O Extra é um Gênio!?

Capítulo 25

O Extra é um Gênio!?

Na noite anterior, Noel ficou diante do pequeno espelho acima da mesa, encarando seu próprio reflexo.

Sua pele ainda parecia saudável demais. Seus olhos, demasiado afiados. Nenhum sinal de doença por perto.

'Se quiser fazer isso parecer real, precisa parecer verdade.'

Ele pegou uma pequena ampola na gaveta — um disruptor de mana de baixa intensidade, algo que comprara semanas atrás em uma barraca clandestina escondida perto do campo de treinamento. Inofensivo em doses pequenas. Apenas o suficiente para interromper seu fluxo de mana e fazê-lo parecer cansado.

Ele soltou a rolha e inalou uma fina fumaça da substância nevoenta.

Instantaneamente, sua pele ficou avermelhada.

Sua respiração tornou-se levemente irregular. Seu pulso acelerou nos ouvidos.

Ele tossiu uma vez, a região do peito se contraindo levemente.

'Perfeito.'

Ele guardou a ampola de volta na gaveta, despiu-se e se jogou na cama, deixando a interrupção agir em seu sistema durante a noite toda.


A manhã chegou rápida — e difícil.

Quando Noel se sentou, sentiu-se realmente mal.

Suor escorria pela testa, e seus músculos doíam como se tivesse ficado acordado até tarde levantando móveis.

'Droga. Acho que exagerei um pouco.'

Ele vestiu o uniforme da academia de forma frouxa, deixou a camisa meio amassada, e foi cambaleando em direção à enfermaria com a quantidade certa de energia lastimável.

A enfermeira de plantão mal levantou uma sobrancelha ao vê-lo entrando cambaleante, segurando a cabeça.

"Você está um horror," ela disse, direta.

Noel forçou uma voz rouca. "Febre. Cabeça parece que vai explodir."

Ela fez alguns feitiços diagnósticos — diagnósticos padrão de mana, verificações básicas de temperatura e fluxo de energia.

Sua expressão suavizou.

"Você realmente não deveria estar na aula assim."

Ela escreveu uma nota rapidamente, carimbou com um selo encantado e entregou a ele.

Três dias de dispensa das aulas.

Noel assentiu, frágeis, guardou o documento na parte interna do uniforme e fez uma reverência de agradecimento.

Assim que saiu da enfermaria?

A fadiga caiu de sua postura como uma capa que escorregasse.

'Primeira parte concluída.'

Agora era hora do plano verdadeiro.

Nesta noite — a ruiva.

Noel não voltou ao dormitório após sair da enfermaria.

Ele não precisava.

Ao invés disso, ele fez um percurso ao redor da ala dos dormitórios, passando pelos caminhos laterais que a maioria dos estudantes ignorava — trilhas silenciosas onde as lanternas da academia não brilhavam forte, onde patrulhas quase não passavam.

Sua presa logo viria por ali.

No tempo exato.

A estudante ruiva caminhava pelo caminho estreito ao lado do depósito de equipamentos, sozinha como sempre — silenciosa, concentrada, sem suspeitas.

Noel se moveu com velocidade treinada.

Um golpe preciso no pescoço. O ruivo desabou instantaneamente.

Noel não perdeu tempo.

Agarrando o garoto inconsciente pelos braços, arrastou-o para um beco lateral — um lugar que tinha explorado há uma semana, escondido entre dois armazéns desativados, meio coberto de trepadeiras, com pedras escorregadias de musgo e sujeira.

Um lugar por onde ninguém passava.

Jamais.

Assim que entrou, Noel começou a agir.

Amarrando os pulsos e tornozelos do garoto com uma corda encantada — bem firme e feita para suprimir o uso de mana. Depois, colocou um pedaço de pano na boca do menino e o segurou com um feitiço de abafamento básico, só por segurança.

O ruivo gemeu uma vez, quase imperceptivelmente.

Ainda inconsciente.

Noel sentou-o contra a parede, cobrindo-o com uma lona velha que tinha escondido ali antes, exatamente para esse momento.

Depois, recuou, verificou o perímetro mais uma vez e respirou fundo.

'Seguro. Fora de vista. Não vai acordar por horas.'

Olhou para o céu.

O sol começava a declinear.

Ainda tinha tempo para se preparar.

Exatamente às 22h, ativaria o objeto guardado com segurança no bolso —

Feitiço do Tecelão do Véu

Tipo: artefato utilitário de ilusão[1]

Função: altera temporariamente a aparência física (máximo de 30–45 minutos)

Era tudo que precisava.

Conhecia a rotina.

Às 10h pontualmente, a ruiva e os demais sempre saíam para algum lugar.

E nesta noite?

Ele seria quem estaria no lugar deles.

A sineta na torre distante soou suavemente.

Exatamente às 10 horas.

Noel puxou o Feitiço do Tecelão do Véu do bolso — um disco fino de prata gravado com padrões rúnicos esparsos. Pulsava suavemente em sua mão, detectando a mana presente em seu sangue.

O segurou contra o peito e sussurrou a frase de ativação que memorizarara.

O feitiço brilhou com uma luz azul suave.

Uma tontura o atingiu — mas só por um segundo.

Quando Noel piscou, seu reflexo nas poças ao seu redor mostrou outra pessoa: a estudante ruiva. Mesmo cabelo bagunçado, mesma postura, mesma ligeira curvatura no ombro esquerdo.

Perfeito.

O feitiço não duraria muito — talvez 30 a 45 minutos, no máximo — mas era o suficiente.

Ele ajustou o capuz sobre os ombros, enfiou as mãos nos bolsos, como tinha visto a ruiva fazer inúmeras vezes, e deu início à caminhada.

Passo casual.

Silencioso.

Noel voltou ao caminho, seguindo em direção ao ponto de encontro próximo à parte abandonada da academia — logo fora das galerias de laboratório.

Não precisou esperar muito.

Outras duas figuras se aproximaram na escuridão, envoltas em capas e capuzes, os rostos escondidos por máscaras simples.

Exatamente como sempre.

Ninguém falou.

Um deles acenou — sinal.

Os três avançaram juntos até a entrada escondida: uma pequena porta reforçada, disfarçada de parte de um antigo depósito de manutenção.

O líder bateu: dois leves toques, um mais forte.

Uma fenda fina se abriu. Uma voz falou pela brecha, baixa e seca.

"Senha."

O líder respondeu — não Noel.

Nem ouviu toda a frase. Não era necessário.

A porta rangeu ao abrir, os dobradiças de ferro gemendo.

Entraram sem hesitação.

A porta se fechou com um estrondo metálico, trancando-os numa sala carregada de mana e segredos.

Noel manteve a cabeça abaixada, o capuz baixo.

O corredor à frente era estreito, revestido de pedras antigas e rachadas, que pareciam vibrar levemente com encantamentos adormecidos. O ar tinha um cheiro de umidade, fumaça, e algo afiado — como metal queimado.

Andaram em silêncio, só o som do tênis contra as pedras antigas.

Ao final do corredor, o espaço se abriu numa grande câmara subterrânea.

A respiração de Noel travou por um instante — não de medo, mas de pura incredulidade.

Parecia um cassino ilegal.

Dezenas de mesas espalhadas pela sala, com figuras mascaradas agrupadas em pequenos grupos. Alguns jogavam dados encantados, outros trocavam pergaminhos e moedas sob olhares atentos de funcionários de máscara de porcelana.

Cristais de mana embutidos no teto pulsavam com luz baixa e colorida, mergulhando tudo numa aura surreal, como sonho. As paredes estavam cobertas de sigilos complexos, feitos para abafar o som e bloquear a vigilância mágica.

Todos usavam máscara.

Todos fingiam não notar ninguém ao redor.

'Inteligente.'

Ele seguiu caminhando, ficando logo atrás dos dois que entraram com ele.

Passaram pelo salão sem trocar palavra, ignorando as jogatinas e negócios, e atravessaram uma cortina de veludo pesada no canto mais distante.

Depois dela —

Um pequeno cômodo privado.

Dois sofás.

Uma mesa.

E duas pessoas esperando.

O cômodo era menor do que Noel imaginava. Paredes nuas. Uma mesa de madeira simples, marcada por vieiras antigas. Dois cadeões pesados, semelhantes aos de uma sala de júri ou de um aposento de nobre.

O ar tinha cheiro de madeira velha, poeira, e um leve sotaque de mana queimada.

Noel ficou tenso atrás das duas figuras que entraram antes dele. Nenhum deles se sentou. Nenhum falou.

Não era esperado.

Essa reunião não era de perguntas ou diálogos.

Era de ordens.

Sentado à cabeceira da mesa, o professor Caldus, com o rosto escondido por uma máscara meia de prata escura, tinha uma voz — calma, seca, definitiva — inconfundível.

Ao seu lado, encostado ligeiramente na parede, estava o homem desconhecido. Mais alto, completamente encapuzado em preto, sua presença tão fria que parecia baixar ainda mais a temperatura do ambiente.

Caldus foi o primeiro a falar.

"Esta é a última atualização," disse, com a voz clara, atravessando a sala. "Tudo está em ordem."

Noel permaneceu imóvel, respirando superficialmente.

O homem desconhecido falou — voz suave, sem pressa — refinada, de uma nobreza que transparecia, mas mais fria que qualquer burocrata que Noel já conhecera.

"A festa seguirá conforme o planejado pela Academia. Não há necessidade de mudanças nesse ponto. Nossa janela permanece exatamente de três horas."

Caldus concordou com um leve aceno. "Os estudantes estarão distraídos. A supervisão dos funcionários será mínima, além da presença cerimonial. Os encantamentos de segurança foram analisados. Detectamos várias... falhas."

Noel apertou os punhos sob as mangas.

'Falhas? Talvez sabotadas?'

O homem desconhecido prosseguiu.

"As forças externas estão preparadas para atacar imediatamente ao sinal. A equipe de ataque criará pânico e confusão. Devem priorizar o caos, não a precisão. Colaterais são aceitáveis."

Caldus endireitou ligeiramente as costas.

"E o objetivo principal?"

O tom do homem desconhecido ficou mais severo.

"O objetivo não é matar todos. A morte em massa é uma ferramenta. O medo é a arma. Precisamos de sobreviventes."

Houve um momento de silêncio — denso, pesado.

Depois, Caldus disse: "Entendido."

Noel tentou não se mover, nem mesmo retesar. Absorvia cada palavra como solo seco que bebe chuva.

O homem desconhecido mudou de posição.

"Quanto à segunda medida… as cargas já estão colocadas."

Cargas.

Explosivos.

O coração de Noel bateu mais forte, mas seu corpo permaneceu estável.

"Estão escondidas sob o salão de banquetes — embutidas nos fixadores secundários da estrutura. Quando o comando for dado, os dispositivos serão ativados simultaneamente."

Caldus questionou, quase casual:

"E os fail-safes?"

"Se a primeira detonada não disparar, timers secundários estão programados. Quando começarem, não haverá saída."

A voz do homem era fria e convicta.

Noel se esforçou para respirar com calma.

O homem desconhecido continuou, implacável:

"Pontos de fuga estão prontos para os membros essenciais. Todo o resto será abandonado. Baixas entre os alunos são irrelevantes. Baixas entre o corpo docente são aceitáveis, mas devem ser minimizadas, para não comprometer a fase final."

Fase final?

Havia mais?

Porém, eles não detalharam.

Caldus inclinou a cabeça em sinal de obediência perfeita.

"Vamos seguir as instruções. Os estudantes sob meu comando estão prontos. Cumprirão suas tarefas sem desvios."

O homem desconhecido concordou lentamente.

"Bom."

Silêncio.

Então, finalmente, Caldus se dirigiu às três figuras encapuzadas em silêncio — o grupo da ruiva.

"Vocês têm suas ordens. Conhecem seus papéis. Não haverá lembretes. Nem segundas chances."

O homem desconhecido acrescentou baixinho:

"A noite será registrada na história."

E, após isso, ambos ficaram em silêncio.

Terminou.

Noel manteve a cabeça abaixada, com a máscara, o coração pulsando forte sob olhos calmos.

Fez uma reverência leve, seguindo a liderança dos demais, e saiu com eles enquanto deixavam a sala.

Nenhuma palavra trocada.

Nenhum erro cometido.

Por dentro?

Noel ardia de raiva.

A volta para o dormitório pareceu maior do que realmente era.

Noel seguiu pelas ruas secundárias, cortando pelos pátios vazios e corredores silenciosos de manutenção, enquanto o peso de tudo o que ouvira caía pesadamente sobre seus ombros.

Explosivos.

Equipes de ataque.

Medo como arma.

As peças se encaixavam, e a imagem era muito pior do que ele se lembrava do livro.

Mas não havia tempo para se desesperar.

Ainda tinha uma última coisa a fazer naquela noite.

Ele se desviou do caminho principal do distrito dos dormitórios, voltando na direção do beco oculto onde tinha deixado a ruiva amarrada e inconsciente.

O garoto ainda estava lá.

Exatamente onde Noel o deixara.

Respirando, ainda inconsciente.

Ótimo.

Sem perder tempo, Noel desamarrou-o, colocou novamente o capuz sobre os ombros para esconder as marcas das cordas, e o colocou nas costas em uma posição de bombeiro.

Movendo-se rápido, misturou-se às sombras.

Cruzou os terrenos sem ser visto e chegou às escadas de pedra da enfermaria da academia.

Dentro, a luz suave das lâmpadas de mana iluminava o pequeno saguão, estéril e silencioso.

A mesma enfermeira de manhã olhou para cima ao vê-lo, sobrancelhas levantadas.

"De novo você?" ela disse, seca. "Chegou a visitar hoje?"

Noel ajustou o peso do ruivo nas costas e bufou. "Sim. Não pra mim desta vez."

Ele apontou com queixo para o garoto inconsciente.

A boca da enfermeira se estreitou, preocupada. Ela se levantou imediatamente, convocando uma prancha de levitação com um movimento de pulso.

"O que houve?"

"Encontramos ele lá fora," disse Noel, de modo equilibrado. "Desmaiado. Provavelmente por exaustão de mana ou algo assim."

Ela não quis saber mais — só murmurou sobre estudantes que se esforçam demais e começou a manobrar o garoto na prancha, realizando feitiços que diagnósticos e outros adiantados.

Noel observou por tempo suficiente para garantir que o ruivo estivesse bem cuidado.

Depois, virou-se e saiu.

'Feito. Sem suspeitas.'

Quando chegou ao dormitório, a fadiga o dominou como uma onda.

Despir-se de disfarce foi automático, jogou as roupas emprestadas na câmara de roupas escondida, e entrou no banho de cabeça quente, lavando o suor, a tensão, o sangue que pulsava em seus ouvidos.

'Amanhã... amanhã começo a montar um plano.'

'Preciso de aliados. Preciso de contramedidas. Preciso encontrar aquelas bombas.'

'Se não fizer isso... todos vão morrer.'

Noel encostou a testa na parede fria por um instante, deixando o vapor confundir sua visão.

Depois, desligou a água, arrastou-se até a cama e desmaiou antes mesmo de a cabeça tocar o travesseiro.

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