O Extra é um Gênio!?

Capítulo 24

O Extra é um Gênio!?

"Vou dizer de novo—desculpa pelo que aconteceu antes," murmurou Noel. "Mas era necessário."

"Necessário de que jeito?" Elyra disparou. "Você podia ter me contado no caminho, ao invés de me arrastar até aqui."

Eles estavam em um estreito beco nos fundos, atrás dos alojamentos de Classe A, entre prédios altos de pedra cujas paredes cobertas de musgo brilhavam levemente sob luminárias de mana fracas. O chão era irregular, cheio de poças e com occasional pedaços de cascalho sob os pés. O cheiro no ar era de pedra úmida e algo menos agradável—tipo poções descartadas ou encantamentos de limpeza negligenciados.

Elyra parecia visivelmente deslocada ali.

Ainda vestida como na festa: uma jaqueta de vermelho profundo pendurada cuidadosamente sobre os ombros, cobrindo uma blusa de seda escura e ajustada. As calças eram feitas sob medida, de origem nobre, colocadas dentro de botas de couro macio com detalhes prateados. Ela usava uma cadeia fina ao redor do pescoço que reluzia fracamente sob a luz da lua—simples, elegante, inconfundivelmente cara.

E agora ela olhava para ele com cara de quem queria lhe dar um soco na boca.

"Essa opção não era possível," afirmou Noel, firme. "Mesmo que eu preferisse."

"Então, qual é a coisa séria que você precisava me contar?"

"Encontrei alguma coisa. Algo importante," disse ele. "Tem a ver… com, sabe, a nossa situação."

O semblante dela mudou imediatamente—ombros erguidos, olhos afiados.

"Fala."

Noel respirou fundo.

"Tenho feito algumas coisas sozinho. Como agora há pouco—accompanyei alguém de volta da festa."

Os olhos de Elyra se estreitaram. "Você foi à festa?"

"Na mesma que você foi," respondeu ele. "Você não me viu."

"Vamos ao ponto. Se é importante, não tem tempo a perder."

Ele hesitou por apenas um instante.

Ainda não sabia exatamente como essa informação que dava a ela alteraria tudo. Mas ele já tinha mudado tanto as coisas. Se conseguisse cumprir o primeiro ato—O Banquete Sangrento—talvez pudesse improvisar depois disso.

'Se eu passar pelo Banquete… vou descobrir o resto.'

"É o Professor Caldus," falou baixinho. "Ele está envolvido."

Elyra não respondeu imediatamente. Sua expressão permaneceu indecifrável. Silenciosa. Pensando.

Finalmente, ela falou.

"…Era de se esperar. Sabia que tinham alguém por dentro. Só não sabia exatamente quem."

"Só isso?" perguntou Noel, surpreso. "Você não está mais chocada?"

"O que você quer que eu diga? É óbvio. A verdadeira questão é—qual é o papel dele nisso tudo?"

Noel suspirou, mas no sussurro disse, "Se eu não fizer nada, muita gente vai morrer no banquete."

Elyra percebeu.

Ela voltou a ficar com olhar afiado. "O que você quer dizer com isso?"

"Você sabe o que quero dizer. É por isso que estamos investigando eles, não é?"

Ela não respondeu imediatamente.

O silêncio dela dizia tudo a Noel.

'Droga. Eu exagerei.'

Depois, ela falou: "O que quer dizer com 'muita gente vai morrer'? Como você sabe que vai ter um banquete? A academia ainda não anunciou nada. Nunca aconteceu um antes. Não há precedentes na história da escola."

Um suor frio escorreu pelas costas de Noel.

Ele tinha se queimado.

'Estão investigando esses estudantes por razões completamente diferentes.'

Ele engoliu em seco. "Então por que vocês os estão investigando?"

Ela olhou para ele como se a resposta fosse óbvia. "Porque sou Vice-Presidente do Conselho Estudantil. Tenho que garantir que as regras sejam seguidas. Quando os alunos saem à noite sem permissão, é meu trabalho saber por quê. E, obviamente, alguém lhes deu acesso aos túneis sob os laboratórios de encantamentos."

Noel amaldiçoou internamente.

'Claro. Justamente isso. Claro que sim.'

Se ela soubesse o que ele sabia, se ela realmente tivesse notícia do ataque antes—ela teria parado. Não haveria 200 mortos. Nenhuma tragédia.

'FODA-SE!!!'

Era isso que ecoava na cabeça de Noel.

E agora?

Contar tudo a ela?

Tentar dar um jeito na história?

Mentir?

'Sem uso. Elyra é inteligente demais. Ela perceberia se eu estivesse mentindo.'

Ela o avaliou cuidadosamente.

Depois, deu uma suavizada—bem pouco.

"Você está bêbado, né? É uma brincadeira de mau gosto? Você não devia beber assim. Eu sei que as finais acabaram, mas se cuide. Você não parece alguém que lida bem com álcool."

Noel riu fracamente.

"É... Você tem razão."

Mas então seu tom mudou.

"Mas o negócio do Caldus? Essa parte é real."

Ela levantou uma sobrancelha.

"Vou cuidar disso," acrescentou ele. "Me deixe cuidar dessa parte, por favor. E… mais uma vez, desculpa por puxá-la para esse beco. Você deveria ver isso no hospital, sua mão. Não quis puxar tão forte."

Ela não respondeu.

Apenas assentiu uma vez, distante.

Depois virou-se e foi embora.

Noel ficou ali, sozinho no beco, vendo ela desaparecer no pátio do dormitório.

Ele encostou na parede, respirando fundo.

'Ela foi. E eu perdi ele.'

A ruiva tinha desaparecido. Talvez já fosse tarde. Ainda assim—ele tinha informações suficientes.

Ele tinha nomes.

Conexões.

Locais.

E naquele momento, a memória finalmente retornou.

O livro. A história.

As duas fases do Banquete.

A equipe de ataque—quatro adversários. Um incrivelmente forte. Marcus e seus amigos lutaram e conseguiram vencer.

Mas depois—após a luta…

As bombas.

Plantadas previamente.

Explodiram exatamente quando os estudantes achavam que tinham sobrevivido.

A verdadeira tragédia.

'Como diabos eu esqueci essa parte mais importante?'

Noel sentiu as pernas ficando mais pesadas.

'Tô acabado.'

'Primeiro banho. Depois, estratégia.'

Ele voltou ao dormitório, subiu as escadas e fechou a porta atrás de si.

Despir-se das roupas, entrar no banho e deixar a água quente lavar a noite embora.

'Agora estou sozinho nisso. Não posso arrastar mais ninguém.'

'Eles vão enfrentar Caldus quando chegar a hora.'

'Mas as bombas…'

Ele fechou os olhos.

'Vou descobrir amanhã.'

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