não é como os outros."
Ele deu um suspiro seco.
"É o que todos dizem antes de tentarem me fazer parecer com eles."
"Não foi isso que quis dizer."
Ele olhou para ela. Ela não sorria. Estava estudando-o novamente—cuidadosamente, como quem tenta resolver um quebra-cabeça com peças faltando.
"Você não busca atenção," ela prosseguiu. "Mas também não exatamente se esconde."
"Talvez eu só não me importe o suficiente para fingir."
Elena emitiu um suave murmúrio.
"Acredito que você se importa mais do que admite. Só que não com as coisas que todo mundo se importa."
Noel não respondeu.
Mas seu silêncio agora não era de rejeição—era de reflexão.
'Ela é boa nisso. Sutil. Não é invasiva. E observa tudo.'
'Não é à toa que está no topo do ranking.'
Ela deixou alguns segundos passarem.
Depois, numa voz mais baixa:
"Você sempre decide as coisas assim?"
Ele virou a cabeça.
"Tipo o quê?"
"Quem ganha. Quem perde."
Ele demorou a falar.
Então: "Só quando importa."
Pilares se aproximaram.
Dois estudantes—ambos do Colégio A, pela farda—caminhavam pelo caminho em direção à fonte. Um deles, um garoto alto, com postura nobre e sorriso ensaiado demais, reconheceu Elena instantaneamente.
Ele diminuiu o passo.
"Senhorita Lestaria," chamou, um pouco alto demais. "Esperava poder conversar um—"
Parou no meio do movimento ao perceber quem ela estava sentada com.
Noel não se mexeu.
Elena sequer olhou na direção deles.
"Agora não é hora."
Sua voz foi gentil, até educada.
Mas definitiva.
O outro estudante abriu a boca, hesitou, depois assentiu de forma constrangedora.
"Claro."
Seguiram em frente.
Noel levantou uma sobrancelha, meio divertido.
"Foi sua forma de dizer que sou mais interessante?"
Elena finalmente virou a cabeça o suficiente para cruzar o olhar com ele.
"Não. Foi minha forma de dizer que ainda não terminei."
Noel soltou uma risada baixa, meio de canto, sem zombar.
Apenas surpreso.
'Ainda não terminou, hein?'
'Então tá.'
O silêncio entre eles se estendeu, calmo, mas pesado.
O jardim começava a se esvaziar. A luz da tarde filtrava-se pelas copas das árvores, fazendo as pedras brilharem sob pétalas dispersas. Tudo ao redor parecia parado—pausado.
Primeiro, Noel se levantou.
Elena levantou o olhar, com olhos âmbar afiados, porém impenetráveis.
Ele envergou os ombros, colocando as luvas na cintura com movimentos relaxados.
"Acho que preciso ir."
Ela fez um leve gesto de cabeça, sem dizer nada.
Ele virou-se pela metade, então fez uma pausa.
Falou sem olhar para ela.
"Não sou o que você pensa."
Ela levantou uma sobrancelha.
"Não?"
"Não." Uma respiração. Então:
"Não pense demais. Não sou assim tão interessante."
Elena olhou para o perfil dele por um segundo a mais.
Noel se levantou, espirrando a poeira imaginária das roupas.
Seus movimentos eram casuais, mas carregavam um peso—como se tivesse dito mais do que pretendia.
Elena o observava silenciosamente.
Ele virou um pouco para sair, então pausou.
"Ei."
Ela levantou a sobrancelha.
"O quê?"
Ele não olhou diretamente para ela ao responder.
"Só... às vezes, é bom relaxar."
"Você nem sempre precisa ser perfeito. Pode se permitir respirar um pouco."
Ele coçou o lado do pescoço, já arrependido de ter aberto a boca.
"Quer saber? Todo mundo precisa disso de vez em quando."
Depois, virou-se e foi embora, com as mãos nos bolsos, a capa balançando suavemente na brisa do jardim.
'Foi o que a Elyra me contou. Melhor passar adiante.'
Ela permaneceu sentada, com a postura inalterada.
Mas seu olhar suavizou—apenas o suficiente.
Ela olhou para os carpas na água, e após um longo momento, exalou suavemente.
"Certo."