O Extra é um Gênio!?

Capítulo 46

O Extra é um Gênio!?

A sexta manhã chegou com a névoa grudando nas árvores, lançando uma luz cinza pálida pela floresta.

Elena se agachou ao lado de uma besta morta, cujo pelo ainda exalava vapor pelo calor da última magia que havia lançado. Sua lâmina pingava sangue, e seus dedos tremiam levemente ao limpá-la na manga da roupa.

Ela não parou para descansar.

Não tinha coragem.

Ela se endireitou, respirando forte, mas com equilíbrio, e verificou suas reservas de mana. Baixas. Muito baixas.

Seu orbe pairava atrás dela, silencioso, mas sempre atento.

Ela virou-se de costas para o cadáver e seguiu caminhando.

'Tenho que chegar primeiro, como sempre.'

Seus botas cravaram contra folhas e galhos quebrados. Cada passo fazia suas pernas doer, seus ombros ardiam por excesso de uso, e sua mente zunia por falta de descanso. Mas sua determinação permanecia firme.

'Avançar. Só mais um pouco.'

Outra besta — uma híbrida de urso com presas — apareceu perto de um tronco coberto de musgo. Elena não hesitou. Ela assumiu sua postura, mana já fluindo até seus dedos.

"Estilhaço de Pedra", ela sussurrou.

Um espinho de rocha surgiu do chão, perfurando a perna de trás da criatura. Ela tropeçou — ela correu para dentro, golpes duplos de lâminas cortando uma única vez, duas.

A criatura caiu.

Mais uma vítima.

Seu orbe piscou suavemente.

Pontuação Total: 143

Ela nem sequer olhou.

'Não posso deixar que eles alcancem.'

O pensamento permaneceu enquanto ela avançava, passando por entre cipós grossos e galhos baixos.

Mesmo quando seu corpo implorava por descanso, um único pensamento a motivava:

'Tenho que chegar em primeiro.'

A floresta estava anormalmente silenciosa.

Kael Thorne e Damon Thorne se moveram com firmeza por um caminho estreito, atormentado por galhos grossos e raízes entrelaçadas. Os orbes mágicos que flutuavam perto de cada participante ficavam para trás — piscando intermitentemente, como velas ao vento.

Kael olhou por cima do ombro para o orbe distorcido.

"Bom. A interferência do campo está segurando."

Damon puxou o capuz, revelou um frasco de cristal selado embrulhado em pano. Dentro, um líquido carmesim profundo pulsava lentamente, como se tivesse um coração próprio.

"Você tem certeza de que isso é suficiente?" perguntou Kael.

Damon destampou-o. O ar ao redor deles instantaneamente azedou, com um cheiro forte e químico.

"Qualquer um que beber dessa fonte", disse sorrindo, "perderá a cabeça de vez.'

Eles pisaram na beirada rochosa de um pequeno lago isolado, cuja água era escura e imóvel, sem vento.

Sem hesitar, Damon inclinou o frasco para frente. O líquido escorreu, espesso como óleo, e espalhou uma fina película na superfície. Em segundos, começou a dissolver-se, desaparecendo na água com um som de chiado suave.

O lago borbulhou — não violentamente, mas de forma estranha — como se algo lá embaixo tivesse sido despertado.

Kael observou a reação com os olhos semicerrados. "Os orbes ainda estão travando?"

Damon olhou para cima. "Sim. A distorção do mana ao redor está estável. O sistema não registra nada."

Kael deu uma risada satisfeita. "Então, vamos esperar."

Os irmãos se viraram de costas para o lago, caminhando com passos confiantes mais para dentro da floresta. Atrás deles, o orbe que monitorava seu progresso vibrou mais uma vez — então ficou imóvel, congelado no ar.

E, no centro do lago, abaixo da superfície ondulante… algo se mexia.

Noel estava sentado numa elevação de pedra plana, com um joelho dobrado, o braço apoiado casualmente, observando as copas das árvores à sua frente. Dessa altura, a floresta se estendia como um mar verde infinito, quebrado apenas por clareiras envoltas em névoa e pelo brilho de um orbe de observação, ao longe.

Ele mastigava lentamente uma tira de carne cozida — um javali duro, passado do ponto, da noite anterior — quando o som de passos apressados chamou sua atenção.

Kael e Damon surgiram do mato, respirando com controle, armaduras levemente arranhadas, mas intactas.

Noel não se moveu.

Kael levantou uma mão em cumprimento. "Aí estão. Demoramos para te encontrar."

Os olhos de Noel se estreitaram. "Não precisavam, eu tava indo sozinho, sabe."

Damon deu um passo à frente, rosto sério. "Tem problema. Um grupo de participantes foi emboscado por algo grande, parece um monstro elite, até maior — talvez de nível Adepto."

"Muito grande", acrescentou Kael, enxugando o suor da testa por efeito dramático. "Estávamos por perto. Mal conseguimos escapar de lá. Pensei que você quisesse ajudar."

Noel olhou para eles com expressão vazia.

'Que porra vocês realmente querem?'

"Eles têm o dispositivo. Se eles estiverem morrendo, vai estourar."

Damon hesitou um pouco. "Sim, mas se forem várias pessoas, e os orbes podem falhar de uma só vez—"

"Vão se danar", cortou Noel.

Kael se tensionou. "Olha, não dá tempo pra discussão. Vai ou fica?"

Devagar, Noel se levantou, limpando o pó da roupa. "O que você acha que significa 'vai se danar'?"

Damon piscou. "Como assim?"

Noel virou as costas para eles. "Procurem alguém que ainda possa manipular esses dois filhos da mãe."

Seu tom era calmo.

O vento soprou suavemente entre as árvores.

Os dois irmãos ficaram em silêncio por um momento. Kael rangeu o maxilar. Damon parecia frustrado.

Depois, trocaram um olhar — um que dizia: Plano B, então.

Já indo embora, Noel não deixou passar.

Ele alcançou a empunhadura de sua espada.

'É isso mesmo.'

As botas de Noel atingiram o chão com força enquanto ele fazia uma curva brusca em torno de uma árvore coberta de musgo, passando por baixo de um galho baixo e pulando sobre um tronco caído. Sua respiração estava firme, os movimentos controlados — mas uma adrenalina escaldava seu sangue.

Por trás dele, a voz de Kael ecoou débilmente pelas árvores.

"Noel, espera — só ouve!"

Ele não parou.

'Nem a pau vou cair nessa.'

Eles não perseguiram por muito tempo — só o suficiente para provocar uma reação, para isolá-lo. E isso era o que mais o incomodava.

Eles não queriam vencer uma luta.

Queriam colocá-lo em uma posição desfavorável.

Um breve feitiço de mana envolveu suas pernas enquanto ele pulava por cima de uma raiz, reforçando o impacto, e se esgueirou por trás de uma área densa de arbustos. O dossel acima tremeu com o voo de pássaros assustados.

Depois… silêncio.

Noel se agachou, com a Garrucha de Revenant já na mão, olhos afiados como lâminas.

'Por que eles não estão me seguindo... ?'

Ele inclinou a cabeça, ouvindo. Um esquilo correu pelo mato perto. Uma brisa agitou as folhas.

E então, veio.

Uma vibração baixa e gutural sob seus pés.

Não era trovão.

Ele se virou.

Um segundo depois, um rugido atravessou as árvores como uma explosão, tremendo o chão e silenciando a floresta instantaneamente. Não era natural. Nem parecia um animal.

Estava errado.

Noel se levantou lentamente, os olhos se estreitando na direção da origem.

"Que porra foi isso, eles não estavam brincando."

Ele rangia os dentes e correu de volta na direção do som.

Uma sensação estranha se instalou em seu ventre.

'O que diabos eles fizeram...?'

O ar na clareira estava carregado de calor e do cheiro de sangue. Árvores carbonizadas e quebradas, a terra marcada por impactos e feitiços perdidos.

E, no centro de tudo, algo se movia — uma serpente do tamanho de um pesadelo.

Dez metros de comprimento, corpo robusto e escamado, enrolado como uma avalanche viva, coberto por placas negras irregulares. Seus olhos brilhavam com um tom verde doente, e suas presas exalavam um veneno verdeborra, fumegante, que silvava ao tocar o chão.

Noel se agachou atrás de um tronco caído na beira do caos, os olhos arregalados, a mão segurando sua espada.

'Que porra de coisa é essa...?'

A besta atacou, mais rápida que qualquer coisa do seu tamanho que pudesse se mover. Um dos nobres tentou lançar um feitiço defensivo, mas no instante em que levantou a mão—

Estalo.

A cauda da serpente virou-se, enviando o noble voando, que se chocou contra uma árvore com um estrondo brutal. Ele não se levantou.

E nenhuma luz. Nenhum pulso. Nenhum ativar do dispositivo de proteção.

O sangue de Noel gelou.

'Por que não ativou...?'

Ele olhou para cima — instintivamente procurando os orbes brilhantes que rastreavam todos os participantes.

'Como isso é possível?!?!?!'

Nada.

Nem um único olho de scrying flutuando à vista.

'Sem orbes, sem alertas de interferência. Que diabos os nobres estão fazendo? Estão assistindo a gente!?'

Outro participante tentou fugir, correndo na direção da mata — mas foi interceptado. A serpente avançou e enfia suas presas na perna dele. Ele gritou enquanto o veneno queimava carne e armadura ao mesmo tempo.

Porém — nada.

Apertando ainda mais a sua Garrucha de Revenant, Noel se preparou para o pior.

No centro da área, Elena permanecia, respirando com dificuldade, com cortes nos braços e o ombro esquerdo ensanguentado. Ela segurava suas lâminas firmemente, com postura baixa e firme, apesar do cansaço marcado em cada linha do rosto.

'Ela ainda está de pé? Contra aquela coisa, ela ficou louca...?'

A serpente gemeu e recuou, pronta para atacar novamente.

E, por um único instante, Noel sentiu algo mudar dentro dele.

Isso não fazia parte do plano. Nem da caça. Nem mesmo do romance que ele conhecia.

Isto era um massacre à porta de acontecer.

E ninguém vinha impedir.

A menos que alguém entrasse na luta.

Noel ficou ali, observando tudo com seus dois olhos de esmeralda.

'O que eu faço? Droga!'

Ele não soube como reagir à situação que se desenrolava.

E, nesse exato momento, um som familiar ecoou em sua cabeça.

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