O Extra é um Gênio!?

Capítulo 67

O Extra é um Gênio!?

O grande auditório da academia raramente estava cheio.

Hoje, estava lotado.

Todos os assentos nas escadas de mármore estavam ocupados. Os nobres preenchiam as primeiras filas, com uniformes impecáveis e vozes baixas. Os anéis externos, mais altos e às margens, fervilhavam de estudantes de todas as Casas e regiões. Uma dezena de professores alinhavam-se nas bordas, cochichando entre si.

As bandeiras da academia tremulavam nas paredes abobadadas—tecido costurado com mana, reluzindo em azul e prata.

Noel entrou silenciosamente.

Ele não vestia nada especial.

"Fila do frente tava cheia," disse com um sorriso. "Que pena."

"Seria uma tragédia," murmurou Noel ao se sentar ao lado dele.

Não prolongaram a conversa.

A energia no ambiente começava a mudar. Focada, como a antecipação antes de uma luta de verdade.

Um silêncio caiu quando uma figura apareceu no palco.

Ele era alto, calmo, vestido com uma túnica de professor em cinza escuro, com detalhes prateados. Seus cabelos eram negros, penteados com cuidado, e seu rosto exibia um sorriso calmo e diplomático.

Professor Lereus.

O novo professor.

Aquele que havia assumido a antiga posição de Caldus.

Noel observou-o atentamente.

'Tem algo estranho em você, talvez porque eu nunca li nada sobre ele, ele nunca apareceu na história.'

Lereus ergueu a mão, e sua voz ecoou clara pelo salão, projetada por um suave campo de mana.

"Obrigado por se reunir. Como parte do processo de transição do conselho, hoje iniciamos a primeira rodada de discursos abertos."

"Cada candidato apresentará sua visão para a academia. Suas intenções, prioridades e respostas para o que vem a seguir."

Ele recuou um passo.

"Vamos começar."

E com isso, o salão silenciou.

Um nome foi chamado primeiro.

"Dior de Valor."

O ambiente permaneceu quieto.

Depois, veio o som de passos—medidos, decididos, ecoando suavemente sobre o mármore enquanto Dior de Valor subia ao palco.

Ele vestia o uniforme formal da academia, com detalhes em vermelho e dourado, o insignia da Casa Valor costurado na gola. Seus cabelos estavam perfeitamente arrumados, a expressão serena e compenetrada.

Ficou no centro, deixando a silência carregar peso antes de falar.

"Prestígio," começou, com voz suave e clara, "não é uma dádiva. É uma responsabilidade."

Não houve aplausos.

Nem barulho.

Apenas atenção.

"Por gerações, esta academia esteve de pé como um pilar—não apenas de força, mas de estrutura. Foi a forja onde líderes são moldados, não pelo caos, mas pela ordem."

Ele olhou para a seção dos nobres, com atenção e cálculo, cada movimento deliberado.

"Essa estrutura é que nos permite crescer. Expandir limites sem perder o propósito. Competir sem colapsar na barulheira."

Paada.

"Não acredito que a tradição deva ser descartada em nome de ideais vagos. Acredito que deve ser honrada. Fortalecida. Aperfeiçoada."

Sua voz não subiu, mas ficou mais firme.

"Como presidente, garantirei que esta academia lembre do que a tornou grande: sua disciplina. Seus valores. Sua hierarquia."

"Pois, quando o mundo lá fora olhar para nós—deve ver excelência."

Ele fez uma leve reverência.

"Obrigado."

E, assim, deu um passo atrás.

As seções nobres explodiram em aplausos.

O restante do salão permaneceu mais silencioso—processando, observando.

Noel permaneceu imóvel.

Expressão indecifrável.

'É, não gosto nem um pouco de você. Foi um dos personagens que eu mais odiava.'

O aplauso começou a diminuir.

Dior deu um passo de lado com um movimento digno, retornando ao seu lugar perto da primeira fila. Alguns nobres se inclinaram para sussurrar parabéns. Outros lhe deram tapinhas nas costas.

Noel não se moveu.

Simplesmente ficou olhando para o palco vazio.

Depois, exalou, devagar e em silêncio.

'Aquilo não foi um discurso—foi mais como: "Olha só para mim, sou um nobre poderoso… não, espera, um maldito príncipe." Embora acho que isso também vale pra mim, né? Mas, no meu caso, não sigo Dior. Sou a exceção.'

Roberto inclinou-se ligeiramente, murmurando.

"O que você acha?"

Noel não desviou o olhar.

"Ele é bom. Demais. Sabe exatamente o que dizer e como dizer—língua afiada, charme polido. Aposto que até os nobres que dizem apoiar a igualdade começaram a duvidar de si mesmos no final."

"Sério?

"Sim. Parece um rei fingindo ser um representante de turma."

Roberto soltou uma risada amarga.

"Então… ainda não é seu voto, acho que não."

Noel deu um sorriso curto e seco.

"Só se eu for pro saco e alguém votar em mim."

Recostou-se na cadeira, observando e esperando.

Porque agora vinha o verdadeiro teste.

Lereus avançou novamente.

E falou um único nome.

"Seraphina de Valor."

O silêncio retornou.

Depois, veio o som de passos calmos, deliberados.

Seraphina de Valor subiu ao palco—sozinha.

Ela vestia o uniforme formal padrão, ajustado com detalhes prateados sutis. Nenhuma arma visível, nenhum sigilo além do que estava suavemente gravado no ombro.

E, ainda assim, o salão se inclinou.

Ela não esperou o silêncio aprofundar-se.

Começou.

"A academia foi construída com base na força. Ninguém questiona isso."

Sua voz era calma, equilibrada.

Não exigia atenção—exigia que fosse dada.

"Mas força sem direção é apenas força. E força sem compaixão vira tirania."

Uma pausa.

Uma respiração.

"Estamos na encruzilhada."

"Onde o futuro desta academia—and o que ela significa—será moldado por aqueles que a liderarem a seguir."

Ela deu um passo à frente.

"Não vim aqui para desfazer o passado. Vim para melhorar o futuro."

"Não precisamos abandonar nossas raízes para crescer. Precisamos eliminar as plantas daninhas que sufocam os novos ramos."

'Caramba, isso foi poético.'

Algumas cabeças giraram ao ouvir aquilo.

Outras assentiram.

Seu tom nunca mudou.

Mas suas palavras atingiram mais forte do que qualquer volume poderia.

"O conselho estudantil deve proteger oportunidades, não privilégios. Deve liderar, não mandar."

"E nenhum estudante—não importa de onde venha—deveria se sentir inferior por algo que não consegue controlar."

Mais uma respiração.

Depois:

"É isso que eu quero para a academia."

"E, se você também quer isso—então venha comigo."

Ela recuou.

O salão ficou em silêncio por um instante mais longo do que o de Dior.

Então, veio o aplauso.

Começou pelas laterais. As costas. As primeiras fileiras.

E se espalhou.

O aplauso não agitou o ambiente como o de Dior tinha feito.

Ele se assentou.

Como uma verdade silenciosa, pesada demais para ignorar.

Dior permaneceu perfeitamente imóvel.

Com a coluna ereta.

As mãos cruzadas.

Mandíbula travada.

Os olhos dele seguiram Seraphina ao sair do palco—sem pressa, sem sorriso, sem reação ao público.

Ele inclinado ligeiramente para um de seus assistentes.

"Comece a organizar reuniões com os segundos anos. Discretamente."

O assistente assentiu, já anotando.

Enquanto isso, Seraphina desceu do palco e caminhou com passos calculados até a fila perto do conselho.

Elyra já estava lá.

No começo, nenhum palavra foi trocada.

Depois, assim que Seraphina se sentou, Elyra se inclinou mais perto.

Nada demasiado—só o suficiente para ser ouvida.

"Você mexeu com o ambiente, isso significa que fez um bom trabalho lá."

Seraphina não respondeu de imediato.

Seus olhos estavam fixos nos estudantes ainda aplaudindo—alguns confusos. Outros se movendo. Alguns... preparados.

Então, ela respondeu, com voz calma e certa.

"Um respingo de cada vez, um por um."

Elyra permitiu-se o sorriso mais breve.

Dior não olhou para trás.

Mas sentiu.

Ele não era mais a única força na sala.

'Droga. Subestimei você, irmã mais velha. Um dia vai ver. Eu vou estar no trono e vai acabar comigo, vada para algum porco feio e gordo, assim você sofre, e eu nunca mais te vejo.'

O aplauso foi desaparecendo lentamente, como ondas perdendo força na praia.

Os estudantes começaram a murmurar novamente. Alguns ainda aplaudiam. Outros apenas ficaram ali, calados, pensativos.

Noel não se moveu.

De seu assento no alto à esquerda, tinha visto tudo.

A perfeição de Dior.

A presença de Seraphina.

E a reação que se seguiu.

Ele inclinou-se um pouco à frente, com os cotovelos nos joelhos.

"Ela enviou uma mensagem." pronunciou baixinho.

Roberto, ao lado dele, levantou uma sobrancelha.

"Você acha que ela ganhou esta rodada?"

Noel não respondeu imediatamente.

Seus olhos estavam fixos em Dior—ainda sentado ereto, ainda sorrindo, mas com aquela rigidez que ele já tinha visto centenas de vezes antes, em outros homens que estavam perdendo terreno.

Depois, Noel olhou na direção das sombras no final do salão.

Lereus permanecia imóvel. Observando. Sem uma palavra, sem um movimento—tão quieto, como se estivesse esperando algo.

"Algo não cheira bem," disse Noel baixinho. "Dior está perdendo o controle. E quando homens como ele começam a perder na frente de todo mundo…"

Levantar-se, ajustando o casaco.

"…eles começam a fazer coisas no escuro."

Roberto piscou.

"Deveríamos nos preocupar?"

Noel não olhou para trás.

"Devemos ficar atentos."

O ambiente ficou em silêncio.

Fora, o vento batia nas janelas, suave, constante—como um aviso batendo na borda do mundo deles.

Noel apertou a luva na mão direita, com os olhos distantes.

"Com pessoas como Dior, depois do que vimos hoje, pode apostar que ele não vai simplesmente ficar na dele e fazer nada."

Roberto exalou lentamente, sentindo o peso do momento.

"Acha que ele vai fazer algo imprudente?"

Noel parou na porta.

"Não acho," murmurou. "Tenho certeza."

Depois, saiu pelo corredor, com passos firmes, ecoando com propósito.

Porque, quando o poder escapa pelos dedos dourados… alguém sempre acaba sangrando para recuperá-lo.

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