O Extra é um Gênio!?

Capítulo 58

O Extra é um Gênio!?

O cômodo estava silencioso.

Talvez até demais—mas Noel preferia assim. Uma única lâmpada de mana tinha uma luz suave sobre sua mesa, iluminando lentamente os mapas, notas e o canto onde a Presa Fantasma descansava encostada na parede.

Ele sentou na beirada da cama, meio vestido, com uma luva solta no punho.

A janela de status flutuava silenciosamente na sua frente, pulsando levemente na escuridão.

[Item Identificado]

Nome: Presa Fantasma

Tipo: Arma – Espada

Grau: Único (Despertada)

Descrição: Uma lâmina relicária passada na linhagem Thorne. Antes destinada a um filho esquecido. Resoa com almas que estão ligadas a segundas chances.

Status: Vinculada ao Usuário – Noel Thorne

Atributo: Aumenta a clareza sob pressão de vida ou morte. Evolui sob estresse extremo.

Noel franziu a testa.

Leu novamente.

"Grau: Único… Despertada."

Isso não tinha estado ali antes.

Ele se lembrar exatamente do que dizia antes—??? (Não despertada). Misteriosa. Indefinida.

Agora tinha forma.

Agora tinha se declarado.

Ele se inclinou para frente, cotovelos nos joelhos, olhos estreitados.

'Então ela finalmente acordou.'

O atributo era o mesmo. Mas a espada... não era.

Ela permanecia ao lado da parede, como sempre—mas o ar ao redor dela parecia mais denso agora. Como se tivesse algo a dizer. Algo a mostrar.

Ele se levantou e se aproximou.

Levou a lâmina lentamente, com calma.

Ela não zumbia.

Nem brilhava.

Mas, no momento em que seus dedos envolveram o cabo, uma clareza fria se estabeleceu atrás dos olhos dele.

Não era magia.

Era memória.

Os túneis pareciam mais estreitos esta noite.

Noel os atravessava como sempre—com a capuza up, passos calculados, capa deixando rastro—mas o silêncio tinha uma sensação diferente. Não era a ausência de sempre.

Era expectativa.

Ele ajustou a alça no ombro, fazendo a Presa Fantasma ficar mais perto das costas. A espada não zumbia. Não pulsava com mana como um artefato ligado a ele.

Mas ele sentia.

A mudança.

Ele não precisou olhar novamente para a janela para saber que era real. No instante em que seus dedos fecharam ao redor do cabo, algo mudou no ar—como se a espada tivesse finalmente aberto os olhos.

'Você nunca esteve morto. Estava apenas esperando.'

O peso não tinha mudado.

Mas a maneira como ela se comportava em sua mão—equilibrada, expectante—fazia cada passo parecer mais pesado.

Ao emergir da boca do túnel e entrar entre as árvores, a luz da lua espalhou-se sobre o musgo e as rochas. O vento passou ligeiramente por sua capa.

Ele olhou para a espada por um momento.

'Despertada… Então mostre do que é capaz, sua coisa linda hehehehe.'

Ele seguiu em direção ao Sítio Sem Fundo sem parar.

A primeira criatura apareceu em dez minutos de caça.

Noel não hesitou ao ouvir o arranhar de garras contra pedra—ele reconheceu o som antes de ver a forma. Uma Rastreadora de Veia, com seu corpo segmentado deslizando na borda de um penhasco acima dele, pulsando com uma luz violeta fraca por baixo da casca rachada.

Ele não lançou feitiços.

Não se preparou.

Desenhou a Presa Fantasma.

E se moveu.

Ele deu um passo para a direita enquanto a criatura caía, espada já levantada em um arco diagonal.

O golpe foi suave.

Quase demasiado suave.

Não parecia um ataque dele.

Noel já tinha enfrentado dezenas dessas criaturas—ele conhecia seus ritmos, ângulos e pontos cegos. Mas isso não era reflexo ou previsão.

Era instrução.

O posicionamento do pé.

A pegada.

Até mesmo a rotação do pulso—precisa, econômica, letal.

A lâmina cortou o ventre do monstro, abrindo-o de uma só vez. Ela caiu no chão e não se mexeu novamente.

Noel permaneceu imóvel.

Não respirou.

'O... que acabou de acontecer não fui eu, né?'

Ele virou lentamente, escaneando o terreno.

Não havia ninguém.

Nem som algum.

O Sítio Sem Fundo parecia vazio.

Mas a lâmina em sua mão estava quente.

Não com calor.

Com algo mais profundo.

O Sítio voltou a ficar silencioso.

Demasiado silencioso.

Noel ficou de pé sobre o corpo da Rastreadora de Veia, a lâmina ainda pingando, mas ele não se moveu. Algo parecia estranho—como o momento após um relâmpago, quando seus ouvidos zumbem e o ar não parece completamente real.

Então ele viu.

Logo à frente, perto da borda da clareira, algo se moveu.

Não era uma besta.

Não era um estudante.

Uma sombra.

Ela era alta—humanoide em sua forma, mas sem rosto.

Formada de algo entre fumaça e aço, seus membros eram vagos, seu corpo sem cor. O contorno cintilava, como se estivesse preso entre mundos—real e irreal ao mesmo tempo.

Ela não carregava arma alguma.

Mas imitava ele.

Exatamente.

A mesma postura que ele tinha acabado de adotar. O mesmo ângulo de ataque. Ela repetia o movimento novamente—torção do ombro, passo à frente, trajetória da lâmina—perfeita.

Silenciosa.

Sem esforço.

Noel não respirava.

'Isso... sou eu.'

Não. Não era ele.

'É assim que eu devo me mover.'

A sombra se moveu de novo, realizando outro movimento que ele não tinha feito. Uma série de passos, cortes, fintas—mais limpo, mais afiado, mais rápido.

Noel observava cada detalhe como se sua vida dependesse disso.

Porque talvez dependesse.

'Você não está se exibindo, seu idiota.'

E a Presa Fantasma, ainda quente em sua mão, pulsou uma vez.

Reconhecendo.

A sombra não esperou.

Ela entrou na próxima sequência—quatro passos, uma falsa de corpo baixo, giro invertido, corte ascendente. Sem exagero. Sem movimentos desperdiçados. Cada mudança de peso era exata.

Noel respirou pelo nariz.

'Beleza, então. Quero ver do que você é capaz.'

Ele ajustou sua postura.

Pé direito um pouco à frente. Mão esquerda aberta. Espada baixa.

Seguiu o movimento.

Passo. Torção. Corte.

Profundidade insuficiente.

De novo.

Passo. Torção. Corte.

Mais perto.

A sombra continuava na sua sequência. Cada vez que Noel tentava alcançar, ela mudava. Se adaptando. Elevando o nível sem dizer uma palavra.

Seus músculos queimavam após cinco minutos. Sua respiração acelerava. Suor escorria pela coluna, apesar do frio da noite.

Mas ele não parou.

'Isso é loucura.'

'Tá realmente parecendo um fantasma na floresta com uma espada que acabou de despertar, como se tivesse alma.'

Ele conseguiu uma respirada, quase sem jeito.

Depois sorriu.

'E está funcionando.'

Golpeou de novo—mais forte, mais limpo.

A sombra o espelhava por um instante.

Depois desapareceu.

Nem como aviso.

Como aprovação.

O clareira voltou a ficar em silêncio.

Noel ficou na escuridão, o peito se levantando lentamente, satisfeito.

'Ok... isso muda tudo.'

Noel sentou-se numa pedra plana perto da borda do penhasco.

Abaixo dele, o Sítio Sem Fundo respirava em silêncio—névoa se contorcendo ao redor das pedras, mana zumbindo como trovão distante. O sangue nas mãos dele tinha secado. Os músculos doíam, mas era uma dor que significava avanço.

A Presa Fantasma repousava no colo, os dedos tocando a lâmina.

Ela não brilhava. Não zumbia.

Mas agora parecia diferente.

Mais conectado, observando.

Esperando.

'Você mudou.'

'E ainda não sei bem o que isso significa, mas, honestamente, estou gostando, hehehehe.'

Ele ficou ali, imóvel e sozinho, até que o frio atravessasse seu sobretudo.

A lâmina permaneceu silenciosa.

Mas o ar ao redor dela não estava vazio.

'Vamos em frente.'

Ele se levantou.

Guardou a espada na bainha.

E desapareceu na noite, pronto para o que viesse a seguir.

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