
Capítulo 22
O Extra é um Gênio!?
Noel acompanhou Marcus subindo as escadas do salão principal. Essa parte inferior foi construída ao redor de um amplo perímetro aberto, com corrimãos robustos de vidro-mana que ofereciam uma visão clara da multidão abaixo. Ao longo das margens, elevadas um pouco acima do piso, havia áreas privativas — cada uma projetada para pequenos grupos apreciarem a música sem serem engolidos por ela.
Ele olhou ao redor enquanto subiam.
"Tem muita gente com lounges," murmurou Noel.
Marcus olhou de volta, sorrindo. "Algumas pessoas não gostam de estar no meio da galera. Preferem ficar de boas com os amigos em um lugar mais tranquilo. É para isso que servem os lounges."
'Faz sentido. Eu também escolheria assim, na honestidade. Mas… mudar de vez em quando não faz mal.'
Quando chegaram ao segundo andar, os olhos de Noel se desviaram pelos demais lounges.
Em um deles, ele imediatamente avistou Elyra von Estermont — Vice-Presidente do Conselho Estudantil… e, de certa forma, sua cúmplice nas confusões.
Ela estava elegantemente sentada entre um grupo de nobres bem vestidos, com uma bebida na mão, sorrindo para algo que alguém dizia.
'Então ela também curte uma festa.'
'Não surpreende. Com o tanto que ela tem na cabeça, merece uma pausa.'
No entanto, essa ideia o fez lembrar —
‘Logo, precisarei voltar à missão. A ruiva. A infiltração. Tudo isso.’
Mas, enquanto olhava ao redor, outra percepção o atingiu.
‘Essa cena… esse momento... nunca apareceu no livro.’
A história que ele decora não tinha menção a essa festa. Nenhum lounge reservado. Nenhuma luz brilhante. Nenhum riso ecoando pelo andar superior da balada.
Não era apenas surpreendente.
Era… humano.
‘Eles não são personagens seguindo um roteiro.’
‘São pessoas. Pessoas de verdade. E talvez isso seja melhor.’
‘Já morri uma vez. Agora, essa é a minha vida. E sim, tenho trabalho a fazer. Um mundo para salvar. Mas…’
‘Eu também quero viver tudo isso.’
Quando chegaram ao camarote, Marcus olhou por cima do ombro e sorriu.
“E aí, como você acabou aqui?”
Noel deu uma risadinha seca. “O Roberto me arrastou."
Ele fez uma pausa.
Depois deu de ombros.
"Mas não me arrependo. É bom desligar de vez em quando."
O lounge não era enorme, mas tinha o suficiente para parecer exclusivo. Assentos confortáveis cercavam uma mesa de vidro-mana elegante, que parecia cara. Muito cara. O corrimão ao redor do lounge shimmerava sutilmente — algum feitiço. Permitía que um pouco da música de baixo passasse, mantendo a atmosfera vibrante, enquanto suavizava o som para que todos pudessem conversar de boa.
Marcus foi o primeiro a entrar, levantando a mão enquanto anunciava: “Olha só quem eu encontrei.”
A primeira a sorrir foi a Clara, claro.
Depois, o resto do grupo virou-se.
Sentada ao lado da Clara havia Elena von Lestaria, radiante como sempre. Ela vestia um vestido branco casual que realçava sua figura elegante sem esforço. As mangas eram longas, mas as costas abertas — revelando o suficiente para ser discreto, perigoso e completamente impossível de ignorar. Seus cabelos loiro-prateados caíam livres até as costas, e um delicado pingente de prata repousava sobre a clavícula, combinando perfeitamente com o brilho dos cabelos.
Noel hesitou.
Talvez um segundo além do ideal.
'Droga.'
As feições élficas dela ainda o surpreendiam. Elfos eram conhecidos por sua beleza — mas Elena? Ela era de outro nível completamente.
"Nos conhecemos," ela disse suavemente, seu olhar fixo em Noel. "Brevemente."
Ele piscou uma vez, assentindo. "Sim. Você perguntou ao Gareth sobre as regras do dormitório."
"E agiu como uma dama lá. Parece que você se lembra bem também." Ela inclinou a cabeça levemente, com um sorriso no lábio. "Parabéns, aliás. Pelos resultados do seu exame. Parecia que você foi bem."
'Top de teoria. Alto nas práticas. Ela é brilhante. E importante.'
'Preciso tê-la do meu lado, eventualmente. Melhor plantar essa ideia agora.'
"Obrigado. Fui bem," ele respondeu. "Mas nada comparado a você. Primeiro na teoria, e um dos melhores nas práticas."
"Sempre," ela respondeu, com tom suave como seda.
Noel não tinha certeza se era arrogância ou honestidade.
Provavelmente ambos.
Antes que pudesse dizer mais alguma coisa, Marcus interrompeu com um sorriso.
"Vamos, vamos, não precisa monopolizar a atenção — tem mais gente aqui, sabia?"
Noel deu uma pequena headshot. "Desculpa."
"Não se preocupa," Marcus respondeu. "Parece que você já conhece a Clara e a Elena. Aí, o rapaz ali, quase grudado na poltrona—"
Ele apontou para o estudante de cabelo verde, jogado de lado como se não tivesse coluna.
"—é o Laziel Varn. Mago. Gênio arrogante. Parece preguiçoso, mas vai te lançar com um olho fechado."
Laziel deu um saludo preguiçoso. "Gosto deste aqui. Ele não fala demais."
"E esse," continuou Marcus, apontando para o monstro de força que tomava café de uma caneca, "é o Garron Bale. Cavaleiro. Forte. Honesto. Pode parecer assustador quando fica puto. Basicamente um cachorrinho de armadura."
"É rude apontar," disse Garron, sorrindo. "Prazer em conhecê-lo. Deve ser Noel."
"Igualmente."
Eles apertaram as mãos.
Noel torceu um pouco a face com a força da pegada de Garron — aquele cara não sabia o próprio poder.
Mais duas garotas estavam na borda do balcão — amigas da Clara e da Elena. Noel as cumprimentou com um aceno educado, depois se sentou na cadeira mais próxima aberta, sentindo o calor do lounge envolver ele.
Por um momento, ele não se sentiu mais como um estranho observando de fora.
Noel recostou-se na cadeira, com os dedos descansando ao redor de um copo frio que ainda não tinha bebido. O ambiente era quente, suavemente iluminado por lanternas de cristal flutuantes que pulsavam de leve ao ritmo da música, lançando tons de ouro e violeta sobre as superfícies polidas.
Seus olhos perderam-se — inevitavelmente, naturalmente — em Elena.
Ela conversava baixinho com Clara e uma das meninas ao lado, com postura elegante mesmo sentada. Não se remexia. Não reagia exageradamente. Cada movimento parecia preciso, como uma nobre treinada desde criança para comandar atenção sem precisar levantar a voz.
E o mais impressionante — ela não tentava.
O vestido branco, o colar de prata, as costas abertas — nada disso era para se exibir. Simplesmente funcionava.
Noel a observou por um segundo além do que deveria, depois olhou para o seu copo.
'Ela é linda. Isso é óbvio.'
'Mas há algo mais. Uma espécie de gravidade ao redor dela.'
'E no livro, ela não era só brilhante — era fundamental.'
Ele lembrou-se das páginas. Como ela se movimentava na política como uma sombra com uma lâmina. Como era respeitada pelo Conselho, temida pelos nobres, adorada pelo povo.
'Estar do lado dela não seria só útil. Pode ser necessário.'
Então, ela virou o rosto, olhos encontrando os dele do outro lado da mesa.
Não com firmeza. Não fria.
Somente… curiosa.
Os olhos deles permaneceram por um segundo mais do que o casual.
Depois, ela assentiu com um pequeno movimento, quase imperceptível.
E ele devolveu o gesto.
A música de baixo pulsava suavemente pela sala, mas aqui tudo parecia mais suave. Mais calmo. A conversa leve — Clara provocando Marcus sobre o quão sério ele levava cada aula, Garron respondendo com uma observação seca sobre Marcus "tomando notas nos sonhos", o que arrancou risadas de todos.
Noel relaxou-se na cadeira, com uma surpresa de facilidade. O acolchoado era quente, a bebida era suave, a companhia, agradável.
Em certo momento, enquanto os outros discutiam quem tinha o parceiro mais horrível na prova prática, Elena mexeu-se discretamente, inclinando sua cadeira um pouco mais na direção dele.
"Sua primeira festa?" ela perguntou, baixinho, só para eles.
Noel olhou para ela. "Tão óbvio assim?"
"De jeito nenhum," respondeu ela, com um sorriso sutil no rosto. "Mas eu venho vindo a esses eventos de tempos em tempos. Você acaba se acostumando."
Ele deu um gole no seu copo. "É bom. Melhor do que eu esperava."
Ela assentiu, girando suavemente a bebida. "Acho que as pessoas esquecem o quanto é importante... parar. Aproveitar um pouco. Mesmo as pequenas coisas."
"Difícil quando os exames parecem querer te matar."
Ela riu — leve, sincera.
Ele olhou para ela por um instante. O cabelo loiro-prateado emoldurava o rosto dela à perfeição sob a luz quente, as feições suaves e relaxadas — tão diferente da presença nobiliárquica sempre controlada que ela exibia nos corredores.
"Vou brindar a isso," disse Noel, levantando um pouco o copo.
Ela corresponder com um leve toque com o dela, emitindo um som suave.
E por um momento, eles apenas ficaram ali, em silêncio, bebendo, observando as luzes que lentamente se espalhavam pelo chão abaixo.
A brisa da noite fora do clube era fresca e calma. A música se tornava um suave zunido por trás da porta pesada que se fechou suavemente, levando Noel para fora. Ele encostou-se na parede ao lado da entrada, com as mãos nos bolsos, deixando o ruído e as luzes ficarem ao fundo.
A porta se abriu novamente.
Elena von Lestaria saiu, envolvendo um xale fino pelos ombros. Seu vestido se movia suavemente com o vento, e o brilho prateado do colar cintilava sob a luz dos postes.
Seus olhos se encontraram.
"Vou voltar," ela disse casualmente. "Está muito barulhento lá dentro."
Noel deu uma leve cabeça. "Eu também."
Pousou a expressão por um segundo, depois fez um gesto de leve com o queixo. "Quer companhia na caminhada?"
Ela pensou por um instante.
Depois, com um sorriso suave e um encolher de ombros, respondeu: "Claro. Vamos na mesma direção, de qualquer jeito."
Começaram a caminhar lado a lado, pela rua de pedra que levava ao bairro residencial da academia. O caminho era familiar, as ruas silenciosas agora, exceto por risadas ou o tilintar de copos ao longe.
Noel não sentia necessidade de falar — e aparentemente ela também não.
Não era desconfortável.
Era natural.
Passaram sob algumas lanternas de cristal que lançavam uma luz azul suave pela rua. Seus passos ecoaram de leve enquanto o clube ficava cada vez menor ao fundo.
'Paz.'
Essa foi a única palavra que veio à mente de Noel.
E, pela primeira vez, ele não pensou demais.
Simplesmente seguiu em frente.
Chegaram ao final do caminho tranquilo que levava às moradias de Classe A, com a torre principal visível entre as árvores, iluminada suavemente sob a luz da lua.
Elena diminuiu o ritmo um pouco, depois jogou um olhar para ele com aquela expressão calma, composta, que ela sempre tinha.
"Obrigada," ela disse, com voz baixa.
Noel levantou uma sobrancelha. "Por quê?"
"Por não ter tentado se insinuar pra mim."
Ele piscou, totalmente surpreso.
"...Certo."
Ela parecia divertida agora — só um pouco.
"Costumo ser assim com as pessoas, começo com isso."
Noel coçou a nuca. "Bem, nem tudo é aparência."
Ficou em silêncio por um momento.
Depois, acrescentou: "Quer dizer — não me leve a mal. Você é linda. Obviamente. Mas… não é só isso. Mal te conheço."
Elena arqueou uma sobrancelha.
Depois sorriu.
Noel só conseguiu olhar adiante por um segundo, subitamente ciente do calor subindo atrás das orelhas.
'Que diabos você está fazendo, Noel? Você é adulto. Age como um.'
Elena riu. Não de deboche — apenas suave, clara e sincera.
"Vou interpretar isso como um elogio," ela disse.
Noel ia responder quando algo — uma pequena mudança de movimento — chamou sua atenção na esquina do olho.
Ele virou a cabeça.
Do outro lado da rua, quase invisível sob a pouca luz, havia uma silhueta familiar.
Cabelos vermelhos. Capuz. Caminhando sozinho.
'Não pode ser.'
Ele estreitou os olhos.
A figura não caminhava em linha reta. Instável. Talvez bêbada. Mas a forma, a postura — Noel reconhecia isso de várias vezes até imediatamente.
Sua alvo.
Noel deu um passopara trás de Elena suavemente.
"Tenho que ir."
Ela inclinou a cabeça. "Problemas?"
Ele sorriu meio de lado. "Algo assim."
"Tome cuidado."
Noel assentiu, virou-se e se esgueirou silenciosamente para as sombras, os olhos fixos na ruiva que já se afastava pela rua.
E, assim —
Ele voltou ao jogo.