O Extra é um Gênio!?

Capítulo 23

O Extra é um Gênio!?

Noel escorregou pela esquina perto do alojamento da turma A, passos silenciosos, respiração firme. A noite havia ficado fria, mas ele mal sentia.

Ele tinha acabado de se despedir de Elena há menos de um minuto. Ela virou-se na direção dos dormitórios.

Ele voltou-se para ele.

O estudante de cabelo vermelho.

O mesmo que tinha seguido antes. O mesmo que marcara há semanas.

Nesta noite, o rapaz estava sozinho.

Movendo-se rápido.

'Ele não está apenas vagando. Sabe exatamente para onde vai.'

Noel seguiu pelos atalhos, deslizando entre bolsões de sombra criados pelos postes altos que estavam acima. As ruas nesta hora estavam quase vazias—apenas o movimento ocasional de um mago da equipe patrulhando ou de um estudante que voltava tarde.

O ruivo não o notou.

Nem olhou para trás.

E agora Noel entendia o porquê.

O caminho levava direto ao Grande Salão.

O mesmo prédio imponente onde toda a comunidade estudantil tinha se reunido para a cerimônia de abertura. O mesmo lugar que Noel recordava vividamente do livro.

Onde tudo aconteceria.

O Banquete Sangrento.

'Tentei desligar por uma noite.'

'Mas é isso. A história está me puxando de volta.'

Ele seguiu silenciosamente, cada passo apertando o nó no estômago.

'Você não viria aqui sem motivo.'

'Então, qual é o plano?'

O rapaz de cabelo vermelho chegou à entrada lateral do salão e entrou por uma porta de serviço estreita, como se já tivesse feito isso antes.

Noel não hesitou.

Ele entrou atrás dele—de volta à escuridão.

A porta de serviço se fechou suavemente atrás de Noel.

Ele parou no corredor além, deixando os olhos se ajustarem. O interior do Grande Salão estava quieto agora—demasiado quieto. Da última vez que estivera aqui, estava lotado de estudantes, as vozes ecoando no mármore e as bandeiras tremulando ao vento conjurado por algum feitiço de vento formal.

E agora?

Silêncio.

Daquele tipo que penetra nos pulmões quando se respira fundo demais.

Noel moveu-se cuidadosamente, seguindo o som sutil de passos à frente—quase inaudível sob o silêncio do prédio. Manteve-se nas sombras, os passos silenciosos contra o piso polido.

Entrou na câmara principal pelo lado, os olhos varrendo o espaço imenso.

Estava exatamente como ele se lembrava: tetos altos, colunas de pedra enfeitadas com banners com o brasão da academia, longas paredes onde tochas encantadas tremeluziam indecisas em um estado de baixa potência.

Era o coração do prestígio da academia. O lugar onde o diretor mesmo tinha dado as boas-vindas a todos.

E, em menos de duas semanas, se o livro estivesse correto, se tornaria um local de massacre.

'O Banquete Sangrento.'

'Mais de duzentas mortes. Centenas de feridos. A primeira rachadura real na imagem perfeita da academia.'

'E eu não lembro como tudo começou.'

Essa era a pior parte. Ele se lembrava que aconteceu. Lembra que Marcus acabou interrompendo. Mas o gatilho? O começo? Quem, o que, por quê?

Sumiram.

Ele percebeu um movimento lá na frente.

O rapaz de cabelo vermelho tinha cruzado para um canto distante do salão—um que a maioria das pessoas sequer olharia. Escondido atrás de uma pilha de caixotes não utilizados e cadeiras empilhadas da cerimônia de abertura, ele se ajoelhou e empurrou alguns caixotes de lado.

Então, sem hesitar, abriu uma portinhola no chão.

Os olhos de Noel se estreitaram.

'É ali.'

O rapaz de cabelo vermelho passou por ela e desapareceu.

Noel contou até cinco.

Depois o seguiu.

A portinhola não estava trancada.

Apenas envelhecida.

A madeira rangeu suavemente sob os dedos de Noel ao levantá-la, com cuidado para mover-se devagar e silencioso. A parte de baixo revelou uma escada estreita de pedra, spiralando para baixo na escuridão.

Noel entrou e fechou o vestibulinho acima dele.

O som desapareceu.

Tudo ficou em silêncio.

Ele não se atrevia a acender uma luz. O brilho mais tênue vindo de cristais de mana embutidos nas paredes dava o suficiente para enxergar—fraquíssimo, ondulante, frio.

A atmosfera mudou à medida que descia. Mais fresca. Mais empoeirada. Tocado por uma quietude que parecia indicar que esse lugar não tinha sido perturbado há anos.

'Já estive em catacumbas mais limpas do que isso. Brincadeira.'

No final da escada, o espaço se abriu em um corredor largo. As paredes eram de pedra, no mesmo estilo da escola—mas mais antigas. Mais rústicas.

Noel manteve-se escondido nas sombras, passos cuidadosos.

Passou por várias salas laterais vazias, na maioria delas cheias de mobília antiga—cadeiras dobráveis empilhadas até o teto, palcos quebrados, lâmpadas de latão desbotadas, banners sem uso enrolados nos cantos como relíquias esquecidas.

Passou por uma sala cheia de pratos e talheres empilhados—restos de algum ritual que ninguém lembrava qual. Outra tinha fileiras de manequins usados para uniformes de demonstração, agora parados silenciosamente no escuro.

E adiante...

Vozes.

Baixas. Mufladas.

Noel desacelerou.

Se encostou na parede.

No final do corredor, uma tênue luz laranja escapava de sob uma porta.

Ele se aproximou devagar, pulsando forte, mas controlado.

'Vamos ver quem está aqui.'

Agachou-se ao lado da porta.

Uma mão perto da empunhadura da lâmina.

E então—

Ouviu uma voz.

Familiar.

Mas não do rapaz de cabelo vermelho.

Alguém mais estava dentro.

Alguém Noel conhecia.

E foi aí que tudo deixou de fazer sentido.

Noel pressiona as costas na parede, bem ao lado da brecha da porta aberta.

As vozes internas eram baixas, firmes—demasiado quietas para captar cada palavra. Ele focou, respirando superficialmente, se esforçando para entender o diálogo.

Então—

Um tom familiar cortou o silêncio.

Calmo. Claro. Um pouco cortado.

Professor Caldus.

Os olhos de Noel se arregalaram, mas ele permaneceu imóvel.

'Caldus? O instrutor de feitiços?'

'Que diabo ele está fazendo aqui embaixo?'

Caldus não elevou a voz, mas o ritmo era inconfundível—da mesma forma que falava na aula, estruturado e preciso.

A resposta do rapaz de cabelo vermelho. Muito baixo para ouvir as palavras, mas a postura na porta entregava tudo. Respeito. Deferência.

Noel inclinou-se um pouco, espreitando pela fissura na pesada porta de pedra.

Lá estavam eles.

O estudante de cabelo vermelho, em posição de soldado fazendo apresentação.

E do lado dele, o professor Caldus, vestido não com túnica da escola, mas com roupas de viagem escuras e sem detalhes. Um manto simples. Uma túnica básica. Sem insígnias.

Nada que o ligasse à escola.

E mesmo assim… ali estava.

Com as mãos atrás das costas.

Parecendo completamente à vontade na sombra.

'Ele não está só envolvido. Está no comando.'

'O que significa que isso vai mais alto do que eu pensava.'

Agarrou o cabo de sua lâmina um pouco mais firmemente.

Ele não se mexeu.

Não falou.

Apenas observou.

E ouviu.

Tempo suficiente para perceber—

Que aquela não era uma reunião de uma única vez.

Noel não se mexeu.

Não respirou.

Apenas escutou.

E algo na sala começou a mudar.

Caldus parou no meio da frase.

Silêncio.

Então—

"Não estamos sozinhos."

O coração de Noel caiu.

Num instante, Caldus virou a cabeça—não na direção da porta, mas o suficiente para enviar uma mensagem.

'FODA-SE'

"Sem pontas soltas", disse Caldus, secamente.

O rapaz de cabelo vermelho se mexeu.

Rapidamente.

Noel já tinha desaparecido.

Correu pelo corredor, os sapatos batendo no piso de pedra com força controlada. Sem hesitação. Sem olhar para trás. Passou pelas antigas salas, pelo pó, pelo eco da traição que ficava mais alto que seus passos.

'Ele é rápido. Droga.'

A escada se destacou à frente. Noel subiu dois degraus de uma vez, abriu a portinhola e rolou pelos caixotes que memorizara há minutos.

De volta ao Grande Salão. Vazio. Silencioso.

Não parou.

Passou pela porta de serviço e voltou ao ar da rua—respiração ofegante agora, sangue pulsando.

As luzes dos postes faziam zumbido. O vento tinha aumentado.

E pouco à frente, caminhando calmamente de volta ao alojamento—

Elyra.

O cabelo preso em trança reluzia na luz da lamparina, o xale apertado nos ombros.

Noel não pensou. Correu pela rua, pegou seu braço e a puxou para o beco mais próximo antes que ela pudesse reagir.

"O quê—!?"

O passo do rapaz de cabelo vermelho aproximava-se rapidamente.

Eles se encostaram na parede. Noel a segurou firme.

O rapaz passou pelo começo do beco.

Sem parar.

Sem olhar.

Desapareceu.

Noel respirou fundo. Lento. Controlado.

Até Elyra dizer, com força: "Solta".

Ele olhou para baixo.

Seu aperto havia ficado mais forte sem perceber.

Ela fez careta. "Você está machucando mim."

Ele imediatamente a soltou, recuando um passo.

"Desculpe", falou, baixinho. "Não quis…"

"Que diabo está acontecendo?" ela perguntou, mordendo o braço.

Noel virou para ela.

"Preciso falar com você", disse. "É algo sério."

Comentários