
Capítulo 50
O Extra é um Gênio!?
A luz da manhã filtrava pelas altas janelas de seu quarto, tocando o chão polido e o uniforme da academia dobrado na cadeira próxima. Noel estava na beirada da cama, completamente vestido, mas imóvel, olhando para a janela do sistema aberta.
Ele esperou três dias para apertar o maldito botão.
E agora, não havia mais nada para adiar.
Ele respirou fundo e selecionou Reivindicar Recompensa.
A luz diminuiu.
Um pulso percorreu sua mão—frio e cortante. Então, algo apareceu acima da palma da sua mão.
Um anel pequeno, fosco preto com um único esmeralda embutida na superfície, pairava no ar. Sua presença era silenciosa, mas pesada, como um segredo que ninguém deveria ter se lembrado.
O sistema respondeu.
[Item Identificado]
Nome: Sigilo Sombrio – Marca do Herdeiro Perdido
Tipo: Artefato – Anel
Classificação: ??? (Não desperto)
Descrição: Forjado nas vaults esquecidas sob a propriedade dos Thorne, o Sigilo Sombrio nunca foi usado por nenhum legítimo herdeiro. Não foi dado, nem herdado.
Status: Vinculado ao Usuário – Noel Thorne
Atributo: Protocolo Reverso – Quando acionado, o Sigilo retrocede o tempo em seis segundos, desfazendo um evento ou resultado fatal.
Tempo de Recarga: 30 dias
O anel pairou por mais um instante, então abaixou suavemente na sua mão. O metal era morno ao toque, quase como se tivesse um pulso.
Noel o rodou entre os dedos, depois soltou uma risada baixa.
"Hehehehe... mais um item desbalanceado. Hehehe..."
A esmeralda refletia a luz enquanto ele deslizou o anel pelo dedo. Ficou perfeito, como se sempre tivesse pertencido ali.
Ele levantou a mão, a inspecionou, e assumiu um sorriso de satisfação consigo mesmo.
"É leve, discreto e parece caro. Ninguém vai desconfiar por que um nobre tem um anel."
Abriu o sistema novamente e leu a descrição mais uma vez.
Sua expressão se alargou um pouco.
"Consigo voltar no tempo. Isso é insano. Droga... Vai me ajudar bastante a partir de agora. Só preciso usar com cuidado—recarga de trinta dias não é brincadeira."
Ele fechou a janela e recostou-se um pouco, olhando para o teto.
Este mundo acabara de lhe entregar uma arma disfarçada de joia.
E ele não tinha ideia do que planejava fazer com ela.
O dia passava lentamente, exatamente como Noel gostava.
Ele tinha comido, revisado seus livros, afiando a espada, e ainda tinha horas antes da carruagem chegar. Sem nada melhor para fazer, decidiu praticar algo simples—apenas tecelagem básica de mana, para garantir que seu controle não estivesse deteriorado após ficar dias inconsciente.
Entrou na sala de treinamento nos fundos da propriedade. Uma câmara silenciosa, com piso de pedra, frequentemente não utilizada. Havia algumas estantes com materiais mágicos, uma das quais continha uma caixa aberta de pó cristalizado—volátil, caro e definitivamente não para ser exposto assim.
'Isso está malfeito,' pensou, observando a tampa aberta.
Balanceou os ombros, flexionou os dedos e começou a moldar mana entre as mãos. O núcleo estava estável, mas o tecelagem piscou por um momento, interrompido por um pico de fluxo vindo do lado esquerdo—energia demais, rápido demais.
Ele reagiu tarde demais.
A bola de mana em sua mão estalou, então explodiu, e um arco rebelde disparou direto contra o recipiente de pó aberto.
"Droga."
Então, tudo parou.
Não foi como se o tempo desacelerasse—parou.
E, na próxima respiração, ele estava exatamente onde tinha estado seis segundos antes. As mãos erguidas. O recipiente de pó ainda fechado. A mana ainda não tinha sido formada.
Um suave brilho desapareceu da esmeralda em seu anel.
Uma mensagem apareceu.
[Sigilo Sombrio – Protocolo Reverso Ativado]
Tempo Retrocedido: 6,1 segundos
Próxima Utilização Disponível Em: 30 dias
Noel olhou para o painel, depois lentamente abaixou as mãos.
"…Huh."
Virou a cabeça, olhou para o recipiente, depois para as pontas dos dedos onde a tecelagem quase dera errado.
Então, olhou para o anel.
"Ok. Isso é legal."
Sentou-se na bancada, apoiando os cotovelos nos joelhos, e soltou uma respiração aguda pelo nariz. Não foi surpresa—foi mais um respeito próximo.
"Essa coisa apagou um erro como se nunca tivesse acontecido."
Olhou novamente para o anel. A esmeralda agora estava opaca, quase inerte.
DHC (dele) riu uma vez.
"Sim. Você e eu... vamos nos dar bem."
Noel voltou ao seu quarto com o mesmo ritmo calmo de sempre. Ao exterior, parecia relaxado. Internamente, ainda processava o que tinha acontecido.
O anel tinha agido sem hesitar. Ele também. Isso por si só já valia um bom pensamento.
Fechou a porta atrás de si, puxou a cadeira na escrivaninha e abriu a janela do sistema.
Dessa vez, não foi para suas estatísticas. Abriu uma nova aba intitulada [Artefatos].
[Artefato Vinculado Detectado]
Nome: Sigilo Sombrio – Marca do Herdeiro Perdido
Status: Tempo de Recarga — 29 dias, 23 horas, 48 minutos
Atributo: Protocolo Reverso
O tempo foi revertido em 6,1 segundos para evitar dano crítico.
Ele estudou a tela por um tempo, expressão indecifrável. Então, recostou-se e abriu o registro geral, apenas para verificar se algo mais havia mudado.
Uma nova mensagem piscava no topo da interface.
[Ato I Completo]
Continue se esforçando!
Noel olhou para ela.
Sem explicação. Sem recompensa. Sem fanfarras dramáticas.
Apenas essas quatro palavras, brilhantes e azuis.
Ele respirou fundo uma vez e fechou a janela.
"Certo. Obrigado pelo apoio emocional profundo."
Mas as palavras permaneceram.
Não porque fossem inspiradoras, mas porque, pela primeira vez, o sistema havia reconhecido o encerramento de um capítulo.
E algo mais começando.
Uma batida na porta.
Dessa vez, quem entrou não foi um servo—foi o mordomo, vestido de preto formal, com uma pequena caixa de madeira nas mãos. Aproximou-se da mesa, colocou-a sem comentário, recuou um passo e aguardou.
Noel levantou uma sobrancelha.
"Sem nota desta vez?"
O homem não disse nada, apenas fez uma reverência e saiu da sala.
Noel abriu a caixa.
Dentro, repousando sobre uma almofada de veludo escuro, havia um broche de prata em forma de uma serpente enrolada ao redor de uma espada vertical. O design era antigo—muito antigo. Não tinha o brasão atual de Thorne. Este remete aos tempos anteriores à ascensão da família, quando ainda eram considerados uma linhagem selvagem das regiões de fronteira.
Ele o pegou cuidadosamente.
O metal era frio e liso, perfeitamente preservado. Não havia encantamento, assinatura de mana ou inscrição.
Apenas o símbolo.
Algo que só alguém que estudasse a história da família reconheceria.
Ele virou uma vez e guardou no bolso interno do casaco.
'Pra que diabos isso serve, bem, seja lá o que for, vou guardar pra depois.'
Noel ainda não sabia o significado. Mas, vindo de Albrecht, não foi dado levianamente.
E também não era para ser usado publicamente.
Os portões da academia pareciam os mesmos, mas tudo o mais parecia... mais limpo.
Noel desceu da carruagem, mãos nos bolsos do casaco, o frio levemente cutucando seu rosto. Os estudantes já estavam desembarcando, falando alto, arrastando bagagens em direção às residências. Ele avistou alguns rostos familiares—nenhum deles olhou para ele.
Ótimo.
Enquanto ajustava a alça da mochila, uma voz alta cortou a multidão.
"Ora, ora, ora… se não é o fantasma da Classe A."
Noel virou na hora certa para encarar Roberto colocando a mão no ombro dele, como se não tivessem quase morrido no mês passado.
"Você não parece morto," disse Noel.
"Você não parece grato por eu estar vivo," gracinou Roberto.
"Ainda estou decidindo."
Ambos riram.
Começaram a caminhar juntos rumo às residências, atravessando grupos de estudantes enquanto conversavam.
"Então?" perguntou Noel. "Você finalmente oficializou com aquela garota da aula de Combate Físico?"
Roberto deu um sorriso de lado.
"Sim. Há duas semanas. A Clara disse que eu devia parar de ser covarde e convidá-la para sair, então fiz isso."
"E ela?"
"E ela topou. Aparentemente, achava que eu já era namorado dela há uns meses e não queria me encher de vergonha ao dizer que sim."
"Nossa," murmurou Noel. "Você ganha por acaso."
"Exatamente, e com orgulho. Ela é inteligente, forte, e ainda dá risada das minhas piadas. Vou garantir essa."
"Você fala como se tivesse concorrência."
Roberto deu de ombros. "Aqui, todo mundo é concorrente."
Noel assentiu uma vez, divertido.
Quando chegaram ao pátio principal, ele notou algo novo. Um dos prédios ainda tinha andaimes e uma nova camada de pedra ao lado.
"Que diabos é aquilo?" perguntou.
"Ah, é—você perdeu a atualização. Novos arranjos nas residências," disse Roberto. "Fizeram algumas reformas enquanto a gente tava fora. Banheiros melhores, aparentemente. E…"
Ele fez uma pausa dramática.
"…eles adicionaram uma Classe S."
Noel ergueu uma sobrancelha.
"S?"
"Pois é. Acima de A. Ninguém sabe exatamente os critérios, mas dizem que é só por convite. Tipo, nem classificação, é por outro critério. Habilidade? Compatibilidade de mana? Talvez baboseira política."
"Hm."
"Vai tentar entrar?"
Noel bufou.
"Se eu quisesse, já estaria lá."
Roberto deu-lhe um sorriso.
"Lá está."
Continuaram caminhando pelo pátio principal, a academia reencontrando sua vibração com vozes, movimento e uma tensão nova no ar. Novos prédios onde antigos tinham sido remendados, rostos desconhecidos nas passarelas, e os rumores antigos já substituídos por outros mais novos, mais barulhentos.
Mas, apesar de todas as mudanças, ainda cheirava a ambição, desespero… e mana.
Algumas coisas nunca mudam.
As campainhas soaram baixinho pelo campus, sinalizando o início oficial do segundo semestre.
Estudantes se moviam como rios entre os prédios, uniformes recém-passados, vozes ecoando pelos corredores de pedra. Professores chamavam nomes, horários eram distribuídos, e anúncios rolavam pelas telas flutuantes no céu.
Noel encostou-se numa das colunas de mármore na borda do pátio, assistindo.
'Segundo semestre... último antes do fim do primeiro ano.'
Ele olhou para o céu.
'Quase um ano desde que vim para este mundo. Seis meses já se passaram.'
Tudo ao seu redor parecia igual—paredes, árvores, uniformes—mas nada mais era como antes.
De acordo com o romance original, duas grandes eventos ainda estavam por vir antes do encerramento do ano. Um público, barulhento e encenado quase como uma apresentação. O outro escondido. Mortal. O tipo de problema que você nem percebe quando começou, até que o número de corpos aumenta.
Ele suspirou pelo nariz.
'Hmmm… a missão principal está sendo uma dor de cabeça, como sempre.'
Adjustou o casaco, rolando os ombros.
'A história já mudou, então não posso simplesmente sentar e esperar que siga o roteiro. Se quiser continuar guiando isso, tenho que fazer na frente.'
Chega de se esconder. Chega de observação passiva.
Marcus ainda não tinha avançado, mas, segundo o livro, ele faria—exatamente neste semestre. Os eventos vindouros eram o que o transformariam num portador de Núcleo Avançado. No herói que o mundo deveria seguir.
O que significava que Noel tinha trabalho a fazer.
Ele não buscava mais apenas igualar o protagonista original. Precisava superá-lo.
Se quisesse impedir o que se aproximava, não podia ser igual. Tinha que ser melhor, mais forte, mais rápido—e duas jogadas à frente, sempre.
Noel olhou para o anel na mão.
Uma ferramenta assim não pertencia a um personagem secundário.
Ele se virou, entrou na multidão de estudantes.
'Tudo bem. Hora do espetáculo.'
O Ato I tinha acabado.
Agora, a verdadeira história podia começar.