O Extra é um Gênio!?

Capítulo 66

O Extra é um Gênio!?

O cheiro do cômodo era de poeira, pergaminho antigo e tinta de mana seca.

Virou nossa espécie de sala de guerra não oficial—quieta, escondida, longe dos ouvidos de quem realmente importava. A antiga sala do conselho não era mais usada, mas Elyra tinha reivindicado ela há semanas… e Noel nunca perguntou por quê.

Ele ficou perto da mesa, com os braços cruzados, enquanto Elyra desvirava um pergaminho e colocava uma lista espessa, dobrada ao meio.

"Eles finalizaram." ela disse. "Vinte nomes. Entre os três anos."

Noel não se mexeu.

"A nova relação de dormitórios da classe S."

Ela desenrolou lentamente.

Nome bem escritos brilhavam fracamente sob a luz das velas. Em uma ordem perfeita, quase cerimonial.

Selene von Iskandar

Elyra von Estermont

Seraphina de Valor

Dior de Valor

Myriel von Astralis

E então, algumas linhas abaixo—

Noel Thorne

Ele piscou uma vez. Mas não reagiu, esperava isso, talvez outros não o conheçam, mas Nicolas sim.

Ele apenas leu o resto em silêncio. Alguns nomes ele reconhecia pelos cochichos nos salões de treinamento. Outros não conhecia de jeito nenhum—mas a presença de elite do segundo e terceiro anos deixou uma coisa clara: não se tratava de uma competição de popularidade.

Era uma formação para o campo de batalha.

Elyra observava sua face.

"O anúncio será público em breve. Quando ocorrer, sua voz—seu voto—terá um peso diferente."

Noel levantou uma sobrancelha.

"Beleza, isso melhora as nossas chances."

"Sim, você está certo."

Ele olhou novamente para os nomes.

Então é assim que eles equilibram as coisas. Discretamente por dentro.

"Vinte estudantes," ele murmurou.

"E cada um deles tem mais peso que cem outros somados."

Elyra assentiu uma vez.

"Por isso quero que você converse com um deles."

"Com quem?"

Ela virou mais uma página.

"Selene von Iskandar."

Noel ficou encarando o pergaminho por mais alguns segundos antes de soltar um suspiro silencioso.

"Por quê eu?"

Elyra não levantou os olhos da segunda página que marcava.

"Desculpe?"

"Por que tenho que falar com a Selene?" ele esclareceu. "Você poderia ter enviado qualquer um."

Agora ela olhou para cima.

"Porque eu te vi treinando perto dela no começo do ano."

"Vocês trocaram umas palavras. Isso já te coloca à frente da maioria."

Noel inclinou a cabeça levemente, olhos se estreitando.

"Ah. Então esse é o padrão."

"Sim."

Ele cruzou os braços.

"E quanto aos demais?"

Elyra enroscou o pergaminho com destreza experiente.

"Eu cuido disso. Já os conheço—na verdade, tenho afinidade com eles."

Pausa.

Depois ela acrescentou, sem veneno:

"Aliás, vamos ser honestos. Você não é exatamente o mestre das boas maneiras sociais para conquistar eleitores indecisos."

Noel piscou uma vez. Com o rosto sério.

"Obrigado pelo elogio."

"Só estou administrando recursos de forma eficiente."

Ele se levantou, suspirando.

"Certo. Vou procurar a muralha de gelo."

"Tente não piorar as coisas."

"Sem promessas."

Ele foi em direção à porta, murmurando para si mesmo.

"Até mais, acho."

Elyra não respondeu. Apenas sorriu de leve enquanto ele desaparecia no corredor.

'Ainda mais confiável que a maioria. Mesmo quando é impossível.'

O campo de treinamento atrás das torres leste estava quase vazio naquele horário. O sol estava baixo, projetando sombras longas sobre as plataformas de pedra, cujas superfícies tinham sido suavizadas ao longo de anos de passos e rajadas de mana.

E no centro do anel mais distante, Selene von Iskandar se movia.

Graciosa.

Precisa.

Impecável.

Na mão, um bastão delgado, esculpido de madeira pálida, brilhava fracamente na ponta com mana. Cada movimento traçava linhas de controle arcano puro—círculos, golpes, pulsações direcionais—tudo demasiado limpo para ser decorativo, demasiado afiado para ser apenas treino, era prática de combate.

Noel a observou por um momento de longe.

Depois, deu um passo à frente sem hesitar.

Ela não o olhou.

Não parou.

Ele esperou até ela completar a próxima sequência antes de falar.

"Selene."

Ela parou.

Giratou um pouco, só o suficiente para lançar um olhar para ele. Aquele olhar azulado e penetrante.

"Preciso falar com você."

Uma pausa.

Depois ela falou—suave, sem emoção.

"Fale."

"Vou ser breve," disse Noel, entrando na plataforma.

"Estou aqui em nome da Seraphina. Ela está concorrendo à presidência. Queremos seu apoio."

Selene abaixou o bastão e limpou o cabo com um pano, devagar e metódica.

"Minha decisão já está tomada."

Noel piscou uma vez.

"…Certo."

Selene não falou mais nada.

Ela voltou à sua postura, em pé, no centro da plataforma. Usava o uniforme padrão de treino—modificado para climas mais frios, com mangas reforçadas e gola alta. Seu cabelo azul longo estava preso em uma trança solta que balançava a cada movimento.

Na mão, o bastão mal tremia.

Seus olhos cianos, que brilhavam levemente, agora estavam focados na esfera de magia que pairava entre seus dedos. Uma construção azul-pálido, girando lentamente, com camadas de mana de gelo e compressão interna.

Noel respirou fundo.

"Você não gosta de política. Eu entendo."

"Mas sabe o que significa Dior se tornar presidente."

Selene não interrompeu sua conjuração.

"Não é questão de gostar de algo."

"Então, do que se trata?"

A esfera de magia expandiu-se um pouco, depois comprimiu-se até virar um núcleo do tamanho de um punho. Ela virou seu bastão, desenhando uma runa silenciosa no ar, e a mana permaneceu no lugar.

"Fiz minha escolha. É só isso."

Noel deu um passo à frente, com os braços cruzados.

"Então, por quem vai votar?"

Selene finalmente olhou para ele novamente.

"Não devo explicações."

"Certo," ele falou suavemente. "Obrigado pelo papo."

Ela assentiu.

Não falou mais nada.

Apenas se virou de volta para o centro do círculo.

E retomou seu treinamento.

Noel desceu o caminho de pedra que levava para fora do campo de treinamento, com as mãos nos bolsos, a cabeça inclinada um pouco para o céu.

O vento passou, seco e frio.

Seus passos ecoaram suavemente nas lajes.

Selene deixou claro o que queria.

Sem hostilidade.

Sem debates.

Apenas uma parede inabalável de certeza própria.

'Pois é, podia ter sido pior.'

'No romance, ela nem votou. Ficou fora de tudo como sempre.'

'Pelo menos agora ela está escolhendo.'

Ele não tinha certeza se era bom ou ruim.

Mas era diferente.

E isso importava.

'Já é uma mudança. Um fio a mais tirado do nós que esse mundo costumava usar.'

Ele exalou pelo nariz.

Meio suspiro. Meio respiro de alívio.

'Agora é esperar para ver para que lado ela vai inclinar a balança.'

Elyra estava no lugar de sempre.

Na segunda cadeira a partir da janela, com a pasta de relatório aberta à sua frente, a luz suave de uma lâmpada de mana lançando uma iluminação constante sobre a mesa.

Noel entrou sem bater.

Não precisou.

Ele fechou a porta atrás de si e se sentou na cadeira oposta como se fosse rotina.

"Não deu certo."

Elyra olhou de suas anotações.

"Ela se recusou?"

"Disse que já votou."

Elyra inclinou um pouco a cabeça.

"Por Seraphina?"

Noel deu de ombros.

"Não falou. Mas tenho certeza que não foi Dior."

Ela assentiu uma vez, pensativa.

"Isso é melhor do que eu esperava."

Noel recostou e cruzou os braços atrás da cabeça.

"Nem parece uma vitória."

"Ainda é uma mudança," Elyra disse de forma tranquila.

Noel olhou para o teto por um momento, depois voltou para ela.

"Vamos torcer para que essa mudança não vire na direção errada."

Elyra fechou cuidadosamente a pasta diante de si.

"Se acontecer, a gente corrige."

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