
Capítulo 51
O Extra é um Gênio!?
A luz do sol ao drowninge espalhava-se pelas janelas de vitral, projetando sombras distorcidas de vermelho e ouro no piso de pedra. Poeira flutuava como cinza no ar, girando lentamente na quietude.
O cômodo não era uma catedral—mas queria ser. Tecidos altos, arcos abobadados, mosaicos de vidro que retratavam nada sagrado. Não havia santos aqui. Apenas símbolos, e a silence de algo observando.
No centro da sala, sob o peso completo daquela luz fraturada, estava Kaelith Drosen.
Suas mãos estavam cruzadas atrás das costas. Seus cabelos prateados estavam presos de forma ordenada, seu casaco preto bem passado, impecável apesar da tensão que impregnava sua postura. Ele não falou.
Acima dele, sentados em um círculo de tronos de pedra elevados, esculpidos na parede circular, estavam seis figuras, cada uma envolta em um manto escuro, cada uma marcada com o mesmo sigilo queimar-se em vermelho ao longo do rosto de seus capuzes—um olho estilizado dividido por uma curva em forma de garra. O símbolo dos Herdeiros do Abismo.
Nenhum nome era mencionado aqui, nem cumprimentos trocados.
Este era o julgamento.
Kaelith levantou o olhar, sua expressão calma.
Ele sabia por que estava ali.
Logo atrás dele, uma vibração suave agitava o ar. Uma nova presença se materializou—uma orb de cristal, preta como obsidiana, suspensa no ar, começou a vibrar suavemente. Dentro dela, uma imagem tênue de uma figura humanoide surgiu: sem detalhes, distante, envolta em camadas de sombras e luz como fumaça retorcendo-se.
E então, ela falou.
Não com palavras normais.
Com peso.
"Servo preso do destino despedaçado... fale seu pecado."
A voz ecoou como aço contra vidro. Não vinha da orb. Vinha de todas as superfícies da sala.
Kaelith fechou os olhos brevemente, depois baixou a cabeça.
"Falhei, mestre."
A silêncio persistiu por vários segundos longos. Kaelith permaneceu imóvel, no centro da câmara, a luz das janelas de vitral lançando vermelhos profundos sobre seu rosto.
Então, as vozes vieram—uma após a outra, distorcidas, mas inconfundivelmente humanas sob a interferência.
"Então é isso? 'Fali'? Você nos chamou aqui só pra dizer isso? Você bugou, sabia?"
Outra voz, mais aguda, mais irritada que a anterior.
"Você tinha tudo. O professor Caldus. Os peões. Toda a preparação. E o que recebemos? Gritos, fogo, novos heróis, e uma missão fracassada?"
Alguém à sua esquerda soltou uma risada amarga.
"Toda essa preparação, e uns estudantes te trombaram. Patético."
Kaelith manteve a postura ereta, os olhos fixos.
"Júri de variáveis ativas. Alguns atores agiram antes do esperado, havia algo que não prevíamos."
"Atores? Não romanticize. Você foi superado por crianças, nem mais, nem menos! Por crianças, você, o grande prospecto Kaelith, a futura sétima coluna. Fracassou feio."
"Esperamos anos por esse alinhamento, e você estragou tudo porque quis 'lidar diretamente'. Boa jogada, Kaelith."
Outra voz, entediada e lenta.
"Quantos ciclos ainda temos antes de a convergência fechar de novo? Três? Talvez dois?"
"Mais próximo de um. E você desperdiçou esse."
Kaelith respirou fundo uma vez.
"Aceito o peso do fracasso. Não nego."
De cima, a pedra de obsidiana pulsou novamente. A figura sombria dentro dela não se moveu, mas sua voz—desumana, fria e vasta—repercutiu pela câmara.
"Erro… é desvio.
Desvio… é ruína.
Ruína… é contágio."
Isso silenciou os demais por um momento.
Kaelith baixou um pouco o olhar.
"Eu vou consertar."
"Não, não. Você vai tentar," cortou uma das figuras de capuz. "Você não reconquista a nossa confiança assim tão fácil, pelo menos não de nós."
"Se te deixarmos tentar de novo, é porque acabaram as horas. Não porque você mereça."
Kaelith assentiu uma vez. Sem arrogância em seus gestos, sem desculpas também; sabia que tinha falhado feio, essa missão era importante.
"Eu vou acertar. Já tenho um plano."
A cristal pulsou mais uma vez, e a voz retornou—agora mais profunda, ressoando através da pedra.
"Então fale, Kaelith do Fio Quebrado.
O círculo ouve. Que esta seja… sua última chance."
Kaelith ergueu o queixo um pouco enquanto os ecos finais da voz se desvaneciam na pedra. O brilho da cristal diminuiu, mas sua presença permanecia como uma lâmina suspensa logo acima da garganta.
Inspirou lentamente, controladamente.
"Entrarei na academia sob um novo nome. Um substituto para o cargo deixado por Caldus."
Algumas figuras de capuz mexeram-se em suas cadeiras, mas ninguém falou.
"A estrutura está frágil. A administração tenta esconder as consequências do Banquete. O diretor está cercado por politics internas. É a hora perfeita para inserir um novo ator, e esse ator serei eu."
Avançou um passo, ainda dentro dos limites do círculo.
"Uma vez lá dentro, operarei do centro. Sem planos abrangentes. Desta vez, vamos cortar um por um. Se eu for professor, terei acesso a todas as instalações da academia, e ninguém vai desconfiar de mim."
Antes de continuar, deixou as palavras assentar.
"Os responsáveis pelo colapso… os que interromperam o ritual e desviaram a atenção do público. Eu os vi durante a cerimônia de premiação."
Ficou em silêncio por um momento, depois listou os nomes como se fosse esculpi-los nas paredes da câmara.
"Elena von Lestaria. Marcus. Clara de Nivária. Selene von Iskandar e mais…"
Hesitou.
"Noel Thorne… o nome dele foi chamado na cerimônia também. Mas ele não apareceu."
Os olhos de Kaelith se estreitaram levemente, como se estivesse revivendo o momento.
"Não explicaram por que, nenhuma ferida foi reportada, e não há registros de ausência formal—ele simplesmente sumiu, como se tivesse desaparecido sem aviso ou razão, deixando apenas silêncio e perguntas sem resposta."
Uma voz à esquerda revirou-se em reprovação.
"Então ele foi inteligente o bastante para ficar fora do palco. Isso não o torna irrelevante—isso o torna interessante."
Outra voz, mais baixa e cautelosa, acrescentou:
"Cheque-o. Os quietos são os que apodrecem a base; você precisa checar todas as variáveis dessa vez. Se fracassar de novo, você morre."
Kaelith assentiu rapidamente.
"Vou fazer isso. Se provar que é relevante, será oficialmente adicionado à lista. Por enquanto, é só um personagem de fundo."
A calma voltou—mas não era paz. Era decisão.
A cristal de obsidiana pulsou novamente, agora mais violentamente. A luz dentro dela se torcia como nuvens de tempestade se fechando.
Então veio a voz.
"Um caminho resta.
Um fio… ainda tenso.
Mas os fios se desfiam.
E os fios se rompem."
Kaelith permaneceu imóvel. As chamas vermelhas das janelas de vitral dançavam em seu rosto, mas seus olhos não se mexeram. Esperou pelas últimas palavras.
"Concedemos… tréguas. Uma decisão que foi final e absoluta, mas vinculada a condições ocultas."
O chão de pedra sob seus pés começou a brilhar. Um sigilo—intrincado, circular, mais antigo que o próprio reino—se espalhou como tinta na água, se esculpindo na pedra com luz vermelha.
Uma figura de capuz se levantou de sua cadeira e desceu silenciosamente na direção dele, carregando uma pequena haste de marca de obsidiana em ambas as mãos. Na ponta, o mesmo símbolo carmesim que marcava seus capuzes: um olho estilizado dividido por uma meia-lua em forma de garras.
Kaelith puxou a manga esquerda do casaco e estendeu o antebraço sem hesitar.
A marca se acendeu ao contato.
Não houve som.
Nem grito.
Apenas carne queimada e o cheiro agudo de mana reagindo a magia antiga e proibida.
O símbolo se gravou em sua pele—permanente, negra, viva.
"Deixe a marca queimar até a tarefa estar concluída," ecoou a Voz.
"Se fracassar novamente… você não retornará ao silêncio, mas à erosão."
Kaelith abaixou o braço e olhou para a ferida. As linhas pulsavam suavemente, não com dor, mas com uma espécie de frieza nítida.
"Entendo," disse ele.
As portas pesadas da câmara rangeram ao se abrirem, deixando entrar o primeiro ar frio da noite.
Kaelith passou por elas sem olhar atrás.
Não mancou. Não hesitou. Mas, assim que as portas se fecharam e o som do canto desapareceu, sua expressão mudou.
A calma perfeita se quebrou em algo mais frio—algo amargo.
Olhou para a marca no braço, agora escondida sob a manga novamente, e exalou pelo nariz.
“…Idiotas."
Sua voz foi baixa, mas veneno impregnava cada sílaba.
"Vão pagar por me fazer ajoelhar diante desses degenerados."
Começou a caminhar, cada passo ecoando pelo corredor como um relógio tocando.
"E ele, com seu blá blá enigmático... 'os fios se desgastam, os fios se rompem'—que tal falar como uma pessoa de uma vez, ele nem aparece fisicamente como os outros, quem ele pensa que é?"
Ele tossiu para si mesmo, embora não houvesse humor naquilo.
"Sempre que ele abre aquele cristal, parece que alguém está lançando uma maldição de poesia."
Kaelith parou em uma encruzilhada onde dois corredores se cruzavam, seu olhar se ergueu em direção a uma janela que mostrava o céu sanguinário–alaranjado acima.
Então, seus olhos se estreitaram.
"Mas tudo bem. Eu dançarei na sua mão por ora."
Ele tocou a borda da marca sob o casaco, sentindo a dor ainda pulsar na pele.
"Vamos ver quanto tempo eles sorriem quando eu começar a tirar pedaços do tabuleiro."
"Ah… Vocês vão ver, seus idiotas, o nome de Kaelith Drosen será gravado na sua cabeça."
E, com isso, desapareceu na escuridão que descia.