O Extra é um Gênio!?

Capítulo 56

O Extra é um Gênio!?

'Então, ela consegue realmente dormir.'

Quase.

Então, de repente, seus olhos se abriram — lentamente, a princípio.

E então veio a voz — suave, seca, divertida.

"Sou tão bonita assim?"

A boca dele abriu — depois fechou.

"E-eu… sim — não. Quer dizer… sim. Desculpe. Por… ficar te olhando tanto."

Depois sorriu, apenas um pouco.

"Não estou brava, sabia?"

Noel se sentou lentamente, tomando cuidado para não se mover rápido demais. O peso daquele momento parecia repousar sobre seus ombros — não pesado, apenas… estranho.

Ele não olhou diretamente para ela imediatamente.

Em vez disso, esfregou a nuca e ajustou a gola da camisa como quem desconfiava que ela tinha lhe traído enquanto dormia.

"Eu… eu, ah… desculpe por isso," murmurou. "Por ter dormido. Em você."

"Não me importei."

'Que diabo eu digo agora? E ela NÃO se importa??!! Desde quando isso virou coisa no romance, ela rejeitava qualquer abordagem, até os garotos mais bonitos e o príncipe imperial…'

"E… obrigado. Acho."

"Por deixar você desabar na frente de alguém que poderia usar isso contra você?" ela sugeriu.

"Entre outras coisas, mas principalmente porque pude finalmente descansar."

"De nada."

O silêncio que se seguiu não foi hostil.

Era apenas… estranho.

Inexplorado.

'Isso é ridículo. Enfrentei monstros. Magia, e principalmente a morte uma vez. Mas isso? Sentar ao lado de uma garota que parece ter saído de uma pintura?'

'É. Claro. Sem problema.'

'Espera, por que estou fazendo tanto caso disso?’

Seu corpo estava descansado.

Mas a mente dele estava em tumulto.

E Elyra, é claro, percebia cada segundo disso.

Ela não comentou.

Elyra se moveu levemente, passando alguns fios de cabelo sobre o ombro como se nada tivesse acontecido. Sua postura voltou à perfeição — pernas cruzadas, costas retas, olhar fixo à frente.

Elyra foi a primeira a falar.

"A moradia de Classe S está quase pronta," ela disse, com tom leve.

"…E por que está me contando isso?"

"Pode ser útil para você."

"Útil como?"

Ela não respondeu diretamente. "Não é tão importante quanto as pessoas pensam. Claro, os quartos têm segurança melhor e alguns comforts extras, mas é só isso."

"Então sem piscinas particulares ou chefs pessoais trazendo comida ao seu quarto com um estalar de dedos?" ele perguntou secamente.

"Não," ela disse, com os lábios tremendo levemente. "Embora alguém tenha pedido uma sala de treinamento à prova de som."

"Deixa eu adivinhar. Vai ficar separada do resto de nós?"

"Ainda vão participar das mesmas aulas que a Classe A, seguir o mesmo currículo, o mesmo cronograma — a única diferença, por ora, é estética."

"Você consegue essa informação pelo conselho?"

Depois: "Claro."

Ele inclinou a cabeça levemente.

"Você não está só me contando isso por diversão, né?"

"Não. Também estou te lembrando."

"…De quê?"

"Da vantagem que você me deve."

" Lembro de tudo que as pessoas me devem," ela respondeu com naturalidade. "E pretendo usar."

Ele ergueu as sobrancelhas. "Então, qual é?"

"Isso é um segredo."

Depois murmurou: "Detesto isso."

"Eu sei," ela respondeu simplesmente.

E a conversa seguiu como se nada tivesse acontecido.

A moldura do relógio na parede marcou as nove horas.

Ela pegou a bolsa e se direcionou à saída, passos leves no piso de madeira. Antes de cruzar a porta, parou e olhou para trás.

"Você precisa cuidar melhor de si mesmo," ela disse, com tom tranquilo, mas firme. "Agora você viu."

Ele não revirou os olhos.

Não fez comentário sarcástico.

Simplesmente a olhou.

Algo na expressão dele — cansado, incerto, concentrado — dizia que tinha ouvido. De verdade, ouvido.

E isso já era suficiente.

Quieto. Silencioso.

Depois, levantou-se, pegou o casaco e começou a se preparar.

Os corredores estavam quase vazios agora. A maioria dos estudantes estava em seus aposentos, estudando ou dormindo. As luzes da academia diminuíram neste horário, restando apenas as luminárias de mana bruxuleando fracas nas paredes.

Até chegar ao canto próximo às escadas.

Encostou suavemente as costas na parede, braços cruzados, olhos fechados.

Silêncio.

O peso de Noel ainda permanecia fraco sobre seu colo. A sensação de sua respiração, firme e quente. O som de sua voz, cansada e suave. A forma como ele a olhava — sem desconfiança, pela primeira vez.

' Você devia estar louco.'

Era a única explicação.

'Nunca aconteceu antes.'

'Estou… apaixonada?'

A ideia surgiu como pedra em água parada.

'Não. Isso é… absurdo. Não é real. Certo?'

Ela abriu os olhos, fixando o corredor vazio à sua frente. O coração não acelerava. A respiração não acelerava. A expressão no rosto estava serena.

Mas a dúvida permanecia.

E isso — mais que o silêncio, mais que Noel — era o que a preocupava.

A noite a recebia como sempre fez — silenciosa, fria, esperando.

A capa mal estalou. A respiração dele não formou névoa. Cada músculo do corpo respondeu como deveria.

Nesta noite, ele não estava cansado.

Estava preparado.

A primeira morte veio rápido — um caçador do Abismo que saltou da encosta à esquerda.

Ele pivotou na ponta do pé e sussurrou —

"Muralha de Gelo."

A fera bateu de cabeça contra uma superfície de gelo que se levantou, e quebrou o próprio crânio ao impactar. Enquanto cambaleava, tonta, Noel levantou a mão novamente.

"Bola de Fogo."

A explosão iluminou a encosta, vermelha e branca, por um breve momento. Quando a fumaça se disipou, não restava nada além de pedra apresetada pelo fogo.

Mais dois surgiram na encosta do outro lado — Devora Luzes, com o tórax pulsando com mana corrompida.

Noel se Moveu entre eles como fumaça, lançando Spikes de Gelo em rápida sucessão, prendendo um em uma pedra e o outro ao chão. Antes que possam gritar, incinerou ambos com um amplo Arco de Chamas, cortando seus núcleos.

'Demasiado lento. Preciso encadear mais rápido.'

Mais inimigos surgiram.

Vein Crawlers, trêmulos e erráticos — ele congelou seus membros antes que chegassem perto, depois os cortou com golpes verticais limpos da Garras do Reverendo.

Howlers espinhudos, enormes e implacáveis — usou o terreno, atraindo-os para passagens estreitas e os golpeando com feitiços sobrepostos até que caíssem convulsos e carbonizados.

A respiração nunca aumentou.

A mana não ficou instável.

Ele não falou.

Não precisava.

O sistema pulsou fracamente, no canto da sua visão, após a última captura da noite.

[Progresso do Núcleo: 52,12% – Núcleo Novato]

'Boa.'

Ele limpou o sangue — parte dele seu — da luva e voltou na direção da saída.

O Abismo ainda pulsava atrás dele.

Mas já não parecia que te consumia.

Agora, parecia seu território de caça.

'Aliás, pensando bem, a Classe S vai ter um peso enorme em breve. É… Talvez cedo demais.'

Em breve, o Ato II começará.

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