O Extra é um Gênio!?

Capítulo 69

O Extra é um Gênio!?

A passagem fora da câmara de debate estava quieta — surpreendentemente tranquila para algo tão público.

Apenas os estudantes selecionados tinham acesso. E entre eles, a maioria se dividia em seus grupos habituais: nobres com nobres, híbridos e estudantes bolsistas à parte.

Marcus estava sentado com Clara, Laziel e Garron perto do banco sob o arco. A luz de uma luminária de mana próxima brilhava suavemente na borda de seus uniformes.

Noel se aproximou sem cerimônia.

Ele não pediu permissão, simplesmente sentou ao lado de Laziel.

Todos olharam para ele — com ligeira surpresa.

Marcus sorriu. "Não achava que você ia se juntar a nós."

"Mudança de ritmo," murmurou Noel.

Seguiu-se um breve silêncio.

Então Noel olhou para o grupo, casualmente.

"Então. Para quem vocês todos vão votar?"

Clara riu suavemente. "Sério mesmo, você pergunta isso? Achei que nos conhecesse melhor."

Marcus respondeu antes que qualquer outro falasse.

"Seraphina, obviamente."

Laziel concordou com o que Marcus disse. "Logicamente, a melhor escolha. Dior pode ser eloquente, mas representa exatamente o que precisa ser reestruturado."

Garron cruzou os braços, assentindo uma vez com a cabeça.

Selene também estava lá, mesmo sem falar. Mas ela não desviou o olhar.

Isso foi suficiente.

Noel recostou-se um pouco.

'Bem, não faz mal perguntar o óbvio.'

'Só para ter certeza, e preciso estar 100% convencido.'

A câmara era menor que o auditório principal, mas não menos grandiosa.

Pilares forjados de mana alinhavam as paredes, cada um gravado com o brasão de uma das Casas fundadoras. Fileiras de bancos de pedra subindo em degraus curva em torno de um palco central — meio sala de tribunal, meio arena.

Estudantes entravam, sussurrando enquanto ocupavam seus assentos designados.

Apenas os melhores classificados e os mais envolvidos tinham sido convidados a assistir a este primeiro debate oficial pessoalmente. Os demais assistiriam mais tarde por cristais de projeção e transcrições.

Noel sentou-se entre Laziel e Marcus, com as mãos folgadamente no colo, os olhos vasculhando a sala.

Dior já estava sentado do lado esquerdo do palco — com as pernas cruzadas, postura elegante, uma expressão de confiança.

Seraphina entrou alguns segundos depois, pelo lado oposto.

Ela tomou seu assento sem alardes.

Depois veio Lereus.

O novo professor se moveu com a graça de alguém que fazia parte de instituições muito mais antigas que a academia. Seus robes eram perfeitamente ajustados, sua expressão diplomática.

Avançou até o púlpito no centro e levantou a mão.

A sala silenciou imediatamente.

"Obrigado a todos por estarem aqui."

Sua voz ecoou com clareza controlada, suavizada por uma leve magia ambiente.

"Hoje, iniciamos a deliberação formal entre os candidatos à presidência do conselho estudantil."

Ele olhou para cada lado sem piscar.

"Cada orador terá tempo igual. Não serão toleradas interrupções. As perguntas foram pré-selecionadas pelo corpo docente e aprovadas pelo conselho atual."

Ele fez uma pausa.

Então, com um leve movimento da mão —

"Dior, do Valor, você pode começar."

Lereus permaneceu centrado no púlpito, com a mão repousando suavemente na superfície enquanto um pergaminho selado se desenrolava ao seu lado. A primeira questão pairava em letras brilhantes sobre o centro do palco, clara para todos lerem:

"Qual é sua visão para melhorar o desempenho acadêmico e garantir justiça para todos os estudantes, independentemente de sua origem?"

As palavras sumiram lentamente.

Dior se levantou sem hesitar.

Avançou, com as mãos unidas suavemente atrás das costas.

"A questão fala de justiça," começou, com voz suave e composta, "como se desempenho fosse algo que se deve, e não algo que se conquista."

Um murmúrio percorreu um dos lados do público.

Ele ignorou.

"Esta academia foi criada para formar os melhores. Isso não se consegue abaixando o padrão para facilitar. Mantém-se elevando-o — e treinando quem tem capacidade de alcançá-lo."

Seus olhos vasculharam a audiência.

"Reformas não devem significar diluição. Devem significar refinamento."

Ele virou um pouco em direção à mesa do conselho.

"Proponho um aumento nos padrões de qualificação para promoção, uma reavaliação das quotas de admissão e o retorno do isolamento de classes avançadas para preservar ambientes de alto desempenho."

Com a postura ereta e o tom firme.

"A excelência deve ser protegida, não comprometida."

Ele recuou, inclinando ligeiramente a cabeça.

Aplausos altos surgiram dos assentos nobres.

Em outros lugares, o silêncio era pesado.

Noel não se moveu.

Simplesmente soltou o ar pelo nariz, lentamente e sem impressão.

'Típico Dior. Aperta a coleira, sorri e finge que é pelo bem maior.'

Lereus não reagiu ao aplauso. Seu movimento foi de uma só vez.

"Seraphina do Valor, sua resposta."

Ela levantou-se com a mesma calma precisa que marca cada um de seus movimentos.

Não se posturou.

Não varreu a sala com o olhar.

Apenas olhou para frente, focada e firme.

"Desempenho não é algo que se fabrica. Nem é exclusivo de herança."

Alguns murmúrios surgiram — desta vez nas fileiras externas.

Ela continuou, sem se deixar abalar.

"Esta academia reúne as melhores mentes e os trabalhadores mais dedicados de todo o continente. Mas nem todos chegam com as mesmas ferramentas."

Sua voz permaneceu firme, deliberada.

"Para elevar o padrão, devemos ampliar o acesso — não diminuir as expectativas."

Ela inspirou lentamente.

"Proponho um sistema de mentoria reforçado que emparelhe estudantes de alto desempenho com aqueles que têm dificuldades. Não como uma caridade, mas como liderança em ação."

Alguns olhares surpresos trocaram de lado.

"Em segundo lugar, sugiro maior transparência nas avaliações do corpo docente e a criação de uma comissão neutra de revisão acadêmica para monitorar a distribuição de apoio. Recursos demais ficam presos em lugares inacessíveis."

Ela deixou a ideia pairar.

E então —

"Não precisamos enfraquecer nossos padrões para criar justiça. Precisamos reconhecer que igualdade de oportunidades fortalece o desempenho — de todos os níveis."

Ela baixou a cabeça uma vez.

Desta vez, não houve aplausos.

Apenas silêncio.

Depois, aplausos lentos, dispersos — das filas superiores.

Depois mais.

Até que até alguns dos nobres começaram a bater dedos ou cabeça em sinal de aprovação.

Seraphina sentou-se sem olhar para ninguém.

Noel inclinou a cabeça.

'Ela tem um bom argumento. Não sei como diabos o irmão dela ganhou isso — algo ainda não me parece certo e não gosto de não saber o que é.'

Professor Lereus levantou uma mão.

A próxima questão apareceu no ar, maior que a anterior:

"O que significa liderança para você?"

Um murmúrio percorreu a câmara.

Era o tipo de pergunta que tirava as políticas de lado e obrigava os candidatos a mostrarem quem realmente eram — por baixo da estrutura, além das falas convencionais.

Lereus olhou para a esquerda.

"Dior do Valor."

Dior levantou-se de novo na hora certa.

Falou sem hesitar.

"Liderança," disse ele, "é herança. É responsabilidade passada de quem construiu a fundação para quem foi escolhido para preservá-la."

Fez um passo lentamente à frente.

"É o peso silencioso de carregar o fardo que outros não podem suportar. E de tomar decisões que eles nunca ousariam enfrentar."

Outro passo.

"Um líder não é escolhido pela multidão, mas moldado pela linhagem, legado e tradição. É onde reside a sabedoria. Onde nasce a visão."

Parou por um momento, para dar ênfase.

"Liderança não é sermos queridos. É sermos certos — antes que os outros percebam isso."

Ele assentiu uma vez e voltou ao seu lugar.

Aplausos fortes, embora mais controlados do que antes, seguiram.

Seraphina não esperou para ser chamada desta vez.

Ela levantou-se.

Suas mãos repousavam tranquilamente na frente.

E quando falou, o silêncio tomou conta da sala.

"Liderança é ouvir."

Ela esperou.

"É saber quando agir — e quando deixar os outros falarem. É a capacidade de admitir quando está errado."

Ela deitou o olhar para as altas poltronas.

"Não se trata de ser escolhido por sangue ou nome. É de se erguer porque outros enxergam algo em você — mesmo quando você não enxerga em si mesmo."

Ela olhou para a primeira fila.

"Um verdadeiro líder faz espaço para os outros. Mesmo que isso custe seu lugar."

Depois:

"E se isso não te assusta — então você ainda não está preparado para liderar."

Silêncio.

Até que alguém se levantou de trás.

Depois outro.

E então os aplausos retornaram.

As portas de pedra da câmara se abriram lentamente, e os estudantes saíram em grupos — alguns conversando baixo, outros já discutindo em tons animados e discretos.

Noel caminhava ao lado de Marcus, com Clara e Laziel logo atrás. Garron estava incomumente quieto, com os braços cruzados, como se fosse a primeira vez na vida que tinha algum pensamento em mente. Selene seguia perto da borda, com expressão impassível, como sempre.

'Sinceramente, por que diabos você está aqui, Selene, se não fala com ninguém? É mais estranho do que eu estar com eles.'

Marcus foi o primeiro a quebrar o silêncio.

“Ele é astuto, vou te falar,” murmurou. "Dior sabe falar como alguém destinado a governar, quero dizer, é um príncipe, dou esse ponto pra ele."

Clara bufou.

"É, fala como se estivesse gerenciando um reino, não uma futura chapa do Conselho Estudantil."

Laziel acrescentou:

"Ele está muito polido. Dá pra perceber que cada palavra foi ensaiada e provavelmente aprovada por cinco nobres antes mesmo de abrir a boca."

Marcus concordou. "As palavras da Seraphina foram mais pesadas. Ela nunca levantou a voz, e não foi uma única vez — mas falou com clareza, com confiança, e cada palavra parecia deliberada. O discurso dela realmente se destacou."

Todos olharam para Noel.

Ele estava quieto, observando as luminárias pulsarem pelo longo corredor.

Então, finalmente:

"Quer minha opinião também? Beleza."

Marcus piscou.

"Sim?"

A voz de Noel foi seca, medida.

"Sinceramente, Dior manda bem com as palavras. Talvez não tenha sido improvisado, mas pra quem ainda está decidido, pode facilmente fazê-los pensar duas vezes."

Nenhum deles falou depois disso.

'Droga, não queria terminar a conversa assim. Minha culpa, talvez eu tenha sido um pouco cafona? Não, isso não foi, só falei os fatos, certo?..'

Porque, mesmo que eles não captassem todos os detalhes, entenderam o que Noel quis dizer — e também sentiram isso.

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