
Capítulo 47
O Extra é um Gênio!?
[Mensagem do Sistema]
[Nova Missão: Matar a Serpente e Salvar os Nobres]
Recompensa: ???
Noel estava sob a sombra distorcida de uma árvore antiga, com a mão na empunhadura de Dente do Fantasma, queixo cerrado.
O campo de batalha era uma verdadeira tragédia.
Gritos ecoavam pela clareira. Um nobre voava pelo ar, bateu contra uma pedra e não se levantou mais. Os demais desesperaram-se, lançando feitiços que mal arranhavam a criatura, correndo como ratos com as patas quebradas. Não havia orbes de vigilância no céu. Nenhum escudo de segurança ativado. Nenhum artefato mágico iluminando como deveria.
Apenas caos.
'Que sistema merda, que porra é essa,' pensou Noel.
Ele avançou, com as botas batendo contra a terra. Um dos nobres quase se chocou contra ele ao fugir—Noel o empurrou sem olhar.
"Recuem!" ele ordenou.
Ninguém se mexeu.
Claro que não. Eram nobres. Não obedeciam a merda de ordens da escória da família Thorne. A menos que viesse com um título ou um convite do cacete.
"EU DISSE, SE MEXAM!" ele gritou, agarrando um deles pela gola e empurrando em direção às árvores. "Vão procurar os Patriarcas e Matriarcas. Avisem que os mecanismos de segurança estão mortos e que as orbes sumiram. Ditem que alguém hackeou o sistema. E se vocês pararem de correr, juro que eu mesmo arranco seus órgãos e deixo o resto para a besta."
Isso os fez se mexerem.
Pés batendo na terra, orgulho ferido. Noel não se importava. Virou-se em direção ao centro da clareira, onde Elena ainda estava.
Ela com a espada baixa. Sangue escorrendo pelo braço. Parecia que queria ficar.
Noel caminhou até ela com aquela calma morta que usava nos segundos antes de perder a cabeça.
"Você acabou," ele disse com uma voz plana. "Respire fundo. Eu resolvo isso."
Elena franziu o cenho. "Você não precisa—"
"Não tô a fim de discursos. Vai embora."
Um instante de hesitação. Depois, relutante, ela virou-se e mancou para trás.
Noel esperou até ela desaparecer entre as árvores, então exalou.
'Perfeito. Só eu, uma maldita cobra, sem plano e sem ideia do que tô fazendo. De novo. Justo como eu gosto.'
A floresta os engoliu rapidamente.
Cinco nobres—três machucados, um mancando, outro chorando sem perceber—correndo pelo caminho coberto de plantas, mana piscando fraca ao redor de suas botas para mantê-los de pé. Nenhum deles treinou para isso. Nem de verdade.
Não eram guerreiros. Eram herdeiros. Herdeiros com nomes, com casas, com reputações. Coisas inúteis quando se está sendo caçado por uma morte vestida de escamas pretas.
"Ele está louco?" um deles ofegou entre respirações cortadas. "Ele ficou para trás sozinho?"
Outro cuspiu para o lado. "Esse era Noel Thorne. Imagina. Doido nunca descobriu seu lugar."
"Ele é o filho fracassado, né? Aquela figura que ninguém fala."
"Pois é. Acho que finalmente pirou."
Silêncio se seguiu. Apenas o barulho das botas na terra e o abafado tiro de pânico nos corações.
Eles romperam a linha das árvores e chegaram na área externa, onde barreiras cintilantes protegiam o acampamento de observação—um domo de luz dourada cercado por tendas nobres e telas de vigilância flutuantes.
Uma dúzia de guardas se endireitaram assim que o grupo entrou, sem fôlego e com os olhos arregalados.
"Emergência!" um deles gritou, com a voz triscando. "Uma das zonas principais está comprometida! As orbes estão caídas—o equipamento de proteção não ativou—tem uma besta com Núcleo de Adepto solta!"
Isso chamou atenção.
Lord Albrecht Thorne levantou-se de sua cadeira perto da mesa central, seus olhos cinzentos e frios se estreitaram. O homem raramente se movia. Quando fazia, o ar parecia reagir.
"Onde?" ele perguntou, sua voz calma e definitiva como uma sentença de morte.
"Na quadra do lago central—
Havia um grupo, foram emboscados—Dama Elena von Lestaria estava lá—"
"E quem avisou?" interrompeu uma voz, afiada e desconfiada.
O nobre engoliu em seco. "Noel Thorne. Ele… ele nos mandou correr e avisar vocês."
O nome caiu como uma pedra no silêncio da água parada.
Dona Mirelle, sentada ao lado de Albrecht, nem sequer tentou esconder seu sorriso de lado. "Então o fantasma da família fala."
Albrecht não disse nada. Apenas virou-se em direção à borda brilhante do domo, onde a floresta tremia sob um silêncio anormal.
"… Mobilize uma equipe de resposta," finalmente ordenou.
"Mas as regras da Caçada—"
"Agora."
A clareira ficou silenciosa novamente.
Noel estava no centro, o vento passando por seu rosto como o sopro de algo observando. Elena tinha desaparecido. Os outros também. Tudo o que sobrava era ele, as árvores… e aquilo maldito que rastejava além da névoa.
Ele exalou lentamente.
'De novo sozinho. Como sempre.'
Seus olhos vasculharam o campo—armas caída, galhos quebrados, terra revolta. Todos sinais de pânico. De fracasso.
Noel agachou-se, pressionando dois dedos na terra. Ainda quente. Vibrando levemente.
'Agora ele está rodeando.'
Ele apertou mais a empunhadura de Dente do Fantasma.
'Bom. Deixe o idiota vir.'
Seu coração pulsava. Nem rápido, nem lento, mas firme.
Ele não estava calmo.
Estava nervoso.
Seus pensamentos queimavam como fogo selvagem.
'Sem backup. Sem vantagem de terreno. Essa coisa tem velocidade e peso maior que eu. Resistente pra caramba. Visão limitada. Comportamento de busca de calor. Provavelmente corrompida. Talvez nem esteja mais agindo por instinto.'
Ele olhou para o dossel. Ainda sem orbes.
'Ainda sozinho… e completamente fudido, beleza, vamos fazer isso…'
Mas ele permaneceu.
Porque fugir significaria arrastar mais cadáveres pra fora depois. Rostos que o assombrariam. Nomes que ele nunca aprendeu direito. Esse era o compromisso. Agora sabia a história. Estava nela. De verdade.
Chega de ser coadjuvante.
"Beleza, seu filho da puta," murmurou, erguendo sua espada. "Vamos ver quanto mana dá pra cortar uma pesadelo."
Um tremor percorreu o solo sob seus pés.
A cobra estava voltando.
O chão pulsou novamente.
Depois, silêncio.
Então—
Uma sombra negra surgiu das árvores, as escamas brilhando com um brilho estranho, o ar se rasgando com um estrondo ensurdecedor. Noel não hesitou.
Mana inundou seus braços como fogo nas veias. Seu corpo se moveu lateralmente, escapando por pouco do impacto quando a cabeça da serpente cravou o local onde ele havia estado.
'Devagar demais.'
A cauda seguiu. Um golpe horizontal. Noel abaixou-se, rolou para frente e pulou em direção à lateral da criatura. Dente do Fantasma reluziu—mas a lâmina ricocheteou nas escamas com um som de metal.
'Previsível.'
Ele aterrissou em posição de agachamento. Sem dano. Apenas um arranhão na armadura.
A serpente virou-se. Seus olhos fixaram-se nele.
Ele sorriu.
"Vamos lá? Venha, você, breguete gigante."
Ela atacou novamente. Presas abertas, escorrendo algo que chiar nas gotas ao tocar o chão.
Noel recuou, um pouco atrasado. Ácido respingou no seu sobretudo, corroendo o tecido externo antes que ele conseguisse arrancá-lo e jogar de lado.
Seu ombro latejava. Quase uma arranhadela. Mas a dor acendia seus nervos como fogos de artifício.
'Perfeito.'
Ele concentrou-se, lendo o ritmo: um golpe, duas fintas, um varrimento da cauda, então uma mordida—movimento quase mecânico.
'Quem quer que tenha corrompido essa coisa deu a ela inteligência suficiente pra ser um saco, hein.'
Mana voltou a subir—desta vez, não por velocidade, mas por resistência. Sua pele ficou mais grossa. Músculos tensos. Ele serrava os dentes e avançou em direção à criatura.
Dessa vez, não evitou o ataque.
Enfrentou a investida.
A cauda cortou em direção a ele como um chicote.
Noel deslizou por baixo, girou, usando o último segundo para baixar Dente do Fantasma com força—
ESTALADO.
Faíscas voaram. A lâmina cortou até metade, levando um osso. A serpente silvou, rampeando em fúria.
"Pois é," ronrou Noel, ofegante. "Também senti isso, mula."
A criatura avançou, e Noel correu para o lado, olhos atentos, mente acelerada. A aura de corrupção que ela exalava agora era pesada, sufocando a clareira.
Ele não podia enfrentá-la de frente.
Mas talvez… ele não precisasse.
'Vamos lá, pense. Você já viu isso antes. Conhece o padrão. Você não é forte o suficiente pra matá-la limpo—mas talvez consiga enganá-la.'
Elena se agachou atrás de uma árvore quebrada na beira da clareira, uma mão firmemente pressionada contra o braço sangrento. Ela deveria ter continuado a correr. Sabia disso. Mas algo a manteve lá.
Ela tinha que ver.
Noel estava sozinho, e a criatura que enfrentava não era apenas uma besta—era uma calamidade embrulhada em escamas e raiva. Ainda assim, ele permanecia, sem recuar, sem hesitar. Movendo-se como o caos que conhecia.
Ela já tinha visto lutadores cheios de orgulho—showmen e duelistas obcecados por forma, ostentação e legado. Mas isso… isso não era assim.
Era algo diferente.
Crú e feio.
Ele se escondia na morte com um espaço quase sem respirar. Sem postura elegante, sem movimentos desperdiçados. Apenas sobrevivência, afiada como uma lâmina brutal.
A serpente atacou novamente, e Elena estremeceu instintivamente—mas Noel não correu. Ele se abaixou, fincou os pés e gritou:
"Veias de Ferro!"
Mana se acumulou ao redor do corpo dele, fazendo sua silhueta brilhar com calor e determinação. O próximo golpe atingiu seu ombro, mas ele não caiu.
Ele usou o impacto, girando com ele para aprofundar a lâmina na lateral da criatura. Faíscas voaram. A besta chiou e recuou.
'Essa espada… está reagindo.'
O fôlego de Elena ficou preso na garganta.
Ela tinha descartado Noel—todos tinham. O filho inútil da linhagem Thorne. O apagado, o espectro silencioso do canto que ninguém levava a sério.
Mas o garoto ali fora não era inútil. Ele não era silencioso.
Ele era aterrorizante.
Não porque fosse forte—mas porque se movia como alguém que não tinha nada a perder.
E isso o tornava perigoso.
Noel tropeçou por um momento, sangue escorrendo do lábio, seu sobretudo meio queimado. Mas sorriu com os dentes cerrados e levantou a espada de novo.
E, pela primeira vez, Elena sentiu algo se torcer em seu peito—não medo. Não pena.
Respeito.
A respiração de Noel queimava no peito. Seus braços doíam. Suas pernas pareciam de pedra. A cobra maldita não desacelerava—não de verdade. Sempre que parecia ter dado um golpe de verdade, a coisa torcia, recuava, se adaptava.
Ela estava aprendendo.
Do outro lado do campo, seu corpo enorme se virava de raiva, o flanco ferido soltando vapor, um olho fechado em foco implacável.
Noel permanecia imóvel, a lâmina tremendo levemente em suas mãos. Não por medo.
Por cansaço.
Ele sentia seu mana acabando. Não tinha mais muitos feitiços na manga. Os golpes se acumulavam, e não havia uma única abertura limpa à vista.
'Droga. Isso não tá funcionando. Tô batendo numa parede e querendo que ela rache.'
A serpente deslizou lentamente, testando. Saboreando o ar.
'Tá curtindo isso.'
Noel apertou ainda mais a empunhadura. Cada instinto gritava para ele se mexer, se reposicionar, tentar qualquer coisa—mas seu corpo começava a ignorar os comandos.
'Pense. Você já viu isso antes. Você conhece o padrão. Não é invencível—mas talvez consiga dar um jeito.'
Seu olhar se estreitou.
Dente do Fantasma pulsou lentamente. A espada parecia quente na mão. Viva. Como se estivesse… esperando.
'Vamos lá,' pensou. 'Se você é especial, agora é a hora de mostrar.'
A cobra chiou e investiu.
Noel mal conseguiu desviar— rolou, bateu contra uma árvore meio queimada e tossiu sangue na terra.
'Mais um desses e acabou.'
Ele se levantou, quase sem forças.
Não por coragem.
Por hábito.
Seus olhos se grudaram nos do serpente. E por um segundo—apenas um—tudo ficou quieto.
Parecia que o mundo esperava.
Noel limpou o sangue da boca e riu. Silencioso. Amargurado.
"Então é isso," murmurou. "Vamos ver até onde essa merda vai chegar."
A serpente respondeu com um chiado profundo e retumbante que ecoou entre as árvores.
Em algum canto da batalha, Elena olhava, uma mão no peito.
E na luz que começava a desaparecer na clareira, Dente do Fantasma pulsou novamente—mais forte.
Como se tivesse decidido algo.