O Extra é um Gênio!?

Capítulo 57

O Extra é um Gênio!?

Todo o colégio foi convocado.

Estudantes de todas as quatro divisões principais—Turma A até D—encheram o grande auditório. Centenas de uniformes, brasões e botas polidas preenchiam os assentos em degraus sob a luz brilhante de cristais flutuantes. O ar vibrava com mana, rumores e a sensação de algo importante prestes a acontecer.

Noel estava sentado mais ao fundo, de braços cruzados, expressão difícil de decifrar.

Ele já tinha lido esse capítulo.

"Ainda assim, tudo isso sempre me impressiona. Quero dizer, já estou acostumado à rotina, mas ainda tem algo ali."

Mas agora ele estava vivendo tudo.

Os murmúrios cessaram quando as portas ao fundo do palco se abriram e o Diretor Nicolas Von Aldros apareceu à vista.

Como sempre, ele se moveu com uma autoridade silenciosa. Sua túnica, de um violeta profundo com detalhes dourados, flutuava sem fazer barulho enquanto ele caminhava até o púlpito. Seus cabelos prateados estavam presos com cuidado, os olhos afiados sob uma expressão composta.

Quando falou, o ambiente ficou em silêncio.

"Hoje, um novo caminho se abre para aqueles dispostos a mostraram sua grandeza."

Ele fez uma pausa, deixando o silêncio reforçar a gravidade do momento.

"O programa Classe S foi oficialmente ativado. Seu propósito: identificar e elevar estudantes cujas habilidades, controle e estratégia os colocam como possíveis pilares desta nova geração."

O ar se encheu de uma mistura de confusão e expectativa.

"Diferente das classificações tradicionais", ele continuou, "a Classe S não será restrita apenas aos estudantes de A. Candidatos de todas as divisões—A até D—serão considerados, avaliados e convidados, sempre com base no mérito."

Agora, o clima virou eletrizante. Suspiros se espalharam por todos os setores.

"Mas entendam uma coisa", acrescentou. "Por ora, os estudantes selecionados para a Classe S manterão seus horários atuais. Isso não é segregação—é integração. Construímos juntos, não separados."

"Se dêem ao máximo."

Noel bateu uma vez os dedos contra a manga da camisa.

'Inteligente, mas eu sei qual foi a verdadeira intenção da classe.'

Então, o olhar do diretor percorreu novamente o salão.

"E agora, tenho a honra de apresentar duas novas adições ao nosso corpo estudantil—chegando com a plena confiança do Trono Imperial."

'E aqui está, o verdadeiro propósito.'

O auditório mergulhou em silêncio absoluto.

Ele ergueu uma mão em direção às altas portas duplas atrás do palco.

"Por favor, recebam-nas."

As grandes portas se abriram silenciosamente.

Primeiro entraram os guardas—dois cavaleiros imperiais de uniformes pretos e carmesim, rostos escondidos atrás de máscaras polidas, passos precisos, silenciosos. Eles flankearam a entrada, mas não avançaram.

Depois vieram os herdeiros.

Seraphina do Valor entrou na sala como se fosse dela.

Seu cabelo longo, de um rosa pálido, fluía livremente por cima de um uniforme azul marinho, ajustado com detalhes prateados e colarinho elevado. Uma capa curta caía de um ombro, bordada com o brasão imperial em dourado suave. Seus botas soavam suavemente sobre a pedra ao caminhar—postura ereta, cabeça alta, expressão impassível.

Seus olhos—pálidos, entre o azul glacial e o prata—varreram o salão com um olhar calmo e distante.

E, ainda assim, cada estudante na sala parecia inclinar-se involuntariamente, atraído por uma gravidade que não compreendiam.

Logo atrás dela veio Dior do Valor.

Ele se movimentava de forma mais casual. Mais lento. Seu cabelo branco-prateado estava bagunçado, quase sem controle, olhos verdes escuros afiados e desinteressados. Diferente da irmã, não ostentava brasão ou medalhas, nem sinal de patente visível. Seu casaco era caro, mas sem adornos. As mãos nos bolsos.

Ele não se comportava como um típico membro da realeza.

Andava como alguém que não se importava se esquecessem quem ele era—desde que tivesse a chance de fazê-lo lembrar quando fosse mais doloroso.

No momento em que entraram, a reação no auditório foi instantânea.

Suspiros.

Rodeios de conversa.

"Sinceramente, entendo as reações... Por que diabos todos os personagens deste romance são tão bonitos? Isso não faz sentido."

Alguns estudantes se levantaram sem perceber. Outros tentaram se aproximar, cumprimentar, dizer algo inteligente ou se exibir.

Nem ela nem Dior deram atenção a ninguém.

Eles seguiram juntos, lado a lado.

O passo de Seraphina era calculado. O de Dior, quase preguiçoso. Mas chegaram ao centro do palco em perfeita sincronia.

Noel assistia tudo de cima, imóvel.

Ele não se levantou. Não reagiu.

Seus olhos ficaram fixos neles.

"Foi criado para observá-los."

Ele recostou-se na cadeira, de braços cruzados.

"E agora estão aqui."

Noel não piscou.

Já sabia exatamente quem eram.

Seraphina do Valor—a herdeira imperial. Composta, calculista, envolta em diplomacia e uma elegância distante. Ela não busca atenção; ela a atrai, sem esforço, como a gravidade. Nunca comete erros. Não fala a não ser quando é necessário.

E quando fala, todos escutam.

"Ela não é uma ameaça à academia. É uma ameaça a quem pensa que pode controlá-la."

Depois, veio Dior.

O olhar de Noel se estreitou.

Dior do Valor. O irmão mais novo. Aquele que o império aparentemente esqueceu—pelo menos, publicamente. Por trás daquele sorriso encantador e postura despreocupada, escondia-se um núcleo podre de inveja, ressentimento e talento suprimido.

No romance, ele sorria enquanto sabotava outros estudantes. Não com veneno, mas com dúvidas, armadilhas e elogios públicos seguidos de ruínas privadas.

"Ele é o verdadeiro problema."

"Ele não quer a coroa. Quer vê-la queimar nas mãos de Seraphina."

A maioria das pessoas o ignoraria—como planejava.

Buscariam a aprovação de Seraphina, esqueceriam o menino quieto que caminhava duas passos atrás dela.

Mas Noel não.

Ele enxergava os sinais. Sabia o que Dior virou quando não havia controle.

"Tenho que ficar de olho nele. De perto."

O auditório aplaudiu com força.

Mas Noel não aplaudiu.

Ele observou.

Esperou.

Calculou.

O aplauso ainda ecoava quando o diretor levantou a mão, pedindo silêncio.

Seraphina e Dior ficaram lado a lado diante da assembleia. Não fizeram reverência. Não acenaram. Sua presença, por si só, falou mais do que palavras poderiam.

Noel sentia no ar a mudança.

As conversas na plateia ficaram afiadas.

Nobres da Classe A sussurravam nomes. Outros comparavam postos, especulavam quem seria convidado para a Classe S a seguir. Alguns já faziam listas mentais de quem poderiam tentar conquistar ou evitar.

Até Marcus, à beira das fileiras inferiores, endireitou-se um pouco. Clara falou algo ao lado dele, mas seus olhos não desgrudaram do palco.

Roberto, a alguns assentos de Noel, inclinou-se e cochichou: "Pois é... o bairro está mudando."

Noel permaneceu em silêncio.

Então—algo estranho.

Justamente quando o diretor voltou a avançar, o olhar de Seraphina percorreu os andares superiores.

Por um segundo.

Apenas um.

E parou nele.

Foi uma pausa suave, quase imperceptível.

Mas suficiente.

Olharam-se—gelo cinza e cálculo cansado.

Depois, ela virou o rosto novamente.

Noel permaneceu imóvel.

Completamente parado.

"Ela acabou... de olhar pra mim?"

"Naa. Deve ter sido coisa da minha cabeça."

"Só coincidência, espero."

Ele voltou seus olhos para o centro da sala, forçando-se a ignorar o sentimento.

Porém, a sensação não o deixou.

O público começou a se acalmar de novo.

O diretor Von Aldros falou algumas palavras finais—sobre unidade, ambição e a responsabilidade do legado. Sua voz, como sempre, era calma e firme, mas até sua presença parecia uma sombra ao lado dos dois que estavam ao seu lado.

O olhar de Noel caiu sobre Dior.

O herdeiro mais novo não tinha se mexido.

Não sorriu.

Não disse uma palavra.

Mas seu olhar varreu a sala com a concentração casual de alguém que coletava dados—rostos, gestos, reações. Calculando o ambiente, não se apresentando para ele.

Então, por um momento, os olhos de Dior encontraram os de Noel.

Não houve surpresa.

Nem curiosidade.

Nem desafio.

Somente um olhar vazio, desdenhoso.

E depois, ele virou o rosto.

Sem sorriso.

Sem reconhecimento.

Como se Noel nem sequer valesse o esforço de fingir.

Noel sentiu o golpe—não como uma ofensa, mas como uma confirmação.

"Ele também me viu?"

"Mas aquele olhar parecia dizer que ele decidiu que eu ainda não importo. E isso é bom."

Ele recostou-se novamente, com a tensão escondida sob a calma.

"Subestimá-lo será seu maior erro."

A cerimônia terminou com aplausos educados e murmúrios já permeando o ar.

Estudantes saíram em grupos—alguns boquiabertos, outros sussurrando especulações, outros já arquitetando planos.

Noel não esperou.

Ele foi o primeiro a se levantar, saindo pelo corredor lateral antes que alguém percebesse sua saída. O corredor de pedra estava tranquilo, frio, uma pausa refrescante após o zumbido de ambição ao seu redor.

Seus botas ecoaram suavemente no chão enquanto caminhava com as mãos nos bolsos, o olhar baixo, a mente afiada.

Ele não pensava nas aulas.

Não pensava em quem seria selecionado para a Classe S.

Seus pensamentos estavam totalmente em outro lugar.

"Eles estão aqui."

"E isso significa que a verdadeira história vai começar."

Ele virou uma esquina, passando por uma janela que dava para o campo de treinamento central. Os arredores da academia ainda pareciam os mesmos.

Mas tudo tinha mudado.

Ele sentia isso até os ossos.

A forma como Seraphina olhava para ele—mesmo que por acidente. Como Dior olhava através dele. Como o próprio ambiente tinha se inclinado, só um pouco, para algo mais obscuro.

Ele parou de caminhar.

Olhou de frente seu reflexo no vidro.

"Bonito como sempre, seu bastardo, esse rosto é de fato algo mais."

Alguns estudantes passaram e ficaram olhando para Noel como se ele estivesse louco.

Mas o mais importante:

"O ato II está prestes a começar."

Comentários